O rendimento energético
A meio de um treino de futsal, a Matilde ofega, tem os músculos a arder e sente muito calor. Cada célula do corpo dela está a gastar ATP depressa. Quanto ATP se obtém, afinal, de uma só molécula de glicose? E porque é que parte da energia se «perde» sempre sob a forma de calor?
O balanço da respiração aeróbia
Já estudaste a glicólise, o ciclo de Krebs e a cadeia respiratória. Agora vais juntar as contas. Em células eucarióticas, por cada molécula de glicose, o balanço das etapas é este:
| Etapa | ATP formado diretamente | NADH | FADH₂ |
|---|---|---|---|
| Glicólise (citosol): formam-se 4 ATP e gastam-se 2 | 2 líquidos | 2 | 0 |
| Piruvato → acetil-CoA (matriz), ×2 | 0 | 2 | 0 |
| Ciclo de Krebs (matriz), 2 voltas | 2 | 6 | 2 |
| Total (6 ATP brutos; 4 líquidos, já sem os 2 gastos) | 4 líquidos (2 + 2) | 10 | 2 |
O ATP formado diretamente chama-se ATP de fosforilação ao nível do substrato. O ATP que resulta da cadeia respiratória e da ATP sintase chama-se ATP de fosforilação oxidativa. Cada NADH e cada FADH₂ entregam eletrões à cadeia respiratória, e a energia dessa transferência serve para sintetizar ATP.
Repara: a glicólise forma 4 ATP, mas gasta 2, pelo que dá 2 ATP líquidos. Somando os 4 ATP da glicólise e os 2 do ciclo de Krebs, obtêm-se 6 ATP brutos; descontando os 2 gastos na glicólise, ficam 4 ATP líquidos de fosforilação ao nível do substrato. Os restantes ATP (26 a 28 com os valores atuais e 32 a 34 com os clássicos) vêm da fosforilação oxidativa na mitocôndria (a cadeia respiratória), que reoxida os NADH e FADH₂, incluindo o NADH da glicólise, cujos eletrões entram por sistemas de vaivém; o valor depende do modelo usado.
Quanto ATP rende cada coenzima depende do modelo usado:
-
Valores clássicos (manuais mais antigos): 3 ATP por NADH e 2 ATP por FADH₂. Dá um total de 36 a 38 ATP.
-
Valores atualmente aceites: cerca de 2,5 ATP por NADH e 1,5 ATP por FADH₂. Dá um total de 30 a 32 ATP.
Com os valores clássicos: $4 + 10 \times 3 + 2 \times 2 = 38\ \text{ATP}$. Se os 2 NADH do citosol entrarem pelo vaivém do glicerol-fosfato, cada um rende 2 ATP em vez de 3, e o total desce 2 ATP, para 36 ATP. É por isso que muitos exercícios usam 36 ATP.
Quantas moléculas de ATP líquidas se obtêm na glicólise por cada glicose e quantas no total (valor teórico clássico) quando esta é degradada completamente por via…
Quantas moléculas de ATP líquidas se obtêm na glicólise por cada glicose e quantas no total (valor teórico clássico) quando esta é degradada completamente por via aeróbia?
Indica quantas moléculas de ATP se obtêm, segundo os valores atualmente aceites, por cada NADH e por cada $\text{FADH}2$ que transferem os seus eletrões para a cadeia…
Indica quantas moléculas de ATP se obtêm, segundo os valores atualmente aceites, por cada NADH e por cada $\text{FADH}_2$ que transferem os seus eletrões para a cadeia respiratória.
Na respiração aeróbia obtêm-se cerca de $36$-$38\ \text{ATP}$ por glicose, dos quais apenas $2$ provêm da glicólise. Calcula que percentagem do rendimento total é…
Na respiração aeróbia obtêm-se cerca de $36$-$38\ \text{ATP}$ por glicose, dos quais apenas $2$ provêm da glicólise. Calcula que percentagem do rendimento total é fornecida pelas etapas mitocondriais (considerando $36\ \text{ATP}$ como total) e comenta o resultado.
