A tectónica de placas e o relevo
Quando o IPMA publica o mapa dos sismos dos últimos anos, as marcas não se espalham ao acaso: juntam-se em faixas estreitas, e o Algarve e a zona a sudoeste do Cabo de São Vicente ficam bem à vista. Porquê? A resposta está na forma como a camada exterior da Terra está partida e em movimento. Ao longo desta página vais perceber de que modo cada limite entre placas cria um sismo, um vulcão ou uma cordilheira.
As placas litosféricas
Se marcares num planisfério todos os epicentros de sismos e todos os vulcões ativos do último século, vais ver bandas estreitas que deixam no meio enormes áreas calmas. A camada exterior da Terra está dividida em blocos: Como são e porque se movem?
O que as empurra? Atualmente, o principal motor é a tração da placa em subducção (slab pull): a litosfera oceânica fria é mais densa do que a astenosfera, afunda-se e arrasta o resto da placa. Contribuem, em menor grau, o empurrão da dorsal (ridge push) e o arrasto das correntes de convecção na base da placa.
Explica o que é a litosfera, por que camadas é formada e por que razão apresenta um comportamento rígido ao deslocar-se sobre a astenosfera.
Explica o que é a litosfera, por que camadas é formada e por que razão apresenta um comportamento rígido ao deslocar-se sobre a astenosfera.
O que é uma placa litosférica e sobre que camada se desloca? Indica que força é considerada atualmente o motor principal do seu movimento.
O que é uma placa litosférica e sobre que camada se desloca? Indica que força é considerada atualmente o motor principal do seu movimento.
Indica pelo menos seis grandes placas litosféricas e refere em qual se localiza a Península Ibérica e com que placa contacta a sul.
Indica pelo menos seis grandes placas litosféricas e refere em qual se localiza a Península Ibérica e com que placa contacta a sul.
Onde há sismos e vulcões
A atividade sísmica e vulcânica concentra-se nos limites das placas, porque é aí que elas se afastam, chocam ou deslizam, e a litosfera acumula tensões. O melhor exemplo é o anel de fogo do Pacífico, que rodeia esse oceano e reúne a maior parte dos sismos e dos vulcões ativos do planeta. No interior das placas, o terreno é muito mais estável.
Explica por que razão os terramotos e os vulcões não se distribuem ao acaso pelo planeta, desenhando faixas estreitas, e exemplifica com o «anel de fogo» do Pacífico.
Explica por que razão os terramotos e os vulcões não se distribuem ao acaso pelo planeta, desenhando faixas estreitas, e exemplifica com o «anel de fogo» do Pacífico.
A Península Ibérica regista sismos apesar de não se encontrar exatamente sobre um limite de placa nítido. Explica o papel da fronteira entre as placas euroasiática e…
A Península Ibérica regista sismos apesar de não se encontrar exatamente sobre um limite de placa nítido. Explica o papel da fronteira entre as placas euroasiática e africana (Açores-Gibraltar) na sismicidade do sul e do leste peninsulares.
Os três tipos de limite entre placas
Medições por GPS mostram que a América do Norte e a Europa se afastam cerca de $2{,}5\ \text{cm}$ por ano no Atlântico, enquanto a placa de Nazca mergulha sob a América do Sul a quase $7\ \text{cm}$ por ano. Que tipos de contacto existem, consoante o movimento relativo das placas?
| Limite | Movimento relativo | Processo | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Divergente | afastam-se | formação de litosfera (rift, dorsal) | Dorsal Média Atlântica; rift da África Oriental |
| Convergente | aproximam-se | destruição (subducção) ou espessamento (colisão) | fossa do Peru-Chile; Himalaias |
| Transformante | deslizam lateralmente | conservação | falha de Santo André (Califórnia) |
A falha de Santo André é uma falha transformante em terra: separa a placa do Pacífico, que se desloca para noroeste, da placa Norte-Americana, que se move em sentido contrário (relativamente, para sudeste). O movimento relativo é dextrógiro. Em Portugal, a falha da Glória e outras estruturas da zona Açores–Gibraltar têm um papel semelhante no oceano.
