A fotossíntese e a quimiossíntese
Na Nazaré, as algas e o plâncton do mar libertam oxigénio sem fazer barulho nenhum, e as folhas de um sobreiro alentejano fazem o mesmo debaixo do sol. Como é que uma célula transforma luz, água e dióxido de carbono em glícidos e em oxigénio? Neste apartado vais seguir o processo passo a passo e, no fim, compará-lo com a respiração celular.
Pigmentos e equação global
A fotossíntese oxigénica é o processo em que seres autotróficos usam a energia da luz para produzir matéria orgânica a partir de $\text{CO}_2$ e de água, libertando $\text{O}_2$.
$$6\ \text{CO}_2 + 12\ \text{H}_2\text{O} \xrightarrow{\text{luz}} \text{C}_6\text{H}_{12}\text{O}_6 + 6\ \text{O}_2 + 6\ \text{H}_2\text{O}$$Em geral escreve-se a equação simplificada: $6\ \text{CO}_2 + 6\ \text{H}_2\text{O} \rightarrow \text{C}_6\text{H}_{12}\text{O}_6 + 6\ \text{O}_2$.
Repara no que acontece aos eletrões: a água oxida-se (perde eletrões e liberta $\text{O}_2$) e o $\text{CO}_2$ reduz-se (ganha eletrões e forma glícidos). É um processo endoenergético: a energia vem da luz.
Os pigmentos fotossintéticos localizam-se nos cloroplastos, nas membranas dos tilacoides. A clorofila a é o pigmento principal. Absorve sobretudo a luz azul (cerca de 430 nm) e a vermelha (cerca de 660 nm) e reflete a verde, o que explica a cor das folhas. Os pigmentos acessórios (clorofila b, carotenoides) alargam a gama de luz aproveitada.
Escreve a equação global da fotossíntese oxigénica e indica que molécula se oxida e qual se reduz no processo.
Escreve a equação global da fotossíntese oxigénica e indica que molécula se oxida e qual se reduz no processo.
Que pigmento principal capta a luz nas plantas verdes e em que estrutura da célula se localiza? Que cores (comprimentos de onda) da luz absorve preferencialmente e qual…
Que pigmento principal capta a luz nas plantas verdes e em que estrutura da célula se localiza? Que cores (comprimentos de onda) da luz absorve preferencialmente e qual reflete?
O espetro de absorção da clorofila $a$ apresenta máximos nas regiões azul ($\sim 430\text{ nm}$) e vermelha ($\sim 660\text{ nm}$), enquanto quase não absorve na faixa…
O espetro de absorção da clorofila $a$ apresenta máximos nas regiões azul ($\sim 430\text{ nm}$) e vermelha ($\sim 660\text{ nm}$), enquanto quase não absorve na faixa verde-amarela (500–550 nm). Tendo em conta que a água do mar absorve rapidamente a luz vermelha e que a 25 metros de profundidade a radiação disponível é quase exclusivamente azul-esverdeada:
- a) Prevê, fundamentadamente, como variará a taxa de libertação de $\text{O}_2$ se se iluminarem com luz monocromática de 530 nm duas amostras de biomassa equivalente: uma da alga verde Ulva (com clorofilas $a$ e $b$) e outra da alga castanha Laminaria (com clorofila $a$ e fucoxantina).
- b) Dado que a fucoxantina se localiza nos complexos antena e não nos centros de reação, explica como se transfere a energia luminosa que absorve até tornar possível a fotólise da água no fotossistema II.
- c) Um estudante afirma que, para se adaptarem à vida em águas profundas, bastaria às algas castanhas substituir toda a sua clorofila $a$ por fucoxantina. Refuta esta afirmação com base na função físico-química imprescindível desempenhada pela clorofila $a$ nos centros de reação fotoquímicos.
O cloroplasto e as duas fases
O cloroplasto tem duas membranas e, no interior, um líquido, o estroma. Mergulhados no estroma estão os tilacoides, sacos achatados de membrana. Os tilacoides empilham-se em colunas chamadas grana. O espaço interior de cada tilacoide chama-se lúmen.
