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12.º ano A · Física
Campo eletromagnético · O campo magnético

Interação com cargas em movimento

Antes de começar, convém dominares: Movimentos retilíneos e circulares (11.º ano do ensino secundário)
Antes de começar, convém dominares: O trabalho (10.º ano do ensino secundário)

Um íman não atrai uma carga em repouso. Mas, assim que essa carga se move, surge uma força que a desvia sem a travar nem a acelerar: é a força magnética, a mesma que faz rodar um motor ou que curva a trajetória das partículas do vento solar perto dos polos, onde dão origem às auroras polares.

A força de Lorentz: módulo, direção e sentido

Num tubo de raios catódicos, um feixe de eletrões segue em linha reta até ao ecrã. Se aproximares um íman, o feixe entorta-se bruscamente para um dos lados, sem perder rapidez. De que depende a direção e o valor dessa força, que só aparece quando há movimento?

A unidade SI de campo magnético é o tesla (T). Da expressão $F = |q|vB$ (caso perpendicular) resulta $B = F/(|q|\,v)$, pelo que

$$1\ \text{T} = 1\ \frac{\text{N}}{\text{C}\cdot\text{m/s}} = 1\ \frac{\text{N}}{\text{A}\cdot\text{m}}$$

porque $1\ \text{C/s} = 1\ \text{A}$. Um campo de $1\ \text{T}$ exerce uma força de $1\ \text{N}$ sobre uma carga de $1\ \text{C}$ que se move a $1\ \text{m/s}$, perpendicularmente ao campo.

Força de Lorentz sobre uma carga positiva que se move num campo magnético a entrar no papel: a força é perpendicular à velocidade e a carga descreve uma circunferência. + v F ⊗ B a entrar F ⊥ v e F ⊥ B: o módulo de v não muda, só a direção
Pratica★☆☆Por começar
Uma carga elétrica encontra-se em repouso dentro de um campo magnético uniforme. O módulo da força de Lorentz é $F = q\cdot v\cdot B\cdot\sen\alpha$. a) Atua alguma…

Uma carga elétrica encontra-se em repouso dentro de um campo magnético uniforme. O módulo da força de Lorentz é $F = q\cdot v\cdot B\cdot\sen\alpha$.

  1. a) Atua alguma força magnética sobre ela? Justifica com a fórmula.
  2. b) A carga é posta em movimento na direção exata do campo ($\alpha = 0^\circ$). A resposta altera-se? Porquê?
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Pratica★☆☆Por começar
O módulo da força de Lorentz é $F = q\cdot v\cdot B\cdot\sen\alpha$ e a sua direção e sentido são dados pelo produto vetorial $\vv{F} = q\cdot(\vv{v}\wedge\vv{B})$, que…

O módulo da força de Lorentz é $F = q\cdot v\cdot B\cdot\sen\alpha$ e a sua direção e sentido são dados pelo produto vetorial $\vv{F} = q\cdot(\vv{v}\wedge\vv{B})$, que se determina com a regra da mão direita. Um protão move-se horizontalmente para este dentro de um campo magnético uniforme dirigido também horizontalmente para norte. A situação, vista de cima, está representada na figura.

B (norte) + v (este) protão F = ? vista de cima
  1. a) Determina a direção e o sentido da força sobre o protão.
  2. b) Qual seria o sentido da força se a partícula fosse um eletrão? Justifica a diferença.
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Pratica★☆☆Por começar
Um protão ($q = 1,6\cdot10^{-19}\ \text{C}$) move-se a $v = 2\cdot10^{6}\ \text{m/s}$ numa direção perpendicular a um campo magnético $B = 0,5\ \text{T}$. Calcula o…

Um protão ($q = 1,6\cdot10^{-19}\ \text{C}$) move-se a $v = 2\cdot10^{6}\ \text{m/s}$ numa direção perpendicular a um campo magnético $B = 0,5\ \text{T}$. Calcula o módulo da força de Lorentz sobre ele, $F = q\cdot v\cdot B$.