Refere os três tipos de limites entre placas litosféricas e apresenta um exemplo real de cada um (uma cordilheira, uma dorsal ou uma falha conhecidas).
Refere os três tipos de limites entre placas litosféricas e apresenta um exemplo real de cada um (uma cordilheira, uma dorsal ou uma falha conhecidas).
Descreve o movimento relativo das placas em cada tipo de limite (divergente, convergente e transformante) e indica que processo domina em cada um (formação, destruição…
Descreve o movimento relativo das placas em cada tipo de limite (divergente, convergente e transformante) e indica que processo domina em cada um (formação, destruição ou conservação de litosfera).
O que é uma falha transformante? Apresenta o exemplo mais conhecido (a falha de San Andreas) e explica que placas separa e em que sentido se movem.
O que é uma falha transformante? Apresenta o exemplo mais conhecido (a falha de San Andreas) e explica que placas separa e em que sentido se movem.
Criar e destruir litosfera
Se as placas se afastam numa dorsal e a Terra não aumenta de tamanho, a litosfera que se forma tem de ser destruída noutro sítio. O equilíbrio faz-se nas zonas de subducção.
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Numa dorsal oceânica (limite divergente), a astenosfera sobe, descomprime e funde parcialmente. O magma básico forma nova crosta oceânica, que arrefece e se afasta para os dois lados.
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Numa fossa oceânica (limite convergente com subducção), a litosfera oceânica, mais velha, fria e densa, mergulha no manto. É aí que é destruída (reciclada).
Por isso, a litosfera oceânica é geologicamente «jovem»: nenhum fundo oceânico em posição original tem mais de cerca de $180$ a $200\ \text{Ma}$. Já nas zonas estáveis dos continentes (cratões) há rochas com mais de $3\,800\ \text{Ma}$.
Explica o que ocorre numa dorsal oceânica e numa fossa de subducção, indicando em qual dos dois locais se gera nova litosfera oceânica e em qual é destruída.
Explica o que ocorre numa dorsal oceânica e numa fossa de subducção, indicando em qual dos dois locais se gera nova litosfera oceânica e em qual é destruída.
O esquema mostra os três tipos de limites entre placas litosféricas. a) Indica que tipo de limite está oculto sob o ponto de interrogação «?» e descreve o movimento…
O esquema mostra os três tipos de limites entre placas litosféricas. a) Indica que tipo de limite está oculto sob o ponto de interrogação «?» e descreve o movimento relativo das suas placas. b) Apresenta um exemplo real de cada um dos três limites. c) Assinala em qual se cria nova crosta oceânica e em qual é destruída.
Analisa os seguintes três factos geofísicos: 1. A distância entre a crista da dorsal do Pacífico Oriental e a fossa de subdução do Japão é de aproximadamente…
Analisa os seguintes três factos geofísicos:
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A distância entre a crista da dorsal do Pacífico Oriental e a fossa de subdução do Japão é de aproximadamente $10\,000\ \text{km}$, e a placa do Pacífico desloca-se para oeste a uma velocidade média constante de $8\ \text{cm/ano}$.
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Nenhuma sondagem oceânica profunda do projeto IODP alguma vez encontrou crusta oceânica basáltica in situ com uma idade superior a cerca de $180-200\ \text{Ma}$.
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Nos cratões continentais (como o escudo da Gronelândia ou o escudo Canadiano) afloram rochas com mais de $3\,800\ \text{Ma}$ de antiguidade.
- a) Calcula o tempo (em milhões de anos) que uma porção de litosfera basáltica demora a viajar desde a sua formação na dorsal do Pacífico até à sua subdução na fossa. Avalia se o resultado obtido é coerente com a idade máxima observada nos fundos marinhos mundiais.
- b) Justifica, a partir das propriedades físicas e petrológicas da litosfera oceânica face à continental (densidade média, espessura cortical, temperatura e comportamento isostático durante o arrefecimento térmico), por que razão a litosfera oceânica é efémera e se recicla continuamente no manto, enquanto a litosfera continental não pode subduzir de forma maciça e permanece durante milhares de milhões de anos.
