O campo magnético terrestre
Quando a Matilde e o pai sobem à Serra da Estrela, a bússola aponta sempre para o mesmo lado, mesmo com nevoeiro cerrado. Porque é que a agulha se orienta sozinha? E de onde vem a "força" que a faz rodar? Para responder, temos de descer ao interior da Terra.
A Terra como um grande íman
Se pegares num íman e espalhares limalha de ferro à sua volta, vês linhas que saem de um polo e entram no outro. Essas linhas representam o campo magnético: a região do espaço onde o íman exerce forças.
A Terra comporta-se de forma semelhante: é como se tivesse no seu interior um enorme íman, um dipolo magnético. A agulha de uma bússola é um pequeno íman livre de rodar, por isso alinha-se com as linhas do campo terrestre. Como essas linhas vão, aproximadamente, de sul para norte, a agulha fica orientada na direção norte-sul.
Há mais de dois mil anos que a agulha magnética é usada para orientar a navegação. Ainda hoje, a bússola é um instrumento de trabalho dos geólogos nas saídas de campo.…
Há mais de dois mil anos que a agulha magnética é usada para orientar a navegação. Ainda hoje, a bússola é um instrumento de trabalho dos geólogos nas saídas de campo.
- a) Explica por que razão a agulha de uma bússola se orienta aproximadamente na direção norte-sul.
- b) Indica em que camada do interior da Terra é gerado o campo magnético terrestre e explica como esse campo é produzido.
- c) O norte indicado pela bússola não coincide exatamente com o norte geográfico. Explica o que é a declinação magnética.
A origem do campo: o núcleo externo
Dentro da Terra não pode haver um íman permanente. A temperatura é demasiado elevada: acima de cerca de $580\ \text{°C}$ (ponto de Curie da magnetite) os minerais ferromagnéticos perdem o magnetismo permanente. Já no núcleo as temperaturas ultrapassam os $4\,000\ \text{°C}$.
O campo é gerado no núcleo externo, que é líquido e rico em ferro (com níquel), bom condutor elétrico. Esse metal fundido move-se em correntes de convecção, e a rotação da Terra influencia esses movimentos. O movimento de um fluido condutor produz correntes elétricas, e as correntes elétricas criam campo magnético. Em resumo: o núcleo externo funciona como um gerador natural.
Esta ideia está de acordo com os dados sísmicos: as ondas S não atravessam o núcleo externo, o que indica que é líquido, e é essa liquidez que permite o movimento.
A Terra comporta-se, de forma aproximada, como se tivesse no seu interior um grande íman, com o eixo magnético ligeiramente inclinado em relação ao eixo de rotação, como…
A Terra comporta-se, de forma aproximada, como se tivesse no seu interior um grande íman, com o eixo magnético ligeiramente inclinado em relação ao eixo de rotação, como se mostra na figura.
- a) Explica, com base na figura, por que razão a agulha da bússola representada não aponta exatamente para o polo norte geográfico.
- b) Os magnetómetros registam pequenas variações do campo magnético à superfície. Explica como essas medições podem dar informações sobre as rochas do subsolo.
- c) Prevê o que aconteceria às bússolas se o núcleo externo da Terra solidificasse completamente. Justifica a previsão.
Declinação magnética
O eixo do dipolo magnético não coincide com o eixo de rotação: está inclinado cerca de $11^\circ$. Por isso, em grande parte, os polos magnéticos não estão nos polos geográficos, e a bússola não aponta exatamente para o norte geográfico. O campo real também não é um dipolo perfeito.
A declinação varia de lugar para lugar e muda lentamente com o tempo, porque o campo do núcleo também muda. Quem faz trabalho de campo tem de a ter em conta: se a declinação for, por exemplo, $2^\circ$ para oeste, uma direção lida na bússola tem de ser corrigida em $2^\circ$ para obter a direção em relação ao norte geográfico.
Há mais de dois mil anos que a agulha magnética é usada para orientar a navegação. Ainda hoje, a bússola é um instrumento de trabalho dos geólogos nas saídas de campo.…
Há mais de dois mil anos que a agulha magnética é usada para orientar a navegação. Ainda hoje, a bússola é um instrumento de trabalho dos geólogos nas saídas de campo.
- a) Explica por que razão a agulha de uma bússola se orienta aproximadamente na direção norte-sul.
- b) Indica em que camada do interior da Terra é gerado o campo magnético terrestre e explica como esse campo é produzido.
- c) O norte indicado pela bússola não coincide exatamente com o norte geográfico. Explica o que é a declinação magnética.
O campo magnético e as rochas
O campo medido à superfície não é perfeitamente regular. Os magnetómetros registam pequenas diferenças, chamadas anomalias magnéticas. Algumas rochas, como o basalto, são ricas em minerais com ferro (a magnetite, por exemplo) e criam um campo próprio que se soma ao da Terra.
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Sobre rochas ricas em minerais magnéticos, o valor medido é superior ao esperado (anomalia positiva).
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Sobre rochas pobres nesses minerais, o valor é inferior (anomalia negativa).
Assim, medir o campo ajuda a descobrir como são as rochas do subsolo, mesmo debaixo de sedimentos ou do mar, sem escavar. É um método indireto de estudo da geosfera.
Quando uma lava arrefece, os minerais magnéticos ficam alinhados com o campo da altura, e o registo fica "congelado" na rocha: é o paleomagnetismo, que permite reconstituir o campo do passado e a posição antiga dos continentes.
A Terra comporta-se, de forma aproximada, como se tivesse no seu interior um grande íman, com o eixo magnético ligeiramente inclinado em relação ao eixo de rotação, como…
A Terra comporta-se, de forma aproximada, como se tivesse no seu interior um grande íman, com o eixo magnético ligeiramente inclinado em relação ao eixo de rotação, como se mostra na figura.
- a) Explica, com base na figura, por que razão a agulha da bússola representada não aponta exatamente para o polo norte geográfico.
- b) Os magnetómetros registam pequenas variações do campo magnético à superfície. Explica como essas medições podem dar informações sobre as rochas do subsolo.
- c) Prevê o que aconteceria às bússolas se o núcleo externo da Terra solidificasse completamente. Justifica a previsão.
Em resumo
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A Terra comporta-se como um grande dipolo magnético; a agulha da bússola alinha-se com as linhas do campo e orienta-se aproximadamente norte-sul.
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O campo é gerado no núcleo externo, líquido e rico em ferro: o movimento do metal fundido produz correntes elétricas e, com elas, o campo.
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O eixo magnético está inclinado cerca de $11^\circ$ em relação ao eixo de rotação: a declinação magnética é o ângulo entre o norte geográfico e o norte da bússola.
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As anomalias magnéticas dão informação indireta sobre as rochas do subsolo; o paleomagnetismo regista o campo do passado.
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Se o núcleo externo solidificasse, o campo deixaria de ser gerado.