Resolver
Pratica★☆☆Por começar
A partir da expressão do módulo da força de Lorentz, $F = q\cdot v\cdot B$ (caso perpendicular): a) Isola $B$ e deduz a que combinação de unidades do Sistema…

A partir da expressão do módulo da força de Lorentz, $F = q\cdot v\cdot B$ (caso perpendicular):

  1. a) Isola $B$ e deduz a que combinação de unidades do Sistema Internacional equivale um tesla.
  2. b) Utilizando $1\ \text{C/s} = 1\ \text{A}$, exprime o tesla como $\text{T} = \frac{\text{N}}{\text{A}\cdot\text{m}}$ e explica pelas tuas palavras que campo é necessário para que uma carga de $1\ \text{C}$ a $1\ \text{m/s}$ sofra uma força de $1\ \text{N}$.
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Pratica★★☆Por começar
Um protão ($q = 1,6\cdot10^{-19}\ \text{C}$) entra com $v = 3\cdot10^{6}\ \text{m/s}$ num campo magnético uniforme $B = 0,8\ \text{T}$, fazendo um ângulo…

Um protão ($q = 1,6\cdot10^{-19}\ \text{C}$) entra com $v = 3\cdot10^{6}\ \text{m/s}$ num campo magnético uniforme $B = 0,8\ \text{T}$, fazendo um ângulo $\alpha = 30^\circ$ com ele. Observa o esquema:

B + v protão α = 30° F = ?
  1. a) Calcula o módulo da força de Lorentz, $F = q\cdot v\cdot B\cdot\sen\alpha$ ($\sen 30^\circ = 0,5$).
  2. b) Para que ângulo seria máxima a força? E para qual seria nula?
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A força magnética não realiza trabalho: movimento circular

Quando uma carga entra perpendicularmente num campo uniforme, a força de Lorentz atua como força centrípeta e obriga-a a descrever uma circunferência de raio constante.

Animação de uma carga que percorre com rapidez constante uma circunferência num campo magnético a entrar no papel: a velocidade é sempre tangente, a força aponta sempre para o centro e ambas rodam com a carga. × × × × × × × × × × × × × × × × × × × × × × × × × = B a entrar r F v

Como a força de Lorentz é a resultante e é centrípeta, aplicamos a 2.ª Lei de Newton na componente normal: $|q|\,v\,B = m\,\dfrac{v^2}{r}$. Daqui sai o raio, e usando $v = \dfrac{2\pi r}{T}$ sai o período:

$$r = \frac{m\cdot v}{|q|\cdot B} \qquad\qquad T = \frac{2\pi\cdot m}{|q|\cdot B}$$

O período não depende de $v$ nem de $r$: uma partícula mais rápida sofre uma força maior e descreve uma circunferência maior ($r\propto v$), e a distância extra a percorrer compensa exatamente a rapidez extra.

Pratica★☆☆Por começar
A força de Lorentz sobre uma carga em movimento é sempre perpendicular à sua velocidade. a) Tendo em conta que o trabalho depende da componente da força na direção do…

A força de Lorentz sobre uma carga em movimento é sempre perpendicular à sua velocidade.

  1. a) Tendo em conta que o trabalho depende da componente da força na direção do deslocamento, explica por que razão a força magnética não realiza trabalho sobre a carga.
  2. b) O que acontece então ao módulo da velocidade da carga?
  3. c) E à sua energia cinética?
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Pratica★☆☆Por começar
Um eletrão ($m_e = 9,11\cdot10^{-31}\ \text{kg}$, $e = 1,6\cdot10^{-19}\ \text{C}$) entra com $v = 1\cdot10^{7}\ \text{m/s}$, perpendicularmente, num campo magnético…

Um eletrão ($m_e = 9,11\cdot10^{-31}\ \text{kg}$, $e = 1,6\cdot10^{-19}\ \text{C}$) entra com $v = 1\cdot10^{7}\ \text{m/s}$, perpendicularmente, num campo magnético uniforme $B = 1\cdot10^{-3}\ \text{T}$, como se mostra na figura.

× × × × × × × × × B = 1 mT (a entrar) eletrão v r = ?

O raio da sua trajetória circular é $r = \frac{m\cdot v}{q\cdot B}$. Calcula o seu valor e exprime-o em centímetros.

