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10.º ano A · Biologia e Geologia
A dinâmica terrestre · A geosfera

Da deriva continental à tectónica de placas

Antes de começar, convém dominares: A estrutura da geosfera (7.º ano do ensino básico (3.º ciclo))

Olha para um mapa-mundo: a costa leste da América do Sul parece encaixar na costa oeste de África. Foi esta observação, entre outras, que levou Alfred Wegener a propor que os continentes já estiveram juntos. A ideia foi rejeitada durante décadas, mas cerca de meio século depois novas provas ressuscitaram-na, convertida num modelo muito mais completo: a tectónica de placas. Porque é que uma hipótese com tantas evidências foi posta de lado?

A hipótese da deriva dos continentes

Se recortares as silhuetas da América do Sul e de África, vais ver que encaixam quase na perfeição. Mais: partilham sequências de rochas e fósseis de répteis de água doce que não conseguiriam atravessar um oceano a nado. Como foram os mesmos organismos terrestres parar a lados opostos de um oceano inteiro?

A Pangeia começou a fragmentar-se há cerca de 200 milhões de anos.

As estrias glaciares são marcas deixadas no solo pelo gelo em movimento, e o gelo espesso só se forma perto dos polos. Encontrá-las, com cerca de 300 milhões de anos, em regiões hoje tropicais (Índia, África austral, América do Sul) indica que esses continentes estiveram então perto do polo sul, num clima muito frio (paleoclima). Quando se juntam na Gondwana (a parte sul da Pangeia), as estrias alinham-se e formam uma única calote polar, o que seria impossível com os continentes nas posições atuais.

A separação da América em relação à Europa e a África foi abrindo o oceano Atlântico.

Esquema simplificado do encaixe entre a América do Sul e África, com as zonas de fósseis de Mesosaurus e de rochas da mesma idade e tipo dos dois lados do Atlântico. América do Sul África oceano Atlântico (a fechar) Mesosaurus rochas iguais
Pratica★☆☆Por começar
Quem foi Alfred Wegener e o que propunha a sua hipótese da deriva continental? Explica por que razão a comunidade científica da sua época a rejeitou, apesar das…

Quem foi Alfred Wegener e o que propunha a sua hipótese da deriva continental? Explica por que razão a comunidade científica da sua época a rejeitou, apesar das evidências que apresentava.

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Pratica★☆☆Por começar
Resume os três argumentos clássicos da deriva continental — concordância das costas, fósseis comuns e paleoclimas —, apresentando um exemplo concreto de cada um.

Resume os três argumentos clássicos da deriva continental — concordância das costas, fósseis comuns e paleoclimas —, apresentando um exemplo concreto de cada um.

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Pratica★☆☆Por começar
O que era a Pangeia e quando começou a fragmentar-se? Indica que oceano se foi a abrir com a separação da América em relação à Europa e a África.

O que era a Pangeia e quando começou a fragmentar-se? Indica que oceano se foi a abrir com a separação da América em relação à Europa e a África.

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Pratica★☆☆Por começar
O Mesosaurus, um réptil de água doce, surge fossilizado apenas no leste da América do Sul e no sul de África. Justifica por que razão não conseguiu atravessar o…

O Mesosaurus, um réptil de água doce, surge fossilizado apenas no leste da América do Sul e no sul de África. Justifica por que razão não conseguiu atravessar o Atlântico a nado e que conclusão retirou Wegener dessa distribuição.

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Pratica★☆☆Por começar
Em rochas de regiões atualmente tropicais (Índia, África austral, América do Sul) encontram-se estrias glaciares com cerca de $300$ milhões de anos. Explica o que…

Em rochas de regiões atualmente tropicais (Índia, África austral, América do Sul) encontram-se estrias glaciares com cerca de $300$ milhões de anos. Explica o que indicam sobre a posição que esses continentes ocupavam na altura e como se articulam numa única calote polar quando reunidos.

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Pratica★★☆Por começar
Ao reconstituir o encaixe da América do Sul e de África, o ajuste é muito mais perfeito se forem unidos os bordos das plataformas continentais e não as linhas de costa…

Ao reconstituir o encaixe da América do Sul e de África, o ajuste é muito mais perfeito se forem unidos os bordos das plataformas continentais e não as linhas de costa atuais. Explica porquê (a erosão, a sedimentação e as variações do nível do mar modificam a linha de costa) e o que representa efetivamente o bordo da plataforma.

