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10.º ano A · Biologia e Geologia
Fisiologia vegetal · Nutrição vegetal

O transporte de seivas

Antes de começar, convém dominares: A célula, unidade dos seres vivos (8.º ano do ensino básico (3.º ciclo))

Um eucalipto com 40 metros de altura leva água das raízes até às folhas mais altas sem ter nenhum coração a bombear. Mas o transporte dos açúcares, esse sim, custa energia. Dois sistemas, duas estratégias: é isso que vais perceber nesta página.

Xilema e floema: duas seivas, dois sentidos

Se cortares um caule na primavera, sai um líquido aquoso. Se retirares apenas uma tira fina da casca, escorre uma substância densa e açucarada. Porque é que dois líquidos tão diferentes circulam por vias separadas?

Esquema do transporte numa planta: a seiva bruta sobe pelo xilema desde a raiz até à folha e a seiva elaborada desce pelo floema desde a folha (fonte) até à raiz (órgão recetor). folha (fonte) raiz (recetor) xilema: seiva bruta ↑ floema: seiva elaborada ↓

Os dois tecidos têm células diferentes, adaptadas à função:

Xilema Floema
Células condutoras Traqueídos e elementos de vaso Tubos crivosos
Células associadas Fibras e parênquima Células de companhia
Estado das células Mortas, sem citoplasma, com paredes lenhificadas Vivas, mas sem núcleo (tubos crivosos)
Ligação entre células Elementos de vaso abertos nas extremidades: formam um tubo contínuo Placas crivosas com poros entre tubos consecutivos

Os vasos do xilema são tubos ocos e rígidos, pelo que a água corre sem obstáculos e a lenhina impede que colapsem. Os tubos crivosos precisam de estar vivos porque o transporte do floema envolve gasto de energia. Como não têm núcleo, dependem das células de companhia, que lhes fornecem ATP e proteínas.

Pratica★☆☆Por começar
Distingue a seiva bruta da seiva elaborada: que substâncias transporta cada uma, em que vasos condutores circulam e qual o sentido do seu transporte na planta.

Distingue a seiva bruta da seiva elaborada: que substâncias transporta cada uma, em que vasos condutores circulam e qual o sentido do seu transporte na planta.

Resolver
Pratica★☆☆Por começar
Indica que elementos celulares formam o xilema (traqueídos e elementos de vaso) e o floema (tubos crivosos e células de companhia), e uma diferença estrutural entre uns…

Indica que elementos celulares formam o xilema (traqueídos e elementos de vaso) e o floema (tubos crivosos e células de companhia), e uma diferença estrutural entre uns e outros relacionada com a sua função.

Resolver
Pratica★☆☆Por começar
Além de açúcares, o floema transporta aminoácidos, fitormonas e sinais de alarme. Explica o que significa que a seiva elaborada viaja «do órgão-fonte para o órgão de…

Além de açúcares, o floema transporta aminoácidos, fitormonas e sinais de alarme. Explica o que significa que a seiva elaborada viaja «do órgão-fonte para o órgão de reserva/consumo» e refere dois órgãos recetores distintos consoante a época do ano (raízes, frutos, gomos novos).

Resolver

Da raiz à atmosfera: o trajeto da água

Uma planta pode viver num solo que parece seco ao toque. Como é que a água «entra» na raiz e por onde vai até sair para o ar?

A água entra pelos pelos radiculares, células da epiderme da raiz que aumentam muito a superfície de absorção. Depois atravessa a raiz até ao xilema, sobe pelo caule e chega às folhas. Aí sai quase toda sob a forma de vapor.

Trajeto da água na planta em cinco etapas: pelo radicular, córtex da raiz, xilema, mesófilo da folha e estoma, com as setas a indicar o sentido. peloradicular córtexda raiz xilema(raiz e caule) mesófiloda folha estoma(vapor) solo → atmosfera: a água segue de onde o potencial hídrico é mais alto para onde é mais baixo

A água move-se sempre para onde o potencial hídrico é mais baixo (mais negativo). O potencial hídrico é a tendência da água para se deslocar. Ao longo do percurso vai diminuindo: solo → raiz → caule → folha → ar seco. É este gradiente que mantém o fluxo.

