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Migrantes e refugiados

Em 2022, poucas semanas depois do início da guerra na Ucrânia, uma família chegou a Setúbal com duas malas e sem data para regressar. Na mesma semana, um jovem engenheiro partiu de Braga para trabalhar na Alemanha. Ambos mudaram de país, mas serão a mesma coisa? Para a lei, para a economia e para quem parte, a resposta é não. Neste apontamento aprendes a distingui-los e a medir o seu efeito na população.

Emigrantes, imigrantes e migrantes

Uma migração é uma deslocação de pessoas que mudam de local de residência habitual. Pode ser interna (dentro do mesmo país, por exemplo do interior para o litoral) ou externa (entre países).

A palavra muda consoante o ponto de vista:

Portugal tem as duas realidades. Historicamente foi país de emigração (França, Brasil, Suíça, Luxemburgo) e, nas últimas décadas, tornou-se também país de imigração (Brasil, Reino Unido, Índia, Cabo Verde, Angola, entre outros).

Esquema: o mesmo movimento é emigração no país de origem e imigração no país de destino. País de origem saída = emigração País de destino entrada = imigração migrante

Migrante económico e refugiado

Nem todos os que partem o fazem pelo mesmo motivo.

O migrante económico parte, em regra, por escolha: procura melhores salários, emprego ou condições de vida. Mantém a proteção do seu país de origem e pode, em princípio, regressar.

O refugiado foge de perseguição ou de violência (guerra, perseguição por razões de raça, religião, nacionalidade, opinião política ou pertença a um grupo social) e não pode regressar em segurança. Parte por necessidade, não por opção.

Migrante económico Refugiado
Motivo da partida Melhorar o rendimento e o nível de vida Fugir de guerra ou perseguição
Liberdade de escolha Maior Praticamente nenhuma
Proteção legal Regras de entrada e de residência de cada país Direito internacional: não pode ser devolvido ao local onde corre perigo

O direito de asilo é o direito de uma pessoa perseguida obter proteção noutro Estado. A Convenção de Genebra de 1951 define o estatuto de refugiado e consagra o princípio de não repulsão (non-refoulement): ninguém pode ser enviado de volta para onde a sua vida ou liberdade estejam em risco.

Pratica★☆☆Por começar
a) Distingue emigrante de imigrante e dá um exemplo de cada situação no caso português. b) Explica o que distingue um refugiado de um migrante económico, referindo o…
  1. a) Distingue emigrante de imigrante e dá um exemplo de cada situação no caso português.
  2. b) Explica o que distingue um refugiado de um migrante económico, referindo o motivo da partida e a proteção legal de cada um.
  3. c) Explica o que é o direito de asilo e indica que convenção internacional, assinada em 1951, define o estatuto de refugiado.
Resolver

Medir o efeito das migrações na população

A população de um país varia por dois motivos: nascimentos e mortes, por um lado, entradas e saídas, por outro.

Porquê somar? Porque a população só pode mudar por estas duas vias: quem nasce ou morre (componente natural) e quem entra ou sai (componente migratória). Os saldos podem ser negativos.

Gráfico de barras: saldo natural negativo, saldo migratório positivo e crescimento efetivo positivo, em milhares de pessoas, em 2023. Saldo natural Saldo migratório Cresc. efetivo +156 mil +123 mil −33 mil
Pratica★★☆Por começar
Em 2023, Portugal tinha cerca de 10,5 milhões de residentes. Nesse ano, o saldo natural foi negativo em cerca de 33 mil pessoas e o saldo migratório foi positivo em…

Em 2023, Portugal tinha cerca de 10,5 milhões de residentes. Nesse ano, o saldo natural foi negativo em cerca de 33 mil pessoas e o saldo migratório foi positivo em cerca de 156 mil pessoas (INE, valores aproximados).

  1. a) Calcula o crescimento efetivo da população portuguesa em 2023.
  2. b) Explica a diferença entre saldo natural e saldo migratório.
  3. c) Relaciona a chegada de imigrantes, na maioria em idade ativa, com a sustentabilidade da Segurança Social, referindo os descontos da TSU (11 % a cargo do trabalhador e 23,75 % a cargo da entidade empregadora).
  4. d) Indica um desafio da integração dos imigrantes em Portugal e uma medida que uma entidade como a AIMA (Agência para a Integração, Migrações e Asilo) pode promover para o enfrentar.
Resolver

Consequências económicas da imigração

A imigração afeta a economia por várias vias.

Mercado de trabalho. Muitos imigrantes têm idade ativa e ocupam setores com falta de mão de obra (agricultura, construção, turismo, cuidados). Aumentam a população ativa e o produto.

