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10.º ano A · Biologia e Geologia
A biologia celular · A célula e a sua organização

A observação da célula

Antes de começar, convém dominares: A observação ao microscópio (8.º ano do ensino básico (3.º ciclo))

Numa aula de laboratório, a Beatriz observa uma gota de água de um charco da Ria de Aveiro e vê paramécios a nadar. Mas, por mais que ajuste o foco, não consegue ver a membrana nem os organelos: só uma massa transparente. O que faz falta para ver mais pormenores? Ao longo desta página vais perceber o que limita aquilo que conseguimos observar e como se prepara uma amostra.

Microscopia ótica e eletrónica

A célula só foi estudada em detalhe à medida que os instrumentos melhoraram. Hoje usamos duas técnicas muito diferentes, que se distinguem pela «luz» com que iluminam a amostra.

Comparação em corte de um microscópio ótico, em que a luz visível de uma lâmpada atravessa uma amostra viva e é focada por lentes de vidro até ao olho, e de um microscópio eletrónico de transmissão, em que um feixe de eletrões atravessa, em vácuo, uma amostra morta e desidratada e é focado por lentes eletromagnéticas até um ecrã fluorescente. Microscópio ótico (MO) Microscópio eletrónico (ME) de transmissão (MET) olho ocular objetiva amostra viva (lâmina) condensador lâmpada (luz visível) canhão de eletrões condensadora amostra morta e desidratada objetiva projetora coluna em vácuo ecrã fluorescente luz visível · lentes de vidro permite observar células vivas feixe de eletrões · vácuo lentes eletromagnéticas (bobinas)

Repara na diferença: o feixe de eletrões só viaja sem chocar com moléculas de ar se estiver em vácuo, e é por isso que a amostra não pode estar viva.

Pratica★☆☆Por começar
Distingue microscopia ótica de microscopia eletrónica: o que cada uma utiliza para «iluminar» a amostra, que tipo de estruturas permite observar cada técnica e se é…

Distingue microscopia ótica de microscopia eletrónica: o que cada uma utiliza para «iluminar» a amostra, que tipo de estruturas permite observar cada técnica e se é possível observar células vivas através delas.

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Pratica★★★Por começar
Dispões de uma suspensão aquosa que contém uma mistura desconhecida de quatro componentes biológicos: partículas do vírus da gripe (~100 nm), células de Escherichia…

Dispões de uma suspensão aquosa que contém uma mistura desconhecida de quatro componentes biológicos: partículas do vírus da gripe (~100 nm), células de Escherichia coli (~2 µm), eritrócitos humanos (~7,5 µm) e ribossomas purificados (~25 nm). No laboratório dispões de filtros de membrana com poros de 0,22 µm e de 5 µm, um microscópio ótico (limite de resolução: 0,2 µm) e um microscópio eletrónico de transmissão.

Delineia um procedimento analítico em duas fases (separação por filtração sucessiva e inspeção microscópica) que permita separar e identificar de forma inequívoca cada um dos quatro componentes. Justifica em que fração (retido ou filtrado) ficará cada componente em cada passo e fundamenta que instrumento microscópico específico é indispensável para confirmar a presença e morfologia de cada um, deduzindo por que razão o microscópio ótico se revela inútil para dois deles.

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Pratica★★★Por começar
Uma equipa de investigação quer verificar se as bactérias de uma amostra estão infetadas por bacteriófagos. Concebe o estudo: escolhe a técnica de microscopia adequada,…

Uma equipa de investigação quer verificar se as bactérias de uma amostra estão infetadas por bacteriófagos. Concebe o estudo: escolhe a técnica de microscopia adequada, justifica a escolha face às alternativas e descreve o que a equipa esperaria observar se a infeção estivesse a ocorrer.

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O microscópio ótico e a ampliação

Ao observares uma preparação de cebola com diferentes combinações de lentes, o tamanho das células muda muito. De que modo as lentes da objetiva e da ocular determinam, em conjunto, o tamanho final da imagem?

Regista sempre a observação num esquema: desenha as células, acrescenta legendas e indica a ampliação ou a escala usada.

Microscópio ótico de perfil, com ocular, revólver com objetivas, platina, parafusos de focagem e fonte de luz; a objetiva forma uma imagem real ampliada dentro do tubo e a ocular amplia-a de novo, pelo que ocular 10× por objetiva 100× dá uma ampliação total de 1000×. ocular imagem real revólver objetiva platina fonte de luz parafusos macrométrico e micrométrico ocular 10× × objetiva 100× = 1 000× ampliação total
Pratica★☆☆Por começar
Nomeia as partes básicas de um microscópio ótico (ocular, objetivas, platina, parafusos macrométrico e micrométrico e fonte de luz) e indica a função de cada uma delas.

Nomeia as partes básicas de um microscópio ótico (ocular, objetivas, platina, parafusos macrométrico e micrométrico e fonte de luz) e indica a função de cada uma delas.

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Pratica★★☆Por começar
Explica a diferença entre ampliação e poder de resolução de um microscópio e raciocina por que razão ampliar muito uma imagem sem melhorar a resolução (a chamada…

Explica a diferença entre ampliação e poder de resolução de um microscópio e raciocina por que razão ampliar muito uma imagem sem melhorar a resolução (a chamada «ampliação vazia») não permite distinguir mais pormenores.