A fotossíntese tem duas etapas ligadas entre si:
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Fase fotoquímica: ocorre nas membranas dos tilacoides. Precisa de luz, consome água e produz $\text{O}_2$, ATP e NADPH.
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Fase química (ciclo de Calvin): ocorre no estroma. Consome $\text{CO}_2$, ATP e NADPH e produz glícidos.
As membranas dos tilacoides são o local adequado para a primeira fase porque têm uma grande superfície, onde se organizam os pigmentos e as cadeias de transporte de eletrões, e porque separam dois compartimentos (lúmen e estroma), o que permite criar um gradiente de protões.
Refere as duas grandes etapas da fotossíntese, indica em que parte do cloroplasto ocorre cada uma e o que se produz em cada fase.
Refere as duas grandes etapas da fotossíntese, indica em que parte do cloroplasto ocorre cada uma e o que se produz em cada fase.
O que são os tilacoides e o que são os grana? Explica por que razão as membranas dos tilacoides são o local adequado para a fase fotoquímica da fotossíntese.
O que são os tilacoides e o que são os grana? Explica por que razão as membranas dos tilacoides são o local adequado para a fase fotoquímica da fotossíntese.
No esquema de um cloroplasto assinalam-se duas estruturas com os números 1 e 2. Identifica-as e explica que processos fotossintéticos ocorrem em cada uma,…
No esquema de um cloroplasto assinalam-se duas estruturas com os números 1 e 2. Identifica-as e explica que processos fotossintéticos ocorrem em cada uma, relacionando-os com as setas de entrada e de saída que surgem no esquema.
Fotossistemas e percurso do eletrão
Se extraíres clorofila pura e a iluminares, ela absorve luz mas perde a energia como fluorescência e calor. Dentro do tilacoide, os pigmentos estão organizados de modo a aproveitar essa energia.
O que é um fotossistema e o que contém no seu centro de reação? Explica o que acontece à clorofila quando absorve a energia da luz.
O que é um fotossistema e o que contém no seu centro de reação? Explica o que acontece à clorofila quando absorve a energia da luz.
Descreve o trajeto de um eletrão desde uma molécula de água até ao $\text{NADP}^+$ durante a fase fotoquímica (fotossistemas II e I e cadeia de transporte de eletrões),…
Descreve o trajeto de um eletrão desde uma molécula de água até ao $\text{NADP}^+$ durante a fase fotoquímica (fotossistemas II e I e cadeia de transporte de eletrões), e indica em que momento se liberta o $\text{O}_2$ e onde se acumulam os protões.
Por cada molécula de $\text{O}2$ libertada na fase fotoquímica, desprendem-se $4$ eletrões da água. Sabendo que a formação de uma molécula de glicose requer a fixação de…
Por cada molécula de $\text{O}_2$ libertada na fase fotoquímica, desprendem-se $4$ eletrões da água. Sabendo que a formação de uma molécula de glicose requer a fixação de $6$ moléculas de $\text{CO}_2$ e o consumo de $12$ NADPH, calcula quantas moléculas de água devem sofrer fotólise, no mínimo, e relaciona ambos os cálculos.
Fotólise da água e fotofosforilação
Em 1941, Ruben e Kamen regaram algas com água marcada com $^{18}\text{O}$ e o $\text{O}_2$ libertado continha o isótopo. Quando marcaram o $\text{CO}_2$, o oxigénio libertado era normal. Conclusão: o $\text{O}_2$ vem da água.
$$2\ \text{H}_2\text{O} \xrightarrow{\text{luz}} 4\ \text{H}^+ + 4\ e^- + \text{O}_2$$O destino de cada produto: os eletrões seguem para a cadeia de transporte; os protões acumulam-se no lúmen; o oxigénio difunde-se para fora da célula.
O princípio é o mesmo da fosforilação oxidativa da mitocôndria, mas há diferenças:
| Fotofosforilação | Fosforilação oxidativa | |
|---|---|---|
| Local | membrana do tilacoide | membrana mitocondrial interna |
| Fonte de eletrões | água (e energia da luz) | NADH e $\text{FADH}_2$ |
| Aceitador final | $\text{NADP}^+$ | $\text{O}_2$ |
| Protões acumulam-se | no lúmen | no espaço intermembranar |
| ATP formado | liberta-se no estroma | liberta-se na matriz |
Explica o que é a fotólise da água, em que etapa e local do cloroplasto ocorre, e qual é o destino dos eletrões, dos protões e do oxigénio gerados.