Num solo húmido, a água está pouco retida e a raiz absorve-a facilmente. Num solo seco, a água fica presa às partículas com muita força, isto é, com potencial hídrico muito negativo. Se o potencial do solo ficar tão baixo como o da raiz, deixa de haver gradiente e a planta já não consegue absorver água. Quando a planta murcha e já não recupera, mesmo depois de regada, atingiu o ponto de murchidão permanente.

Pratica★☆☆Por começar
Enumera o trajeto da água desde o solo até à atmosfera (pelo radicular → córtex da raiz → xilema → mesófilo da folha → estoma), indicando o tecido que atravessa em cada…

Enumera o trajeto da água desde o solo até à atmosfera (pelo radicular → córtex da raiz → xilema → mesófilo da folha → estoma), indicando o tecido que atravessa em cada etapa.

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Pratica★★☆Por começar
Um solo seco «retém» a água com mais força do que um húmido. Explica o que é a tensão da água no solo (potencial hídrico, de forma qualitativa), o que é o ponto de…

Um solo seco «retém» a água com mais força do que um húmido. Explica o que é a tensão da água no solo (potencial hídrico, de forma qualitativa), o que é o ponto de murchidão permanente e por que razão regar muitas vezes com pouca água é uma estratégia pior do que regar em profundidade.

Resolver

Pressão radicular e gutação

Em manhãs de nevoeiro, as folhas de um morangueiro aparecem com gotas na ponta. Não choveu! De onde vem esta água?

À noite, com o solo húmido e o ar saturado de vapor, os estomas estão fechados e quase não há transpiração. A raiz continua a bombear sais para o xilema (transporte ativo). A água acompanha-os por osmose e cria uma pressão positiva que empurra a seiva para cima. É a pressão radicular.

Quando essa pressão é suficiente, a água sai em gotas pelos hidatódios, nas margens das folhas. Este fenómeno chama-se gutação. Também explica a seiva que exsuda de um caule cortado na primavera.

A pressão radicular é fraca (da ordem de uma ou duas atmosferas no máximo). Só consegue elevar a água alguns metros e, nas horas de maior transpiração, quase não existe. Por isso não explica a subida da água até à copa de uma árvore alta.

Pratica★☆☆Por começar
Distingue gutação de transpiração: quando ocorre cada uma (noites húmidas versus dias secos), por onde sai a água em cada caso e o que demonstra a gutação sobre a…

Distingue gutação de transpiração: quando ocorre cada uma (noites húmidas versus dias secos), por onde sai a água em cada caso e o que demonstra a gutação sobre a pressão que impulsiona a seiva a partir da raiz.

Resolver
Pratica★☆☆Por começar
O que é a pressão radicular? Explica em que condições se manifesta (noites de humidade elevada, seiva que exsuda ao cortar um caule na primavera) e por que razão não é…

O que é a pressão radicular? Explica em que condições se manifesta (noites de humidade elevada, seiva que exsuda ao cortar um caule na primavera) e por que razão não é suficiente para elevar a água até à copa de uma árvore alta.

Resolver

Subir sem bomba: tensão, coesão e adesão

Se quiseres beber um sumo com uma palhinha com 40 m de comprimento, ninguém consegue «chupar» tão alto. Então como é que uma árvore o faz?

Mecanismo de tensão-coesão-adesão: as moléculas de água no xilema, unidas por coesão, sobem em conjunto puxadas desde cima pela evaporação no estoma. evaporação no estoma coesão entre moléculas tensão para cima água do solo

Passo a passo:

  1. A água evapora-se das paredes das células do mesófilo e sai pelos estomas.

  2. A célula que perdeu água fica com potencial hídrico mais baixo e «puxa» água das vizinhas, e assim sucessivamente até ao xilema da folha.

