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O metabolismo · O metabolismo celular

O rendimento energético

Antes de começar, convém dominares: Uma alimentação saudável (9.º ano do ensino básico (3.º ciclo))

A meio de um treino de futsal, a Matilde ofega, tem os músculos a arder e sente muito calor. Cada célula do corpo dela está a gastar ATP depressa. Quanto ATP se obtém, afinal, de uma só molécula de glicose? E porque é que parte da energia se «perde» sempre sob a forma de calor?

O balanço da respiração aeróbia

Já estudaste a glicólise, o ciclo de Krebs e a cadeia respiratória. Agora vais juntar as contas. Em células eucarióticas, por cada molécula de glicose, o balanço das etapas é este:

Etapa ATP formado diretamente NADH FADH₂
Glicólise (citosol): formam-se 4 ATP e gastam-se 2 2 líquidos 2 0
Piruvato → acetil-CoA (matriz), ×2 0 2 0
Ciclo de Krebs (matriz), 2 voltas 2 6 2
Total (6 ATP brutos; 4 líquidos, já sem os 2 gastos) 4 líquidos (2 + 2) 10 2

O ATP formado diretamente chama-se ATP de fosforilação ao nível do substrato. O ATP que resulta da cadeia respiratória e da ATP sintase chama-se ATP de fosforilação oxidativa. Cada NADH e cada FADH₂ entregam eletrões à cadeia respiratória, e a energia dessa transferência serve para sintetizar ATP.

Repara: a glicólise forma 4 ATP, mas gasta 2, pelo que dá 2 ATP líquidos. Somando os 4 ATP da glicólise e os 2 do ciclo de Krebs, obtêm-se 6 ATP brutos; descontando os 2 gastos na glicólise, ficam 4 ATP líquidos de fosforilação ao nível do substrato. Os restantes ATP (26 a 28 com os valores atuais e 32 a 34 com os clássicos) vêm da fosforilação oxidativa na mitocôndria (a cadeia respiratória), que reoxida os NADH e FADH₂, incluindo o NADH da glicólise, cujos eletrões entram por sistemas de vaivém; o valor depende do modelo usado.

Quanto ATP rende cada coenzima depende do modelo usado:

  • Valores clássicos (manuais mais antigos): 3 ATP por NADH e 2 ATP por FADH₂. Dá um total de 36 a 38 ATP.

  • Valores atualmente aceites: cerca de 2,5 ATP por NADH e 1,5 ATP por FADH₂. Dá um total de 30 a 32 ATP.

Com os valores clássicos: $4 + 10 \times 3 + 2 \times 2 = 38\ \text{ATP}$. Se os 2 NADH do citosol entrarem pelo vaivém do glicerol-fosfato, cada um rende 2 ATP em vez de 3, e o total desce 2 ATP, para 36 ATP. É por isso que muitos exercícios usam 36 ATP.

Barra com a origem dos ATP na respiração aeróbia: 4 ATP de fosforilação ao nível do substrato e 28 ATP de fosforilação oxidativa, num total de cerca de 32 ATP Origem dos ATP (valores atuais, por glicose) 4 28 Subs. Fosforilação oxidativa Total aproximado: cerca de 32 ATP (a maior parte vem da mitocôndria)
Pratica★☆☆Por começar
Quantas moléculas de ATP líquidas se obtêm na glicólise por cada glicose e quantas no total (valor teórico clássico) quando esta é degradada completamente por via…

Quantas moléculas de ATP líquidas se obtêm na glicólise por cada glicose e quantas no total (valor teórico clássico) quando esta é degradada completamente por via aeróbia?

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Pratica★☆☆Por começar
Indica quantas moléculas de ATP se obtêm, segundo os valores atualmente aceites, por cada NADH e por cada $\text{FADH}2$ que transferem os seus eletrões para a cadeia…

Indica quantas moléculas de ATP se obtêm, segundo os valores atualmente aceites, por cada NADH e por cada $\text{FADH}_2$ que transferem os seus eletrões para a cadeia respiratória.

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Pratica★★☆Por começar
Na respiração aeróbia obtêm-se cerca de $36$-$38\ \text{ATP}$ por glicose, dos quais apenas $2$ provêm da glicólise. Calcula que percentagem do rendimento total é…

Na respiração aeróbia obtêm-se cerca de $36$-$38\ \text{ATP}$ por glicose, dos quais apenas $2$ provêm da glicólise. Calcula que percentagem do rendimento total é fornecida pelas etapas mitocondriais (considerando $36\ \text{ATP}$ como total) e comenta o resultado.

