Globalização e cultura
Numa tarde em Lisboa, uma rapariga ouve uma música coreana no telemóvel, almoça um kebab e vê uma série americana. À noite, vai a uma casa de fado. Estará a cultura portuguesa a desaparecer, ou a ficar mais rica? Vais conseguir responder no fim da página.
O que é a globalização cultural
Cultura é o conjunto de formas de pensar, de viver e de se exprimir de uma sociedade: língua, música, gastronomia, vestuário, valores, hábitos de consumo. A globalização cultural é a circulação, à escala mundial, de produtos, ideias e comportamentos culturais, que se tornam comuns a muitas sociedades.
Que fatores explicam esta difusão? Os mesmos da globalização em geral: transportes mais rápidos e baratos, tecnologias de informação e comunicação (Internet, redes sociais, streaming), meios de comunicação de massas, turismo, migrações e a ação das empresas transnacionais, que vendem os mesmos produtos em todo o mundo.
Homogeneização, aculturação e hibridação
A difusão cultural pode ter efeitos diferentes. Distingue-os:
| Fenómeno | O que acontece | Exemplo |
|---|---|---|
| Homogeneização | Culturas diferentes tornam-se parecidas; predominam padrões globais | Jovens de cidades distantes com a mesma música, redes sociais e gíria |
| Aculturação | Um grupo adota elementos de outra cultura, muitas vezes dominante, e perde ou altera os seus | Aldeias isoladas a trocarem hábitos locais por produtos e imagens ocidentais |
| Hibridação (glocalização) | Elementos globais e locais misturam-se e criam algo novo | Cadeia de comida rápida a vender bifana |
| Coexistência / diversidade | Várias culturas convivem lado a lado | Num bairro, sushi, kebab, cachupa e cozido à portuguesa |
| Preservação | A cultura local mantém-se e até é valorizada | O fado, Património Cultural Imaterial da Humanidade |
A globalização cultural produz fenómenos muito diferentes. Lê os seguintes casos: 1. Jovens de Lisboa, Dacar e Seul usam as mesmas redes sociais, ouvem a mesma música e…
A globalização cultural produz fenómenos muito diferentes. Lê os seguintes casos:
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Jovens de Lisboa, Dacar e Seul usam as mesmas redes sociais, ouvem a mesma música e adotam a mesma gíria inglesa.
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Num mesmo bairro de Lisboa consomem-se sushi japonês, kebabs turcos, cachupa cabo-verdiana e cozido à portuguesa.
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Em várias aldeias de montanha do Nepal, os cafés passaram a servir cappuccinos e a exibir cartazes de estrelas de cinema ocidentais.
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O fado, classificado Património Cultural Imaterial da Humanidade, continua a ser cantado nas casas de fado de Lisboa e é ensinado a novas gerações de fadistas.
- a) Explica o que significa aculturação e identifica em que caso ou casos ela está presente, justificando.
- b) Distingue homogeneização cultural de heterogeneização cultural e associa cada uma delas aos casos correspondentes.
- c) O caso 4 deve ser lido como resistência cultural à globalização ou como integração da cultura local na cultura global? Argumenta.
Glocalização: adaptar o global ao local
As empresas transnacionais querem vender em todo o mundo, mas os gostos variam. Por isso adotam a glocalização (do inglês global + local): mantêm a marca e o modelo global, mas adaptam o produto à cultura local.
Exemplos: uma cadeia de restauração rápida que vende sopa e sanduíches de bifana em Portugal; uma plataforma de streaming que produz séries portuguesas; uma marca desportiva que lança equipamentos com as cores dos clubes locais.
Porquê? Vender mais: o produto adaptado agrada mais aos consumidores, reduz a rejeição de uma marca «estrangeira» e abre mercados que o produto uniforme não alcançaria. É assim que a globalização cultural serve a globalização económica.
Uma cadeia mundial de restauração rápida vende, em Portugal, sopa e sanduíches de bifana; uma plataforma global de streaming* produz séries portuguesas com atores…
Uma cadeia mundial de restauração rápida vende, em Portugal, sopa e sanduíches de bifana; uma plataforma global de streaming produz séries portuguesas com atores portugueses; uma marca desportiva internacional lança equipamentos com as cores dos clubes locais. A figura resume a estratégia comum a estes casos, mas o nome da estratégia está tapado por um ponto de interrogação.
- a) Indica o nome da estratégia representada na figura e explica em que consiste.
- b) Explica por que razão as empresas transnacionais adotam esta estratégia em vez de venderem exatamente o mesmo produto em todo o mundo.
- c) Relaciona esta estratégia com o debate entre homogeneização e heterogeneização cultural: ela aproxima as culturas ou preserva a diversidade? Argumenta.
Cultura, consumo e economia
A aculturação e a difusão cultural alimentam a globalização económica. Quando muitas pessoas adotam os mesmos gostos, formam-se mercados globais para produtos globais (telemóveis, roupa desportiva, séries, comida rápida). As empresas ganham escala: produzem mais, vendem em todo o lado e reduzem custos. A publicidade e as redes sociais moldam os padrões de consumo e os estilos de vida.
Mas a relação é de dois sentidos: a globalização económica (comércio, investimento das empresas transnacionais, turismo) é também o que transporta os produtos e os hábitos culturais.
Há ainda consequências a avaliar: acesso a mais bens e ideias, mas também risco de perda de diversidade cultural, de línguas e de ofícios tradicionais, e padrões de consumo que pressionam recursos e ambiente.
Vamos fechar a pergunta do início. A rapariga de Lisboa vive uma mistura: consome produtos globais (difusão cultural), come comida de várias origens (diversidade) e mantém o fado (preservação). A cultura portuguesa não desaparece nem se limita a copiar: muda, adapta-se e, muitas vezes, exporta-se também.
Em resumo
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Globalização cultural: circulação mundial de padrões de cultura, de consumo e estilos de vida, impulsionada pelas TIC, media, empresas, turismo e migrações.
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Aculturação: adoção de elementos de outra cultura, que pode alterar a própria; homogeneização: culturas cada vez mais parecidas.
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Os efeitos são variados: homogeneização, aculturação, diversidade e coexistência, preservação e hibridação.
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Glocalização: adaptar um produto global ao gosto local, para vender mais.
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A cultura e a economia reforçam-se: gostos comuns criam mercados globais, e as empresas difundem esses gostos.
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Convém avaliar ganhos (escolha, ideias) e riscos (perda de diversidade, consumo excessivo).