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O poder de resolução

Se ampliares muito uma fotografia de fraca qualidade no ecrã, ela fica enorme mas continua sem pormenor. Porque é que a ampliação de nada serve se o instrumento não separar pontos muito próximos?

Escala comparativa que relaciona os limites de resolução do olho humano (0,1 mm), do microscópio ótico (200 nm) e do microscópio eletrónico de transmissão (0,2 nm) com o tamanho de células, bactérias, vírus e moléculas. MET · desde 0,2 nm MO · desde 200 nm olho · desde 0,1 mm átomo proteína ribossoma vírus bactéria célula eucariótica ovo de rã 0,1 nm1 nm10 nm 100 nm1 µm10 µm 100 µm1 mm escala logarítmica

Lê a figura: cada instrumento só «vê» os objetos que estão à direita do início da sua seta. Um vírus (cerca de $100\ \text{nm}$) fica fora do alcance do microscópio ótico.

Em contrapartida, a microscopia eletrónica tem desvantagens práticas: os aparelhos são caros e volumosos, exigem vácuo, a preparação é demorada e as imagens são sempre a preto e branco, de amostras mortas.

Separar por tamanho: a filtração

Às vezes é preciso separar os componentes de uma mistura antes de os observar. Os filtros de membrana têm poros de diâmetro conhecido: o que é mais pequeno do que o poro passa para o filtrado; o que é maior fica retido no filtro. Se usares filtros com poros cada vez mais pequenos, separas as partículas por tamanho.

Pratica★★☆Por começar
O esquema mostra uma escala de tamanhos com os limites de resolução do olho humano, do microscópio ótico (MO) e do microscópio eletrónico de transmissão (MET). Indica…

O esquema mostra uma escala de tamanhos com os limites de resolução do olho humano, do microscópio ótico (MO) e do microscópio eletrónico de transmissão (MET). Indica que instrumento necessitarias para observar em detalhe: a) um vírus da gripe; b) uma bactéria; c) um ribossoma; d) uma célula da pele. Justifica cada escolha a partir do esquema.

MET · a partir de 0,2 nm MO · a partir de 200 nm olho · a partir de 0,1 mm átomo proteína ribossoma vírus bactéria célula eucariótica ovo de rã 0,1 nm 1 nm 10 nm 100 nm 1 µm 10 µm 100 µm 1 mm escala logarítmica
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Pratica★★☆Por começar
O microscópio eletrónico revela organelos e vírus que o microscópio ótico não consegue mostrar. Explica a que propriedade do feixe de eletrões se deve o seu maior poder…

O microscópio eletrónico revela organelos e vírus que o microscópio ótico não consegue mostrar. Explica a que propriedade do feixe de eletrões se deve o seu maior poder de resolução e aponta duas limitações práticas da microscopia eletrónica face à ótica.

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A preparação da amostra

Para observar epiderme de cebola ou células da mucosa bucal, a amostra tem de ser preparada. A luz tem de a atravessar e as estruturas têm de se distinguir umas das outras.

Esquema comparativo da preparação de amostras: em microscopia ótica, corte fino e coloração; em microscopia eletrónica, fixação, desidratação, inclusão em resina, corte ultrafino e contraste com metais pesados. microscopia ótica corte fino + coloração microscopia eletrónica fixação desidratação inclusão em resina corte ultrafino contraste com metais pesados

Voltando ao início: a Beatriz não via a membrana nem os organelos porque o microscópio ótico tem um limite de resolução de cerca de $200\ \text{nm}$ e porque a amostra, sem coloração, tem pouco contraste. Para ver mais pormenor seria preciso corar a amostra e, para estruturas mais pequenas, recorrer à microscopia eletrónica.

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A maioria das amostras biológicas é corada antes da observação ao microscópio ótico. Apresenta duas razões para corar uma amostra e nomeia um corante frequentemente…

A maioria das amostras biológicas é corada antes da observação ao microscópio ótico. Apresenta duas razões para corar uma amostra e nomeia um corante frequentemente utilizado no laboratório escolar.

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Pratica★★★Por começar
Um laboratório biomédico necessita de observar em pormenor as alterações ultraestruturais das cristas mitocondriais e dos ribossomas ligados ao RER em biópsias de…

Um laboratório biomédico necessita de observar em pormenor as alterações ultraestruturais das cristas mitocondriais e dos ribossomas ligados ao RER em biópsias de doentes com uma miopatia. Um técnico sugere fixar o tecido com formaldeído, corá-lo com azul de metileno e observá-lo num microscópio ótico com uma objetiva de imersão de 100× e luz visível (comprimento de onda médio de 550 nm).

Justifica quantitativamente, utilizando o conceito de limite de resolução e a equação de Abbe, por que razão esta proposta é inviável para resolver cristas e ribossomas (20-30 nm). Em seguida, desenha o protocolo técnico correto: especifica que modalidade exata de microscopia devem utilizar e justifica por que motivo é indispensável cortar a amostra em secções ultrafinas (inferiores a 100 nm) e contrastá-la com sais de metais pesados (como ósmio ou urânio) em vez de corantes orgânicos.

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Em resumo

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