  3. A tensão transmite-se pela coluna de água, que não se parte porque as moléculas se atraem (coesão).

  4. A adesão às paredes hidrófilas do vaso ajuda a sustentar a coluna e impede que ela desça.

  5. A raiz repõe a água retirada, absorvendo-a do solo.

Pratica★★☆Por começar
O esquema mostra os dois tecidos condutores do caule de uma planta vascular. a) Indica que número corresponde ao xilema e qual ao floema, justificando através do sentido…

O esquema mostra os dois tecidos condutores do caule de uma planta vascular. a) Indica que número corresponde ao xilema e qual ao floema, justificando através do sentido das setas. b) Nomeia a seiva que cada vaso transporta e a sua composição. c) Explica que força impulsiona a ascensão pelo vaso 1.

folha raiz 1 2
Resolver
Pratica★★☆Por começar
Explica a teoria da tensão-coesão-adesão da ascensão da seiva bruta: que papel desempenham a transpiração foliar, a coesão entre moléculas de água e a adesão às paredes…

Explica a teoria da tensão-coesão-adesão da ascensão da seiva bruta: que papel desempenham a transpiração foliar, a coesão entre moléculas de água e a adesão às paredes do xilema, e por que razão a água pode subir dezenas de metros sem uma bomba propulsora.

Resolver
Pratica★★☆Por começar
A teoria da tensão-coesão-adesão explica a ascensão da água sem bomba propulsora. Explica que três propriedades da água e do xilema a tornam possível (evaporação no…

A teoria da tensão-coesão-adesão explica a ascensão da água sem bomba propulsora. Explica que três propriedades da água e do xilema a tornam possível (evaporação no estoma, coesão entre moléculas, adesão às paredes do vaso) e raciocina sobre por que motivo a coluna de água não se rompe em vasos tão estreitos.

Resolver

Transpiração e estomas

Se atares um saco de plástico transparente a um ramo com folhas ao sol, em menos de uma hora as paredes ficam embaciadas com gotículas. De onde vem esta água e para que serve perdê-la?

Gráfico de barras do balanço hídrico foliar: cerca de 98 % da água absorvida perde-se por transpiração e apenas cerca de 2 % é usada na fotossíntese. água absorvida pela raiz (100 %) perdida por transpiração (≈ 98 %) usada na fotossíntese (≈ 2 %)

Perder tanta água parece um desperdício, mas tem vantagens. A transpiração cria a tensão que faz subir a seiva bruta e leva os sais minerais às folhas. Além disso, arrefece a folha, porque o calor de vaporização da água é elevado e a evaporação retira energia ao tecido.

Observar estomas ao microscópio

Podes ver estomas numa preparação temporária da epiderme de uma folha.

  1. Com uma pinça, destaca um pedaço fino de epiderme da face inferior de uma folha e coloca-o numa gota de água sobre a lâmina.

  2. Cobre com a lamela, sem deixar bolhas de ar, e observa ao microscópio ótico, primeiro com a objetiva de menor ampliação.

  3. Faz um registo legendado: desenha o que vês e legenda o estoma, o ostíolo, as células-guarda e as células epidérmicas, indicando a ampliação (ocular × objetiva).

Os estomas abrem e fecham

Cada estoma é uma fenda (ostíolo) entre duas células-guarda, que têm a parede voltada para o ostíolo mais espessa. Quando as células-guarda ficam túrgidas, curvam-se e o estoma abre. Quando perdem água, ficam flácidas e o estoma fecha.

  • Abertura: com luz e baixa concentração interna de $\text{CO}_2$, as células-guarda captam iões (por exemplo $\text{K}^+$) por transporte ativo, a água entra por osmose e a turgescência aumenta.

