Circulação simples e circulação dupla
Um golfinho-roaz do estuário do Sado nada a mais de 30 km/h e vem à superfície respirar. Uma sardinha também nada depressa, mas o seu coração é muito mais simples. Será que o sangue percorre o mesmo caminho nos dois animais? Vais ver que não, e que a diferença explica muita coisa sobre o modo de vida de cada um.
Circulação simples
Nos peixes, o coração tem duas cavidades: uma aurícula (recebe o sangue) e um ventrículo (bombeia o sangue). O sangue passa uma só vez pelo coração em cada ciclo completo pelo corpo. Por isso se chama circulação simples.
O percurso de um glóbulo vermelho (eritrócito) numa sardinha é este:
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Sai do ventrículo e vai para as brânquias, onde se dá a hematose (o sangue recebe O₂ e liberta CO₂).
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Das brânquias segue para os órgãos do corpo, onde cede O₂ e recebe CO₂.
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Regressa à aurícula e, daí, ao ventrículo.
Há uma consequência importante. Ao atravessar os capilares das brânquias, o sangue perde muita pressão. Chega ao resto do corpo com pressão baixa e velocidade reduzida, o que limita o fornecimento de O₂ aos tecidos.
Acompanha o percurso de um glóbulo vermelho (eritrócito) em dois animais: uma sardinha e um golfinho-roaz do estuário do Sado. a) Descreve o percurso completo do glóbulo…
Acompanha o percurso de um glóbulo vermelho (eritrócito) em dois animais: uma sardinha e um golfinho-roaz do estuário do Sado.
- a) Descreve o percurso completo do glóbulo vermelho na sardinha, desde que sai do coração até lá regressar, indicando as estruturas por que passa. Quantas vezes passa o glóbulo vermelho pelo coração em cada ciclo completo pelo corpo?
- b) No golfinho, o glóbulo vermelho passa duas vezes pelo coração em cada ciclo completo pelo corpo. Descreve os dois percursos e explica a designação «circulação dupla».
- c) Indica uma vantagem da circulação dupla para animais muito ativos, como o golfinho, relacionando-a com a pressão do sangue que chega aos tecidos.
Circulação dupla
Nos anfíbios, répteis, aves e mamíferos há dois circuitos, e o sangue passa duas vezes pelo coração em cada ciclo completo:
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Circulação pulmonar (pequena circulação): coração → pulmões → coração. Aqui dá-se a hematose.
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Circulação sistémica (grande circulação): coração → restantes órgãos do corpo → coração.
Depois dos pulmões, o sangue regressa ao coração, que lhe dá novo impulso antes de seguir para o corpo. Assim, o sangue chega aos órgãos com pressão elevada, o que torna a distribuição de O₂ mais rápida e eficaz.
A figura apresenta os esquemas da circulação de dois animais distintos. a) Indica, justificando com base nas estruturas representadas, qual dos esquemas corresponde a um…
A figura apresenta os esquemas da circulação de dois animais distintos.
- a) Indica, justificando com base nas estruturas representadas, qual dos esquemas corresponde a um peixe e qual corresponde a um mamífero.
- b) Indica o número de cavidades do coração em cada esquema (o «?» da figura), especificando aurículas e ventrículos.
- c) No esquema B, identifica a circulação pulmonar e a circulação sistémica, indicando os órgãos envolvidos em cada percurso.
- d) Explica por que razão, no esquema A, o sangue chega ao corpo com menor pressão do que no esquema B.
Incompleta ou completa?
O que distingue os dois tipos de circulação dupla é a separação do sangue no coração.
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Circulação dupla incompleta (anfíbios e répteis): o coração tem duas aurículas e um ventrículo (nos répteis, o ventrículo tem um septo incompleto). No ventrículo, o sangue oxigenado (vindo dos pulmões) e o desoxigenado (vindo do corpo) misturam-se parcialmente.