Porque é que o valor varia: os sistemas de vaivém
O NADH da glicólise forma-se no citosol, mas a cadeia respiratória está na membrana interna da mitocôndria. O NADH não atravessa essa membrana. Os seus eletrões têm de entrar por sistemas de vaivém (shuttles):
-
Malato-aspartato (por exemplo, no fígado e no coração): cada NADH do citosol rende cerca de 2,5 ATP.
-
Glicerol-fosfato (por exemplo, no músculo esquelético e no cérebro): cada NADH do citosol rende cerca de 1,5 ATP, porque os eletrões entram na cadeia a um nível energético mais baixo.
Há ainda outra razão para o valor real ser mais baixo do que as contas teóricas. A membrana interna da mitocôndria tem fugas de protões: parte do gradiente de $\text{H}^+$ não passa pela ATP sintase e dissipa-se. Além disso, gasta-se gradiente a transportar piruvato e fosfato para dentro da matriz.
Seguir o carbono da glicose
A glicólise parte a glicose (6 C) em duas trioses, que originam 2 piruvatos (3 C cada). Na descarboxilação oxidativa, o piruvato perde o seu carbono 1 como $\text{CO}_2$ e forma acetil-CoA (2 C). Os restantes carbonos entram no ciclo de Krebs e saem como $\text{CO}_2$ nas voltas seguintes. Assim, com glicose marcada, a marca acompanha o carbono até ser libertado como $\text{CO}_2$.
O NADH produzido na glicólise deve introduzir os seus eletrões na mitocôndria através de sistemas de vaivém (shuttle): o do malato-aspartato rende cerca de…
O NADH produzido na glicólise deve introduzir os seus eletrões na mitocôndria através de sistemas de vaivém (shuttle): o do malato-aspartato rende cerca de $2,5\ \text{ATP}$ por NADH e o do glicerol-fosfato cerca de $1,5\ \text{ATP}$. Explica por que razão o rendimento total da respiração de uma glicose varia entre cerca de $30$ e $32\ \text{ATP}$ consoante o tecido, calculando ambos os valores a partir do restante conjunto de coenzimas (que rendem $23\ \text{ATP}$) e dos $4\ \text{ATP}$ obtidos por fosforilação ao nível do substrato.
Para determinar o destino atómico do carbono na respiração celular, incuba-se uma cultura de células animais com glicose marcada radioativamente com $^{14}\text{C}$…
Para determinar o destino atómico do carbono na respiração celular, incuba-se uma cultura de células animais com glicose marcada radioativamente com $^{14}\text{C}$ exclusivamente no seu carbono 1 ($^{14}\text{C}_1\text{-glicose}$).
- a) Deduz em que carbono do piruvato ($^{14}\text{C}_1$, $^{14}\text{C}_2$ ou $^{14}\text{C}_3$) se situará a radioatividade no final da glicólise, justificando-o a partir da cisão aldólica da frutose-1,6-bisfosfato e da reação catalisada pela triose fosfato isomerase.
- b) Um investigador prevê que o primeiro gás libertado na descarboxilação oxidativa do piruvato será $^{14}\text{CO}_2$ radioativo. Avalia se a sua previsão é correta ou errada. Justifica em que grupo funcional da acetil-CoA ficará a marcação e fundamenta por que razão este carbono marcado não se liberta como $\text{CO}_2$ durante a primeira volta do ciclo de Krebs.
O balanço teórico clássico da respiração celular prevê a síntese de $36$ a $38\ \text{ATP}$ por molécula de glicose, mas as medições in vivo em mitocôndrias de mamíferos…
O balanço teórico clássico da respiração celular prevê a síntese de $36$ a $38\ \text{ATP}$ por molécula de glicose, mas as medições in vivo em mitocôndrias de mamíferos demonstram que o rendimento real raramente supera os $30$-$32\ \text{ATP}$.
- a) Justifica, a nível molecular e termodinâmico, duas causas fisiológicas que expliquem este desfasamento, fazendo referência à utilização e dissipação do gradiente eletroquímico de protões entre o espaço intermembranar e a matriz mitocondrial.