  • Fecho: com falta de água no solo, calor excessivo ou vento seco, a planta liberta a hormona ácido abscísico, as células-guarda perdem iões e água, e o estoma fecha.

  • Os estomas abrem sobretudo para entrar $\text{CO}_2$. A perda de água é um custo inevitável. Ao fecharem, a planta poupa água mas também limita a fotossíntese.

Pratica★☆☆Por começar
Por onde entra a água do solo na planta e através de que estruturas sai a maior parte dela para a atmosfera? Nomeia o processo de perda de água e a sua importância.

Por onde entra a água do solo na planta e através de que estruturas sai a maior parte dela para a atmosfera? Nomeia o processo de perda de água e a sua importância.

Resolver
Pratica★☆☆Por começar
Explica o que é a transpiração vegetal e raciocina sobre que percentagem da água absorvida pela raiz é realmente utilizada na fotossíntese (o que acontece com os…

Explica o que é a transpiração vegetal e raciocina sobre que percentagem da água absorvida pela raiz é realmente utilizada na fotossíntese (o que acontece com os $98\ \%$ restantes e para que serve perdê-la?).

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Pratica★★★Por começar
Durante um dia de verão muito quente e seco (temperatura máxima de $38\ \text{°C}$ às $14{:}00\ \text{h}$), monitorizam-se os seguintes parâmetros numa planta de cultivo…

Durante um dia de verão muito quente e seco (temperatura máxima de $38\ \text{°C}$ às $14{:}00\ \text{h}$), monitorizam-se os seguintes parâmetros numa planta de cultivo bem iluminada:

  • Das $08{:}00$ às $11{:}00\ \text{h}$: a transpiração e a assimilação líquida de $\text{CO}_2$ aumentam de forma paralela.

  • Das $12{:}00$ às $16{:}00\ \text{h}$: a transpiração cai drasticamente $70\ \%$ e a assimilação líquida reduz-se quase a zero, apesar de a intensidade luminosa ser máxima.

  • A partir das $17{:}30\ \text{h}$: observa-se uma ligeira recuperação de ambos os parâmetros antes do anoitecer.

  1. a) Interpreta os dados explicando que alteração osmótica e iónica experimentam as células estomáticas ao meio-dia e que sinal hormonal desencadeia esse processo.
  2. b) Justifica por que razão o fecho estomático, embora vital para evitar a dessecação, colapsa a síntese de glicose apesar da abundante radiação solar, e prevê o que acontecerá à temperatura das folhas durante essas horas centrais do dia quando a transpiração for interrompida.
Resolver

Mais para praticar

Estes dois exercícios pedem que apliques a transpiração a situações reais:

Pratica★★★Por começar
Numa região semiárida, compara-se uma parcela florestal madura com uma parcela contígua desflorestada recentemente para cultivo de sequeiro com solo desprovido de…

Numa região semiárida, compara-se uma parcela florestal madura com uma parcela contígua desflorestada recentemente para cultivo de sequeiro com solo desprovido de coberto vegetal permanente. Constata-se que, no verão, a temperatura do ar sobre o dossel florestal é até $4\ \text{°C}$ inferior à da zona desprovida de árvores, e os nevoeiros ou chuviscos locais são notavelmente mais frequentes.

  1. a) Justifica o efeito termorregulador da floresta explicando o mecanismo de transpiração foliar e a propriedade biofísica da água responsável pelo arrefecimento do ambiente.
  2. b) Explica o papel da evapotranspiração na reciclagem da humidade continental («rios voadores») e prevê como a desflorestação em grande escala pode alterar o regime de chuvas em zonas situadas a centenas de quilómetros.
  3. c) Após uma tempestade torrencial de outono, regista-se o caudal dos ribeiros de ambas as parcelas. Prevê fundamentadamente como irão diferir os hidrogramas (pico de caudal máximo e tempo de resposta) e analisa o risco de erosão do solo em função da presença ou ausência de raízes e folhada.
Resolver
Pratica★★★Por começar
Um grupo de estudantes utiliza um potómetro de capilar ($1\ \text{mm}$ de diâmetro) para investigar a perda de água num ramo de loureiro (Laurus nobilis*). Medem o…

