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12.º ano A · Matemática
Acaso e probabilidade · Probabilidade

Interpretações da probabilidade

«Amanhã, $70\ \%$ de probabilidade de chuva», diz a aplicação do IPMA. «Tenho $90\ \%$ de hipóteses de passar a Física», diz o teu colega. «A moeda sai face nacional com probabilidade $\frac{1}{2}$», diz o professor. São três frases com um número de probabilidade, mas por trás de cada uma está uma maneira diferente de chegar a esse número: contar casos, medir frequências ou estimar com critério. Saber distinguir estas maneiras, e perceber quando uma delas não se pode aplicar, ajuda-te a resolver os problemas e a não cair em raciocínios enganadores.

A probabilidade clássica ou de Laplace

Dado equilibrado de seis faces com os três números pares destacados, para mostrar que a probabilidade de sair par é um meio. dado equilibrado de 6 faces: cada face é 1 de 6 resultados igualmente prováveis 1 2 3 4 5 6 P(par) = 3/6 = 0,5 pares: 2, 4 e 6 (3 em 6)

A probabilidade frequencista

E se os resultados não forem equiprováveis, ou se não soubermos se o são? Por exemplo, um percevejo lançado ao ar pode cair com a ponta para cima ou para baixo, mas não há simetria que nos diga quanto vale cada caso. Resta experimentar: repetir muitas vezes e observar com que frequência acontece o que nos interessa.

Esta estabilização da frequência relativa é o que se costuma chamar lei dos grandes números. Não precisas do enunciado formal: basta reteres a ideia de que, com muitas repetições, a frequência relativa deixa de oscilar tanto e aproxima-se de um valor fixo.

Pratica★☆☆Por começar
Lança-se um pioneze $400$ vezes e ele cai com a ponta para cima em $260$ ocasiões. a) Estime a probabilidade de o pioneze cair com a ponta para cima. b) Explique por que…

Lança-se um pioneze $400$ vezes e ele cai com a ponta para cima em $260$ ocasiões.

  1. a) Estime a probabilidade de o pioneze cair com a ponta para cima.
  2. b) Explique por que razão, nesta experiência, não se pode aplicar a regra de Laplace.
  3. c) Que interpretação da probabilidade foi usada na alínea a)?
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Pratica★★☆Por começar
Foi simulado no computador o lançamento repetido de uma moeda e registou-se a frequência relativa de CARA após $10$, $100$, $1\,000$ e $10\,000$ lançamentos, como se…

Foi simulado no computador o lançamento repetido de uma moeda e registou-se a frequência relativa de CARA após $10$, $100$, $1\,000$ e $10\,000$ lançamentos, como se mostra no gráfico.

0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 10 100 1000 10000 frequência relativa de CARA N.º de lançamentos (escala log.) 0,5 0,70 0,40 0,58 0,47 0,512 0,497
  1. a) Para que valor parece estabilizar a frequência relativa? Que probabilidade estimaria para CARA?
  2. b) Que lei justifica esse comportamento? Enuncie-a com as suas palavras.
  3. c) Explique por que razão a estimativa com $10$ lançamentos é pouco fiável, mesmo que a experiência seja correta.
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Pratica★★★Por começar
A câmara municipal de uma cidade quer estimar a proporção de habitantes que reciclam diariamente. Um inquérito a $2\,000$ pessoas escolhidas ao acaso resulta em $1\,340$…

A câmara municipal de uma cidade quer estimar a proporção de habitantes que reciclam diariamente. Um inquérito a $2\,000$ pessoas escolhidas ao acaso resulta em $1\,340$ que afirmam reciclar diariamente.

  1. a) Estime a probabilidade de um habitante escolhido ao acaso reciclar diariamente e indique qual a interpretação da probabilidade que está a utilizar.
  2. b) Outra escola repete o inquérito com apenas $50$ pessoas e obtém $31$ que reciclam ($0,62$). Qual das duas estimativas é mais fiável? Que resultado teórico a justifica?
  3. c) Redija uma conclusão correta sobre a proporção de habitantes que reciclam, mencionando o papel da dimensão da amostra.
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O acaso não tem memória

Um jogador lança um dado 20 vezes e nunca sai o $5$. «Agora é que vai sair!», pensa. Será?

Vinte lançamentos de um dado sem sair o cinco e, por baixo, a probabilidade do lançamento seguinte, que continua a ser um sexto. dado: 20 lançamentos sem sair o 5 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 no lançamento 21, continua a ser P(5) = 1/6 (não «lhe chega a vez» nem é menos provável que volte a falhar)

A estabilização da frequência relativa não contradiz isto. O que acontece é que, ao fim de milhares de lançamentos, as 20 falhas iniciais pesam cada vez menos no total e acabam diluídas. O acaso não «compensa» o passado; limita-se a acrescentar novos lançamentos que, em média, se comportam como sempre.

