Brânquias
Um peixe tirado da água, mesmo rodeado de ar (que tem muito mais oxigénio do que a água), acaba por sufocar. Como pode um órgão feito para respirar falhar justamente onde há mais oxigénio? Para responder, vamos ver como funcionam as brânquias.
Onde ocorre a hematose nos peixes
A água tem muito menos oxigénio dissolvido do que o ar e é cerca de 800 vezes mais densa. Por isso, um peixe tem de «filtrar» grandes volumes de água para obter o oxigénio de que precisa. Para isso, as brânquias têm uma enorme superfície de troca.
Cada brânquia tem arcos branquiais, que suportam muitos filamentos branquiais. Em cada filamento existem milhares de dobras minúsculas, as lamelas branquiais. É nas lamelas que se faz a hematose, isto é, a troca de gases entre a água e o sangue: o oxigénio passa da água para o sangue e o dióxido de carbono passa do sangue para a água.
Duas características das lamelas explicam a eficácia da troca:
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Grande superfície: milhares de lamelas por filamento aumentam muito a área de contacto com a água.
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Parede muito fina (uma só camada de células) e muito vascularizada: o oxigénio percorre uma distância mínima até ao sangue, que é renovado continuamente, mantendo o gradiente de concentração.
Ventilação branquial
Para que a água renove o oxigénio junto das lamelas, o peixe tem de a fazer passar continuamente pelas brânquias. A isto chama-se ventilação branquial. Numa carpa, por exemplo, o ciclo tem duas fases:
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Entrada: a boca abre-se, o opérculo (placa que cobre as brânquias) mantém-se fechado e a cavidade bucal alarga-se. A pressão desce e a água entra pela boca.
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Saída: a boca fecha-se, a cavidade bucal contrai-se e a pressão sobe. A água é empurrada através das brânquias, onde se dá a hematose, e sai pelo opérculo, que se abre.
Assim, a água segue o percurso: boca → cavidade bucal → brânquias → câmara opercular → saída pelo opérculo. A boca e os opérculos funcionam como bombas alternadas, o que garante uma corrente de água contínua e num só sentido sobre as lamelas.
Numa aula prática, os alunos observaram uma carpa num aquário do laboratório: a boca abre-se e fecha-se ritmicamente e os opérculos (as placas que cobrem as brânquias)…
Numa aula prática, os alunos observaram uma carpa num aquário do laboratório: a boca abre-se e fecha-se ritmicamente e os opérculos (as placas que cobrem as brânquias) acompanham o movimento.
- a) Descreve o percurso da água na ventilação branquial, desde que entra pela boca até sair, e explica o papel da boca e dos opérculos nesse movimento.
- b) Explica por que razão a hematose é eficaz dentro de água mas deixa de funcionar quando o peixe é retirado para o ar, relacionando o facto com o que acontece às lamelas fora de água.
- c) No verão, em algumas zonas da Ria Formosa, a temperatura da água sobe e a quantidade de oxigénio dissolvido desce, podendo ocorrer mortalidade de peixes. Relaciona estes factos com a hematose branquial.
Circulação em contracorrente
Dentro de cada lamela, o sangue circula em sentido oposto ao da água. A este arranjo chama-se fluxo em contracorrente.
Porquê? Em cada ponto da lamela, o sangue tem menos oxigénio do que a água que o rodeia. Por isso há sempre diferença de concentração e o oxigénio continua a difundir-se da água para o sangue ao longo de toda a lamela. No fim do percurso, o sangue que sai está quase tão rico em oxigénio como a água que entra.
Se o sangue fluísse no mesmo sentido da água (fluxo paralelo), as concentrações igualar-se-iam antes do fim da lamela (como na figura, a cerca de 55 %) e a difusão cessaria. O sangue só atingiria cerca de 55 % de saturação, em vez de 90 % em contracorrente.
A figura representa uma lamela branquial de um peixe, com o sentido da corrente de água e os movimentos do oxigénio. a) Indica, justificando, o sentido em que deve…
A figura representa uma lamela branquial de um peixe, com o sentido da corrente de água e os movimentos do oxigénio.
- a) Indica, justificando, o sentido em que deve circular o sangue na lamela (o «?» da figura) para que a extração de oxigénio da água seja a mais eficiente possível.
- b) Como se designa este tipo de fluxo entre a água e o sangue?
- c) Indica duas características das lamelas branquiais que favorecem a hematose e explica uma delas.
Porque falham as brânquias fora de água
Fora de água, o ar tem mais oxigénio, mas as lamelas são tão finas e delicadas que, sem a água a sustê-las, colapsam e colam-se umas às outras. A área de troca diminui drasticamente. Além disso, a película de água à superfície das lamelas, necessária para dissolver os gases, seca. A hematose deixa de ser eficaz e o peixe sufoca.
Também a temperatura conta: a água quente dissolve menos oxigénio e os peixes, que têm metabolismo mais acelerado, consomem mais. Num verão muito quente, em zonas pouco profundas e com pouca renovação de água, como algumas da Ria Formosa, pode faltar oxigénio e os peixes ficam em risco.
Vamos fechar o gancho do início: o peixe sufoca no ar não por falta de oxigénio, mas porque as lamelas colapsam, perdem área de troca e secam.
Numa aula prática, os alunos observaram uma carpa num aquário do laboratório: a boca abre-se e fecha-se ritmicamente e os opérculos (as placas que cobrem as brânquias)…
Numa aula prática, os alunos observaram uma carpa num aquário do laboratório: a boca abre-se e fecha-se ritmicamente e os opérculos (as placas que cobrem as brânquias) acompanham o movimento.
- a) Descreve o percurso da água na ventilação branquial, desde que entra pela boca até sair, e explica o papel da boca e dos opérculos nesse movimento.
- b) Explica por que razão a hematose é eficaz dentro de água mas deixa de funcionar quando o peixe é retirado para o ar, relacionando o facto com o que acontece às lamelas fora de água.
- c) No verão, em algumas zonas da Ria Formosa, a temperatura da água sobe e a quantidade de oxigénio dissolvido desce, podendo ocorrer mortalidade de peixes. Relaciona estes factos com a hematose branquial.