Explosão demográfica mundial e envelhecimento europeu
Em 1950, o planeta tinha cerca de 2,5 mil milhões de pessoas. Hoje tem mais de 8 mil milhões. E, ao mesmo tempo, em Portugal há cada vez mais reformados e cada vez menos jovens. Como podem as duas coisas ser verdade? E quem vai pagar as pensões de quem hoje tem 20 anos?
A explosão demográfica mundial
Chama-se explosão demográfica ao crescimento muito rápido da população mundial a partir de meados do século XX. A população demorou milhares de anos a chegar aos 2,5 mil milhões e apenas cerca de 70 anos a ultrapassar os 8 mil milhões.
O crescimento da população depende de duas taxas (por mil habitantes):
$$\text{crescimento natural} = \text{taxa de natalidade} - \text{taxa de mortalidade}$$A explosão não aconteceu porque as pessoas passaram a ter mais filhos. Aconteceu porque a mortalidade desceu muito depressa, enquanto a natalidade, nos países em desenvolvimento, se manteve alta durante bastante tempo.
As causas principais da descida da mortalidade:
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Avanços sanitários e médicos: vacinas, antibióticos, saneamento básico, água potável.
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Melhor alimentação, associada ao progresso técnico na agricultura.
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Descida da mortalidade infantil, que faz subir a esperança de vida à nascença.
Repara que o crescimento continua, mas cada vez mais devagar: de 1950 a 2022 somam-se 5,5 mil milhões; de 2022 a 2050, cerca de 1,7 mil milhões. À medida que os países se desenvolvem, a natalidade também desce (é a terceira fase da transição demográfica, seguida da quarta, de equilíbrio, com natalidade e mortalidade baixas) e o crescimento abranda.
A população mundial passou de cerca de 2,5 mil milhões de pessoas em 1950 para mais de 8 mil milhões em 2022. a) Calcula o aumento da população mundial entre 1950 e…
A população mundial passou de cerca de 2,5 mil milhões de pessoas em 1950 para mais de 8 mil milhões em 2022.
- a) Calcula o aumento da população mundial entre 1950 e 2022, em mil milhões de pessoas e em percentagem.
- b) Explica duas causas da explosão demográfica verificada neste período, relacionando-as com a evolução da mortalidade e da natalidade.
- c) As projeções das Nações Unidas apontam para cerca de 9,7 mil milhões de pessoas em 2050. Explica por que razão o ritmo de crescimento tende a abrandar.
O envelhecimento populacional na Europa
Na Europa passa-se o contrário: a população cresce pouco ou até diminui, e a idade média sobe. Chama-se envelhecimento populacional ao aumento do peso dos idosos (65 ou mais anos) na população total.
Há duas causas principais, e atuam em conjunto:
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Baixa fecundidade: na União Europeia, ronda 1,5 filhos por mulher. Para substituir as gerações são precisos cerca de 2,1. Nascem menos jovens do que os necessários.
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Aumento da esperança de vida: ultrapassa os 81 anos na UE, graças à medicina, a melhores condições de vida e à prevenção. Vive-se mais anos depois da reforma.
Os efeitos somam-se: a base da pirâmide estreita (poucos nascimentos) e o topo alarga (muitos idosos). Em Portugal, a fecundidade é ainda mais baixa do que a média europeia, o que torna o fenómeno especialmente marcado.
Para medir o peso da população que não trabalha usam-se os índices de dependência:
$$\text{dependência total} = \frac{\text{jovens} + \text{idosos}}{\text{população em idade ativa}}\times 100 \qquad \text{dependência de idosos} = \frac{\text{idosos}}{\text{população em idade ativa}}\times 100$$A população em idade ativa tem 15-64 anos; os jovens, 0-14; os idosos, 65 ou mais.
Num país imaginário vivem 1,5 milhões de jovens (0-14 anos), 6 milhões de pessoas em idade ativa (15-64 anos) e 2,5 milhões de idosos (65+ anos). A pensão média de…
Num país imaginário vivem 1,5 milhões de jovens (0-14 anos), 6 milhões de pessoas em idade ativa (15-64 anos) e 2,5 milhões de idosos (65+ anos). A pensão média de velhice é de $700\ \text{€}$ por mês. O índice de dependência total calcula-se dividindo a soma de jovens e idosos pela população em idade ativa, multiplicando por 100.