Pratica★☆☆Por começar
Indique se as seguintes afirmações são verdadeiras ou falsas, justificando a sua resposta: a) «Estou há $20$ lançamentos seguidos sem obter um $5$ com este dado…

Indique se as seguintes afirmações são verdadeiras ou falsas, justificando a sua resposta:

  1. a) «Estou há $20$ lançamentos seguidos sem obter um $5$ com este dado equilibrado. Segundo a lei dos grandes números, no próximo lançamento é muito provável que finalmente saia um $5$.»
  2. b) «Embora nos últimos $20$ lançamentos não tenha saído nenhum $5$, a probabilidade de sair no seguinte continua a ser $\frac{1}{6}$: o acaso não tem memória.»
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Pratica★☆☆Por começar
Durante uma oficina de probabilidades na aula de Matemática, o Sérgio lança uma moeda equilibrada 8 vezes consecutivas e obtém a seguinte sequência: C-C-C-C-C-C-C-C…

Durante uma oficina de probabilidades na aula de Matemática, o Sérgio lança uma moeda equilibrada 8 vezes consecutivas e obtém a seguinte sequência: C-C-C-C-C-C-C-C (oito caras seguidas). O Sérgio afirma entusiasmado:

«No nono lançamento, a probabilidade de sair coroa é muitíssimo maior do que $0,5$, porque a lei dos grandes números exige que a frequência de caras e coroas se equilibre a curto prazo, pelo que a moeda deve compensar a sequência».

  1. a) Identifica e dá o nome à falácia ou erro de raciocínio em que o Sérgio incorre.
  2. b) Explica formalmente por que razão a probabilidade de obter coroa no nono lançamento continua a ser exatamente $0,5$, apoiando-te na definição de acontecimentos independentes.
  3. c) Esclarece o que afirma realmente a lei dos grandes números: as sequências passadas «compensam-se» nos lançamentos seguintes ou «diluem-se» à medida que o número total de lançamentos aumenta? Justifica a tua resposta com um raciocínio claro.
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Pratica★★★Por começar
Após simular $10\,000$ lançamentos de uma moeda no computador, a frequência relativa de FACE NACIONAL resultou em $0,5003$. Dois alunos comentam o resultado: Aluno A: «A…

Após simular $10\,000$ lançamentos de uma moeda no computador, a frequência relativa de FACE NACIONAL resultou em $0,5003$. Dois alunos comentam o resultado:

  • Aluno A: «A moeda está viciada, porque se fosse equilibrada a frequência relativa seria exatamente $0,5$.»

  • Aluno B: «A probabilidade exata de FACE NACIONAL nesta moeda é $0,5003$.»

  1. a) Analise o erro de cada um dos dois raciocínios.
  2. b) Escreva uma conclusão correta sobre o que a experiência permite afirmar a respeito da moeda.
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A probabilidade subjetiva

Duas atribuições subjetivas de probabilidades a vitória, empate e derrota: uma coerente, com soma um, e outra incoerente, com soma um vírgula dois. «ganha 0,5 · empata 0,3 · perde 0,2» soma = 1 → é coerente «ganha 0,6 · empata 0,3 · perde 0,3» soma = 1,2 → NÃO é coerente sem casos para contar nem repetições possíveis: raciocina-se e verifica-se a soma
Pratica★★☆Por começar
A aplicação do tempo anuncia: «amanhã, $70\ \%$ de probabilidade de chuva». a) Explique o que significa essa afirmação: trata-se de uma probabilidade clássica (de…

A aplicação do tempo anuncia: «amanhã, $70\ \%$ de probabilidade de chuva».

  1. a) Explique o que significa essa afirmação: trata-se de uma probabilidade clássica (de Laplace), frequencista ou subjetiva? Em que dados se apoia?
  2. b) Três amigos atribuem probabilidades ao jogo de sábado. O primeiro diz: «a minha equipa ganha com probabilidade $0,5$, empata com $0,3$ e perde com $0,3$». O segundo diz: «ganha com $0,6$, empata com $0,3$ e perde com $0,1$». Ambas as atribuições são coerentes? Porquê?
  3. c) Uma probabilidade subjetiva pode ser «incorreta» mesmo sendo coerente? Comente brevemente.
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A probabilidade geométrica

Quando o resultado de uma experiência é um ponto, um instante ou uma posição numa região contínua, e todas as posições são igualmente prováveis, não há «casos» para contar. Na regra de Laplace passamos a comparar medidas: comprimentos, áreas ou volumes.