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Pratica★☆☆Por começar
Uma partícula carregada entra com velocidade $\vv{v}$ perpendicular a um campo magnético uniforme. a) Explica por que razão a força de Lorentz atua como força centrípeta…

Uma partícula carregada entra com velocidade $\vv{v}$ perpendicular a um campo magnético uniforme.

  1. a) Explica por que razão a força de Lorentz atua como força centrípeta e escreve a igualdade $q\cdot v\cdot B = \frac{m\cdot v^2}{r}$.
  2. b) Isola o raio $r$ e comenta de que grandezas depende: aumenta ou diminui se a partícula for mais rápida? E se o campo for mais intenso?
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Pratica★★☆Por começar
Um protão ($m_p = 1,67\cdot10^{-27}\ \text{kg}$, $e = 1,6\cdot10^{-19}\ \text{C}$) entra com $v = 5\cdot10^{6}\ \text{m/s}$, perpendicularmente, num campo magnético…

Um protão ($m_p = 1,67\cdot10^{-27}\ \text{kg}$, $e = 1,6\cdot10^{-19}\ \text{C}$) entra com $v = 5\cdot10^{6}\ \text{m/s}$, perpendicularmente, num campo magnético uniforme $B = 0,2\ \text{T}$.

  1. a) Calcula o raio da sua trajetória circular, $r = \frac{m\cdot v}{q\cdot B}$, e exprime-o em centímetros.
  2. b) O que aconteceria ao raio se o protão entrasse com metade da velocidade? Justifica com a fórmula.
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Pratica★★☆Por começar
Um eletrão ($m_e = 9,11\cdot10^{-31}\ \text{kg}$, $e = 1,6\cdot10^{-19}\ \text{C}$) descreve uma órbita num campo magnético uniforme $B = 2\cdot10^{-3}\ \text{T}$, com…

Um eletrão ($m_e = 9,11\cdot10^{-31}\ \text{kg}$, $e = 1,6\cdot10^{-19}\ \text{C}$) descreve uma órbita num campo magnético uniforme $B = 2\cdot10^{-3}\ \text{T}$, com velocidade perpendicular ao campo.

  1. a) Iguala a força de Lorentz à força centrípeta e, usando $v = \frac{2\pi\cdot r}{T}$, demonstra que o período de rotação é $T = \frac{2\pi\cdot m}{q\cdot B}$.
  2. b) Calcula o seu valor.
  3. c) O resultado não contém $v$ nem $r$: explica o significado físico disso.
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Força entre correntes e sobre um condutor

Ao fechar o circuito de dois fios flexíveis suspensos em paralelo, vê-se que se aproximam se as correntes tiverem o mesmo sentido e se afastam se tiverem sentidos opostos, apesar de os fios serem neutros. Como pode uma corrente exercer uma força mecânica sobre outra?

Dois condutores retilíneos paralelos separados por uma distância d, com correntes I₁ e I₂ no mesmo sentido, que se atraem com forças F₂₁ e F₁₂ dirigidas para o outro fio. I₁ condutor 1 I₂ condutor 2 d F₂₁ F₁₂ Mesmo sentido: atraem-se
Pratica★☆☆Por começar
Dois condutores retilíneos paralelos são percorridos por correntes com o mesmo sentido. a) Desenha no teu caderno o campo magnético criado pelo primeiro condutor na…

Dois condutores retilíneos paralelos são percorridos por correntes com o mesmo sentido.

  1. a) Desenha no teu caderno o campo magnético criado pelo primeiro condutor na posição do segundo (regra da mão direita) e a força que este sofre.
  2. b) Atraem-se ou repelem-se?
  3. c) O que muda se se inverter o sentido de uma das correntes?

Podes fazê-lo em papel e enviar uma fotografia com a tua resposta.

