Núcleos atómicos e estabilidade de isótopos
Dentro de qualquer núcleo com mais de um protão há uma batalha constante: a repulsão elétrica entre protões, confinados a uma distância de cerca de $10^{-15}\ \text{m}$, deveria fazer o núcleo explodir num instante. Que quase toda a matéria à tua volta seja estável mostra que existe outra força, ainda mais intensa a essas distâncias. Perceber quando ela ganha e quando perde é perceber porque é que uns núcleos são estáveis e outros radioativos.
Composição do núcleo: protões, neutrões e isótopos
Quando se mediram amostras puras de néon, descobriu-se que eram formadas por átomos quimicamente idênticos, mas com duas massas diferentes ($20\ \text{u}$ e $22\ \text{u}$). Como é possível que átomos do mesmo elemento não tenham a mesma massa?
O potássio das bananas contém uma pequena fração do isótopo potássio-40, cujo núcleo tem número atómico $Z = 19$ e número de massa $A = 40$. a) Indica quantos protões e…
O potássio das bananas contém uma pequena fração do isótopo potássio-40, cujo núcleo tem número atómico $Z = 19$ e número de massa $A = 40$.
- a) Indica quantos protões e quantos neutrões tem esse núcleo.
- b) Escreve o seu símbolo com a notação ${}^{A}_{Z}\text{X}$.
- c) Quantos eletrões tem o átomo neutro de potássio-40? Justifica a resposta.
O carbono tem três isótopos naturais: carbono-12, carbono-13 e carbono-14, todos com $Z = 6$. a) Explica o que significa dois núcleos serem isótopos. b) Calcula o número…
O carbono tem três isótopos naturais: carbono-12, carbono-13 e carbono-14, todos com $Z = 6$.
- a) Explica o que significa dois núcleos serem isótopos.
- b) Calcula o número de neutrões do núcleo de cada um dos três isótopos.
- c) Os três isótopos têm as mesmas propriedades químicas? Justifica a resposta pensando nos seus eletrões.
Considera estes cinco nuclídeos: ${}^{14}{6}\text{C}$, ${}^{14}{7}\text{N}$, ${}^{12}{6}\text{C}$, ${}^{16}{8}\text{O}$ e ${}^{15}{7}\text{N}$. a) Calcula o número de…
Considera estes cinco nuclídeos: ${}^{14}_{6}\text{C}$, ${}^{14}_{7}\text{N}$, ${}^{12}_{6}\text{C}$, ${}^{16}_{8}\text{O}$ e ${}^{15}_{7}\text{N}$.
- a) Calcula o número de protões e de neutrões de cada um.
- b) Indica que pares são isótopos (igual $Z$) e que par é isóbaro (igual $A$).
- c) Identifica dois nuclídeos que tenham o mesmo número de neutrões (isótonos).
Tamanho e unidades
O raio do átomo é da ordem de $10^{-10}\ \text{m}$ e o do núcleo da ordem de $10^{-15}\ \text{m}$: o átomo é cerca de $10^5$ vezes maior em raio e, como o volume varia com o cubo do raio, cerca de $10^{15}$ vezes maior em volume. Por isso o átomo é quase vazio e quase toda a massa está no núcleo.
As massas nucleares são minúsculas em quilogramas, por isso usa-se a unidade de massa atómica: $1\ \text{u} = 1{,}66 \cdot 10^{-27}\ \text{kg}$, a doze avos da massa de um átomo de carbono-12. Assim, a massa de um núcleo em u é aproximadamente o seu número de massa $A$.
Para passar da massa de uma amostra ao número de núcleos, usa a massa molar $M$ e a constante de Avogadro: $N = \dfrac{m}{M} \cdot N_A$. Por exemplo, $2\ \text{g}$ de um nuclídeo com $M = 100\ \text{g/mol}$ correspondem a $0{,}02\ \text{mol}$, isto é, $0{,}02 \times 6{,}02 \cdot 10^{23} \approx 1{,}2 \cdot 10^{22}$ núcleos.
A unidade de massa atómica (u) define-se como a doze-avos da massa de um átomo de carbono-12 e equivale a $1\ \text{u} = 1,66 \cdot 10^{-27}\ \text{kg}$. a) A massa do…
A unidade de massa atómica (u) define-se como a doze-avos da massa de um átomo de carbono-12 e equivale a $1\ \text{u} = 1,66 \cdot 10^{-27}\ \text{kg}$.
- a) A massa do núcleo de oxigénio-16 é de cerca de $16\ \text{u}$: exprime-a em quilogramas, em notação científica.