Esquema da probabilidade geométrica: uma região favorável A dentro da região total de resultados possíveis. A P(A) = área de A / área total (em vez de contar pontos um a um)
Pratica★★☆Por começar
Numa barraca de feira joga-se ao «disco da sorte»: deixa-se cair um disco de $2\ \text{cm}$ de diâmetro sobre uma grelha de quadrados de $5\ \text{cm}$ de lado, como se…

Numa barraca de feira joga-se ao «disco da sorte»: deixa-se cair um disco de $2\ \text{cm}$ de diâmetro sobre uma grelha de quadrados de $5\ \text{cm}$ de lado, como se mostra na figura, e ganha-se se o disco cair sem tocar em nenhuma linha.

5 cm ⌀ 2 cm sem tocar na linha Disco no interior da célula a tocar na linha Disco sobreposto sobre linha
  1. a) Calcule a probabilidade teórica de ganhar. (Sugestão: a posição do disco fica determinada pelo seu centro; raciocine em qual região de cada quadrado deve cair o centro.)
  2. b) Um jogador lança o disco $300$ vezes e ganha $114$. Calcule a frequência relativa de ganhar e compare-a com a probabilidade teórica.
  3. c) O resultado experimental contradiz a probabilidade teórica? Justifique a sua resposta.
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Pratica★★☆Por começar
Lança-se um dardo num alvo circular formado por três círculos concêntricos de raios $r$, $2r$ e $3r$. Supondo que o dardo atinge sempre o alvo e que a probabilidade de…

Lança-se um dardo num alvo circular formado por três círculos concêntricos de raios $r$, $2r$ e $3r$. Supondo que o dardo atinge sempre o alvo e que a probabilidade de atingir uma região é diretamente proporcional à sua área, calcule a probabilidade de o dardo atingir a coroa circular intermédia (a região compreendida entre o círculo de raio $r$ e o de raio $2r$).

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Pratica★★☆Por começar
Nas festas populares de um concelho desenha-se uma banca de feira com um alvo quadrado de $60\text{ cm} \times 60\text{ cm}$. No interior do alvo será pintada uma faixa…

Nas festas populares de um concelho desenha-se uma banca de feira com um alvo quadrado de $60\text{ cm} \times 60\text{ cm}$. No interior do alvo será pintada uma faixa circular (um anel concêntrico com o centro do quadrado) compreendida entre dois raios $r_1$ e $r_2$, com $0 < r_1 < r_2 \le 30\text{ cm}$. Assume-se que o impacto de cada dardo é completamente aleatório e modela-se através de uma distribuição uniforme em toda a superfície do quadrado.

  1. a) Se o raio interior estiver prefixado em $r_1 = 10\text{ cm}$, determina de forma inversa o valor exato do raio exterior $r_2$ para que a probabilidade geométrica de um dardo cair na faixa com prémio seja exatamente igual a $0,20$.
  2. b) Imagina que a organização decide mudar o desenho e pintar unicamente um círculo central maciço de raio $R$. Se o organizador afirmar: «Para triplicar a probabilidade de acertar no círculo, basta triplicar o seu raio $R$», fundamenta algebricamente se a sua afirmação é verdadeira ou falsa e calcula por que fator exato se teria de multiplicar o raio $R$ para triplicar a probabilidade.
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Instantes de chegada: o quadrado dos tempos

Quando duas pessoas chegam a um local em instantes aleatórios, representa-se o instante de chegada de uma no eixo $x$ e o da outra no eixo $y$. Todos os pares possíveis formam um quadrado, e a condição do problema desenha a região favorável.

Quadrado de lado 60 minutos com a faixa em torno da diagonal onde a diferença entre os instantes de chegada é no máximo 10 minutos. instante de chegada do João (min) faixa azul: |x − y| ≤ 10 0 60
Pratica★★☆Por começar
Numa avenida de Lisboa, um semáforo de peões funciona com um ciclo periódico de 100 segundos repartidos em três fases contínuas: 60 segundos em vermelho, 5 segundos em…

Numa avenida de Lisboa, um semáforo de peões funciona com um ciclo periódico de 100 segundos repartidos em três fases contínuas: 60 segundos em vermelho, 5 segundos em amarelo intermitente (aviso de fim de passagem) e 35 segundos em verde. Um peão chega ao semáforo num instante $t$ completamente aleatório e uniforme dentro do ciclo.