- a) Calcula o índice de dependência total e o índice de dependência de idosos, com uma casa decimal.
- b) Determina quantas pessoas em idade ativa existem por cada idoso.
- c) Supondo que todos os idosos recebem a pensão média e que ela é paga apenas com os descontos das pessoas ativas, calcula quanto tem de sair, em média, dos descontos mensais de cada pessoa ativa só para esse fim.
- d) Se em 2050 houver 3 milhões de idosos e apenas 5,5 milhões de ativos, recalcula as alíneas b) e c) e comenta o que os resultados mostram sobre a sustentabilidade das pensões.
Consequências económicas do envelhecimento
Com menos pessoas ativas para sustentar mais idosos, surgem pressões em vários domínios.
1. Sustentabilidade das pensões. O sistema público de pensões em Portugal funciona por repartição: as contribuições para a Segurança Social dos trabalhadores de hoje pagam as pensões dos reformados de hoje. Se o número de ativos por idoso desce, cada ativo tem de contribuir mais, ou as pensões têm de ser mais baixas, ou o Estado precisa de outras receitas.
2. Despesa em saúde e cuidados continuados. Os idosos recorrem mais aos serviços de saúde e precisam de cuidados prolongados (lares, apoio domiciliário). A despesa pública sobe.
3. Escassez de mão de obra. Menos jovens a entrar no mercado de trabalho significa menos trabalhadores, dificuldade em preencher postos e menor crescimento potencial da economia. Tende a aumentar a idade média dos trabalhadores.
Na União Europeia, a taxa de fecundidade ronda 1,5 filhos por mulher e a esperança de vida ultrapassa os 81 anos. Em Portugal, a idade da reforma está ligada à evolução…
Na União Europeia, a taxa de fecundidade ronda 1,5 filhos por mulher e a esperança de vida ultrapassa os 81 anos. Em Portugal, a idade da reforma está ligada à evolução da esperança de vida e já supera os 66 anos.
- a) Explica duas causas do envelhecimento da população europeia.
- b) Analisa três consequências económicas desse envelhecimento, referindo a sustentabilidade das pensões, a despesa em saúde e cuidados continuados e a escassez de mão de obra.
- c) Avalia duas respostas possíveis ao envelhecimento — por exemplo, subir a idade da reforma, atrair imigrantes ou apoiar a natalidade — indicando uma vantagem e um limite de cada uma.
Que respostas existem?
Não há solução única. Cada resposta tem vantagens e custos.
| Resposta | Efeito esperado | Limitações |
|---|---|---|
| Subir a idade da reforma | Mais anos de contribuição, menos anos de pensão. Em Portugal está ligada à esperança de vida. | Penaliza quem trabalha em profissões duras; só compensa se houver emprego para os mais velhos. |
| Atrair imigrantes | Aumenta a população ativa e as contribuições. | Exige integração (habitação, língua, trabalho) e, a longo prazo, os imigrantes também envelhecem. |
| Apoiar a natalidade | Apoios, creches e licenças parentais podem alargar a base da pirâmide. | Resultados lentos (só no mercado de trabalho 20 anos depois) e incertos; a fecundidade depende de muitos fatores. |
| Aumentar a produtividade | Menos trabalhadores produzem mais. | Requer investimento em capital e qualificação. |
Para avaliar uma resposta, pergunta sempre: quem ganha, quem perde, em quanto tempo produz efeito e quanto custa.
Em resumo
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A explosão demográfica resultou de uma descida rápida da mortalidade (saúde, alimentação) com natalidade ainda elevada; o crescimento mundial está a abrandar.
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O envelhecimento populacional europeu deve-se à baixa fecundidade (cerca de 1,5 filhos por mulher) e ao aumento da esperança de vida (mais de 81 anos).
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Dependência total $= \dfrac{\text{jovens}+\text{idosos}}{\text{ativos}}\times 100$; dependência de idosos $= \dfrac{\text{idosos}}{\text{ativos}}\times 100$.
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Consequências: pressão sobre as pensões, aumento da despesa em saúde e cuidados, escassez de mão de obra.
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Respostas: subir a idade da reforma, atrair imigrantes, apoiar a natalidade, aumentar a produtividade; cada uma com vantagens e limites.
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De volta ao início: a população mundial cresce e a europeia envelhece porque estão em fases diferentes da transição demográfica; as pensões de hoje dependem de haver ativos suficientes amanhã.