- b) Justifica por que razão, na física nuclear, é mais conveniente trabalhar em unidades u do que em quilogramas.
O raio de um átomo é da ordem de $10^{-10}\ \text{m}$, enquanto o do seu núcleo é da ordem de $10^{-15}\ \text{m}$, como se mostra na figura. a) Calcula quantas vezes é…
O raio de um átomo é da ordem de $10^{-10}\ \text{m}$, enquanto o do seu núcleo é da ordem de $10^{-15}\ \text{m}$, como se mostra na figura.
- a) Calcula quantas vezes é maior o raio do átomo do que o do núcleo.
- b) O volume de uma esfera é proporcional ao cubo do raio: estima quantas vezes é maior o volume do átomo do que o do núcleo.
- c) Explica, face ao resultado, por que razão se diz que o átomo é quase vazio.
Marie Curie isolou o rádio em $1898$, e durante décadas a atividade de $1\ \text{g}$ de rádio-226 serviu como unidade de medida, o curie. Dados:…
Marie Curie isolou o rádio em $1898$, e durante décadas a atividade de $1\ \text{g}$ de rádio-226 serviu como unidade de medida, o curie. Dados: $N_A = 6,02 \cdot 10^{23}\ \text{mol}^{-1}$ e massa molar do rádio-226: $226\ \text{g/mol}$.
- a) Calcula quantos núcleos de rádio-226 existem numa amostra de $1\ \text{mg}$.
- b) Calcula quantos núcleos existem em $1\ \text{g}$, a quantidade que definia o curie.
O raio de um núcleo pode ser estimado com a expressão $R = R_0 \cdot A^{1/3}$, em que $R_0 = 1,2 \cdot 10^{-15}\ \text{m}$ e $A$ é o número de massa. Para o ferro-56…
O raio de um núcleo pode ser estimado com a expressão $R = R_0 \cdot A^{1/3}$, em que $R_0 = 1,2 \cdot 10^{-15}\ \text{m}$ e $A$ é o número de massa. Para o ferro-56 considera $A^{1/3} \approx 3,8$ e uma massa nuclear de $9,3 \cdot 10^{-26}\ \text{kg}$. O volume de uma esfera é $V = \frac{4}{3} \cdot \pi \cdot R^3$, com $\pi \approx 3,14$.
- a) Calcula o raio do núcleo de ferro-56.
- b) Calcula o seu volume e a sua massa volúmica, em $\text{kg/m}^3$.
- c) A matéria de uma estrela de neutrões tem uma massa volúmica semelhante à nuclear: calcula a massa que teria uma colher de chá de $5\ \text{cm}^3$ dessa matéria e comenta o resultado.
A interação forte e a estabilidade nuclear
Se aproximares dois protões a distâncias nucleares ($10^{-15}\ \text{m}$), a repulsão elétrica entre eles ronda os $230\ \text{N}$, um valor gigantesco para partículas subatómicas. Como conseguem dezenas deles conviver tão apertados sem que o núcleo se desfaça?
Num núcleo de hélio há dois protões confinados numa região de cerca de $10^{-15}\ \text{m}$ de diâmetro. Como ambos têm carga positiva, repelem-se eletricamente com uma…
Num núcleo de hélio há dois protões confinados numa região de cerca de $10^{-15}\ \text{m}$ de diâmetro. Como ambos têm carga positiva, repelem-se eletricamente com uma força considerável; no entanto, o núcleo não se desagrega.
- a) Explica o que é a força nuclear forte e por que razão consegue manter o núcleo unido.
- b) Justifica por que razão, mesmo existindo essa força, os núcleos com demasiados protões acabam por ser instáveis.
De cerca de $3000$ nuclídeos conhecidos, apenas cerca de $250$ são estáveis; os restantes acabam por decair mais cedo ou mais tarde. a) Explica o que significa um núcleo…
De cerca de $3000$ nuclídeos conhecidos, apenas cerca de $250$ são estáveis; os restantes acabam por decair mais cedo ou mais tarde.
- a) Explica o que significa um núcleo ser estável e o que acontece a um núcleo instável.
- b) Nos núcleos leves estáveis, o número de neutrões $N$ e o de protões $Z$ são quase iguais: indica quanto vale, aproximadamente, a razão $\frac{N}{Z}$ nesses núcleos.