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Porque é que o valor varia: os sistemas de vaivém

O NADH da glicólise forma-se no citosol, mas a cadeia respiratória está na membrana interna da mitocôndria. O NADH não atravessa essa membrana. Os seus eletrões têm de entrar por sistemas de vaivém (shuttles):

  • Malato-aspartato (por exemplo, no fígado e no coração): cada NADH do citosol rende cerca de 2,5 ATP.

  • Glicerol-fosfato (por exemplo, no músculo esquelético e no cérebro): cada NADH do citosol rende cerca de 1,5 ATP, porque os eletrões entram na cadeia a um nível energético mais baixo.

Há ainda outra razão para o valor real ser mais baixo do que as contas teóricas. A membrana interna da mitocôndria tem fugas de protões: parte do gradiente de $\text{H}^+$ não passa pela ATP sintase e dissipa-se. Além disso, gasta-se gradiente a transportar piruvato e fosfato para dentro da matriz.

Seguir o carbono da glicose

A glicólise parte a glicose (6 C) em duas trioses, que originam 2 piruvatos (3 C cada). Na descarboxilação oxidativa, o piruvato perde o seu carbono 1 como $\text{CO}_2$ e forma acetil-CoA (2 C). Os restantes carbonos entram no ciclo de Krebs e saem como $\text{CO}_2$ nas voltas seguintes. Assim, com glicose marcada, a marca acompanha o carbono até ser libertado como $\text{CO}_2$.

Pratica★★☆Por começar
O NADH produzido na glicólise deve introduzir os seus eletrões na mitocôndria através de sistemas de vaivém (shuttle): o do malato-aspartato rende cerca de…

O NADH produzido na glicólise deve introduzir os seus eletrões na mitocôndria através de sistemas de vaivém (shuttle): o do malato-aspartato rende cerca de $2,5\ \text{ATP}$ por NADH e o do glicerol-fosfato cerca de $1,5\ \text{ATP}$. Explica por que razão o rendimento total da respiração de uma glicose varia entre cerca de $30$ e $32\ \text{ATP}$ consoante o tecido, calculando ambos os valores a partir do restante conjunto de coenzimas (que rendem $23\ \text{ATP}$) e dos $4\ \text{ATP}$ obtidos por fosforilação ao nível do substrato.

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Pratica★★★Por começar
Para determinar o destino atómico do carbono na respiração celular, incuba-se uma cultura de células animais com glicose marcada radioativamente com $^{14}\text{C}$…

Para determinar o destino atómico do carbono na respiração celular, incuba-se uma cultura de células animais com glicose marcada radioativamente com $^{14}\text{C}$ exclusivamente no seu carbono 1 ($^{14}\text{C}_1\text{-glicose}$).

  1. a) Deduz em que carbono do piruvato ($^{14}\text{C}_1$, $^{14}\text{C}_2$ ou $^{14}\text{C}_3$) se situará a radioatividade no final da glicólise, justificando-o a partir da cisão aldólica da frutose-1,6-bisfosfato e da reação catalisada pela triose fosfato isomerase.
  2. b) Um investigador prevê que o primeiro gás libertado na descarboxilação oxidativa do piruvato será $^{14}\text{CO}_2$ radioativo. Avalia se a sua previsão é correta ou errada. Justifica em que grupo funcional da acetil-CoA ficará a marcação e fundamenta por que razão este carbono marcado não se liberta como $\text{CO}_2$ durante a primeira volta do ciclo de Krebs.
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Pratica★★★Por começar
O balanço teórico clássico da respiração celular prevê a síntese de $36$ a $38\ \text{ATP}$ por molécula de glicose, mas as medições in vivo em mitocôndrias de mamíferos…

O balanço teórico clássico da respiração celular prevê a síntese de $36$ a $38\ \text{ATP}$ por molécula de glicose, mas as medições in vivo em mitocôndrias de mamíferos demonstram que o rendimento real raramente supera os $30$-$32\ \text{ATP}$.