- b) O tecido adiposo castanho dos mamíferos hibernantes e dos recém-nascidos expressa, na sua membrana mitocondrial interna, a proteína desacopladora termogenina (UCP-1). Aplica a hipótese quimiosmótica de Mitchell para explicar como a UCP-1 altera a relação $\text{ATP/O}_2$ consumido e deduz que vantagem adaptativa proporciona face ao stress térmico provocado pelo frio.
Respiração aeróbia e fermentação
A fermentação (alcoólica ou lática) começa tal como a respiração, com a glicólise. A diferença está no que acontece ao piruvato:
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Com oxigénio (respiração aeróbia): o piruvato entra na mitocôndria, é oxidado totalmente a $\text{CO}_2$ e a energia dos eletrões é aproveitada na cadeia respiratória. Rende cerca de 30 a 32 ATP por glicose (36 com os valores clássicos), sempre valores aproximados.
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Sem oxigénio (fermentação): o piruvato transforma-se em lactato ou em etanol (e $\text{CO}_2$). Esta transformação não produz ATP. Serve para regenerar $\text{NAD}^+$, de modo que a glicólise continue. O rendimento é de apenas 2 ATP líquidos por glicose, todos da glicólise.
Na fermentação, o lactato e o etanol ainda guardam muita energia química, que não foi extraída. Por isso o rendimento é muito baixo.
Isto explica também o efeito de Pasteur. Uma levedura (aeróbia facultativa) em meio sem oxigénio fermenta e gasta muita glicose. Quando se introduz oxigénio, passa a respirar e consome muito menos glicose por célula, para obter o mesmo ATP. Uma bactéria anaeróbia obrigatória, no mesmo meio, deixa de crescer com o oxigénio.
Por que razão a fermentação é muito menos rentável energeticamente do que a respiração aeróbia, embora ambas comecem com a glicólise? Explica o que acontece ao piruvato…
Por que razão a fermentação é muito menos rentável energeticamente do que a respiração aeróbia, embora ambas comecem com a glicólise? Explica o que acontece ao piruvato em cada caso.
Ordena por ordem decrescente de rendimento energético por molécula de glicose: respiração aeróbia, fermentação lática e fermentação alcoólica. Justifica a ordenação.
Ordena por ordem decrescente de rendimento energético por molécula de glicose: respiração aeróbia, fermentação lática e fermentação alcoólica. Justifica a ordenação.
Por que razão os organismos que realizam respiração aeróbia conseguem sustentar corpos maiores e mais ativos do que os que apenas fermentam? Relaciona a tua resposta com…
Por que razão os organismos que realizam respiração aeróbia conseguem sustentar corpos maiores e mais ativos do que os que apenas fermentam? Relaciona a tua resposta com o rendimento energético de cada via.
Durante uma corrida de velocidade máxima de $100\ \text{m}$, as fibras musculares de contração rápida exigem ATP a uma taxa aproximada de…
Durante uma corrida de velocidade máxima de $100\ \text{m}$, as fibras musculares de contração rápida exigem ATP a uma taxa aproximada de $3{,}5\ \text{mmol}/(\text{kg}\cdot\text{s})$. Nestas mesmas fibras, a fosforilação oxidativa mitocondrial tem uma velocidade máxima de produção de apenas $0{,}4\ \text{mmol}/(\text{kg}\cdot\text{s})$, enquanto a fermentação homoláctica pode gerar até $4{,}0\ \text{mmol}/(\text{kg}\cdot\text{s})$.
- a) A partir destes dados cinéticos, justifica por que razão resulta energeticamente vantajoso para a célula muscular ativar de forma massiva a fermentação láctica, apesar de o seu rendimento estequiométrico por mole de glicose ser cerca de 16-18 vezes menor do que o da respiração aeróbia.
- b) Prevê que consequências metabólicas e intracelulares imediatas (em relação ao pH, à disponibilidade de substrato e à atividade de enzimas como a fosfofrutoquinase-1) ocorreriam se se tentasse sustentar esse ritmo fermentativo durante vários minutos, justificando por que razão surge a fadiga muscular.
Num quimiostato de laboratório cultiva-se uma comunidade microbiana mista composta por duas espécies com idêntica afinidade pela glicose: uma levedura com respiração…
Num quimiostato de laboratório cultiva-se uma comunidade microbiana mista composta por duas espécies com idêntica afinidade pela glicose: uma levedura com respiração aeróbia facultativa e uma bactéria fermentadora estrita (anaeróbia obrigatória).