Explica o que é a fotólise da água, em que etapa e local do cloroplasto ocorre, e qual é o destino dos eletrões, dos protões e do oxigénio gerados.
Explica em que consiste a fotofosforilação e compara-a com a fosforilação oxidativa da mitocôndria: fonte inicial de eletrões, aceitador final de eletrões e formação e…
Explica em que consiste a fotofosforilação e compara-a com a fosforilação oxidativa da mitocôndria: fonte inicial de eletrões, aceitador final de eletrões e formação e utilização do gradiente de protões.
Um investigador ilumina cloroplastos isolados e adiciona um herbicida que bloqueia o fluxo de eletrões à saída do fotossistema II. Prevê, fundamentando, o que acontecerá…
Um investigador ilumina cloroplastos isolados e adiciona um herbicida que bloqueia o fluxo de eletrões à saída do fotossistema II. Prevê, fundamentando, o que acontecerá à produção de $\text{O}_2$, de ATP e de NADPH, e explica por que razão a planta tratada com esse herbicida acaba por morrer mesmo que receba luz e $\text{CO}_2$.
Numa recriação da experiência de Robert Hill, isolam-se cloroplastos de espinafre e colocam-se em solução isotónica com DCPIP (um aceitador de eletrões artificial que…
Numa recriação da experiência de Robert Hill, isolam-se cloroplastos de espinafre e colocam-se em solução isotónica com DCPIP (um aceitador de eletrões artificial que passa de azul-escuro em estado oxidado a incolor em estado reduzido). Ensaiam-se quatro tubos sem $\text{CO}_2$:
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Tubo 1: Na obscuridade.
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Tubo 2: Exposto à luz.
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Tubo 3: Exposto à luz, após ter sido adicionado DCMU (um inibidor do fotossistema II).
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Tubo 4: Exposto à luz, mas tendo fervido previamente os cloroplastos a 100 °C.
- a) Prevê em qual ou quais dos tubos haverá perda da cor azul e libertação de bolhas de $\text{O}_2$. Justifica a tua previsão indicando que aceitador fisiológico o DCPIP substitui.
- b) A partir do resultado do Tubo 2, rebate a hipótese de que o oxigénio libertado na fotossíntese provém do $\text{CO}_2$.
- c) Raciocina se os cloroplastos do Tubo 2 sintetizam ou não glícidos nessas condições, e o que demonstra este facto relativamente à interdependência entre a fase fotoquímica e a fase biossintética (ciclo de Calvin).
O ciclo de Calvin no estroma
No estroma, a enzima Rubisco fixa $\text{CO}_2$ sobre a ribulose-1,5-bisfosfato (RuBP), um composto de 5 carbonos. «Fixar» o $\text{CO}_2$ é incorporá-lo numa molécula orgânica. Formam-se moléculas de 3-fosfoglicerato (3 carbonos), que são reduzidas com o ATP e o NADPH vindos da fase fotoquímica. O ciclo tem três fases:
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Fixação do $\text{CO}_2$ (Rubisco).
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Redução do 3-fosfoglicerato a triose fosfato, com consumo de ATP e NADPH.
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Regeneração da RuBP, com consumo de ATP.
Parte das trioses fosfato sai do ciclo e serve para sintetizar glícidos; a maior parte regenera a RuBP.
O NADPH e o ATP consumidos vêm da fase fotoquímica. Por isso o ciclo de Calvin é chamado «independente da luz»: não absorve fotões diretamente, mas depende dos produtos da fase fotoquímica. Não ocorre «só de noite».
Indica que dois produtos da fase fotoquímica (luminosa) o ciclo de Calvin utiliza e para que fins os emprega na síntese de glícidos.
Indica que dois produtos da fase fotoquímica (luminosa) o ciclo de Calvin utiliza e para que fins os emprega na síntese de glícidos.