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Pratica★★☆Por começar
Numa demonstração laboratorial, dois cabos paralelos separados por $d = 10\ \text{cm}$ são percorridos por correntes com o mesmo sentido $I_1 = 20\ \text{A}$ e…

Numa demonstração laboratorial, dois cabos paralelos separados por $d = 10\ \text{cm}$ são percorridos por correntes com o mesmo sentido $I_1 = 20\ \text{A}$ e $I_2 = 30\ \text{A}$. A força por unidade de comprimento entre eles é $\frac{F}{L} = \frac{\mu_0\cdot I_1\cdot I_2}{2\pi\cdot d}$ ($\mu_0 = 4\pi\cdot10^{-7}\ \text{T}\cdot\text{m/A}$). Observa o esquema:

I₁ = 20 A I₂ = 30 A d = 10 cm força por metro = ?
  1. a) Calcula a força por unidade de comprimento.
  2. b) Os cabos atraem-se ou repelem-se? Justifica.
  3. c) Calcula a força total sobre um troço de $1\ \text{m}$ de cada cabo.
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Pratica★★☆Por começar
Um condutor retilíneo de $L = 40\ \text{cm}$, colocado perpendicularmente a um campo magnético uniforme $B = 0,1\ \text{T}$, é percorrido por uma corrente…

Um condutor retilíneo de $L = 40\ \text{cm}$, colocado perpendicularmente a um campo magnético uniforme $B = 0,1\ \text{T}$, é percorrido por uma corrente $I = 5\ \text{A}$. A força magnética sobre ele é $F = B\cdot I\cdot L$.

  1. a) Calcula o seu módulo.
  2. b) Representa a situação no teu caderno e determina, com a regra da mão direita, a direção e o sentido da força relativamente à corrente e ao campo.
  3. c) Se o condutor fizesse $30^\circ$ com o campo, a força seria $F = B\cdot I\cdot L\cdot\sen 30^\circ$; calcula-a.
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Pratica★★★Por começar
A antiga definição de ampere (em vigor até 2019) estabelecia: um ampere é a intensidade de corrente que, mantida em dois condutores paralelos, retilíneos, de comprimento…

A antiga definição de ampere (em vigor até 2019) estabelecia: um ampere é a intensidade de corrente que, mantida em dois condutores paralelos, retilíneos, de comprimento infinito e separados por $1\ \text{m}$ no vácuo, produz entre eles uma força de $2\cdot10^{-7}\ \text{N}$ por cada metro de condutor ($\mu_0 = 4\pi\cdot10^{-7}\ \text{T}\cdot\text{m/A}$).

  1. a) Escreve a expressão da força por unidade de comprimento quando ambos os condutores são percorridos pela mesma corrente, $\frac{F}{L} = \frac{\mu_0\cdot I^2}{2\pi\cdot d}$.
  2. b) Substitui $d = 1\ \text{m}$ e $\frac{F}{L} = 2\cdot10^{-7}\ \text{N/m}$ e verifica que se obtém $I = 1\ \text{A}$.
  3. c) Comenta as dificuldades práticas desta definição (condutores «infinitos», medição de forças tão pequenas) face à definição atual, que fixa o valor da carga elementar.
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Pratica★★★Por começar
Uma barra horizontal de $L = 50\ \text{cm}$ e massa $m = 25\ \text{g}$ encontra-se num campo magnético horizontal uniforme $B = 0,5\ \text{T}$, perpendicular à barra.…

Uma barra horizontal de $L = 50\ \text{cm}$ e massa $m = 25\ \text{g}$ encontra-se num campo magnético horizontal uniforme $B = 0,5\ \text{T}$, perpendicular à barra. Pretende-se que a força magnética sobre a barra, $F = B\cdot I\cdot L$, compense exatamente o seu peso (considera $g = 9,8\ \text{m/s}^2$). A situação está representada na figura.

B = 0,5 T (horizontal, a entrar) × × × × I = ? F peso L = 50 cm
  1. a) Estabelece a condição de equilíbrio entre a força magnética e o peso e calcula a corrente necessária.
  2. b) Determina, com a regra da mão direita, que orientação relativa devem ter a corrente e o campo para que a força seja vertical e dirigida para cima.
  3. c) Justifica o que aconteceria se a corrente aumentasse $10\ \%$: a barra mover-se-ia? Para onde e com que força resultante inicial?
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Pratica★★★Por começar
As linhas de alta tensão transportam a corrente de ida e de volta por cabos paralelos. Dois deles, separados por $d = 2\ \text{m}$, transportam $I = 800\ \text{A}$ em…

As linhas de alta tensão transportam a corrente de ida e de volta por cabos paralelos. Dois deles, separados por $d = 2\ \text{m}$, transportam $I = 800\ \text{A}$ em sentidos opostos ($\mu_0 = 4\pi\cdot10^{-7}\ \text{T}\cdot\text{m/A}$).