  1. a) Antes de calcular, faz uma estimativa fundamentada: achas que a probabilidade de o peão ter de esperar mais de 30 segundos antes de o semáforo ficar verde é maior, menor ou igual a $50\,\%$? Justifica qualitativamente a tua previsão com base na duração das fases.
  2. b) Modela matematicamente o problema através da probabilidade geométrica no intervalo $[0, 100]$ e calcula a probabilidade exata de o peão ter de esperar mais de 30 segundos até ao início da fase verde.
  3. c) Verifica se o resultado obtido confirma a tua estimativa inicial. Em seguida, refuta o seguinte comentário de um transeunte: «Como ao chegar ao semáforo só há dois estados possíveis para mim (esperar ou não esperar), a probabilidade de esperar é $1/2$ pela regra de Laplace».
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Pratica★★★Por começar
Dois camiões de entrega, $A$ e $B$, chegam a uma doca de carga de forma independente e aleatória entre as 12:00 e as 13:00 horas. O camião $A$ precisa de 15 minutos para…

Dois camiões de entrega, $A$ e $B$, chegam a uma doca de carga de forma independente e aleatória entre as 12:00 e as 13:00 horas. O camião $A$ precisa de 15 minutos para descarregar, enquanto o camião $B$ precisa de 10 minutos. Se um camião chega e a doca está ocupada, tem de esperar. Utilizando a probabilidade geométrica (representando o tempo de chegada de $A$ no eixo X e o de $B$ no eixo Y), calcule a probabilidade de nenhum dos dois camiões ter de esperar pelo outro.

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Pratica★★★Por começar
Duas investigadoras, Alba e Beatriz, combinaram encontrar-se no laboratório do Parque Tecnológico de Taveiro (Coimbra) entre as 10:00 e as 11:00 da manhã. Cada uma…

Duas investigadoras, Alba e Beatriz, combinaram encontrar-se no laboratório do Parque Tecnológico de Taveiro (Coimbra) entre as 10:00 e as 11:00 da manhã. Cada uma chegará de forma independente e ao acaso num instante dessa hora, com distribuição uniforme. A Alba esperará no máximo 10 minutos pela Beatriz, enquanto a Beatriz esperará pela Alba no máximo $k$ minutos (onde $0 < k \le 60$). Decorrido o seu respetivo tempo de espera, quem tiver chegado vai-se embora.

Um aluno tenta resolver o problema para o caso $k = 10\text{ minutos}$ e raciocina assim:

«Cada investigadora pode chegar em qualquer um dos 60 minutos da hora, logo há $60 \cdot 60 = 3600$ pares de minutos possíveis. Para que se encontrem, a diferença entre os seus minutos de chegada deve ser de, no máximo, 10 minutos (ou seja, $-10, -9, \dots, 0, \dots, 9, 10$), o que dá 21 diferenças possíveis. Pela regra de Laplace, a probabilidade de se encontrarem é $21/3600 \approx 0,0058$».

  1. a) Explica detalhadamente os dois erros concetuais cometidos pelo aluno: um sobre a natureza do espaço de resultados (discreto vs. contínuo) e outro sobre a não equiprobabilidade das diferenças de chegada.
  2. b) Modela o problema através da probabilidade geométrica na região $[0, 60] \times [0, 60]$ do plano cartesiano, onde $x$ e $y$ representam os minutos de chegada da Alba e da Beatriz, respetivamente. Apresenta as inequações que delimitam a região favorável e calcula a probabilidade exata de encontro quando $k = 10\text{ minutos}$.
  3. c) Problema inverso: se a direção do centro exigir que a probabilidade de ambas as investigadoras coincidirem seja exatamente de $7/16 = 0,4375$, calcula o valor exato de minutos $k$ que a Beatriz deve comprometer-se a esperar pela Alba.
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Que interpretação usar?

Perante um problema, pergunta-te por esta ordem:

  1. Há simetria que justifique resultados equiprováveis (dados, moedas, cartas, bolas numa urna)? Usa Laplace.

  2. Podes repetir a experiência muitas vezes, ou tens dados de repetições anteriores (um percevejo, uma sondagem)? Usa a frequência relativa como estimativa.

  3. Não há simetria nem repetições (a falência de uma empresa, o resultado de um jogo)? Recorres a uma probabilidade subjetiva, que tem de ser coerente.

Volta ao princípio: «Sai face nacional com $P=\frac{1}{2}$» é clássica (simetria da moeda); «$70\ \%$ de chuva» é subjetiva informada (dados do passado e modelos); e «$90\ \%$ de passar a Física» é uma crença tua, baseada no que estudaste.

