A observação da célula
Numa aula de laboratório, a Beatriz observa uma gota de água de um charco da Ria de Aveiro e vê paramécios a nadar. Mas, por mais que ajuste o foco, não consegue ver a membrana nem os organelos: só uma massa transparente. O que faz falta para ver mais pormenores? Ao longo desta página vais perceber o que limita aquilo que conseguimos observar e como se prepara uma amostra.
Microscopia ótica e eletrónica
A célula só foi estudada em detalhe à medida que os instrumentos melhoraram. Hoje usamos duas técnicas muito diferentes, que se distinguem pela «luz» com que iluminam a amostra.
Repara na diferença: o feixe de eletrões só viaja sem chocar com moléculas de ar se estiver em vácuo, e é por isso que a amostra não pode estar viva.
Distingue microscopia ótica de microscopia eletrónica: o que cada uma utiliza para «iluminar» a amostra, que tipo de estruturas permite observar cada técnica e se é…
Distingue microscopia ótica de microscopia eletrónica: o que cada uma utiliza para «iluminar» a amostra, que tipo de estruturas permite observar cada técnica e se é possível observar células vivas através delas.
Dispões de uma suspensão aquosa que contém uma mistura desconhecida de quatro componentes biológicos: partículas do vírus da gripe (~100 nm), células de Escherichia…
Dispões de uma suspensão aquosa que contém uma mistura desconhecida de quatro componentes biológicos: partículas do vírus da gripe (~100 nm), células de Escherichia coli (~2 µm), eritrócitos humanos (~7,5 µm) e ribossomas purificados (~25 nm). No laboratório dispões de filtros de membrana com poros de 0,22 µm e de 5 µm, um microscópio ótico (limite de resolução: 0,2 µm) e um microscópio eletrónico de transmissão.
Delineia um procedimento analítico em duas fases (separação por filtração sucessiva e inspeção microscópica) que permita separar e identificar de forma inequívoca cada um dos quatro componentes. Justifica em que fração (retido ou filtrado) ficará cada componente em cada passo e fundamenta que instrumento microscópico específico é indispensável para confirmar a presença e morfologia de cada um, deduzindo por que razão o microscópio ótico se revela inútil para dois deles.
Uma equipa de investigação quer verificar se as bactérias de uma amostra estão infetadas por bacteriófagos. Concebe o estudo: escolhe a técnica de microscopia adequada,…
Uma equipa de investigação quer verificar se as bactérias de uma amostra estão infetadas por bacteriófagos. Concebe o estudo: escolhe a técnica de microscopia adequada, justifica a escolha face às alternativas e descreve o que a equipa esperaria observar se a infeção estivesse a ocorrer.
O microscópio ótico e a ampliação
Ao observares uma preparação de cebola com diferentes combinações de lentes, o tamanho das células muda muito. De que modo as lentes da objetiva e da ocular determinam, em conjunto, o tamanho final da imagem?
Regista sempre a observação num esquema: desenha as células, acrescenta legendas e indica a ampliação ou a escala usada.
Nomeia as partes básicas de um microscópio ótico (ocular, objetivas, platina, parafusos macrométrico e micrométrico e fonte de luz) e indica a função de cada uma delas.
Nomeia as partes básicas de um microscópio ótico (ocular, objetivas, platina, parafusos macrométrico e micrométrico e fonte de luz) e indica a função de cada uma delas.
Explica a diferença entre ampliação e poder de resolução de um microscópio e raciocina por que razão ampliar muito uma imagem sem melhorar a resolução (a chamada…
Explica a diferença entre ampliação e poder de resolução de um microscópio e raciocina por que razão ampliar muito uma imagem sem melhorar a resolução (a chamada «ampliação vazia») não permite distinguir mais pormenores.
O poder de resolução
Se ampliares muito uma fotografia de fraca qualidade no ecrã, ela fica enorme mas continua sem pormenor. Porque é que a ampliação de nada serve se o instrumento não separar pontos muito próximos?
Lê a figura: cada instrumento só «vê» os objetos que estão à direita do início da sua seta. Um vírus (cerca de $100\ \text{nm}$) fica fora do alcance do microscópio ótico.
Em contrapartida, a microscopia eletrónica tem desvantagens práticas: os aparelhos são caros e volumosos, exigem vácuo, a preparação é demorada e as imagens são sempre a preto e branco, de amostras mortas.
Separar por tamanho: a filtração
Às vezes é preciso separar os componentes de uma mistura antes de os observar. Os filtros de membrana têm poros de diâmetro conhecido: o que é mais pequeno do que o poro passa para o filtrado; o que é maior fica retido no filtro. Se usares filtros com poros cada vez mais pequenos, separas as partículas por tamanho.
O esquema mostra uma escala de tamanhos com os limites de resolução do olho humano, do microscópio ótico (MO) e do microscópio eletrónico de transmissão (MET). Indica…
O esquema mostra uma escala de tamanhos com os limites de resolução do olho humano, do microscópio ótico (MO) e do microscópio eletrónico de transmissão (MET). Indica que instrumento necessitarias para observar em detalhe: a) um vírus da gripe; b) uma bactéria; c) um ribossoma; d) uma célula da pele. Justifica cada escolha a partir do esquema.
O microscópio eletrónico revela organelos e vírus que o microscópio ótico não consegue mostrar. Explica a que propriedade do feixe de eletrões se deve o seu maior poder…
O microscópio eletrónico revela organelos e vírus que o microscópio ótico não consegue mostrar. Explica a que propriedade do feixe de eletrões se deve o seu maior poder de resolução e aponta duas limitações práticas da microscopia eletrónica face à ótica.
A preparação da amostra
Para observar epiderme de cebola ou células da mucosa bucal, a amostra tem de ser preparada. A luz tem de a atravessar e as estruturas têm de se distinguir umas das outras.
Voltando ao início: a Beatriz não via a membrana nem os organelos porque o microscópio ótico tem um limite de resolução de cerca de $200\ \text{nm}$ e porque a amostra, sem coloração, tem pouco contraste. Para ver mais pormenor seria preciso corar a amostra e, para estruturas mais pequenas, recorrer à microscopia eletrónica.
A maioria das amostras biológicas é corada antes da observação ao microscópio ótico. Apresenta duas razões para corar uma amostra e nomeia um corante frequentemente…
A maioria das amostras biológicas é corada antes da observação ao microscópio ótico. Apresenta duas razões para corar uma amostra e nomeia um corante frequentemente utilizado no laboratório escolar.
Um laboratório biomédico necessita de observar em pormenor as alterações ultraestruturais das cristas mitocondriais e dos ribossomas ligados ao RER em biópsias de…
Um laboratório biomédico necessita de observar em pormenor as alterações ultraestruturais das cristas mitocondriais e dos ribossomas ligados ao RER em biópsias de doentes com uma miopatia. Um técnico sugere fixar o tecido com formaldeído, corá-lo com azul de metileno e observá-lo num microscópio ótico com uma objetiva de imersão de 100× e luz visível (comprimento de onda médio de 550 nm).
Justifica quantitativamente, utilizando o conceito de limite de resolução e a equação de Abbe, por que razão esta proposta é inviável para resolver cristas e ribossomas (20-30 nm). Em seguida, desenha o protocolo técnico correto: especifica que modalidade exata de microscopia devem utilizar e justifica por que motivo é indispensável cortar a amostra em secções ultrafinas (inferiores a 100 nm) e contrastá-la com sais de metais pesados (como ósmio ou urânio) em vez de corantes orgânicos.