Um grupo de estudantes utiliza um potómetro de capilar ($1\ \text{mm}$ de diâmetro) para investigar a perda de água num ramo de loureiro (Laurus nobilis). Medem o avanço da bolha durante intervalos de $15$ minutos sob diferentes condições experimentais:

  • Controlo (luz de laboratório, $22\ \text{°C}$, ar calmo): $30\ \text{mm}$.

  • Tratamento 1 (foco de luz direta intensa): $75\ \text{mm}$.

  • Tratamento 2 (ventoinha a baixa velocidade): $65\ \text{mm}$.

  • Tratamento 3 (corrente de ar muito quente e seco durante $45$ minutos consecutivos): $12\ \text{mm}$.

  • Tratamento 4 (ramo coberto com um saco de polietileno transparente húmido): $4\ \text{mm}$.

  1. a) Interpreta os resultados dos Tratamentos 1, 2 e 4 fundamentando o mecanismo fisiológico ou físico que atua em cada caso (abertura estomática fótica, redução da camada limite foliar e gradiente de pressão de vapor).
  2. b) Resolve a aparente contradição do Tratamento 3: fundamenta por que razão um ambiente extremamente dessecante provocou uma queda drástica da transpiração em vez do seu aumento.
  3. c) Indica que grandeza mede diretamente o potómetro (em oposição à transpiração foliar líquida real) e justifica por que razão o corte basal do caule deve realizar-se necessariamente submerso em água ao montar o aparelho.
Resolver

Quando a coluna se parte: cavitação e embolia

Num verão de seca, ouve-se por vezes estalidos «silenciosos» no caule de uma árvore. A coluna de água está sob tensão, o que a torna frágil.

Como a seiva bruta sobe «puxada», está a uma pressão negativa. Se entrar ar ou se formar uma bolha de vapor num vaso (cavitação), a coluna parte-se. A bolha expande-se e enche o vaso (embolia). A coesão deixa de funcionar nesse vaso, que fica inutilizado: não transmite a tensão nem transporta água.

Dois vasos do xilema: à esquerda, coluna de água contínua; à direita, uma bolha de ar interrompe a coluna e o vaso deixa de conduzir. coluna contínua ar embolia: vaso inutilizado

As plantas limitam o risco de várias maneiras:

  • Vasos estreitos e com paredes reforçadas, que são menos vulneráveis à entrada de ar.

  • Fecho dos estomas, que reduz a transpiração e a tensão.

  • Muitos vasos em paralelo: se um falha, os vizinhos continuam a conduzir (partilha de risco).

Quando a seca é longa, o potencial hídrico do solo desce, a tensão no xilema aumenta e surgem embolias em cadeia. Fechar os estomas protege contra a cavitação, mas a planta passa fome de carbono. Se a seca persistir, a árvore morre por uma das duas vias, ou pelas duas.

Pratica★★☆Por começar
Durante as secas podem formar-se bolhas de ar no interior do xilema (cavitação e embolia). Explica por que motivo uma embolia rompe a coluna de água e inutiliza esse…

Durante as secas podem formar-se bolhas de ar no interior do xilema (cavitação e embolia). Explica por que motivo uma embolia rompe a coluna de água e inutiliza esse vaso, e refere duas estratégias das plantas para a evitar ou limitar (vasos mais estreitos, fecho dos estomas, partilha de risco entre muitos vasos).

Resolver
Pratica★★★Por começar
Imagina que se produz uma microbolha de ar no xilema de uma árvore no verão e, ao mesmo tempo, um microémbolo gasoso numa artéria de um mamífero. a) Explica por que…

Imagina que se produz uma microbolha de ar no xilema de uma árvore no verão e, ao mesmo tempo, um microémbolo gasoso numa artéria de um mamífero.