Sismos: hipocentro, epicentro, magnitude e intensidade
Dois sismos com a mesma magnitude podem causar estragos muito diferentes. Para perceber porquê, precisamos de distinguir o que se mede do que se sente.
A escala de magnitude é logarítmica: o que importa é a diferença entre dois valores. A energia libertada $E$ (em joules) relaciona-se com a magnitude $M$ por $\log E = 4{,}8 + 1{,}5\,M$. Por cada unidade a mais, $E$ multiplica por $10^{1{,}5} \approx 32$.
Os danos dependem da intensidade. Um sismo a $30\ \text{km}$ de profundidade produz efeitos muito maiores à superfície do que outro de igual magnitude a $300\ \text{km}$, porque as ondas sísmicas perdem energia com a distância: espalham-se por um volume cada vez maior e parte da energia é absorvida pelas rochas. Um sismo superficial sob uma cidade assente em sedimentos moles pode ser mais destruidor do que um sismo mais forte, mas profundo e longínquo, sobre terreno rochoso e construção antissísmica.
Distingue hipocentro de epicentro de um sismo e explica o que mede a escala de magnitude (de momento) em comparação com a escala de intensidade macrossísmica.
Distingue hipocentro de epicentro de um sismo e explica o que mede a escala de magnitude (de momento) em comparação com a escala de intensidade macrossísmica.
Dois sismos com a mesma magnitude ocorrem sob uma mesma região, um a $30\ \text{km}$ de profundidade e outro a $300\ \text{km}$. Justifica qual provocará maiores danos à…
Dois sismos com a mesma magnitude ocorrem sob uma mesma região, um a $30\ \text{km}$ de profundidade e outro a $300\ \text{km}$. Justifica qual provocará maiores danos à superfície e porquê, explicando como se atenuam as ondas sísmicas com a distância percorrida.
Um observatório sismológico regista dois acontecimentos sísmicos numa mesma região: Sismo 1: Magnitude $M_w = 7{,}0$; hipocentro a $60\ \text{km}$ de profundidade numa…
Um observatório sismológico regista dois acontecimentos sísmicos numa mesma região:
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Sismo 1: Magnitude $M_w = 7{,}0$; hipocentro a $60\ \text{km}$ de profundidade numa zona rural montanhosa. A cidade mais próxima encontra-se a $90\ \text{km}$, alicerçada sobre maciços de granito competente e com edifícios construídos sob regulamentação antissísmica.
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Sismo 2: Magnitude $M_w = 5{,}0$; hipocentro a apenas $2\ \text{km}$ de profundidade, localizado sob um centro histórico urbano erguido sobre uma planície aluvial não consolidada.
- a) A energia libertada por um sismo rege-se pela relação $\log E = 4{,}8 + 1{,}5 M_w$. Calcula de forma justificada quantas vezes mais energia mecânica libertou o Sismo 1 do que o Sismo 2.
- b) Na cidade próxima do Sismo 1 a intensidade registada foi de grau IV (amplamente sentido, sem danos), enquanto no centro urbano do Sismo 2 a intensidade atingiu o grau VIII (danos estruturais graves e colapsos parciais). Interpreta esta aparente discrepância explicando o papel da distância hipocentral (atenuação geométrica), o «efeito de sítio» por amplificação de ondas em sedimentos brandos e a vulnerabilidade das construções.
Ondas sísmicas, epicentro e risco sísmico
Quando a rocha se rompe no hipocentro, libertam-se ondas que um sismógrafo regista num sismograma. Há três tipos:
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Ondas P (longitudinais): as partículas oscilam na direção de propagação; são as mais rápidas e chegam primeiro; atravessam sólidos e fluidos.
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Ondas S (transversais): as partículas oscilam perpendicularmente; são mais lentas e não atravessam fluidos.
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Ondas superficiais (L): propagam-se só à superfície, são as mais lentas e as que causam maiores estragos.
Como as ondas P viajam mais depressa do que as S, quanto mais longe está a estação, maior é o intervalo de tempo entre a chegada das duas, o intervalo S–P. Isto permite saber a que distância do epicentro está cada estação.