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Circulação dupla completa (aves e mamíferos): o coração tem duas aurículas e dois ventrículos, totalmente separados. O sangue oxigenado e o desoxigenado nunca se misturam.
| Grupo | Aurículas | Ventrículos | Circulação |
|---|---|---|---|
| Peixes | 1 | 1 | simples |
| Anfíbios | 2 | 1 | dupla incompleta |
| Répteis | 2 | 1 (septo incompleto) | dupla incompleta |
| Aves | 2 | 2 | dupla completa |
| Mamíferos | 2 | 2 | dupla completa |
Na circulação incompleta, a mistura parcial faz com que o sangue enviado ao corpo tenha menos O₂ do que na completa. Mas os anfíbios compensam: a sua pele fina e muito vascularizada faz trocas gasosas (respiração cutânea), sobretudo dentro de água, e o seu metabolismo é baixo.
Nas aves e nos mamíferos, que são endotérmicos e muito ativos, os tecidos consomem muito O₂ para produzir energia e calor. A circulação dupla completa fornece-lhes sangue totalmente oxigenado e a alta pressão, o que sustenta esse metabolismo elevado.
A tabela apresenta dados sobre o coração e o tipo de circulação de cinco animais, mas ficaram células por preencher. | Animal | Aurículas | Ventrículos | Tipo de…
A tabela apresenta dados sobre o coração e o tipo de circulação de cinco animais, mas ficaram células por preencher.
| Animal | Aurículas | Ventrículos | Tipo de circulação |
|---|---|---|---|
| Sardinha (peixe) | 1 | 1 | ............ |
| Salamandra (anfíbio) | 2 | 1 | ............ |
| Lagarto (réptil) | 2 | 1 (com septo incompleto) | ............ |
| Pardal (ave) | ............ | ............ | dupla e completa |
| Golfinho (mamífero) | ............ | ............ | dupla e completa |
- a) Completa a tabela no teu caderno.
- b) Explica o que significa dizer que a circulação da salamandra é dupla mas incompleta, referindo o que acontece ao sangue no ventrículo.
- c) Justifica a vantagem da separação total dos dois circuitos nas aves e nos mamíferos, animais de temperatura corporal constante e elevada atividade.
A rã é um anfíbio com coração de três cavidades: duas aurículas e um único ventrículo, onde o sangue proveniente dos pulmões se mistura parcialmente com o sangue…
A rã é um anfíbio com coração de três cavidades: duas aurículas e um único ventrículo, onde o sangue proveniente dos pulmões se mistura parcialmente com o sangue proveniente do corpo.
- a) Classifica o tipo de circulação da rã (simples ou dupla; completa ou incompleta). Justifica.
- b) Explica a consequência da mistura parcial do sangue no ventrículo para a quantidade de oxigénio que chega aos tecidos.
- c) Além dos pulmões, a rã realiza trocas gasosas através da pele, fina e muito vascularizada, sobretudo quando está dentro de água. Relaciona esta respiração cutânea com as necessidades que a circulação incompleta não supre totalmente.
De volta ao início: o golfinho tem circulação dupla completa, com sangue totalmente oxigenado e a alta pressão, ideal para nadar depressa; a sardinha tem circulação simples, com sangue a baixa pressão depois das brânquias.
Em resumo
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Circulação simples (peixes): coração com 1 aurícula e 1 ventrículo; o sangue passa uma vez pelo coração por ciclo e chega ao corpo com pressão baixa.
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Circulação dupla: circulação pulmonar + sistémica; o sangue passa duas vezes pelo coração.
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Dupla incompleta (anfíbios, répteis): 2 aurículas e 1 ventrículo; há mistura parcial de sangue.
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Dupla completa (aves, mamíferos): 2 aurículas e 2 ventrículos; sem mistura de sangue.
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A circulação dupla completa apoia o metabolismo elevado dos animais endotérmicos e ativos.