A organização económica em mudança
O teu avô ou a tua avó talvez tenham começado a trabalhar numa terra, numa oficina ou numa fábrica. Tu provavelmente vais trabalhar num escritório, numa escola, num hospital ou num ecrã, talvez até a partir de casa. Porque mudou tanto o trabalho em tão poucas décadas? A resposta está na forma como o crescimento económico moderno reorganiza a economia, e é isso que vais perceber nesta página.
Os três setores de atividade
Os economistas agrupam as atividades pelo tipo de produção que realizam:
Em Portugal, em 2023, cerca de $70\ \%$ dos trabalhadores estavam no terciário, cerca de $25\ \%$ no secundário e cerca de $5\ \%$ no primário (valores aproximados do INE e da Pordata).
Em Portugal, em 2023, cerca de $70\ \%$ dos trabalhadores estavam no setor terciário (serviços), cerca de $25\ \%$ no setor secundário (indústria e construção) e cerca…
Em Portugal, em 2023, cerca de $70\ \%$ dos trabalhadores estavam no setor terciário (serviços), cerca de $25\ \%$ no setor secundário (indústria e construção) e cerca de $5\ \%$ no setor primário (agricultura, pecuária e pescas), segundo valores aproximados do INE e da Pordata.
- a) Classifica as seguintes atividades por setor de atividade: cultivo de milho, fábrica de calçado, hospital, banco, pesca, escola, construção de pontes.
- b) Explica o que se entende por terciarização da economia.
- c) Relaciona a terciarização com o processo de desenvolvimento económico.
Terciarização: a estrutura do emprego muda
À medida que um país cresce e se desenvolve, a estrutura da atividade económica altera-se. O padrão é quase sempre o mesmo:
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no início, domina o setor primário (a maioria vive da terra);
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com a industrialização e a urbanização, ganha peso o secundário;
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numa economia desenvolvida, o terciário passa a ser o maior.
Porque acontece? Há duas razões principais.
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Produtividade agrícola e industrial. Máquinas, adubos e novas técnicas permitem produzir mais alimentos e bens com menos trabalhadores. A mão de obra libertada procura emprego noutras atividades.
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Procura. Quando o nível de vida sobe, as famílias gastam uma parte maior do rendimento em serviços: saúde, educação, lazer, turismo, restauração. O Estado-providência e o turismo também criam muitos empregos de serviços.
A figura mostra a distribuição aproximada do emprego pelos três setores de atividade em Portugal, em 1960 e em 2023. a) Lê no gráfico a percentagem de emprego de cada…
A figura mostra a distribuição aproximada do emprego pelos três setores de atividade em Portugal, em 1960 e em 2023.
- a) Lê no gráfico a percentagem de emprego de cada setor nos dois anos.
- b) Descreve a transformação ocorrida entre 1960 e 2023, usando o vocabulário económico adequado.
- c) Explica duas causas desta transformação.
Empresas maiores, concorrência e papel do Estado
A mudança não é só de setores. O crescimento económico moderno altera o modo de organização económica:
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Aumento da dimensão das empresas. A produção em massa e a procura de economias de escala (o custo por unidade baixa quando se produz mais) favorecem grandes empresas e grupos, que investem em máquinas, investigação e mercados externos.
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Aumento da concorrência. Mais empresas, mercados mais abertos (a UE, o comércio mundial) e novas tecnologias obrigam as empresas a competir em preço, qualidade e inovação. Isto beneficia os consumidores, mas pressiona as empresas menos eficientes.
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Novo papel do Estado. Deixa de se limitar à justiça e à defesa: passa a oferecer educação e saúde públicas, Segurança Social, infraestruturas, a regular mercados e a proteger a concorrência e o ambiente.
Economia do conhecimento e trabalho à distância
Nas economias mais desenvolvidas, o que mais valor cria é cada vez menos a força física ou a máquina, e cada vez mais o saber.
Exemplos: desenvolvimento de software e aplicações, investigação em biotecnologia e saúde, design, consultoria, ensino e formação online, engenharia de energias renováveis.
As tecnologias da informação permitiram também o teletrabalho, isto é, trabalhar total ou parcialmente à distância.
| Vantagens | Riscos | |
|---|---|---|
| Trabalhadores | Menos deslocações e despesas; mais flexibilidade de horário | Isolamento; fronteira difusa entre trabalho e vida pessoal |
| Empresas | Menos custos com espaços; acesso a talento de qualquer região | Mais difícil coordenar equipas; riscos de cibersegurança |
Num artigo de jornal lê-se: «Cerca de 1 em cada 10 trabalhadores por conta de outrem em Portugal trabalha, total ou parcialmente, a partir de casa, uma realidade…
Num artigo de jornal lê-se: «Cerca de 1 em cada 10 trabalhadores por conta de outrem em Portugal trabalha, total ou parcialmente, a partir de casa, uma realidade impulsionada pela economia do conhecimento, em que o valor das empresas depende cada vez mais das qualificações das pessoas, da investigação e da inovação, e cada vez menos das máquinas e das matérias-primas.»
- a) Explica o que se entende por economia do conhecimento e indica dois exemplos de atividades em que ela está presente.
- b) Analisa duas vantagens e dois riscos do trabalho à distância, para os trabalhadores e para as empresas.
- c) Relaciona o trabalho à distância com a terciarização da economia portuguesa.
De volta ao início: o trabalho dos teus avós e o teu são diferentes porque o crescimento moderno aumentou a produtividade na agricultura e na indústria, libertou mão de obra para os serviços e abriu espaço a uma economia baseada no conhecimento.
Em resumo
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Os setores de atividade são o primário (recolhe), o secundário (transforma) e o terciário (serviços).
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Com o desenvolvimento, o emprego desloca-se do primário para o secundário e depois para o terciário: é a terciarização.
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As causas principais são o aumento da produtividade na agricultura e na indústria e o aumento da procura de serviços quando o nível de vida sobe.
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O crescimento moderno traz empresas de maior dimensão, mais concorrência e um Estado com mais funções.
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Na economia do conhecimento, o valor assenta nas qualificações, na investigação e na inovação; o teletrabalho é uma das suas expressões, com vantagens e riscos.