  1. a) Explica por que razão o mecanismo biofísico de transporte de seiva bruta (teoria da coesão-tensão) torna o xilema vulnerável à cavitação, e prevê as consequências hidráulicas imediatas da quebra da coluna de água nesse vaso.
  2. b) Compara ambos os sistemas de transporte contrastando: a origem da energia propulsora (solar/gradiente de potencial hídrico vs. metabólica/ATP do miocárdio), a natureza dos canais condutores (células mortas lenhificadas vs. endotélio vivo) e por que razão uma planta não conseguiria manter o seu balanço energético se tivesse de bombear ativamente a seiva bruta através de transporte celular ativo.
Resolver
Pratica★★★Por começar
Num pinhal mediterrânico submetido a vários anos consecutivos de seca extrema, constata-se uma mortalidade maciça por falha hidráulica e um ataque fulminante de…

Num pinhal mediterrânico submetido a vários anos consecutivos de seca extrema, constata-se uma mortalidade maciça por falha hidráulica e um ataque fulminante de escaravelhos perfuradores da casca (Tomicus sp.), que escavam galerias no floema.

  1. a) Explica a relação de causa-efeito entre a descida continuada do potencial hídrico do solo, a tensão nos vasos xilémicos e o aparecimento de embolias. Fundamenta por que razão o fecho estomático preventivo a longo prazo não evita a morte da árvore (inanição por défice de carbono versus cavitação catastrófica).
  2. b) Os pinheiros saudáveis defendem-se destes insetos bombeando resina sob pressão através dos seus canais resiníferos para os expulsar da casca. Justifica fisiologicamente por que razão uma árvore desidratada e com estomas fechados perde esta defesa mecânica e química.
  3. c) Propõe duas medidas de gestão florestal ecológica orientadas para reduzir a vulnerabilidade destes pinhais perante futuras secas e justifica a sua base biológica (competição intraespecífica pela água do solo e diversificação de hospedeiros).
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O transporte da seiva elaborada: hipótese de Münch

Se retirares um anel completo de casca na base de um ramo, os frutos acima do corte engordam. Como é que a planta «empurra» os açúcares até órgãos tão distantes?

Hipótese de Münch: na folha (fonte) o açúcar entra no floema por transporte ativo e a água entra por osmose, criando pressão alta; a seiva flui pelo tubo crivoso até à raiz (recetor), onde o açúcar sai, a pressão é baixa e a água regressa ao xilema. fonte (folha) recetor (raiz) xilema floema açúcar entra (ativo) água entra por osmosepressão alta açúcar sai pressão baixa

Neste modelo, o movimento da seiva elaborada é um fluxo de massa, que se parece com água a correr entre dois recipientes ligados. O transporte consome energia porque o carregamento dos açúcares no floema (e, em parte, a descarga) é feito por transporte ativo. A energia vem do ATP obtido no catabolismo, em que se degradam moléculas e se liberta energia. O anabolismo usa essa energia para construir matéria viva. É por isso que arrefecer o caule ou usar um inibidor respiratório bloqueia o floema, mas não afeta o transporte passivo do xilema.

Pratica★★☆Por começar
Descreve o mecanismo de fluxo de massa (hipótese de Münch) do transporte de seiva elaborada pelo floema, explicando o que ocorre no «órgão-fonte» (folha) e no «órgão…

Descreve o mecanismo de fluxo de massa (hipótese de Münch) do transporte de seiva elaborada pelo floema, explicando o que ocorre no «órgão-fonte» (folha) e no «órgão recetor» (raiz, fruto) e por que motivo este transporte consome energia.