  1. a) Justifica, a nível molecular e termodinâmico, duas causas fisiológicas que expliquem este desfasamento, fazendo referência à utilização e dissipação do gradiente eletroquímico de protões entre o espaço intermembranar e a matriz mitocondrial.
  2. b) O tecido adiposo castanho dos mamíferos hibernantes e dos recém-nascidos expressa, na sua membrana mitocondrial interna, a proteína desacopladora termogenina (UCP-1). Aplica a hipótese quimiosmótica de Mitchell para explicar como a UCP-1 altera a relação $\text{ATP/O}_2$ consumido e deduz que vantagem adaptativa proporciona face ao stress térmico provocado pelo frio.
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Respiração aeróbia e fermentação

A fermentação (alcoólica ou lática) começa tal como a respiração, com a glicólise. A diferença está no que acontece ao piruvato:

  • Com oxigénio (respiração aeróbia): o piruvato entra na mitocôndria, é oxidado totalmente a $\text{CO}_2$ e a energia dos eletrões é aproveitada na cadeia respiratória. Rende cerca de 30 a 32 ATP por glicose (36 com os valores clássicos), sempre valores aproximados.

  • Sem oxigénio (fermentação): o piruvato transforma-se em lactato ou em etanol (e $\text{CO}_2$). Esta transformação não produz ATP. Serve para regenerar $\text{NAD}^+$, de modo que a glicólise continue. O rendimento é de apenas 2 ATP líquidos por glicose, todos da glicólise.

Na fermentação, o lactato e o etanol ainda guardam muita energia química, que não foi extraída. Por isso o rendimento é muito baixo.

Gráfico de barras com os ATP líquidos por glicose: respiração aeróbia cerca de 36 ATP, fermentação lática 2 ATP, fermentação alcoólica 2 ATP ATP líquidos por glicose (valores clássicos; atuais: 30–32) Respiração aeróbia 36 Fermentação lática 2 Fermentação alcoólica 2

Isto explica também o efeito de Pasteur. Uma levedura (aeróbia facultativa) em meio sem oxigénio fermenta e gasta muita glicose. Quando se introduz oxigénio, passa a respirar e consome muito menos glicose por célula, para obter o mesmo ATP. Uma bactéria anaeróbia obrigatória, no mesmo meio, deixa de crescer com o oxigénio.

Pratica★☆☆Por começar
Por que razão a fermentação é muito menos rentável energeticamente do que a respiração aeróbia, embora ambas comecem com a glicólise? Explica o que acontece ao piruvato…

Por que razão a fermentação é muito menos rentável energeticamente do que a respiração aeróbia, embora ambas comecem com a glicólise? Explica o que acontece ao piruvato em cada caso.

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Pratica★☆☆Por começar
Ordena por ordem decrescente de rendimento energético por molécula de glicose: respiração aeróbia, fermentação lática e fermentação alcoólica. Justifica a ordenação.

Ordena por ordem decrescente de rendimento energético por molécula de glicose: respiração aeróbia, fermentação lática e fermentação alcoólica. Justifica a ordenação.

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Pratica★☆☆Por começar
Por que razão os organismos que realizam respiração aeróbia conseguem sustentar corpos maiores e mais ativos do que os que apenas fermentam? Relaciona a tua resposta com…

Por que razão os organismos que realizam respiração aeróbia conseguem sustentar corpos maiores e mais ativos do que os que apenas fermentam? Relaciona a tua resposta com o rendimento energético de cada via.

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Pratica★★★Por começar
Durante uma corrida de velocidade máxima de $100\ \text{m}$, as fibras musculares de contração rápida exigem ATP a uma taxa aproximada de…

Durante uma corrida de velocidade máxima de $100\ \text{m}$, as fibras musculares de contração rápida exigem ATP a uma taxa aproximada de $3{,}5\ \text{mmol}/(\text{kg}\cdot\text{s})$. Nestas mesmas fibras, a fosforilação oxidativa mitocondrial tem uma velocidade máxima de produção de apenas $0{,}4\ \text{mmol}/(\text{kg}\cdot\text{s})$, enquanto a fermentação homoláctica pode gerar até $4{,}0\ \text{mmol}/(\text{kg}\cdot\text{s})$.

  1. a) A partir destes dados cinéticos, justifica por que razão resulta energeticamente vantajoso para a célula muscular ativar de forma massiva a fermentação láctica, apesar de o seu rendimento estequiométrico por mole de glicose ser cerca de 16-18 vezes menor do que o da respiração aeróbia.
  2. b) Prevê que consequências metabólicas e intracelulares imediatas (em relação ao pH, à disponibilidade de substrato e à atividade de enzimas como a fosfofrutoquinase-1) ocorreriam se se tentasse sustentar esse ritmo fermentativo durante vários minutos, justificando por que razão surge a fadiga muscular.
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Pratica★★★Por começar
Num quimiostato de laboratório cultiva-se uma comunidade microbiana mista composta por duas espécies com idêntica afinidade pela glicose: uma levedura com respiração…

Num quimiostato de laboratório cultiva-se uma comunidade microbiana mista composta por duas espécies com idêntica afinidade pela glicose: uma levedura com respiração aeróbia facultativa e uma bactéria fermentadora estrita (anaeróbia obrigatória).