- a) Se o biorreator, mantido inicialmente sem oxigénio, começar a ser oxigenado continuamente mantendo constante o fornecimento de glicose, prevê a evolução da biomassa de ambas as populações e a variação no consumo específico de glicose por célula (efeito Pasteur). Justifica a tua previsão relacionando a eficiência energética de ambas as vias catabólicas com a síntese de macromoléculas.
- b) Um estudante argumenta que, sendo a respiração aeróbia termodinamicamente mais eficiente, a fermentação é uma via biológica primitiva destinada a desaparecer por seleção natural. Rebate esta afirmação propondo duas situações fisiológicas ou nichos ecológicos atuais onde a fermentação constitua a estratégia metabólica ótima ou insubstituível, justificando o porquê em cada caso.
Fazer contas com o ATP
Com o rendimento por glicose, podes fazer contas de quantidade de glicose ou de ATP. Usa sempre a proporção.
Calcula quantas moléculas de glicose uma célula necessita de degradar para obter $180\ \text{ATP}$ por via aeróbia ($36\ \text{ATP/glucosa}$) e quantas por fermentação…
Calcula quantas moléculas de glicose uma célula necessita de degradar para obter $180\ \text{ATP}$ por via aeróbia ($36\ \text{ATP/glucosa}$) e quantas por fermentação ($2\ \text{ATP/glucosa}$). Comenta que implicação tem esta diferença para os organismos anaeróbios.
O gráfico compara as moléculas de ATP obtidas por cada molécula de glicose em função da via metabólica utilizada. Uma cultura de leveduras sem oxigénio degrada…
O gráfico compara as moléculas de ATP obtidas por cada molécula de glicose em função da via metabólica utilizada. Uma cultura de leveduras sem oxigénio degrada $100\ \text{mol}$ de glicose por fermentação alcoólica. Calcula, a partir do gráfico, quantas moles de ATP obtém, quantas obteria se realizasse a respiração aeróbia dessa mesma glicose e quantas vezes a via aeróbia é mais rentável.
Uma pessoa ingere numa refeição $100\ \text{g}$ de glicose (massa molar $180\ \text{g/mol}$, ou seja, cerca de $0,56\ \text{mol}$). Calcula quantos moles de ATP o seu…
Uma pessoa ingere numa refeição $100\ \text{g}$ de glicose (massa molar $180\ \text{g/mol}$, ou seja, cerca de $0,56\ \text{mol}$). Calcula quantos moles de ATP o seu organismo pode obter por via aeróbia ($36\ \text{ATP}$ por glicose) e a quantos gramas de ATP equivalem (massa molar do ATP: $507\ \text{g/mol}$). Comenta o valor obtido.
Na fermentação alcoólica obtêm-se $2\ \text{mol}$ de ATP por mole de glicose. Calcula quantos moles de glicose seria necessário fermentar para igualar a quantidade de…
Na fermentação alcoólica obtêm-se $2\ \text{mol}$ de ATP por mole de glicose. Calcula quantos moles de glicose seria necessário fermentar para igualar a quantidade de ATP obtida pela respiração aeróbia de apenas uma mole de glicose, e justifica que problema isto acarreta para um microrganismo anaeróbio num meio com escassez de açúcar.
O rendimento energético e o calor
Voltemos à Matilde, ofegante e a transpirar. Parte da energia dos alimentos foi para ATP, e o resto saiu como calor.
$$\text{rendimento} = \frac{\text{energia útil}}{\text{energia fornecida}} \times 100\ \%$$Nunca é de 100 %. Em cada transformação de energia há pérdidas de calor, e o metabolismo celular não é exceção. Num rendimento global de cerca de 25 %, por exemplo, 75 % da energia dos alimentos transforma-se em calor. Esse calor ajuda os animais homeotérmicos (mamíferos e aves) a manter a temperatura corporal. Em ambiente frio, estes animais aumentam o metabolismo (consomem mais $\text{O}_2$) para produzir mais calor. Os animais poiquilotérmicos (como um lagarto) reduzem o metabolismo quando arrefecem.