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Pratica★★☆Por começar
A linha de Wallace, situada entre as ilhas indonésias de Bali e Lombok, separa faunas asiáticas de faunas australianas apesar da sua proximidade. Relaciona esta…

A linha de Wallace, situada entre as ilhas indonésias de Bali e Lombok, separa faunas asiáticas de faunas australianas apesar da sua proximidade. Relaciona esta fronteira biogeográfica com a história tectónica da região (aproximação das plataformas de Sunda e de Sahul e grande profundidade do estreito) e explica por que razão as espécies não a atravessaram.

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O paleomagnetismo e as dorsais oceânicas

Nos anos 1950, ao medir o campo magnético dos fundos marinhos com magnetómetros, os cientistas descobriram faixas alternadas de magnetismo normal e invertido, paralelas e simétricas dos dois lados do eixo das dorsais. Que processo gravou no basalto este padrão, como um código de barras?

Bandas magnéticas simétricas de polaridade normal (azul) e invertida (laranja) dos dois lados do eixo de uma dorsal oceânica, com idade crescente para as extremidades. eixo da dorsal mais antigo mais antigo
Pratica★☆☆Por começar
Explica o que é o paleomagnetismo e como as rochas ígneas, ao arrefecerem, «fotografam» a direção do campo magnético terrestre do momento em que se formaram.

Explica o que é o paleomagnetismo e como as rochas ígneas, ao arrefecerem, «fotografam» a direção do campo magnético terrestre do momento em que se formaram.

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Pratica★☆☆Por começar
O que é uma dorsal oceânica? Descreve que processo ocorre no seu rifte central, que tipo de rocha aí se gera e que relação tem com a expansão dos fundos oceânicos.

O que é uma dorsal oceânica? Descreve que processo ocorre no seu rifte central, que tipo de rocha aí se gera e que relação tem com a expansão dos fundos oceânicos.

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Pratica★★☆Por começar
O esquema mostra as bandas magnéticas dos fundos oceânicos em ambos os lados de uma dorsal, juntamente com a idade das rochas. a) Explica por que razão as bandas são…

O esquema mostra as bandas magnéticas dos fundos oceânicos em ambos os lados de uma dorsal, juntamente com a idade das rochas. a) Explica por que razão as bandas são simétricas e o que indica o aumento da idade à medida que nos afastamos da dorsal. b) Justifica como este facto, desconhecido por Wegener, ressuscitou a deriva continental convertida na expansão dos fundos oceânicos.

dorsal 0 Ma 10 Ma 10 Ma 20 Ma 20 Ma 40 Ma 40 Ma polaridade normal polaridade inversa
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Pratica★★☆Por começar
As trajetórias de «deriva polar aparente» calculadas para a Europa e para a América do Norte são distintas, como se cada continente tivesse observado o polo deslocar-se…

As trajetórias de «deriva polar aparente» calculadas para a Europa e para a América do Norte são distintas, como se cada continente tivesse observado o polo deslocar-se por caminhos diferentes. Explica por que razão essa contradição desaparece se tiver sido cada continente a mover-se de forma independente.

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A expansão dos fundos oceânicos

Corte de uma dorsal oceânica: o magma sobe da astenosfera, forma litosfera nova no eixo e os dois flancos afastam-se a 2,5 cm por ano; os sedimentos são mais espessos e o fundo mais antigo quanto mais longe da dorsal. dorsal oceano sedimentos magma 2,5 cm/ano 2,5 cm/ano litosfera oceânica astenosfera jovem mais antigo mais antigo

A expansão dos fundos oceânicos (proposta nos anos 1960) explica o que Wegener não sabia: no rifte da dorsal forma-se crosta nova, e o fundo afasta-se para os dois lados. A idade das rochas e a espessura dos sedimentos aumentam com a distância à dorsal. A velocidade de expansão calcula-se com $v = d/t$.