Porque é que um sismo numa zona de subducção produz tsunamis e um sismo numa falha transformante raramente? A teoria do ressalto elástico explica-o. Na zona de subducção, as placas ficam travadas e a superior vai-se deformando elasticamente, sem deslizar. Quando a tensão ultrapassa a resistência das rochas, a rutura é súbita e a placa «salta» para trás. Esse salto desloca verticalmente o fundo do mar (metros, em grandes sismos) e levanta a coluna de água sobrejacente, originando um tsunami (como em Sumatra, 2004). Numa falha transformante, o movimento é sobretudo horizontal e o fundo quase não sobe nem desce, pelo que o tsunami destrutivo é raro.
Considera os seguintes dados de dois sismos históricos na península ibérica: Sismo A (Lisboa, 1755): Magnitude estimada $M_w \approx 8{,}5$; foco submarino a sudoeste do…
Considera os seguintes dados de dois sismos históricos na península ibérica:
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Sismo A (Lisboa, 1755): Magnitude estimada $M_w \approx 8{,}5$; foco submarino a sudoeste do cabo de São Vicente a cerca de $40\ \text{km}$ de profundidade; gerou um tsunami transoceânico que devastou a costa do golfo de Cádis e produziu o desmoronamento de edifícios em Madrid e Salamanca.
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Sismo B (Lorca, 2011): Magnitude moderada $M_w = 5{,}1$; foco em terra a apenas $1{,}5\ \text{km}$ de profundidade na falha de Alhama de Murcia; aceleração sísmica recorde de $0{,}37\ g$; provocou $9$ vítimas mortais e colapsos graves na localidade, mas a $30\ \text{km}$ quase não se fez sentir.
- a) Justifica o contexto geodinâmico específico de cada evento sísmico a partir do movimento relativo entre as placas Euroasiática e Africana (limite difuso transpressivo a sudoeste face a sistema de falhas de desligamento das cordilheiras Béticas a sudeste).
- b) Um redator de notícias afirma: «O impacto destruidor de um terramoto depende exclusivamente da sua magnitude na escala de Richter». Rebate cientificamente esta afirmação analisando como influenciaram em cada caso a profundidade focal, a atenuação das ondas com a distância, a aceleração de pico do solo e a exposição/vulnerabilidade estrutural.
A 26 de dezembro de 2004, um sismo de $M_w = 9{,}1$ em frente à costa ocidental de Samatra gerou um tsunami de proporções catastróficas. Por outro lado, grandes sismos…
A 26 de dezembro de 2004, um sismo de $M_w = 9{,}1$ em frente à costa ocidental de Samatra gerou um tsunami de proporções catastróficas. Por outro lado, grandes sismos de magnitude $M_w > 7{,}5$ associados a falhas transformantes (como a de Santo André ou a falha transformante Açores-Gibraltar) praticamente nunca originam tsunamis destrutivos em campo distante.
- a) Mediante a teoria do ressalto elástico, explica passo a passo a deformação mecânica que sofrem o prisma de acreção e a placa superior numa zona de subdução antes e durante a rutura sísmica, e justifica por que razão esse deslocamento cossísmico gera uma onda marinha catastrófica enquanto uma falha transformante pura de deslocamento horizontal não o faz.
- b) Um tsunami em águas abertas comporta-se como uma onda de águas pouco profundas cuja velocidade se aproxima por $v = \sqrt{g \cdot h}$ ($g = 9{,}8\ \text{m/s}^2$; $h$ = profundidade marinha). Se a profundidade média no Índico é de $4\,000\ \text{m}$, calcula a velocidade de propagação do tsunami em alto-mar (em $\text{km/h}$). De seguida, prevê o que acontecerá à velocidade, ao comprimento de onda e à amplitude da onda quando esta alcançar uma baía costeira com apenas $10\ \text{m}$ de profundidade, justificando o princípio físico de conservação do fluxo de energia envolvido.
- c) Desenha e justifica a estrutura de um sistema de alerta precoce de tsunamis: explica por que razão não basta detetar a onda sísmica através de sismógrafos terrestres e é imprescindível incorporar sensores de pressão de fundo oceânico ligados a bóias superficiais (redes do tipo DART).