Dois protões dentro de um núcleo estão separados por uma distância de $10^{-15}\ \text{m}$, como se mostra na figura. Dados: constante de Coulomb…
Dois protões dentro de um núcleo estão separados por uma distância de $10^{-15}\ \text{m}$, como se mostra na figura. Dados: constante de Coulomb $K = 9 \cdot 10^{9}\ \text{N}\cdot\text{m}^2/\text{C}^2$ e carga do protão $e = 1,6 \cdot 10^{-19}\ \text{C}$.
- a) Calcula a força elétrica de repulsão entre eles aplicando a lei de Coulomb, $F = K \cdot \frac{e^2}{r^2}$.
- b) O valor obtido é enorme para uma força entre partículas: explica que conclusão se deduz sobre a intensidade da força nuclear forte que os mantém unidos.
A razão $\frac{N}{Z}$ dos núcleos estáveis vale aproximadamente $1$ nos leves e cresce até cerca de $1,5$ nos mais pesados, como mostra a figura. Calcula a razão…
A razão $\frac{N}{Z}$ dos núcleos estáveis vale aproximadamente $1$ nos leves e cresce até cerca de $1,5$ nos mais pesados, como mostra a figura.
Calcula a razão $\frac{N}{Z}$ de cada um destes núclidos e prevê, comparando com essa tendência, se é de esperar que sejam estáveis ou instáveis:
- a) ${}^{12}_{6}\text{C}$
- b) ${}^{14}_{6}\text{C}$
- c) ${}^{206}_{82}\text{Pb}$
- d) ${}^{238}_{92}\text{U}$
O oxigénio só tem três isótopos estáveis: ${}^{16}{8}\text{O}$, ${}^{17}{8}\text{O}$ e ${}^{18}{8}\text{O}$. Os isótopos com excesso de neutrões tendem a desintegrar-se…
O oxigénio só tem três isótopos estáveis: ${}^{16}_{8}\text{O}$, ${}^{17}_{8}\text{O}$ e ${}^{18}_{8}\text{O}$. Os isótopos com excesso de neutrões tendem a desintegrar-se por emissão beta menos ($\beta^{-}$: um neutrão converte-se em protão), e os que têm défice de neutrões, por emissão beta mais ($\beta^{+}$: um protão converte-se em neutrão).
- a) Calcula a razão $\frac{N}{Z}$ do ${}^{14}_{8}\text{O}$ e do ${}^{21}_{8}\text{O}$ e compara-a com a do ${}^{16}_{8}\text{O}$.
- b) Prevê que tipo de desintegração sofrerá cada um desses dois isótopos instáveis, justificando a resposta.
- c) Escreve a equação de cada processo e identifica o núclido filho que se forma em cada caso.
Defeito de massa e energia de ligação
Se medires a massa de um núcleo de hélio-4 obténs $4{,}0015\ \text{u}$. Mas se somares as massas de dois protões e dois neutrões livres obténs $4{,}0320\ \text{u}$. Para onde foi a massa que «falta» quando as partículas se unem?
As medições de precisão mostram que a massa de um núcleo de hélio-4 é menor do que a soma das massas dos seus dois protões e dois neutrões medidos separadamente. a)…
As medições de precisão mostram que a massa de um núcleo de hélio-4 é menor do que a soma das massas dos seus dois protões e dois neutrões medidos separadamente.
- a) Explica o que é o defeito de massa de um núcleo.
- b) Em que se transformou a massa que «falta»? Menciona na tua explicação a relação de Einstein $E = \Delta m \cdot c^2$.
Dados: massa do protão $m_p = 1,0073\ \text{u}$, massa do neutrão $m_n = 1,0087\ \text{u}$, massa do núcleo de hélio-4 $m_{\alpha} = 4,0015\ \text{u}$ e…
Dados: massa do protão $m_p = 1,0073\ \text{u}$, massa do neutrão $m_n = 1,0087\ \text{u}$, massa do núcleo de hélio-4 $m_{\alpha} = 4,0015\ \text{u}$ e $1\ \text{u} = 1,66 \cdot 10^{-27}\ \text{kg}$.
- a) Calcula a soma das massas dos dois protões e dos dois neutrões que formam o núcleo de hélio-4, medidos separadamente.
- b) Calcula o defeito de massa $\Delta m$ do núcleo, em unidades u.
- c) Exprime esse defeito de massa em quilogramas, em notação científica.