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Pratica★★☆Por começar
Os afídeos inserem o seu estilete no floema e a seiva entra por si mesma sob pressão. Explica o que isso demonstra sobre a pressão no interior do floema, o que é a…

Os afídeos inserem o seu estilete no floema e a seiva entra por si mesma sob pressão. Explica o que isso demonstra sobre a pressão no interior do floema, o que é a melada excretada pelos afídeos e como as formigas a aproveitam (mutualismo).

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Pratica★★★Por começar
Para estudar o funcionamento biofísico dos tecidos condutores numa planta herbácea madura, desenha-se uma experiência com dois tratamentos no terço médio do caule:…

Para estudar o funcionamento biofísico dos tecidos condutores numa planta herbácea madura, desenha-se uma experiência com dois tratamentos no terço médio do caule:

  • Tratamento A: arrefece-se localmente o caule a $0\ \text{°C}$ ou infiltra-se com um inibidor respiratório que anula a produção de ATP, mantendo as folhas intactas à temperatura ambiente e bem iluminadas.

  • Tratamento B: secciona-se perifericamente o córtex até atingir a madeira e expõe-se a planta a alta evaporação.

Fornece-se água tritiada ($^3\text{H}_2\text{O}$) às raízes e $\text{CO}_2$ marcado ($^{14}\text{CO}_2$) às folhas superiores.

  1. a) Prevê o que acontecerá com o transporte de seiva bruta e seiva elaborada no Tratamento A, justificando a tua resposta de acordo com os requisitos metabólicos do xilema face ao floema (hipótese do fluxo de pressão de Münch).
  2. b) Explica a relação entre a estrutura celular e a função em ambos os tecidos: por que razão os elementos do xilema atingem a sua funcionalidade após a apoptose celular, enquanto as células crivosas devem manter-se metabolicamente vivas e associadas a células de companhia.
  3. c) Se uma árvore adulta pode transpirar $300\ \text{L}$ de água por dia e transportar $0{,}5\ \text{kg}$ de açúcares, fundamenta, do ponto de vista evolutivo e termodinâmico, por que razão o transporte pelo xilema não se baseia em bombas de transporte ativo celular.
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Anelagem e parasitas: provas sobre os tecidos

Muita da evidência sobre o floema vem de experiências simples, como retirar um anel de casca (anelagem) ou analisar plantas parasitas.

Na anelagem, remove-se um anel de casca, incluindo o floema, e o xilema, mais interior, fica intacto. A água continua a subir, mas os açúcares produzidos nas folhas acima do anel já não descem. Por isso:

  1. A seiva elaborada acumula-se acima do anel, onde a zona incha.

  2. Num ramo anelado, os frutos recebem mais açúcares (os que antes iam para o resto da planta). Crescem mais e ficam mais doces.

  3. Se a anelagem for no tronco, as raízes deixam de receber açúcares e ficam sem energia. Morrem primeiro, e depois morre a árvore inteira, mesmo com as folhas a receberem água.

Pratica★★☆Por começar
Os fruticultores anelam por vezes um ramo (retiram um anel de casca) para que os frutos engordem. Explica que seiva se acumula acima do anel, por que motivo melhora o…

Os fruticultores anelam por vezes um ramo (retiram um anel de casca) para que os frutos engordem. Explica que seiva se acumula acima do anel, por que motivo melhora o fruto e que risco acarreta aplicar a técnica ao tronco inteiro (o que morre primeiro?).

Resolver
Pratica★★★Por começar
Na horticultura, pratica-se por vezes a anelagem (remoção de um anel de casca) num ramo específico para obter frutos maiores, mas se for realizada na base do tronco…

Na horticultura, pratica-se por vezes a anelagem (remoção de um anel de casca) num ramo específico para obter frutos maiores, mas se for realizada na base do tronco principal a árvore acaba por morrer.