Pratica★☆☆Por começar
A três alunos do 12.º ano são atribuídas três situações distintas para determinar a probabilidade de um acontecimento: Situação 1 (Irene): Calcular a probabilidade de,…

A três alunos do 12.º ano são atribuídas três situações distintas para determinar a probabilidade de um acontecimento:

  • Situação 1 (Irene): Calcular a probabilidade de, ao extrair duas cartas ao acaso de um baralho espanhol de 40 cartas, ambas serem de copas.

  • Situação 2 (David): Determinar a probabilidade de um pionés, ao ser lançado sobre uma mesa plana, ficar apoiado com a ponta para cima.

  • Situação 3 (Marina): Estimar a probabilidade de uma empresa automóvel portuguesa ir à falência durante o próximo ano fiscal.

  1. a) Para cada situação, escolhe fundamentadamente qual das três interpretações da probabilidade (clássica de Laplace, frequentista ou subjetiva) é a adequada.
  2. b) Explica por que razão na Situação 2 é um erro grave aplicar a regra de Laplace argumentando que «só há duas opções possíveis: ponta para cima ou ponta para baixo, logo a probabilidade é $1/2$». Que procedimento empírico deveria o David seguir para obter uma estimativa fiável?
  3. c) Na Situação 3, dois analistas financeiros atribuem probabilidades distintas ($0,05$ e $0,12$). Isso significa necessariamente que um dos dois cometeu um erro de cálculo? Que condição matemática indesculpável deve cumprir a atribuição de cada analista para ser coerente?
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Pratica★★★Por começar
Três pessoas falam sobre a probabilidade de o autocarro das 8:00 chegar atrasado: Pessoa 1: «Dos últimos $200$ dias letivos chegou atrasado $24$, portanto a…

Três pessoas falam sobre a probabilidade de o autocarro das 8:00 chegar atrasado:

  • Pessoa 1: «Dos últimos $200$ dias letivos chegou atrasado $24$, portanto a probabilidade é $0,12$.»

  • Pessoa 2: «O autocarro chega pontual ou atrasado: dois casos possíveis, logo a probabilidade de chegar atrasado é $\frac{1}{2}$.»

  • Pessoa 3: «Eu diria que há $40\ \%$ de probabilidade de chegar atrasado; é o que me parece pela minha experiência.»

  1. a) Identifique a qual interpretação da probabilidade (frequencista, clássica ou de Laplace, e subjetiva) corresponde cada afirmação.
  2. b) O raciocínio de uma das pessoas está incorreto. De qual se trata e porquê?
  3. c) Que dados recolheria para melhorar cada uma das três estimativas?
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Pratica★★★Por começar
Uma cooperativa agrícola de Múrcia analisa o risco primaveril de sofrer danos provocados por dois fenómenos meteorológicos incompatíveis num mesmo dia: uma geada tardia…

Uma cooperativa agrícola de Múrcia analisa o risco primaveril de sofrer danos provocados por dois fenómenos meteorológicos incompatíveis num mesmo dia: uma geada tardia ($H$) ou uma onda de calor prematura ($C$). Dispõe-se de uma série histórica do IPMA com os registos dos últimos 200 dias de primavera equivalentes, onde houve 16 dias com geada e 24 dias com onda de calor.

Três entidades apresentam relatórios com propostas distintas:

  • Relatório 1: Atribui $P(H) = 16/200 = 0,08$ e $P(C) = 24/200 = 0,12$, justificando que estas frequências refletem fielmente a lei dos grandes números.

  • Relatório 2: Argumenta que, como não houve nenhuma geada nas três últimas primaveras, a probabilidade de geada para a próxima primavera deve subir pelo menos para $0,25$, pois «a natureza tende a compensar as anomalias a curto prazo para manter a média histórica».

  • Relatório 3: Ajusta as probabilidades segundo projeções climáticas dinâmicas e propõe um grau de crença fundamentado: $P(H) = 0,05$, $P(C) = 0,35$ e probabilidade de o clima ser ameno (sem geada nem onda de calor) igual a $0,60$.

  1. a) Classifica a interpretação da probabilidade utilizada em cada um dos três relatórios (Laplace, frequentista, subjetiva ou falaciosa).
  2. b) Refuta com argumentos matemáticos a afirmação do Relatório 2: explica a diferença fundamental entre «compensação» (falácia do jogador) e «diluição» (lei dos grandes números) quando o número de anos observados tende para infinito.
  3. c) Verifica se a atribuição do Relatório 3 é coerente com os axiomas de Kolmogorov da probabilidade. Em caso afirmativo, calcula a partir dela a probabilidade de se registar algum acontecimento climático extremo ($H \cup C$) e justifica se é legítimo utilizar probabilidades subjetivas na tomada de decisões quando as condições históricas deixam de ser estacionárias.
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Em resumo

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