  1. a) Se o biorreator, mantido inicialmente sem oxigénio, começar a ser oxigenado continuamente mantendo constante o fornecimento de glicose, prevê a evolução da biomassa de ambas as populações e a variação no consumo específico de glicose por célula (efeito Pasteur). Justifica a tua previsão relacionando a eficiência energética de ambas as vias catabólicas com a síntese de macromoléculas.
  2. b) Um estudante argumenta que, sendo a respiração aeróbia termodinamicamente mais eficiente, a fermentação é uma via biológica primitiva destinada a desaparecer por seleção natural. Rebate esta afirmação propondo duas situações fisiológicas ou nichos ecológicos atuais onde a fermentação constitua a estratégia metabólica ótima ou insubstituível, justificando o porquê em cada caso.
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Fazer contas com o ATP

Com o rendimento por glicose, podes fazer contas de quantidade de glicose ou de ATP. Usa sempre a proporção.

Pratica★★☆Por começar
Calcula quantas moléculas de glicose uma célula necessita de degradar para obter $180\ \text{ATP}$ por via aeróbia ($36\ \text{ATP/glucosa}$) e quantas por fermentação…

Calcula quantas moléculas de glicose uma célula necessita de degradar para obter $180\ \text{ATP}$ por via aeróbia ($36\ \text{ATP/glucosa}$) e quantas por fermentação ($2\ \text{ATP/glucosa}$). Comenta que implicação tem esta diferença para os organismos anaeróbios.

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Pratica★★☆Por começar
O gráfico compara as moléculas de ATP obtidas por cada molécula de glicose em função da via metabólica utilizada. Uma cultura de leveduras sem oxigénio degrada…

O gráfico compara as moléculas de ATP obtidas por cada molécula de glicose em função da via metabólica utilizada. Uma cultura de leveduras sem oxigénio degrada $100\ \text{mol}$ de glicose por fermentação alcoólica. Calcula, a partir do gráfico, quantas moles de ATP obtém, quantas obteria se realizasse a respiração aeróbia dessa mesma glicose e quantas vezes a via aeróbia é mais rentável.

10 20 30 ATP 2 2 36 glicólise fermentação respiração
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Pratica★★☆Por começar
Uma pessoa ingere numa refeição $100\ \text{g}$ de glicose (massa molar $180\ \text{g/mol}$, ou seja, cerca de $0,56\ \text{mol}$). Calcula quantos moles de ATP o seu…

Uma pessoa ingere numa refeição $100\ \text{g}$ de glicose (massa molar $180\ \text{g/mol}$, ou seja, cerca de $0,56\ \text{mol}$). Calcula quantos moles de ATP o seu organismo pode obter por via aeróbia ($36\ \text{ATP}$ por glicose) e a quantos gramas de ATP equivalem (massa molar do ATP: $507\ \text{g/mol}$). Comenta o valor obtido.

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Pratica★★☆Por começar
Na fermentação alcoólica obtêm-se $2\ \text{mol}$ de ATP por mole de glicose. Calcula quantos moles de glicose seria necessário fermentar para igualar a quantidade de…

Na fermentação alcoólica obtêm-se $2\ \text{mol}$ de ATP por mole de glicose. Calcula quantos moles de glicose seria necessário fermentar para igualar a quantidade de ATP obtida pela respiração aeróbia de apenas uma mole de glicose, e justifica que problema isto acarreta para um microrganismo anaeróbio num meio com escassez de açúcar.

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O rendimento energético e o calor

Voltemos à Matilde, ofegante e a transpirar. Parte da energia dos alimentos foi para ATP, e o resto saiu como calor.

$$\text{rendimento} = \frac{\text{energia útil}}{\text{energia fornecida}} \times 100\ \%$$

Nunca é de 100 %. Em cada transformação de energia há pérdidas de calor, e o metabolismo celular não é exceção. Num rendimento global de cerca de 25 %, por exemplo, 75 % da energia dos alimentos transforma-se em calor. Esse calor ajuda os animais homeotérmicos (mamíferos e aves) a manter a temperatura corporal. Em ambiente frio, estes animais aumentam o metabolismo (consomem mais $\text{O}_2$) para produzir mais calor. Os animais poiquilotérmicos (como um lagarto) reduzem o metabolismo quando arrefecem.