O defeito de massa do núcleo de hélio-4 é $\Delta m = 0,0305\ \text{u}$, equivalente a $5,06 \cdot 10^{-29}\ \text{kg}$. Dados: $c = 3 \cdot 10^{8}\ \text{m/s}$ e…
O defeito de massa do núcleo de hélio-4 é $\Delta m = 0,0305\ \text{u}$, equivalente a $5,06 \cdot 10^{-29}\ \text{kg}$. Dados: $c = 3 \cdot 10^{8}\ \text{m/s}$ e $1\ \text{eV} = 1,6 \cdot 10^{-19}\ \text{J}$.
- a) Calcula a energia de ligação do núcleo com a relação de Einstein, $E = \Delta m \cdot c^2$, expressa em joules.
- b) Converte o resultado para $\text{MeV}$ (tem em conta que $1\ \text{MeV} = 10^{6}\ \text{eV}$).
- c) Calcula a energia de ligação por nucleão do hélio-4.
Em física nuclear usa-se a equivalência entre massa e energia $1\ \text{u} \cdot c^2 = 931,5\ \text{MeV}$. a) O defeito de massa do deutério (núcleo de hidrogénio-2) é…
Em física nuclear usa-se a equivalência entre massa e energia $1\ \text{u} \cdot c^2 = 931,5\ \text{MeV}$.
- a) O defeito de massa do deutério (núcleo de hidrogénio-2) é $\Delta m = 0,0024\ \text{u}$: calcula a sua energia de ligação em $\text{MeV}$.
- b) Calcula a sua energia de ligação por nucleão e compara-a com a do ferro-56 ($8,8\ \text{MeV}$ por nucleão): fundamenta qual dos dois núcleos é mais estável.
A energia de ligação total do trítio (núcleo de hidrogénio-3) é de $8,48\ \text{MeV}$. Dados: $1\ \text{u} \cdot c^2 = 931,5\ \text{MeV}$, $m_p = 1,0073\ \text{u}$ e…
A energia de ligação total do trítio (núcleo de hidrogénio-3) é de $8,48\ \text{MeV}$. Dados: $1\ \text{u} \cdot c^2 = 931,5\ \text{MeV}$, $m_p = 1,0073\ \text{u}$ e $m_n = 1,0087\ \text{u}$.
- a) Calcula o defeito de massa do trítio, em unidades u.
- b) Sabendo que o trítio tem um protão e dois neutrões, calcula a massa do seu núcleo.
- c) Calcula a sua energia de ligação por nucleão e, comparando-a com a do hélio-4 ($7,1\ \text{MeV}$), justifica por que razão a fusão de deutério e trítio para formar hélio liberta energia.
Pouco depois do Big Bang, os protões e neutrões do universo primitivo uniram-se formando deutério, e em cada união foi emitido um fotão gama. Dados:…
Pouco depois do Big Bang, os protões e neutrões do universo primitivo uniram-se formando deutério, e em cada união foi emitido um fotão gama. Dados: $m_p = 1,0073\ \text{u}$, $m_n = 1,0087\ \text{u}$, massa do núcleo de deutério $m_d = 2,0136\ \text{u}$ e $1\ \text{u} \cdot c^2 = 931,5\ \text{MeV}$.
- a) Calcula o defeito de massa do processo no qual um protão e um neutrão formam um núcleo de deutério.
- b) Calcula a energia libertada na formação de cada núcleo de deutério, em $\text{MeV}$.
- c) Para onde vai essa energia? Explica o papel do fotão gama emitido.
Toda a eletricidade consumida em Portugal durante um ano é da ordem de $9 \cdot 10^{17}\ \text{J}$. Dados: $c = 3 \cdot 10^{8}\ \text{m/s}$. a) Supõe que essa energia…
Toda a eletricidade consumida em Portugal durante um ano é da ordem de $9 \cdot 10^{17}\ \text{J}$. Dados: $c = 3 \cdot 10^{8}\ \text{m/s}$.
- a) Supõe que essa energia era obtida convertendo massa diretamente em energia, com um rendimento de $100\ \%$: calcula, com $E = \Delta m \cdot c^2$, a massa que teria de ser convertida.
- b) Comenta o resultado: parece-te muita ou pouca massa para abastecer de eletricidade um país inteiro durante um ano?
- c) Um aluno afirma: «nas reações nucleares a massa conserva-se, tal como nas reações químicas». Corrige a afirmação dele e explica o que é que se conserva efetivamente numa reação nuclear.
A curva de estabilidade: o máximo no ferro
A energia de ligação por nucleão é a energia média necessária para remover um nucleão de um núcleo. a) Define o que é a energia de ligação de um núcleo. b) A energia de…
A energia de ligação por nucleão é a energia média necessária para remover um nucleão de um núcleo.