Os riftes continentais são o início deste processo: um vale abatido por falhas normais escalonadas, com adelgaçamento da crosta, vulcanismo e lagos com sedimentos fluviais e evaporíticos. Se o afastamento continuar, o rifte inunda-se (mar estreito), forma-se fundo oceânico basáltico e nasce uma dorsal.

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A expansão do Atlântico avança a um ritmo médio de $2{,}5\ \text{cm}$ por ano. Calcula quantos quilómetros alargou o oceano nos últimos $80$ milhões de anos e comenta…

A expansão do Atlântico avança a um ritmo médio de $2{,}5\ \text{cm}$ por ano. Calcula quantos quilómetros alargou o oceano nos últimos $80$ milhões de anos e comenta por que razão esse valor é apenas uma aproximação.

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Pratica★★☆Por começar
A Islândia fratura-se em duas partes a um ritmo de cerca de $2\ \text{cm}$ por ano ao longo da dorsal que a atravessa. a) Calcula quantos metros o território alargará em…

A Islândia fratura-se em duas partes a um ritmo de cerca de $2\ \text{cm}$ por ano ao longo da dorsal que a atravessa. a) Calcula quantos metros o território alargará em $1\,000$ anos e quantos quilómetros num milhão de anos. b) Explica por que razão a Islândia concentra vulcanismo ativo precisamente nessa fratura.

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Pratica★★☆Por começar
A espessura dos sedimentos nos fundos oceânicos aumenta com o afastamento em relação às dorsais, e nenhum fundo oceânico tem mais de cerca de $200$ milhões de anos, em…

A espessura dos sedimentos nos fundos oceânicos aumenta com o afastamento em relação às dorsais, e nenhum fundo oceânico tem mais de cerca de $200$ milhões de anos, em contraste com os continentes, que apresentam rochas com quase $4\,000$ milhões de anos. Justifica como ambos os dados se articulam com a expansão oceânica e com a existência de zonas onde a litosfera é destruída.

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Num transecto do Atlântico Sul perpendicular ao eixo da dorsal mesoatlântica dataram-se três pontos-chave da crosta basáltica simétrica em ambos os lados do rifte: A…

Num transecto do Atlântico Sul perpendicular ao eixo da dorsal mesoatlântica dataram-se três pontos-chave da crosta basáltica simétrica em ambos os lados do rifte:

  • A anomalia magnética C5 (10 Ma de antiguidade) localiza-se a 200 km a leste e a 200 km a oeste da dorsal.

  • A anomalia magnética C34 (84 Ma de antiguidade) localiza-se a 1 400 km de cada lado da dorsal.

  • O limite crosta oceânica-crosta continental (bordo do rifting inicial, datado de 130 Ma) encontra-se a 3 000 km de cada lado.

  1. a) Calcula a velocidade de abertura total do oceano Atlântico sul (expressa em cm/ano) para os três intervalos temporais: (i) de 130 Ma a 84 Ma, (ii) de 84 Ma a 10 Ma, e (iii) de 10 Ma à atualidade.
  2. b) Interpreta os resultados calculados: a velocidade de expansão do fundo oceânico no Atlântico sul foi constante? Explica como a análise das anomalias magnéticas revela estas acelerações ou desacelerações.
  3. c) Duas estações de posicionamento geodésico espacial (GNSS/GPS) localizadas em Fortaleza (Brasil) e Libreville (Gabão) registam hoje que a distância intercontinental aumenta à razão de 3,8 cm/ano. Compara este dado com a taxa geológica recente calculada e justifica que vantagem a tecnologia GNSS/VLBI oferece relativamente ao registo paleomagnético no estudo da cinemática de placas.
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A síntese: da deriva à tectónica de placas

A deriva polar aparente confirma o movimento: as trajetórias do polo magnético calculadas a partir de rochas da Europa e da América do Norte são diferentes. Mas só existe um polo. A contradição desaparece se cada continente se tiver movido de forma independente; ao reconstituir a posição inicial (Atlântico fechado), as duas trajetórias coincidem.

Por isso uma mesma placa pode ser parte continente, parte oceano: a placa sul-americana inclui a América do Sul e metade do Atlântico Sul, e move-se como um só bloco. Um continente é uma massa de crosta continental; uma placa é um fragmento de litosfera.