  1. a) Explica, segundo o modelo de fluxo de pressão (fonte-recipiente), por que razão os frutos do ramo anelado aumentam de tamanho e de teor de açúcares.
  2. b) Um operador afirma: «A árvore anelada no tronco não deveria morrer, já que o xilema continua intacto e as folhas podem receber água e continuar a realizar a fotossíntese normalmente». Refuta este argumento prevendo a sequência temporal de falhas fisiológicas nas raízes e na copa que conduzem à morte da árvore.
Resolver
Pratica★★★Por começar
Num estudo ecofisiológico sobre relações de parasitismo vegetal analisam-se duas espécies: o visgo (Viscum album*), que possui folhas verdes e vive sobre ramos de…

Num estudo ecofisiológico sobre relações de parasitismo vegetal analisam-se duas espécies: o visgo (Viscum album), que possui folhas verdes e vive sobre ramos de pinheiro, e a cuscuta (Cuscuta sp.), uma planta parasita filamentosa e amarelada que coloniza caules de luzerna.

  1. a) Ao meio-dia, o potencial hídrico nas folhas do pinheiro hospedeiro é de $-1{,}6\ \text{MPa}$, enquanto nas folhas do visgo é de $-2{,}4\ \text{MPa}$. Interpreta este gradiente biofísico explicando a que tecido do hospedeiro se ligam os haustórios do visgo e por que razão este precisa de manter uma condutância estomática mais ativa do que a da sua própria árvore hospedeira.
  2. b) A cuscuta não tem clorofila nem raízes funcionais no estado adulto. Deduz para que tecido vascular do hospedeiro deve direcionar os seus haustórios para subsistir e classifica-a funcionalmente em comparação com o visgo (holoparasita vs. hemiparasita).
  3. c) Um agricultor propõe combater uma infestação de cuscuta no seu campo aplicando um herbicida cujo princípio ativo inibe a enzima Rubisco da fotossíntese. Prevê a eficácia deste tratamento sobre a parasita e sobre a cultura, e propõe fundamentadamente um método de controlo agronómico mais seletivo e coerente com a fisiologia do parasita.
Resolver

Metabolismo e energia no transporte

O que liga o transporte de seivas ao metabolismo? A energia necessária no floema vem das reações catabólicas.

O metabolismo é o conjunto das reações químicas da célula. As vias catabólicas degradam moléculas (por exemplo, glicose) e libertam energia, parte da qual fica no ATP. As vias anabólicas usam essa energia para construir moléculas e matéria viva. O ATP é a «moeda» que paga, por exemplo, o transporte ativo de sacarose para o floema.

Pratica★★★Por começar
Desafio do tema. Como é que uma cultura local faz a gestão do stresse hídrico e lumínico? Imagina que prestas consultoria a uma cooperativa agrícola da tua região. 1.…

Desafio do tema. Como é que uma cultura local faz a gestão do stresse hídrico e lumínico? Imagina que prestas consultoria a uma cooperativa agrícola da tua região.

  1. Recolha de dados: Consulta no site do IPMA a temperatura máxima (ex. $24,5\text{ °C}$), a humidade relativa e as horas de sol da tua localidade durante os últimos $3$ dias.

  2. Análise fisiológica: Avalia de que forma estas variáveis condicionaram a transpiração foliar e a subida da seiva bruta de acordo com a teoria da tensão-coesão. Deduz se existiu risco de fecho estomático e a sua repercussão na assimilação de $\text{CO}_2$ durante a fotossíntese.

  3. Dinâmica de seivas: Explica como a produção de fotoassimilados estimada afetou o carregamento de sacarose e o transporte de seiva elaborada por fluxo de pressão em direção aos órgãos sumidouro.

  4. Proposta agronómica: Elabora um relatório técnico breve com um gráfico temporal e um plano horário de rega fundamentado para prevenir a cavitação no xilema sem reduzir a fotossíntese.

Avaliar-se-á:

  • Rigor na utilização de dados reais e na sua representação gráfica.

  • Compreensão da interdependência entre a fotossíntese e o transporte xilémico e floémico.

  • Justificação biológica e viabilidade das medidas propostas no relatório.

Resolver

Em resumo

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