O corpo gasta ATP mesmo em repouso, no chamado metabolismo basal. Por exemplo, as bombas $\text{Na}^+/\text{K}^+$ nos neurónios gastam muito ATP para manter o potencial de membrana. O cérebro é 2 % da massa do corpo e consome cerca de 20 % do oxigénio e da glicose. A glicose entra nos neurónios por difusão facilitada, através de transportadores (GLUT), sem gasto de ATP. O ATP gasta-se sobretudo nas bombas $\text{Na}^+/\text{K}^+$, que restabelecem os gradientes após cada impulso nervoso.
O que significa afirmar que uma via metabólica tem um rendimento energético de $40\ \%$? Explica o que acontece ao restante da energia contida no alimento.
O que significa afirmar que uma via metabólica tem um rendimento energético de $40\ \%$? Explica o que acontece ao restante da energia contida no alimento.
O corpo humano despende energia mesmo em repouso absoluto (metabolismo basal). Refere dois processos que consomem ATP mesmo quando estamos deitados e imóveis, e explica…
O corpo humano despende energia mesmo em repouso absoluto (metabolismo basal). Refere dois processos que consomem ATP mesmo quando estamos deitados e imóveis, e explica por que razão são imprescindíveis para a manutenção da vida.
Durante uma maratona, um corredor realiza cerca de $10000\ \text{kJ}$ de trabalho útil. Se o seu organismo apresentar um rendimento global de $25\ \%$, calcula quanta…
Durante uma maratona, um corredor realiza cerca de $10000\ \text{kJ}$ de trabalho útil. Se o seu organismo apresentar um rendimento global de $25\ \%$, calcula quanta energia química dos alimentos teve de mobilizar e explica por que razão o seu corpo aquece tanto durante a corrida.
O encéfalo humano adulto tem uma massa de cerca de $1400\ \text{g}$ (cerca de $2\ \%$ da massa corporal), mas consome em repouso $20\ \%$ do oxigénio e da glicose de…
O encéfalo humano adulto tem uma massa de cerca de $1400\ \text{g}$ (cerca de $2\ \%$ da massa corporal), mas consome em repouso $20\ \%$ do oxigénio e da glicose de todo o organismo, degradando aproximadamente $120\ \text{g}$ de glicose por dia (massa molar $= 180\ \text{g/mol}$).
- a) Justifica, a nível molecular e de transporte membranar, que processos fisiológicos contínuos dos neurónios explicam semelhante gasto basal de ATP em repouso.
- b) Calcula as moles de ATP diárias produzidas pelo encéfalo, assumindo um rendimento líquido de $30\ \text{mol de ATP}$ por mol de glicose oxidada. Se a reserva total intracelular de ATP no tecido cerebral for de $2{,}5\ \mu\text{mol/g}$, calcula para quantos segundos de atividade daria essa reserva se a fosforilação oxidativa parasse de forma instantânea.
- c) A partir dos resultados de b), justifica por que razão uma isquemia cerebral provoca a perda de consciência em menos de $10\ \text{segundos}$ e explica por que motivo o encéfalo não consegue manter a sua viabilidade energética mediante fermentação a partir de glicogénio endógeno, ao contrário das fibras musculares esqueléticas.
Um laboratório de ecofisiologia compara o gasto metabólico de um mamífero homeotérmico (um rato de $25\ \text{g}$) e de um réptil poiquilotérmico (um lagarto de…
Um laboratório de ecofisiologia compara o gasto metabólico de um mamífero homeotérmico (um rato de $25\ \text{g}$) e de um réptil poiquilotérmico (um lagarto de $25\ \text{g}$) medindo o consumo de $\text{O}_2$ (em $\text{mL}\ \text{O}_2\cdot\text{g}^{-1}\cdot\text{h}^{-1}$) a diferentes temperaturas ambientais.
- a) Prevê como variará o consumo de $\text{O}_2$ em cada animal quando a temperatura ambiente desce bruscamente de $22\ \text{°C}$ para $6\ \text{°C}$. Justifica a resposta relacionando a respiração celular com a manutenção da temperatura corporal em homeotérmicos.
