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10.º ano A · Biologia e Geologia
Geotermia e geomagnetismo · Geotermia

Grau e gradiente geotérmico

Imagina que és mineiro numa mina de cobre do Alentejo. À superfície, o dia está ameno, mas, à medida que desces nas galerias, o ar fica cada vez mais quente. Porquê? E será possível prever a temperatura a 1 000 m sem levar um termómetro? É isso que vais aprender a fazer neste apartado.

O que dizem as sondagens: a temperatura aumenta com a profundidade

Em minas e furos de sondagem, em todo o mundo, observa-se o mesmo: quanto mais fundo, mais quente. Isto mostra que o interior da Terra tem muito calor e que parte dele vai escapando para a superfície.

Para estudar este aumento, os geólogos medem a temperatura a várias profundidades e representam os valores num gráfico temperatura–profundidade. Repara que, por convenção, a profundidade é marcada para baixo.

Gráfico temperatura-profundidade: a temperatura aumenta de forma aproximadamente linear com a profundidade, de 15 °C à superfície a 45 °C aos 1 000 m. 0 30 60 Temperatura (°C) 0 500 1 000 Profundidade (m) 15 °C 45 °C

Neste exemplo, a temperatura sobe 30 °C ao descer 1 000 m. Como o aumento é aproximadamente regular, a linha é quase uma reta.

Pratica★☆☆Por começar
Numa mina de cobre do Alentejo, os mineiros sentem o ar cada vez mais quente à medida que descem nas galerias. À superfície, a temperatura média é de $15\ \text{°C}$ e,…

Numa mina de cobre do Alentejo, os mineiros sentem o ar cada vez mais quente à medida que descem nas galerias. À superfície, a temperatura média é de $15\ \text{°C}$ e, em Portugal continental, o gradiente geotérmico é, em média, cerca de $3\ \text{°C}$ por cada $100\ \text{m}$ de profundidade, como se mostra no gráfico da figura.

profundidade (m) T (°C) 0 200 400 600 800 1000 0 10 20 30 40 50 15 °C 27 °C ?
  1. a) Explica o que é o gradiente geotérmico.
  2. b) Calcula a temperatura esperada a $800\ \text{m}$ de profundidade.
  3. c) Calcula a temperatura esperada no fundo de uma galeria a $1\,000\ \text{m}$ de profundidade (o ponto assinalado com «?» na figura).
Resolver

Gradiente e grau geotérmico

Há duas formas de descrever o mesmo fenómeno.

São duas grandezas inversamente proporcionais: se a temperatura sobe depressa (gradiente grande), basta descer pouco para ganhar 1 °C (grau pequeno). Por exemplo, $3\ \text{°C}/100\ \text{m}$ corresponde a $100 \div 3 \approx 33\ \text{m/°C}$.

Num local anómalo, como uma zona vulcânica nos Açores, o gradiente pode ser muito maior, e o grau, muito menor.

Pratica★☆☆Por começar
O grau geotérmico é a profundidade a que é necessário descer para a temperatura aumentar $1\ \text{°C}$. Num furo de sondagem realizado em Portugal continental, geólogos…

O grau geotérmico é a profundidade a que é necessário descer para a temperatura aumentar $1\ \text{°C}$. Num furo de sondagem realizado em Portugal continental, geólogos do LNEG verificaram que era preciso descer cerca de $33\ \text{m}$ para a temperatura subir $1\ \text{°C}$; à superfície, a temperatura média era de $15\ \text{°C}$.

  1. a) Determina a profundidade a que se espera encontrar uma temperatura de $25\ \text{°C}$.
  2. b) Determina a profundidade a que se espera encontrar uma temperatura de $45\ \text{°C}$.
  3. c) O gradiente geotérmico médio é de cerca de $3\ \text{°C}$ por cada $100\ \text{m}$. Relaciona o grau geotérmico com o gradiente geotérmico e verifica se os dois valores são coerentes.
Resolver

Calcular temperaturas e profundidades

Com o gradiente (ou o grau) e a temperatura à superfície, podes prever a temperatura a qualquer profundidade (dentro dos limites de validade, que vês já a seguir).