No ciclo de Calvin ocorre a «fixação» do $\text{CO}2$ no estroma. Explica o que significa fixar o $\text{CO}2$, que enzima catalisa essa fixação e de onde provêm o ATP e…
No ciclo de Calvin ocorre a «fixação» do $\text{CO}_2$ no estroma. Explica o que significa fixar o $\text{CO}_2$, que enzima catalisa essa fixação e de onde provêm o ATP e o NADPH consumidos pelo ciclo.
O ciclo de Calvin compreende três fases: fixação do $\text{CO}2$, redução e regeneração da ribulose-1,5-bisfosfato. Descreve-as sucintamente e indica quantas moléculas…
O ciclo de Calvin compreende três fases: fixação do $\text{CO}_2$, redução e regeneração da ribulose-1,5-bisfosfato. Descreve-as sucintamente e indica quantas moléculas de $\text{CO}_2$ têm de ser fixadas para formar uma molécula de glicose.
Fatores que influenciam a fotossíntese
A taxa fotossintética depende de vários fatores ambientais:
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Intensidade luminosa: com pouca luz, a taxa aumenta de forma proporcional à luz; a partir de um valor chega a um patamar de saturação.
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Concentração de $\text{CO}_2$: mais $\text{CO}_2$ permite fixar mais, até à saturação.
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Temperatura: as enzimas, como a Rubisco, têm uma temperatura ótima. Acima dela, desnaturam e a taxa cai.
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Outros: disponibilidade de água e comprimento de onda da luz.
Com pouca luz, a fase fotoquímica produz pouco ATP e NADPH e a luz é o fator limitante: dar mais $\text{CO}_2$ não ajuda, e por isso as duas curvas de $\text{CO}_2$ coincidem a baixa intensidade. Com luz abundante, o fator limitante passa a ser o $\text{CO}_2$ (ou a temperatura) e a taxa estabiliza.
Numa estufa algarvia enriquece-se o ar com $\text{CO}_2$ e usa-se luz artificial, mas a produção só aumenta até certo ponto: depois, a temperatura, a água ou os nutrientes passam a limitar. Uma temperatura excessiva diminui o rendimento mesmo com luz e $\text{CO}_2$ de sobra, porque as enzimas desnaturam e os estomas fecham para poupar água.
Refere três fatores ambientais que influenciem a taxa fotossintética e explica sucintamente como atua um deles.
Refere três fatores ambientais que influenciem a taxa fotossintética e explica sucintamente como atua um deles.
Mede-se a taxa fotossintética líquida (assimilação de $\text{CO}2$) de uma planta a intensidades de luz crescentes sob duas condições ambientais: Condição 1 (ar com 0,04…
Mede-se a taxa fotossintética líquida (assimilação de $\text{CO}_2$) de uma planta a intensidades de luz crescentes sob duas condições ambientais: Condição 1 (ar com 0,04 % de $\text{CO}_2$ a 20 °C) e Condição 2 (ar enriquecido com 0,15 % de $\text{CO}_2$ a 20 °C). Os resultados indicam que, a baixas intensidades (inferiores a 80 $\mu\text{mol}\cdot\text{m}^{-2}\cdot\text{s}^{-1}$), ambas as curvas são idênticas e crescem linearmente com o mesmo declive; no entanto, o patamar de saturação é atingido a um nível 60 % mais alto na Condição 2.
- a) Justifica bioquimicamente por que razão, a baixas intensidades de luz, a concentração de $\text{CO}_2$ não influencia a taxa fotossintética e indica que processos da fase fotoquímica limitam a velocidade nesse intervalo.
- b) Explica por que razão a taxa fotossintética estabiliza num patamar a altas intensidades luminosas e deduz que enzima estromática atua como estrangulamento na Condição 1.
- c) Se, na Condição 2 (luz saturante e 0,15 % de $\text{CO}_2$), se elevar a temperatura para 30 °C, a taxa fotossintética aumenta de forma notável; por outro lado, essa mesma subida térmica não produz qualquer aumento a baixas intensidades de luz. Argumenta a diferente sensibilidade à temperatura de ambas as fases da fotossíntese.