O corpo gasta ATP mesmo em repouso, no chamado metabolismo basal. Por exemplo, as bombas $\text{Na}^+/\text{K}^+$ nos neurónios gastam muito ATP para manter o potencial de membrana. O cérebro é 2 % da massa do corpo e consome cerca de 20 % do oxigénio e da glicose. A glicose entra nos neurónios por difusão facilitada, através de transportadores (GLUT), sem gasto de ATP. O ATP gasta-se sobretudo nas bombas $\text{Na}^+/\text{K}^+$, que restabelecem os gradientes após cada impulso nervoso.

Pratica★☆☆Por começar
O que significa afirmar que uma via metabólica tem um rendimento energético de $40\ \%$? Explica o que acontece ao restante da energia contida no alimento.

O que significa afirmar que uma via metabólica tem um rendimento energético de $40\ \%$? Explica o que acontece ao restante da energia contida no alimento.

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Pratica★☆☆Por começar
O corpo humano despende energia mesmo em repouso absoluto (metabolismo basal). Refere dois processos que consomem ATP mesmo quando estamos deitados e imóveis, e explica…

O corpo humano despende energia mesmo em repouso absoluto (metabolismo basal). Refere dois processos que consomem ATP mesmo quando estamos deitados e imóveis, e explica por que razão são imprescindíveis para a manutenção da vida.

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Pratica★★☆Por começar
Durante uma maratona, um corredor realiza cerca de $10000\ \text{kJ}$ de trabalho útil. Se o seu organismo apresentar um rendimento global de $25\ \%$, calcula quanta…

Durante uma maratona, um corredor realiza cerca de $10000\ \text{kJ}$ de trabalho útil. Se o seu organismo apresentar um rendimento global de $25\ \%$, calcula quanta energia química dos alimentos teve de mobilizar e explica por que razão o seu corpo aquece tanto durante a corrida.

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Pratica★★★Por começar
O encéfalo humano adulto tem uma massa de cerca de $1400\ \text{g}$ (cerca de $2\ \%$ da massa corporal), mas consome em repouso $20\ \%$ do oxigénio e da glicose de…

O encéfalo humano adulto tem uma massa de cerca de $1400\ \text{g}$ (cerca de $2\ \%$ da massa corporal), mas consome em repouso $20\ \%$ do oxigénio e da glicose de todo o organismo, degradando aproximadamente $120\ \text{g}$ de glicose por dia (massa molar $= 180\ \text{g/mol}$).

  1. a) Justifica, a nível molecular e de transporte membranar, que processos fisiológicos contínuos dos neurónios explicam semelhante gasto basal de ATP em repouso.
  2. b) Calcula as moles de ATP diárias produzidas pelo encéfalo, assumindo um rendimento líquido de $30\ \text{mol de ATP}$ por mol de glicose oxidada. Se a reserva total intracelular de ATP no tecido cerebral for de $2{,}5\ \mu\text{mol/g}$, calcula para quantos segundos de atividade daria essa reserva se a fosforilação oxidativa parasse de forma instantânea.
  3. c) A partir dos resultados de b), justifica por que razão uma isquemia cerebral provoca a perda de consciência em menos de $10\ \text{segundos}$ e explica por que motivo o encéfalo não consegue manter a sua viabilidade energética mediante fermentação a partir de glicogénio endógeno, ao contrário das fibras musculares esqueléticas.
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Pratica★★★Por começar
Um laboratório de ecofisiologia compara o gasto metabólico de um mamífero homeotérmico (um rato de $25\ \text{g}$) e de um réptil poiquilotérmico (um lagarto de…

Um laboratório de ecofisiologia compara o gasto metabólico de um mamífero homeotérmico (um rato de $25\ \text{g}$) e de um réptil poiquilotérmico (um lagarto de $25\ \text{g}$) medindo o consumo de $\text{O}_2$ (em $\text{mL}\ \text{O}_2\cdot\text{g}^{-1}\cdot\text{h}^{-1}$) a diferentes temperaturas ambientais.