- a) Define o que é a energia de ligação de um núcleo.
- b) A energia de ligação por nucleão é máxima nos núcleos de massa intermédia, como o ferro, e menor nos muito leves e nos muito pesados: justifica quais núcleos serão os mais estáveis.
Nas tabelas de núclidos lê-se que a energia de ligação por nucleão do ferro-56 vale $8,8\ \text{MeV}$ e a do urânio-235, $7,6\ \text{MeV}$, como se mostra na figura. a)…
Nas tabelas de núclidos lê-se que a energia de ligação por nucleão do ferro-56 vale $8,8\ \text{MeV}$ e a do urânio-235, $7,6\ \text{MeV}$, como se mostra na figura.
- a) Calcula a energia de ligação total de cada um destes dois núcleos.
- b) Explica por que razão o ferro-56 é mais estável do que o urânio-235, embora a sua energia de ligação total seja menor.
- c) Relaciona o resultado com o facto de o urânio-235 libertar energia ao sofrer fissão.
Dados: massa do protão $m_p = 1,0073\ \text{u}$, massa do neutrão $m_n = 1,0087\ \text{u}$, massa do núcleo de ferro-56 $m(\text{Fe}) = 55,9207\ \text{u}$ e…
Dados: massa do protão $m_p = 1,0073\ \text{u}$, massa do neutrão $m_n = 1,0087\ \text{u}$, massa do núcleo de ferro-56 $m(\text{Fe}) = 55,9207\ \text{u}$ e $1\ \text{u} \cdot c^2 = 931,5\ \text{MeV}$.
- a) O ferro-56 tem $Z = 26$: indica quantos protões e quantos neutrões contém o seu núcleo.
- b) Calcula o seu defeito de massa, em unidades u.
- c) Calcula a sua energia de ligação total e a sua energia de ligação por nucleão, em $\text{MeV}$.
- d) Sabendo que a energia de ligação por nucleão do carbono-12 é de $7,7\ \text{MeV}$, fundamenta qual dos dois núcleos é mais estável e que processo, fusão ou fissão, poderia libertar energia a partir de cada um.
A curva de energia de ligação por nucleão em função do número de massa $A$ cresce rapidamente a partir dos núcleos mais leves, atinge um máximo em torno do ferro-56…
A curva de energia de ligação por nucleão em função do número de massa $A$ cresce rapidamente a partir dos núcleos mais leves, atinge um máximo em torno do ferro-56 ($8,8\ \text{MeV}$ por nucleão) e desce depois suavemente até cerca de $7,6\ \text{MeV}$ no urânio-235.
- a) Esboça no teu caderno essa curva, assinalando o máximo e as zonas de núcleos leves e pesados.
- b) Explica, a partir da forma da curva, por que razão a fusão de núcleos leves liberta energia.
- c) Explica, com o mesmo argumento, por que razão a fissão de núcleos muito pesados também liberta energia.
- d) Justifica por que razão não é possível obter energia nem por fusão nem por fissão de núcleos de ferro.
Podes fazê-lo em papel e enviar uma fotografia com a tua resposta.
Quando uma estrela massiva esgota o combustível do seu núcleo, acaba por produzir ferro-56, um núclido situado praticamente no máximo da energia de ligação por nucleão.…
Quando uma estrela massiva esgota o combustível do seu núcleo, acaba por produzir ferro-56, um núclido situado praticamente no máximo da energia de ligação por nucleão.
- a) Explica, a partir da curva de energia de ligação por nucleão, por que razão fundir ferro não liberta energia, antes a consome.
- b) Justifica que consequência isso tem para a estrela, que deixa de ter fonte de energia no seu núcleo.
- c) Os elementos mais pesados do que o ferro formam-se sobretudo por captura de neutrões durante as explosões de supernova: explica por que razão esses elementos são muito mais escassos no universo do que o ferro.
Volta ao princípio: a força nuclear forte ganha a batalha quando a razão $N/Z$ está dentro da zona de estabilidade (de $1$ a cerca de $1{,}5$, conforme o núcleo). Num núcleo com excesso de neutrões, um neutrão converte-se em protão (decaimento $\beta^-$); num núcleo com défice de neutrões, um protão converte-se em neutrão (decaimento $\beta^+$). Em ambos os casos a razão $N/Z$ aproxima-se da zona de estabilidade. Se há protões a mais ou se a razão se afasta dessa zona, a repulsão elétrica e o desequilíbrio energético tornam o núcleo instável, e ele decai para uma configuração mais ligada.