- b) Numa situação de escassez extrema de alimento durante várias semanas, o lagarto sobrevive mantendo-se inativo, enquanto o rato morre em 24 a 48 horas se as suas reservas se esgotarem. Justifica este facto com base na taxa metabólica basal e no destino do ATP em ambos os animais.
- c) Em ambientes frios, os mamíferos ativam a termogénese no tecido adiposo castanho através da proteína desacopladora termogenina (UCP-1) da membrana mitocondrial interna. Explica como é que esta proteína altera a fosforilação oxidativa para dissipar energia sob a forma de calor sem síntese de ATP.
Energia por grama de combustível
A energia dos alimentos mede-se em quilocalorias (kcal) ou em quilojoules (kJ). Uma quilocaloria é a energia necessária para aquecer $1\ \text{kg}$ de água em $1\ ^\circ\text{C}$: $1\ \text{kcal} \approx 4{,}18\ \text{kJ}$. A célula não usa essa energia diretamente: converte parte dela em ATP, que serve de «moeda energética».
A glicose liberta cerca de $4\ \text{kcal/g}$ e a gordura cerca de $9\ \text{kcal/g}$, mais do dobro. A razão é química: os ácidos gordos têm muito mais ligações C–H e pouco oxigénio, ou seja, estão mais reduzidos. Por isso cedem muito mais eletrões à cadeia respiratória por grama. Além disso, o glicogénio guarda-se hidratado (2 a 3 vezes a sua massa em água), enquanto a gordura se guarda quase sem água. Por isso as aves migratórias acumulam gordura, e não glicogénio, antes de partirem.
A combustão de $1\ \text{g}$ de glicose liberta cerca de $4\ \text{kcal}$ e a de $1\ \text{g}$ de gordura cerca de $9\ \text{kcal}$. Explica a que se deve essa diferença…
A combustão de $1\ \text{g}$ de glicose liberta cerca de $4\ \text{kcal}$ e a de $1\ \text{g}$ de gordura cerca de $9\ \text{kcal}$. Explica a que se deve essa diferença e calcula quantos gramas de gordura fornecem a mesma energia que $90\ \text{g}$ de glicose.
Uma ave migratória de $30\ \text{g}$ deve enfrentar uma travessia ininterrupta que requer um gasto energético metabólico equivalente a $2\ \text{mol}$ de ATP. Dados:…
Uma ave migratória de $30\ \text{g}$ deve enfrentar uma travessia ininterrupta que requer um gasto energético metabólico equivalente a $2\ \text{mol}$ de ATP.
Dados:
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Glicose: $180\ \text{g/mol}$; rendimento = $36\ \text{mol}$ de ATP por mol de glicose. O glicogénio é armazenado hidratado com $2\ \text{g}$ de água por cada grama de polissacarídeo seco.
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Ácido palmítico: $256\ \text{g/mol}$; rendimento = $106\ \text{mol}$ de ATP por mol de ácido gordo. Os triacilgliceróis são armazenados de forma anidra.
- a) Calcula a massa total de reserva (em gramas) que a ave deveria incorporar no seu corpo antes da viagem caso armazenasse essa energia exclusivamente sob a forma de gordura em comparação com se o fizesse exclusivamente como glicogénio hidratado.
- b) A partir dos resultados obtidos, interpreta a repercussão biomecânica sobre o voo e prevê o que aconteceria com a viabilidade da migração no caso de usar glicogénio.
- c) Justifica bioquimicamente por que razão um grama seco de ácido palmítico rende mais do dobro de ATP do que um grama de glicose, tendo em conta o grau de oxidação dos seus átomos de carbono.
A energia dos alimentos é frequentemente expressa em quilocalorias. Explica o que é uma quilocaloria e que relação tem com a energia que a célula armazena finalmente sob…
A energia dos alimentos é frequentemente expressa em quilocalorias. Explica o que é uma quilocaloria e que relação tem com a energia que a célula armazena finalmente sob a forma de ATP.
Voltando ao início: a Matilde obtém o ATP sobretudo pela respiração aeróbia (36 ou 30–32 ATP por glicose), com apoio da fermentação lática quando o esforço é muito intenso. O calor sentido é a parte da energia dos alimentos que não se transformou em ATP.