  1. a) Prevê como variará o consumo de $\text{O}_2$ em cada animal quando a temperatura ambiente desce bruscamente de $22\ \text{°C}$ para $6\ \text{°C}$. Justifica a resposta relacionando a respiração celular com a manutenção da temperatura corporal em homeotérmicos.
  2. b) Numa situação de escassez extrema de alimento durante várias semanas, o lagarto sobrevive mantendo-se inativo, enquanto o rato morre em 24 a 48 horas se as suas reservas se esgotarem. Justifica este facto com base na taxa metabólica basal e no destino do ATP em ambos os animais.
  3. c) Em ambientes frios, os mamíferos ativam a termogénese no tecido adiposo castanho através da proteína desacopladora termogenina (UCP-1) da membrana mitocondrial interna. Explica como é que esta proteína altera a fosforilação oxidativa para dissipar energia sob a forma de calor sem síntese de ATP.
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Energia por grama de combustível

A energia dos alimentos mede-se em quilocalorias (kcal) ou em quilojoules (kJ). Uma quilocaloria é a energia necessária para aquecer $1\ \text{kg}$ de água em $1\ ^\circ\text{C}$: $1\ \text{kcal} \approx 4{,}18\ \text{kJ}$. A célula não usa essa energia diretamente: converte parte dela em ATP, que serve de «moeda energética».

Gráfico de barras da energia por grama: glicose cerca de 4 quilocalorias por grama e gordura cerca de 9 quilocalorias por grama kcal/g 4 Glicose 9 Gordura

A glicose liberta cerca de $4\ \text{kcal/g}$ e a gordura cerca de $9\ \text{kcal/g}$, mais do dobro. A razão é química: os ácidos gordos têm muito mais ligações C–H e pouco oxigénio, ou seja, estão mais reduzidos. Por isso cedem muito mais eletrões à cadeia respiratória por grama. Além disso, o glicogénio guarda-se hidratado (2 a 3 vezes a sua massa em água), enquanto a gordura se guarda quase sem água. Por isso as aves migratórias acumulam gordura, e não glicogénio, antes de partirem.

Pratica★★☆Por começar
A combustão de $1\ \text{g}$ de glicose liberta cerca de $4\ \text{kcal}$ e a de $1\ \text{g}$ de gordura cerca de $9\ \text{kcal}$. Explica a que se deve essa diferença…

A combustão de $1\ \text{g}$ de glicose liberta cerca de $4\ \text{kcal}$ e a de $1\ \text{g}$ de gordura cerca de $9\ \text{kcal}$. Explica a que se deve essa diferença e calcula quantos gramas de gordura fornecem a mesma energia que $90\ \text{g}$ de glicose.

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Pratica★★★Por começar
Uma ave migratória de $30\ \text{g}$ deve enfrentar uma travessia ininterrupta que requer um gasto energético metabólico equivalente a $2\ \text{mol}$ de ATP. Dados:…

Uma ave migratória de $30\ \text{g}$ deve enfrentar uma travessia ininterrupta que requer um gasto energético metabólico equivalente a $2\ \text{mol}$ de ATP.

Dados:

  • Glicose: $180\ \text{g/mol}$; rendimento = $36\ \text{mol}$ de ATP por mol de glicose. O glicogénio é armazenado hidratado com $2\ \text{g}$ de água por cada grama de polissacarídeo seco.

  • Ácido palmítico: $256\ \text{g/mol}$; rendimento = $106\ \text{mol}$ de ATP por mol de ácido gordo. Os triacilgliceróis são armazenados de forma anidra.

  1. a) Calcula a massa total de reserva (em gramas) que a ave deveria incorporar no seu corpo antes da viagem caso armazenasse essa energia exclusivamente sob a forma de gordura em comparação com se o fizesse exclusivamente como glicogénio hidratado.
  2. b) A partir dos resultados obtidos, interpreta a repercussão biomecânica sobre o voo e prevê o que aconteceria com a viabilidade da migração no caso de usar glicogénio.
  3. c) Justifica bioquimicamente por que razão um grama seco de ácido palmítico rende mais do dobro de ATP do que um grama de glicose, tendo em conta o grau de oxidação dos seus átomos de carbono.
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Pratica★☆☆Por começar
A energia dos alimentos é frequentemente expressa em quilocalorias. Explica o que é uma quilocaloria e que relação tem com a energia que a célula armazena finalmente sob…

A energia dos alimentos é frequentemente expressa em quilocalorias. Explica o que é uma quilocaloria e que relação tem com a energia que a célula armazena finalmente sob a forma de ATP.

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Voltando ao início: a Matilde obtém o ATP sobretudo pela respiração aeróbia (36 ou 30–32 ATP por glicose), com apoio da fermentação lática quando o esforço é muito intenso. O calor sentido é a parte da energia dos alimentos que não se transformou em ATP.

Em resumo

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