O relevo de cada contexto tectónico
No meio do Atlântico há uma cordilheira submarina com um vale central, ao largo do Chile afunda-se uma fossa de $8\,000\ \text{m}$ junto a vulcões ativos e, na Ásia, ergue-se o Himalaia sem um único vulcão. Porque é que cada limite constrói um relevo tão diferente?
Convergência oceano-oceano. A fossa das Marianas, com quase $11\ \text{km}$ de profundidade, resulta da subducção de litosfera oceânica antiga sob outra placa oceânica. A litosfera que se afunda aquece, desidrata-se e acaba por ser reciclada no manto. Os fluidos libertados provocam fusão parcial do manto da placa superior, e o magma sobe até formar o arco vulcânico insular (um arco de ilhas, paralelo à fossa). Por vezes, a retração da placa que afunda estira a placa superior e forma, atrás do arco, uma bacia de retroarco.
Colisão continental. Quando um oceano se fecha totalmente, os dois continentes colidem (por exemplo, a Índia contra a Ásia, que originou os Himalaias). A crosta sofre encurtamento, espessamento (forma-se uma raiz crustal, com mais de $60\ \text{km}$) e cavalgamentos (falhas inversas que empilham unidades rochosas). O resultado é uma cordilheira alta, com muitos sismos e sem vulcanismo.
A fossa das Marianas atinge quase $11\ \text{km}$ de profundidade. Explica que processo tectónico origina as fossas oceânicas, o que acontece à litosfera que se afunda e…
A fossa das Marianas atinge quase $11\ \text{km}$ de profundidade. Explica que processo tectónico origina as fossas oceânicas, o que acontece à litosfera que se afunda e por que razão é frequente existirem arcos de ilhas vulcânicas junto a elas.
Descreve sucintamente o perfil de um limite convergente oceano-oceano (fossa, arco vulcânico insular, bacia de retroarco) e explica a origem de cada um destes três…
Descreve sucintamente o perfil de um limite convergente oceano-oceano (fossa, arco vulcânico insular, bacia de retroarco) e explica a origem de cada um destes três elementos e a sua relação com a subducção.
Quando dois continentes colidem, nenhum consegue subduzir com facilidade. Explica o que acontece à crosta nessa colisão (encurtamento, espessamento, cavalgamentos), que…
Quando dois continentes colidem, nenhum consegue subduzir com facilidade. Explica o que acontece à crosta nessa colisão (encurtamento, espessamento, cavalgamentos), que relevo daí resulta e ilustra com o exemplo dos Himalaias.
O ciclo orogénico
Uma cordilheira não nasce nem morre de um dia para o outro. Um orógeno é uma cadeia montanhosa formada por deformação da litosfera numa zona de convergência, normalmente de colisão. O seu «ciclo de vida» passa por fases:
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Bacia sedimentar: uma bacia marinha, entre dois blocos continentais, acumula sedimentos durante milhões de anos.
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Convergência e deformação: a aproximação das placas fecha a bacia; os sedimentos são dobrados, falhados e empilhados.
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Orógeno: a crosta espessa e a cordilheira ergue-se, podendo haver metamorfismo e magmatismo associados.
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Erosão e reajuste: a erosão destrói o relevo; à medida que ela retira massa, a raiz da cordilheira sobe lentamente.
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Peneplanície: no fim, resta uma superfície aplanada.
Os Pirenéus são um exemplo: a convergência entre a Ibéria e a Europa, entre há cerca de $80$ e $25\ \text{Ma}$, fechou uma bacia marinha e dobrou e empilhou os seus sedimentos.
Define orógeno e descreve as fases do ciclo orogénico desde uma bacia marinha que acumula sedimentos até uma cordilheira erodida, aplicando-o ao caso dos Pirenéus.
Define orógeno e descreve as fases do ciclo orogénico desde uma bacia marinha que acumula sedimentos até uma cordilheira erodida, aplicando-o ao caso dos Pirenéus.