  1. a) Indica, justificando com a regra da mão direita, se a força entre os cabos é atrativa ou repulsiva.
  2. b) Calcula a força por unidade de comprimento entre eles, $\frac{F}{L} = \frac{\mu_0\cdot I_1\cdot I_2}{2\pi\cdot d}$.
  3. c) Num curto-circuito a corrente pode atingir $10^{4}\ \text{A}$; calcula a nova força por unidade de comprimento e explica por que razão os cabos devem estar firmemente fixados aos apoios.
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Aplicações: seletor, espetrómetro de massa e ciclotrão

Ao aquecer um filamento, libertam-se iões com velocidades muito diferentes. Para medir massas com precisão, é preciso que todos tenham a mesma rapidez. Como filtrar um feixe para que só passem as partículas com uma velocidade determinada?

Esquema de um seletor de velocidades com campos elétrico e magnético cruzados: só passa sem desvio a partícula com v = E/B. E ⊗ B a entrar no papel atravessa sem desvio se v = E/B

Na região seguinte, um segundo campo magnético curva a trajetória numa semicircunferência de raio $r = \dfrac{m\cdot v}{|q|\cdot B}$. Como $v$ já é igual para todas as partículas selecionadas, o raio depende apenas da massa (para a mesma carga). É assim que o espetrómetro de massa separa isótopos e permite determinar massas de iões, com aplicações na datação, na análise de poluentes, na medicina ou no controlo antidoping. No ciclotrão, um campo magnético fixo faz as partículas girar com raio crescente, enquanto uma tensão alternada, com frequência $f = \dfrac{|q|B}{2\pi m}$, as acelera em cada passagem, até atingirem o raio do aparelho.

Pratica★★☆Por começar
Num espectrómetro de massa, um ião de $\text{He}^+$ ($m = 6,64\cdot10^{-27}\ \text{kg}$, $q = 1,6\cdot10^{-19}\ \text{C}$) descreve um arco circular de raio…

Num espectrómetro de massa, um ião de $\text{He}^+$ ($m = 6,64\cdot10^{-27}\ \text{kg}$, $q = 1,6\cdot10^{-19}\ \text{C}$) descreve um arco circular de raio $r = 12\ \text{cm}$ num campo $B = 0,5\ \text{T}$ perpendicular à sua velocidade. A situação está representada na figura.

× × × × × × B = 0,5 T (a entrar) He+ v = ? r = 12 cm detetor
  1. a) Isola a velocidade da expressão $r = \frac{m\cdot v}{q\cdot B}$.
  2. b) Calcula o seu valor em notação científica.
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Pratica★★☆Por começar
Um seletor de velocidades tem um campo elétrico $E = 2\cdot10^{4}\ \text{N/C}$ e um campo magnético $B = 0,05\ \text{T}$, perpendiculares entre si e à velocidade dos…

Um seletor de velocidades tem um campo elétrico $E = 2\cdot10^{4}\ \text{N/C}$ e um campo magnético $B = 0,05\ \text{T}$, perpendiculares entre si e à velocidade dos iões. As forças elétrica e magnética compensam-se quando $q\cdot E = q\cdot v\cdot B$.

Esquema de um seletor de velocidades com campos elétrico e magnético perpendicularesE = 2·10⁴ N/C ↓B = 0,05 T ⊗+++++++−−−−−−−v > v0v < v0+vFm = q·v·BFe = q·EFeixe deiões (+)v = ?sem desvioIões não desviados: Fe = Fm ⇒ q·E = q·v·B
  1. a) Isola a velocidade dos iões que atravessam o seletor sem se desviarem e calcula-a.
  2. b) Essa velocidade depende da carga ou da massa do ião? Comenta para que serve este dispositivo antes de uma região de desvio.
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Pratica★★★Por começar
Um espectrómetro de massa é constituído por um seletor de velocidades (campo elétrico $E = 5\cdot10^{4}\ \text{N/C}$ e campo magnético $B_1 = 0,1\ \text{T}$,…