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Explica a diferença entre continente e placa litosférica e justifica, com o exemplo da placa sul-americana, por que razão uma mesma placa pode conter metade continente e…

Explica a diferença entre continente e placa litosférica e justifica, com o exemplo da placa sul-americana, por que razão uma mesma placa pode conter metade continente e metade oceano.

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Explica a diferença entre a deriva continental de Wegener e a teoria atual da tectónica de placas: o que é que realmente se desloca em cada modelo e sobre que camada o…

Explica a diferença entre a deriva continental de Wegener e a teoria atual da tectónica de placas: o que é que realmente se desloca em cada modelo e sobre que camada o faz.

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Pratica★★★Por começar
Em 1960, antes de a tectónica de placas ser aceite, um defensor do fixismo geológico afirmava: «A crosta oceânica é uma bacia permanente e passiva onde se foram…

Em 1960, antes de a tectónica de placas ser aceite, um defensor do fixismo geológico afirmava:

«A crosta oceânica é uma bacia permanente e passiva onde se foram acumulando sedimentos de forma ininterrupta desde o Pré-Câmbrico; a ideia de que os continentes se deslocam é uma fantasia sem base física.»

  1. a) Se a afirmação do fixista fosse verdadeira, que espessura relativa e que antiguidade deveriam ter os sedimentos e as rochas do fundo oceânico? Justifica por que razão os dados reais obtidos através de sondagens e testemunhos oceânicos (ausência de crosta marinha anterior a 180 Ma e sedimentos notavelmente finos perto das dorsais) falsificaram por completo o modelo fixista.
  2. b) Explica como os mapas batimétricos elaborados por Marie Tharp e a descoberta do vale de rifte axial na dorsal mesoatlântica obrigaram a reinterpretar o papel do fundo oceânico na dinâmica terrestre.
  3. c) A partir deste caso histórico, avalia por que razão a hipótese de Wegener de 1915 não pôde consolidar-se como teoria científica no seu tempo e que papel decisivo desempenhou o desenvolvimento de nova tecnologia (sonar, magnetometria marinha) na mudança de paradigma.
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Pratica★★★Por começar
Uma equipa de geologia de campo descreve quatro bacias tetónicas terrestres (A, B, C e D) com os seguintes registos litológicos e estruturais: Bacia A: Vale continental…

Uma equipa de geologia de campo descreve quatro bacias tetónicas terrestres (A, B, C e D) com os seguintes registos litológicos e estruturais:

  • Bacia A: Vale continental abatido com falhas normais escalonadas, adelgaçamento da crosta, vulcanismo bimodal (riolitos e basaltos continentais) e lagos alongados com sedimentos fluviais e evaporíticos.

  • Bacia B: Braço de mar estreito com margens continentais paralelas; no seu eixo central já se regista a formação incipiente de fundo oceânico basáltico e ressurgências hidrotermais.

  • Bacia C: Oceano largo cujas margens continentais não apresentam sismicidade nem vulcanismo (margens passivas), acumulando espessos prismas sedimentares sobre a plataforma e o talude continental.

  • Bacia D: Orógeno de colisão sem vulcanismo ativo, com uma descontinuidade de Moho situada a mais de 65 km de profundidade, cavalgamentos maciços e presença de ofiolitos (associação de peridotitos, gabros e lavas em almofada) incrustados entre os sedimentos deformados.

  1. a) Deduz a que etapa do ciclo de Wilson corresponde cada bacia (A, B, C e D), justificando a tua escolha a partir de dois critérios geológicos observáveis em cada caso.
  2. b) Atribui um exemplo geográfico real atual a cada uma das quatro etapas descritas.
  3. c) A partir da presença de ofiolitos na bacia D e da dinâmica do ciclo de Wilson, responde: por que razão não existe crosta oceânica in situ com mais de 180 Ma nos oceanos atuais, enquanto nas massas continentais encontramos rochas com mais de 3 800 Ma?
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De volta ao início: a costa leste sul-americana encaixa na africana porque os dois continentes estiveram unidos na Pangeia; a hipótese de Wegener foi rejeitada pelo mecanismo, e só a expansão dos fundos oceânicos lho deu.

Em resumo

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