Embora a colisão orogénica principal entre a Ibéria e a Eurásia tenha terminado há mais de $20\ \text{Ma}$ e as medições GNSS/GPS atuais registem uma taxa de…
Embora a colisão orogénica principal entre a Ibéria e a Eurásia tenha terminado há mais de $20\ \text{Ma}$ e as medições GNSS/GPS atuais registem uma taxa de encurtamento tectónico horizontal quase impercetível ($< 0{,}3\ \text{mm/ano}$), os perfis de nivelamento geodésico revelam que a zona axial dos Pirenéus continua a elevar-se verticalmente a um ritmo líquido de $0{,}5$ a $1{,}2\ \text{mm/ano}$.
- a) Resolve este aparente paradoxo: se a convergência tectónica ativa não é a causa motriz principal do levantamento atual, justifica que mecanismo físico endógeno — baseado no modelo de isostasia de Airy e na presença de uma raiz cortical profunda — impulsiona a elevação da cordilheira à medida que os agentes externos a erodem.
- b) Num vale pirenaico identifica-se uma sequência em degraus de quatro terraços fluviais encaixados na rocha-mãe. O terraço superior (T1) situa-se a $+120\ \text{m}$ sobre o leito fluvial atual e o seu sedimento aluvial foi datado em $150\,000$ anos. Calcula a taxa média de encaixe fluvial (em $\text{mm/ano}$) e interpreta o que este dado nos revela sobre o equilíbrio entre a incisão fluvial e o levantamento da cordilheira durante o Quaternário.
- c) Contesta a seguinte afirmação: «Dado que a erosão desmantela milhares de toneladas de rocha por ano, os Pirenéus ficarão reduzidos a uma peniplanície ao nível do mar nuns escassos milhões de anos». Explica o papel da compensação isostática retardada na longevidade do relevo montanhoso.
Do rift ao oceano: evolução de margens e pontos quentes
A tectónica de placas explica também como nasce, cresce e morre um oceano.
Nascimento. Um rift continental começa com o estiramento e o afinamento da litosfera. A astenosfera sobe, descomprime e funde parcialmente, e o vulcanismo instala-se. Se a separação continuar, o vale invade-se de água e forma-se crosta oceânica nova. O mar Vermelho está nessa fase: já tem anomalias magnéticas simétricas, basaltos oceânicos e fluidos hidrotermais, e abre cerca de $1{,}5\ \text{cm/ano}$. O golfo da Califórnia é parecido, mas combina extensão com deslizamento lateral (tipo transformante), pelo que a Baixa Califórnia se separa do continente.
Maturidade e morte. No Atlântico, que se expande cerca de $2{,}5\ \text{cm/ano}$, as margens são sobretudo passivas: a crosta oceânica está soldada à continental, sem subducção. À medida que a litosfera oceânica se afasta da dorsal, arrefece, engrossa e fica mais densa do que a astenosfera. Quando o peso lhe permite, rompe e mergulha: inicia-se uma subducção e o oceano começa a fechar. É o que se passa hoje no Mediterrâneo, onde restos de litosfera oceânica do antigo oceano de Tétis mergulham sob o Sul da Europa, a cerca de $5\ \text{mm/ano}$.
Pontos quentes. Nem toda a atividade se deve aos limites. Uma pluma mantélica é uma coluna de manto quente, que sobe de grande profundidade, descomprime (descompressão adiabática) e funde em grande quantidade. Na Islândia, uma pluma coincide com a dorsal Média Atlântica: o magma extra faz a crosta atingir os $30$ a $40\ \text{km}$ (quatro vezes a normal) e, ao ser leve, a ilha emerge acima do nível do mar.
A dorsal mesoatlântica costuma estar submersa a cerca de $2\,500\ \text{m}$ de profundidade, mas na Islândia eleva-se formando uma extensa ilha emersa cuja crosta atinge…
A dorsal mesoatlântica costuma estar submersa a cerca de $2\,500\ \text{m}$ de profundidade, mas na Islândia eleva-se formando uma extensa ilha emersa cuja crosta atinge entre $30$ e $40\ \text{km}$ de espessura (cerca de quatro vezes a espessura da crosta oceânica normal).