Envelhecimento. Com poucos nascimentos, a população portuguesa envelhece. Os imigrantes, em média mais jovens, atenuam esse efeito e melhoram o rácio entre ativos e reformados.

Segurança Social. Quem trabalha com contrato desconta para a TSU (Taxa Social Única): 11 % do salário a cargo do trabalhador e 23,75 % a cargo da entidade empregadora, ou seja, 34,75 % no total. Mais trabalhadores a descontar significa mais receitas para pagar pensões e outras prestações.

Desafios da integração. A economia ganha se os imigrantes forem bem integrados. Os obstáculos mais comuns são a barreira linguística, o reconhecimento de qualificações, o acesso a habitação, o risco de trabalho precário ou não declarado e a discriminação. Se isto não for resolvido, as qualificações ficam desaproveitadas e aumenta o risco de exclusão social.

Pratica★★☆Por começar
Em 2023, Portugal tinha cerca de 10,5 milhões de residentes. Nesse ano, o saldo natural foi negativo em cerca de 33 mil pessoas e o saldo migratório foi positivo em…

Em 2023, Portugal tinha cerca de 10,5 milhões de residentes. Nesse ano, o saldo natural foi negativo em cerca de 33 mil pessoas e o saldo migratório foi positivo em cerca de 156 mil pessoas (INE, valores aproximados).

  1. a) Calcula o crescimento efetivo da população portuguesa em 2023.
  2. b) Explica a diferença entre saldo natural e saldo migratório.
  3. c) Relaciona a chegada de imigrantes, na maioria em idade ativa, com a sustentabilidade da Segurança Social, referindo os descontos da TSU (11 % a cargo do trabalhador e 23,75 % a cargo da entidade empregadora).
  4. d) Indica um desafio da integração dos imigrantes em Portugal e uma medida que uma entidade como a AIMA (Agência para a Integração, Migrações e Asilo) pode promover para o enfrentar.
Resolver

Refugiados e proteção temporária

Quando começou a guerra na Ucrânia, em 2022, a União Europeia ativou a proteção temporária: um regime de emergência que dá residência, acesso ao trabalho, à saúde e à educação a quem foge de um conflito, sem passar por um longo processo individual de asilo. Portugal acolheu dezenas de milhares de pessoas ao abrigo deste regime.

Porque é que os refugiados têm direito a proteção diferente da dos migrantes económicos? Porque a sua vida ou liberdade está em risco, e o direito internacional (Convenção de Genebra de 1951 e o princípio da não repulsão) obriga os Estados a não os devolver ao perigo.

Há três situações que convém não confundir:

  • Refugiado: pessoa cujo pedido foi reconhecido e que tem o estatuto de proteção internacional.

  • Requerente de asilo: pessoa que pediu proteção e aguarda a decisão. Ainda não é refugiado reconhecido, mas tem direitos enquanto o processo decorre.

  • Migrante em situação irregular: pessoa que vive no país sem autorização de residência. Pode ser um migrante económico, mas também alguém que ainda não conseguiu pedir asilo; a situação irregular é jurídica, não define o motivo da partida.

Impacto económico do acolhimento.

Prazo Custos Contributos
Curto Alojamento, apoio social, ensino da língua, saúde, serviços de acolhimento Procura de bens e serviços (alimentação, renda), alguma ocupação rápida de empregos
Médio Integração de crianças nas escolas, reconhecimento de qualificações Trabalho, impostos e contribuições, empreendedorismo, rejuvenescimento da população
Pratica★★★Por começar
Após o início da guerra na Ucrânia, em 2022, Portugal concedeu proteção temporária a dezenas de milhares de pessoas que fugiam do conflito. a) Explica por que razão as…

Após o início da guerra na Ucrânia, em 2022, Portugal concedeu proteção temporária a dezenas de milhares de pessoas que fugiam do conflito.

  1. a) Explica por que razão as pessoas que fogem de uma guerra têm direito a uma proteção diferente da dos migrantes económicos, invocando o direito internacional.
  2. b) Analisa o impacto económico do acolhimento de refugiados, distinguindo os custos de curto prazo dos contributos de médio prazo para a economia do país de acolhimento.
  3. c) Distingue os conceitos de refugiado, requerente de asilo e migrante em situação irregular.
  4. d) Comenta criticamente, com argumentos económicos, a afirmação «os imigrantes vêm tirar-nos o emprego».
Resolver

De volta ao início: a família de Setúbal é de refugiados (fogem da guerra, protegidos pelo direito internacional), enquanto o engenheiro de Braga é um emigrante económico (parte por escolha, procura melhor rendimento).

Em resumo

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