Um espectrómetro de massa é constituído por um seletor de velocidades (campo elétrico $E = 5\cdot10^{4}\ \text{N/C}$ e campo magnético $B_1 = 0,1\ \text{T}$, perpendiculares) seguido de uma região com outro campo magnético $B_2 = 0,2\ \text{T}$, perpendicular à velocidade, onde os iões descrevem semicircunferências. Entram iões de carbono-12 e carbono-14, ambos com carga $q = e$ ($e = 1,6\cdot10^{-19}\ \text{C}$; unidade de massa atómica $u = 1,66\cdot10^{-27}\ \text{kg}$). O esquema do aparelho é mostrado na figura.

E, B₁ seletor de velocidades v × × × × × × B₂ = 0,2 T (a entrar) placa fotográfica carbono-12 carbono-14 separação = ?
  1. a) Calcula a velocidade com que os iões saem do seletor ($q\cdot E = q\cdot v\cdot B_1$).
  2. b) Calcula o raio da trajetória de cada isótopo na região de deflexão (considera as massas $12\cdot u$ e $14\cdot u$).
  3. c) Os iões colidem com uma placa fotográfica a uma distância do ponto de entrada igual ao diâmetro da sua semicircunferência: calcula a separação entre as duas marcas que deixam.
Resolver
Pratica★★★Por começar
Um ciclotrão acelera deuterões ($m = 3,34\cdot10^{-27}\ \text{kg}$, $q = 1,6\cdot10^{-19}\ \text{C}$) com um campo magnético $B = 1,2\ \text{T}$ perpendicular ao plano…

Um ciclotrão acelera deuterões ($m = 3,34\cdot10^{-27}\ \text{kg}$, $q = 1,6\cdot10^{-19}\ \text{C}$) com um campo magnético $B = 1,2\ \text{T}$ perpendicular ao plano das trajetórias. O esquema do ciclotrão é mostrado na figura.

D D V alternada · · · · B = 1,2 T (a sair) feixe de saída R = 0,5 m f = ?
  1. a) O gerador alternado deve ser sincronizado com a frequência de rotação, $f = \frac{q\cdot B}{2\pi\cdot m}$; calcula-a e exprime-a em mega-hertz.
  2. b) As partículas saem quando o seu raio atinge o raio do aparelho, $R = 0,5\ \text{m}$; calcula a sua velocidade máxima com $r = \frac{m\cdot v}{q\cdot B}$.
  3. c) Calcula a energia cinética com que os deuterões saem.
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Movimento helicoidal: os cinturões de Van Allen

Quando a velocidade não é perpendicular nem paralela ao campo, e faz um ângulo $\alpha$ qualquer com ele, convém decompô-la numa componente paralela a $\vec B$ (que não sofre força e, por isso, não muda) e numa componente perpendicular (que roda em círculo). O resultado é uma hélice: a carga avança com velocidade constante na direção do campo enquanto gira à sua volta.

Animação da trajetória helicoidal de uma partícula carregada: avança com velocidade uniforme ao longo do eixo do campo magnético enquanto gira à sua volta, com indicação do passo da hélice. passo da hélice

Para a componente perpendicular, $r = \dfrac{m\,v_\perp}{|q|\,B}$ com $v_\perp = v\operatorname{sen}\alpha$, e o período é o mesmo de antes. O passo da hélice é a distância percorrida ao longo do campo num período: $p = v_\parallel\cdot T$, com $v_\parallel = v\cos\alpha$.

Perto dos polos, o campo magnético da Terra é mais intenso, o raio de giro diminui e, como a energia cinética se conserva, $v_\parallel$ também diminui: o passo $p = v_\parallel\cdot T$ diminui e a hélice fica mais apertada, até a partícula ser refletida. É assim que os cinturões de Van Allen aprisionam partículas do vento solar.

Pratica★★☆Por começar
Um protão ($m_p = 1,67\cdot10^{-27}\ \text{kg}$) e um eletrão ($m_e = 9,11\cdot10^{-31}\ \text{kg}$) entram com a mesma velocidade, perpendicularmente, no mesmo campo…

Um protão ($m_p = 1,67\cdot10^{-27}\ \text{kg}$) e um eletrão ($m_e = 9,11\cdot10^{-31}\ \text{kg}$) entram com a mesma velocidade, perpendicularmente, no mesmo campo magnético uniforme.