- a) Justifica geodinamicamente esta anomalia orográfica e cortical explicando a interação entre dois mecanismos endógenos independentes: um limite de placa divergente e uma pluma mantélica profunda (ponto quente). Que processo físico-químico no manto superior gera um volume tão extraordinário de magma basáltico sob a Islândia?
- b) No vale de Thingvellir observa-se uma fossa tectónica ou graben atravessada por grandes fissuras abertas (como Almannagjá). Deduz o regime de tensões que atua na zona, o tipo cinemático das falhas que delimitam o vale e prevê o que acontecerá à largura da Islândia se a taxa de separação de $2\ \text{cm/ano}$ se mantiver durante os próximos $5$ milhões de anos.
- c) A Islândia apresenta gradientes geotérmicos locais de até $150-200\ ^\circ\text{C/km}$ (face aos $30\ ^\circ\text{C/km}$ da crosta continental média). Avalia os riscos geológicos (sismicidade induzida, emissões de gases magmáticos, deformação vulcânica) que devem ser considerados ao perfurar poços geotérmicos de alta entalpia nas proximidades de câmaras magmáticas ativas.
O mar Vermelho e o golfo da Califórnia são dois exemplos clássicos de bacias oceânicas em fase juvenil. No eixo central do mar Vermelho já se detetam anomalias…
O mar Vermelho e o golfo da Califórnia são dois exemplos clássicos de bacias oceânicas em fase juvenil. No eixo central do mar Vermelho já se detetam anomalias magnéticas simétricas de fundo basáltico, salmouras hidrotermais metalíferas a mais de $60\ ^\circ\text{C}$ e uma taxa de divergência de $1{,}5\ \text{cm/ano}$. Paralelamente, a península da Baixa Califórnia separa-se do continente americano a um ritmo de $4{,}5\ \text{cm/ano}$, combinando extensão e desligamento lateral.
- a) Analisa a evolução reológica, isostática e estrutural da litosfera durante a transição de um rifte intracontinental (etapa tipo Vale do Rifte da África Oriental) para um oceano juvenil (etapa mar Vermelho). Explica em que momento exato ocorre a rutura litosférica completa («continental breakup») e como muda o tipo de vulcanismo e sedimentação associados.
- b) Um geólogo afirma que as salmouras quentes e as anomalias magnéticas lineares e simétricas do mar Vermelho demonstram que ali já opera uma dorsal oceânica em miniatura. Justifica a validade científica de ambos os indícios.
- c) Prevê fundamentadamente a configuração paleogeográfica da região da Baixa Califórnia dentro de $30$ milhões de anos se o deslocamento atual continuar: deduz a posição relativa da península, a natureza da crusta marinha que a separará da América do Norte e o destino estrutural da falha de Santo André.
Atualmente, a litosfera oceânica do Atlântico expande-se a cerca de $2{,}5\ \text{cm/ano}$ a partir da sua dorsal, enquanto as suas margens continentais são quase na…
Atualmente, a litosfera oceânica do Atlântico expande-se a cerca de $2{,}5\ \text{cm/ano}$ a partir da sua dorsal, enquanto as suas margens continentais são quase na totalidade passivas. Em contrapartida, o Mediterrâneo representa uma bacia relíquia onde os restos da crusta oceânica do mar de Tétis subductam ativamente sob o sul da Europa a um ritmo de convergência de cerca de $5\ \text{mm/ano}$.
- a) Prevê fundamentadamente a evolução geodinâmica das margens atlântico-ibérica e norte-americana: explica que alteração física crítica experimentará a litosfera oceânica à medida que se afaste da dorsal e arrefeça, e deduz que nova estrutura de limite de placas se formará de modo espontâneo para que o oceano Atlântico inicie o seu fecho dentro do ciclo de Wilson.
- b) Modela um cenário tectónico para o mar Mediterrâneo daqui a $40-50$ milhões de anos: deduz que relevo resultante substituirá a bacia marinha atual após a colisão continental definitiva entre África e a Eurásia, que estruturas geológicas de deformação predominarão na zona de sutura e como afetará este fecho a circulação termohalina entre o Atlântico e o Índico.