Também podes ler o gradiente num gráfico: escolhe dois pontos da reta e calcula $\dfrac{\Delta T}{\Delta \text{profundidade}}$. Por exemplo, se a temperatura vai de $15\ \text{°C}$ a $35\ \text{°C}$ entre $0$ e $500\ \text{m}$, o gradiente é $\dfrac{20}{5} = 4\ \text{°C}/100\ \text{m}$. Com a profundidade no eixo vertical (para baixo) e a temperatura no horizontal, quanto mais deitada (mais próxima da horizontal) é a reta, menor é o gradiente, pois a temperatura varia pouco com a profundidade; quanto mais inclinada para o lado da temperatura, maior é o gradiente.

Pratica★★☆Por começar
Geólogos mediram a temperatura em duas sondagens, A e B, situadas em regiões diferentes de Portugal, e representaram os resultados no gráfico da figura. a) Determina o…

Geólogos mediram a temperatura em duas sondagens, A e B, situadas em regiões diferentes de Portugal, e representaram os resultados no gráfico da figura.

profundidade (m) T (°C) 0 200 400 600 800 1000 0 20 40 60 80 A 44 °C B 74 °C 14 °C gradiente = ? gradiente = ?
  1. a) Determina o gradiente geotérmico de cada sondagem, apresentando os cálculos que efetuares.
  2. b) Uma das sondagens foi realizada numa zona de anomalia térmica, como a que existe na região das Furnas, na ilha de São Miguel, Açores. Indica qual das sondagens e justifica a tua escolha.
  3. c) Na sondagem B, estima a temperatura a $800\ \text{m}$ de profundidade, admitindo que o gradiente se mantém.
Resolver

Limites do gradiente geotérmico

Será que podemos usar $3\ \text{°C}/100\ \text{m}$ até ao centro da Terra? Se o fizéssemos, a $6\,370\ \text{km}$ obteríamos mais de $190\,000\ \text{°C}$, valor absurdo. Este erro mostra que o gradiente não é constante.

  • Só vale para a parte superior da crosta. Em profundidade, o aumento da temperatura abranda muito.

  • Varia de região para região. É maior em zonas de vulcanismo ativo, rifts e dorsais, e menor em zonas geologicamente muito antigas e estáveis.

  • Varia com o tipo de rocha, pois nem todas conduzem o calor da mesma maneira.

  • Pode variar numa mesma sondagem: por exemplo, $3\ \text{°C}/100\ \text{m}$ nos primeiros $1\,000\ \text{m}$ e menos abaixo disso. Nesse caso, calcula por troços.

Pratica★★★Por começar
Numa sondagem científica muito profunda, verificou-se que o gradiente geotérmico não é constante: nos primeiros $1\,000\ \text{m}$ é, em média, de $3\ \text{°C}$ por…

Numa sondagem científica muito profunda, verificou-se que o gradiente geotérmico não é constante: nos primeiros $1\,000\ \text{m}$ é, em média, de $3\ \text{°C}$ por cada $100\ \text{m}$ e, entre os $1\,000\ \text{m}$ e os $5\,000\ \text{m}$, passa a ser de $2\ \text{°C}$ por cada $100\ \text{m}$. A temperatura à superfície é de $15\ \text{°C}$.

  1. a) Calcula a temperatura a $1\,000\ \text{m}$ de profundidade.
  2. b) Calcula a temperatura a $5\,000\ \text{m}$ de profundidade.
  3. c) A que profundidade se espera medir uma temperatura de $95\ \text{°C}$? Apresenta todos os cálculos.
  4. d) Explica por que razão o gradiente geotérmico tende a diminuir em grandes profundidades, relacionando a resposta com os processos de transferência de calor no interior da Terra.
Resolver

De volta ao início: na mina alentejana, com $15\ \text{°C}$ à superfície e $3\ \text{°C}/100\ \text{m}$, o ar a $1\,000\ \text{m}$ está a cerca de $45\ \text{°C}$, e por isso os mineiros sentem tanto calor.

Em resumo

  • A temperatura aumenta com a profundidade: é o que mostram minas e sondagens.

  • Gradiente geotérmico: aumento de temperatura por unidade de profundidade (média de cerca de $3\ \text{°C}/100\ \text{m}$).

  • Grau geotérmico: metros a descer para a temperatura subir $1\ \text{°C}$ (cerca de $33\ \text{m/°C}$). São inversamente proporcionais.

  • $T = T_{\text{superfície}} + \text{gradiente} \times \text{profundidade}$; num gráfico, o gradiente é o declive da reta.

  • O gradiente não é constante: só vale na parte superior da crosta, é maior em zonas vulcânicas e pode mudar com a profundidade (calcula por troços).

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