  1. a) Escreve o quociente $\frac{r_p}{r_e}$ dos raios das suas trajetórias e calcula o seu valor.
  2. b) Tendo em conta que $T = \frac{2\pi\cdot m}{q\cdot B}$, calcula também o quociente dos seus períodos e comenta qual das partículas completa voltas mais depressa.
Resolver
Pratica★★★Por começar
Um protão ($m_p = 1,67\cdot10^{-27}\ \text{kg}$, $e = 1,6\cdot10^{-19}\ \text{C}$) entra com $v = 2\cdot10^{6}\ \text{m/s}$ num campo magnético uniforme…

Um protão ($m_p = 1,67\cdot10^{-27}\ \text{kg}$, $e = 1,6\cdot10^{-19}\ \text{C}$) entra com $v = 2\cdot10^{6}\ \text{m/s}$ num campo magnético uniforme $B = 0,1\ \text{T}$, fazendo um ângulo de $60^\circ$ com ele, de modo a descrever uma trajetória helicoidal ($\sen 60^\circ \approx 0,87$; $\cos 60^\circ = 0,5$). Observa o esquema:

B 60° v raio = ? passo da hélice = ?
  1. a) Decompõe a velocidade nas suas componentes paralela e perpendicular ao campo.
  2. b) Calcula o raio da hélice, determinado pela componente perpendicular.
  3. c) Calcula o período de rotação, $T = \frac{2\pi\cdot m}{q\cdot B}$, e o passo da hélice (a distância percorrida na direção do campo em cada volta).
Resolver
Pratica★★★Por começar
As cinturas de Van Allen aprisionam partículas carregadas no campo magnético terrestre, muito mais fraco do que os campos de laboratório. Um eletrão (…

As cinturas de Van Allen aprisionam partículas carregadas no campo magnético terrestre, muito mais fraco do que os campos de laboratório. Um eletrão ($m_e = 9,11\cdot10^{-31}\ \text{kg}$, $e = 1,6\cdot10^{-19}\ \text{C}$) move-se a $v = 3\cdot10^{7}\ \text{m/s}$ na região equatorial, onde $B = 3\cdot10^{-5}\ \text{T}$, com velocidade perpendicular ao campo.

  1. a) Calcula o raio da sua trajetória, $r = \frac{m\cdot v}{q\cdot B}$.
  2. b) Em latitudes próximas dos polos o campo é o dobro, $B = 6\cdot10^{-5}\ \text{T}$; calcula aí o raio.
  3. c) Relaciona os resultados com o facto de as trajetórias das partículas aprisionadas se «enrolarem» mais apertadamente à medida que se aproximam dos polos.
Resolver
Pratica★★★Por começar
Um protão ($m_p$, $q_p = e$) e uma partícula alfa ($m_\alpha = 4\cdot m_p$, $q_\alpha = 2\cdot e$) entram com a mesma velocidade, perpendicularmente, no mesmo campo…

Um protão ($m_p$, $q_p = e$) e uma partícula alfa ($m_\alpha = 4\cdot m_p$, $q_\alpha = 2\cdot e$) entram com a mesma velocidade, perpendicularmente, no mesmo campo magnético uniforme.

  1. a) Calcula o quociente $\frac{r_\alpha}{r_p}$ dos raios das suas trajetórias.
  2. b) Calcula o quociente $\frac{T_\alpha}{T_p}$ dos seus períodos de rotação.
  3. c) Repete o quociente dos raios supondo que ambas as partículas entram com a mesma energia cinética (usa $v = \sqrt{\frac{2\cdot E_c}{m}}$ na expressão do raio) e comenta se um espetrómetro de massa conseguiria separá-las em cada um dos dois casos.
Resolver

Voltando ao princípio: o feixe de eletrões entorta porque cada eletrão sofre uma força perpendicular à sua velocidade, que só altera a direção do movimento e nunca a rapidez. Num motor elétrico, as correntes de sentidos opostos nos dois lados de uma espira sofrem forças opostas, que criam um binário e a fazem rodar.

Em resumo

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