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Nutrição digestiva comparada · Tipos de digestão e absorção

Absorção de nutrientes

Depois de um almoço de bacalhau com batatas, o alimento já foi triturado e digerido, mas ainda está dentro do tubo digestivo, isto é, tecnicamente ainda «fora» do corpo. Como é que os nutrientes passam para o sangue? E porque é que um tubo de apenas 6 m consegue absorver tanto? Vamos descobri-lo.

Da digestão à absorção

A digestão parte as moléculas grandes (amido, proteínas, lípidos) em moléculas pequenas (glicose, aminoácidos, ácidos gordos e glicerol). A absorção é a passagem dessas moléculas pequenas, através das células da parede do intestino, para o sangue ou para a linfa.

Só depois da absorção é que os nutrientes chegam às células do corpo. Repara na diferença entre os três processos:

Processo O que acontece
Ingestão O alimento entra no tubo digestivo
Digestão As moléculas grandes são quebradas em moléculas pequenas
Absorção As moléculas pequenas atravessam as células da parede e passam para o meio interno

A absorção faz-se sobretudo no intestino delgado. Os nutrientes atravessam a membrana das células intestinais por processos de transporte transmembranar: difusão simples, difusão facilitada e transporte ativo (por exemplo, a glicose pode ser absorvida por transporte ativo contra o gradiente de concentração).

Uma enorme superfície de absorção

Quanto maior for a superfície em contacto com os nutrientes, mais depressa estes são absorvidos. O intestino delgado resolve o problema com três níveis de dobragem da parede:

  1. Pregas da mucosa: dobras visíveis a olho nu, que aumentam a superfície interna.

  2. Vilosidades intestinais: pequenas saliências (cerca de 1 mm) que cobrem as pregas e dão ao interior do intestino um aspeto aveludado.

  3. Microvilosidades: prolongamentos da membrana das células de cada vilosidade (a chamada «bordadura em escova»), visíveis apenas ao microscópio eletrónico.

Corte de uma vilosidade intestinal com epitélio de microvilosidades, capilares sanguíneos e vaso quilífero Microvilosidades Epitélio (uma camada de células) Capilares sanguíneos Vaso quilífero (vaso linfático) Lúmen do intestino: nutrientes

O epitélio tem apenas uma camada de células, o que encurta o caminho que os nutrientes percorrem. Por isso, a absorção é rápida e eficaz.

Pratica★★☆Por começar
A figura representa um corte da parede do intestino delgado humano, onde se observam numerosas saliências em contacto com o alimento em digestão. a) Nomeia as saliências…

A figura representa um corte da parede do intestino delgado humano, onde se observam numerosas saliências em contacto com o alimento em digestão.

nutrientes luz do intestino vilosidade vaso quilífero capilar sanguíneo parede do intestino
  1. a) Nomeia as saliências representadas na figura e indica a sua localização no sistema digestivo.
  2. b) Explica como estas estruturas, em conjunto com as microvilosidades das suas células, alteram a superfície de absorção do intestino.
  3. c) Relaciona a presença, no interior de cada saliência, de capilares sanguíneos e de um vaso quilífero com a função de absorção dos nutrientes.
Resolver

Dentro de uma vilosidade

Cada vilosidade tem no interior uma rede de capilares sanguíneos e um vaso quilífero (um capilar linfático de fundo cego).

  • Os glícidos simples (glicose) e os aminoácidos passam para os capilares sanguíneos. O sangue leva-os pela veia porta até ao fígado.

  • Os ácidos gordos e o glicerol voltam a formar-se em lípidos nas células intestinais e entram sobretudo no vaso quilífero. A linfa leva-os depois até ao sangue.

Os capilares têm paredes muito finas e o sangue circula sempre, o que mantém baixa a concentração de nutrientes junto ao epitélio. Assim, mantém-se o gradiente de concentração que favorece a difusão. O vaso quilífero transporta os lípidos, que são pouco solúveis no sangue.

Quanto vale a superfície?

Vamos perceber a vantagem das dobras com números. Se o intestino fosse um tubo liso, a sua área lateral seria a de um cilindro:

$$A = \pi \cdot d \cdot L$$

em que $d$ é o diâmetro e $L$ o comprimento (as duas na mesma unidade).

Para o intestino delgado humano, o mesmo raciocínio mostra que as pregas, as vilosidades e as microvilosidades multiplicam a área do tubo liso por um valor muito grande. Para comparares, divide a área real (cerca de $300\ \text{m}^2$, valor aproximado) pela área do tubo liso, calculada com a fórmula.

Pratica★★☆Por começar
Para compreender a importância das vilosidades, admite que o intestino delgado humano era um tubo cilíndrico liso, com $6\ \text{m}$ de comprimento e $4\ \text{cm}$ de…

Para compreender a importância das vilosidades, admite que o intestino delgado humano era um tubo cilíndrico liso, com $6\ \text{m}$ de comprimento e $4\ \text{cm}$ de diâmetro. A área lateral de um cilindro é dada por $A = \pi \cdot d \cdot L$, em que $d$ é o diâmetro e $L$ o comprimento.

  1. a) Calcula, em $\text{m}^2$, a área de absorção que o intestino teria se fosse um tubo liso. Apresenta o resultado arredondado às centésimas.
  2. b) Na realidade, graças às pregas, às vilosidades e às microvilosidades, a superfície de absorção do intestino delgado humano atinge cerca de $300\ \text{m}^2$, comparável à de um campo de ténis. Determina quantas vezes a superfície real é maior do que a área calculada na alínea anterior.
  3. c) Explica, com base nos resultados anteriores, por que razão a absorção de nutrientes no intestino delgado é tão eficiente.
Resolver

De volta ao início: o tubo de 6 m consegue absorver tanto porque a sua superfície interna é multiplicada por pregas, vilosidades e microvilosidades, e cada vilosidade tem capilares e um vaso quilífero que recolhem os nutrientes.

Em resumo

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