Nas estufas enriquece-se o ar com $\text{CO}2$ e complementa-se a iluminação com luz artificial. a) Justifica, a partir do conceito de fator limitante, por que razão…
Nas estufas enriquece-se o ar com $\text{CO}_2$ e complementa-se a iluminação com luz artificial. a) Justifica, a partir do conceito de fator limitante, por que razão estas medidas apenas aumentam a produção até determinado limite. b) Indica que fator poderá passar a ser limitante após a sua aplicação. c) Explica por que razão um aumento excessivo da temperatura pode reduzir a produtividade, ainda que haja luz e $\text{CO}_2$ abundantes.
Importância da fotossíntese
Quase todo o $\text{O}_2$ da atmosfera tem origem na fotossíntese, e esse $\text{O}_2$ provém da água. As cianobactérias, as primeiras a realizar fotossíntese oxigénica, fizeram aumentar o oxigénio na atmosfera primitiva. Isso permitiu a respiração aeróbia, mais rentável em energia, e a formação da camada de ozono, que protege a vida da radiação ultravioleta. Foi um marco na história da Terra.
Além disso, a fotossíntese produz a matéria orgânica que sustenta a maioria das cadeias alimentares e fixa carbono da atmosfera.
Quase todo o oxigénio da atmosfera provém da fotossíntese. Explica de que molécula é libertado esse $\text{O}2$ e justifica por que razão o aparecimento da fotossíntese…
Quase todo o oxigénio da atmosfera provém da fotossíntese. Explica de que molécula é libertado esse $\text{O}_2$ e justifica por que razão o aparecimento da fotossíntese oxigénica constituiu um marco na história da Terra.
Estratégias C4, CAM e a quimiossíntese
Esta secção é uma ampliação: não faz parte das Aprendizagens Essenciais.
Os cloroplastos têm ADN circular e ribossomas próprios, de tipo bacteriano (70S), diferentes dos ribossomas 80S do citoplasma eucariótico. Por isso um antibiótico que bloqueia ribossomas 70S (como o cloranfenicol) interrompe a síntese proteica no cloroplasto, mas não a do citoplasma, onde atuam os ribossomas 80S (bloqueados pela ciclo-heximida).
Em climas quentes e secos, a Rubisco pode fixar $\text{O}_2$ em vez de $\text{CO}_2$. Chama-se a isto fotorrespiração, e desperdiça energia. A Rubisco evoluiu quando a atmosfera quase não tinha oxigénio, por isso não distingue bem os dois gases.
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Plantas C4 (milho, cana-de-açúcar): fixam o $\text{CO}_2$ primeiro num composto de 4 carbonos, numa célula, e libertam-no depois junto da Rubisco, noutra célula. Assim, a Rubisco fica rodeada de $\text{CO}_2$ concentrado. É uma separação no espaço e rende muito em climas quentes.
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Plantas CAM (crassuláceas, cactos): de noite, com os estomas abertos, fixam o $\text{CO}_2$ e armazenam-no como malato nos vacúolos, o que baixa o pH. De dia, com os estomas fechados para poupar água, libertam o $\text{CO}_2$ e fazem o ciclo de Calvin. É uma separação no tempo.
Nas plantas $\text{C}4$ (milho, cana-de-açúcar), o $\text{CO}2$ é fixado inicialmente num composto de quatro carbonos que posteriormente o liberta junto da enzima…
Nas plantas $\text{C}_4$ (milho, cana-de-açúcar), o $\text{CO}_2$ é fixado inicialmente num composto de quatro carbonos que posteriormente o liberta junto da enzima Rubisco. Explica que problema este mecanismo resolve (a competição entre o $\text{O}_2$ e o $\text{CO}_2$ pela Rubisco, ou fotorrespiração) e por que razão estas plantas apresentam um rendimento especialmente elevado em climas quentes.
Num laboratório, isolam-se duas culturas de microrganismos autótrofos desconhecidos (A e B) capazes de fixar $^{14}\text{CO}2$ em meio mineral. Ao submetê-los a…
Num laboratório, isolam-se duas culturas de microrganismos autótrofos desconhecidos (A e B) capazes de fixar $^{14}\text{CO}_2$ em meio mineral. Ao submetê-los a diferentes condições experimentais, obtêm-se os seguintes dados:
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Em escuridão absoluta e na presença de $\text{NH}_4^+$ e $\text{O}_2$, apenas a cultura A prolifera e incorpora $^{14}\text{C}$ na sua biomassa orgânica.
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Na presença de luz e na ausência de dadores inorgânicos reduzidos (exceto $\text{H}_2\text{O}$), prolifera a cultura B, mas a cultura A não mostra crescimento.
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Se se eliminar o $\text{O}_2$ do meio na escuridão, a cultura A interrompe totalmente a fixação de $^{14}\text{CO}_2$, apesar de dispor de $\text{NH}_4^+$ abundante.
- a) Deduz o tipo de metabolismo autótrofo de cada cultura (quimiossíntese ou fotossíntese), identificando em cada caso a fonte primária de energia, a fonte de carbono e o dador de eletrões.
- b) Justifica por que razão a cultura A é estritamente dependente de $\text{O}_2$ para sintetizar matéria orgânica a partir de $\text{CO}_2$, explicando o papel da cadeia de transporte de eletrões neste processo.
- c) Compara a fotossíntese oxigénica e a quimiossíntese nitrificante relativamente ao tipo de células e táxones biológicos que as realizam.
Num estudo com plantas crassuláceas (CAM) mantidas num ambiente árido, medem-se a cada 4 horas ao longo do dia a abertura estomática, o pH do sumo vacuolar das folhas e…
Num estudo com plantas crassuláceas (CAM) mantidas num ambiente árido, medem-se a cada 4 horas ao longo do dia a abertura estomática, o pH do sumo vacuolar das folhas e a concentração de malato.
- a) Às 04:00 (noite), os estomas estão abertos e o pH foliar desce para 3,6 com um máximo de malato; às 14:00 (dia), os estomas estão fechados, o pH sobe para 6,0 e o malato quase desaparece. Interpreta estes dados explicando a sequência bioquímica que ocorre na escuridão e nas horas diurnas.
- b) Se durante uma noite quente a capacidade de armazenamento de malato nos vacúolos saturar a meio da noite, a fixação de $\text{CO}_2$ interrompe-se por completo até ao dia seguinte. Justifica como este limite físico-químico explica a baixa taxa de crescimento das plantas CAM em comparação com as plantas $\text{C}_3$.
- c) Compara a estratégia de adaptação das plantas CAM com a das plantas $\text{C}_4$ (como o milho), explicando como cada uma consegue evitar a fotorrespiração e em que diferem quanto ao tipo de compartimentação (temporal vs. espacial) da fixação do $\text{CO}_2$.
Analisa-se no laboratório uma espécie de amiba fotossintética que possui organelos fotossintéticos denominados cromatóforos. Os ensaios experimentais revelam o seguinte:…
Analisa-se no laboratório uma espécie de amiba fotossintética que possui organelos fotossintéticos denominados cromatóforos. Os ensaios experimentais revelam o seguinte:
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O cloranfenicol (um antibiótico que bloqueia a tradução em ribossomas 70S bacterianos) interrompe a síntese proteica dentro do cromatóforo, enquanto a ciclo-heximida (que bloqueia ribossomas 80S eucariotas) apenas inibe a tradução no citoplasma da amiba.
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A sequenciação do ADN do cromatóforo demonstra que é circular e filogeneticamente muito mais afim das cianobactérias atuais do que do núcleo da própria amiba.
- a) Interpreta estes resultados à luz da teoria endossimbiótica e deduz que vantagens seletivas mútuas permitiram consolidar esta associação na evolução dos primeiros eucariotas fotossintéticos.
- b) Um estudante afirma que o aparecimento das primeiras cianobactérias com fotossíntese oxigénica provocou a oxigenação imediata e massiva da atmosfera primitiva. Refuta a sua afirmação explicando que processo geoquímico ocorreu na hidrosfera antes de o $\text{O}_2$ poder acumular-se livre na atmosfera e que consequência biológica teve esta crise de oxigénio para os organismos anaeróbios preexistentes.
Em resumo
Voltando ao início: a luz, a água e o $\text{CO}_2$ transformam-se em glícidos e $\text{O}_2$ em duas fases, e o $\text{O}_2$ vem da água.