Os ciclos económicos
Em 2019 o PIB de Portugal crescia, o turismo batia recordes e em Lisboa não havia quartos livres. Em 2020 a economia caiu como poucas vezes na história recente. Nenhuma economia cresce em linha reta: avança, abranda, às vezes recua e volta a arrancar, como uma maré que sobe e desce em torno de uma tendência de fundo. Ao longo desta página vais aprender a reconhecer em que fase está uma economia e porque é que 2020 foi tão diferente de 2008.
As fases do ciclo económico
A economia mede-se pela taxa de variação do PIB real (a preços constantes), para que a subida dos preços não engane: $\text{t.v.} = \dfrac{V_f - V_i}{V_i} \times 100$. Há crescimento quando a taxa é positiva e contração quando é negativa; fala-se de recessão após quedas consecutivas.
Explique o que é um ciclo económico e refira as suas quatro fases, descrevendo numa frase o que acontece à atividade em cada uma.
Explique o que é um ciclo económico e refira as suas quatro fases, descrevendo numa frase o que acontece à atividade em cada uma.
Atribua cada manchete à fase do ciclo que melhor descreve e justifique a sua escolha: «Recorde de inscrições na Segurança Social e as empresas não têm mãos a medir»,…
Atribua cada manchete à fase do ciclo que melhor descreve e justifique a sua escolha: «Recorde de inscrições na Segurança Social e as empresas não têm mãos a medir», «Fecham $300$ empresas por mês e o desemprego não para de subir», «A economia está há dois anos a crescer e o investimento empresarial recupera com força».
A figura representa a evolução do PIB de um país ao longo do tempo: a linha descontínua é a tendência de crescimento a longo prazo e a curva é a trajetória real da…
A figura representa a evolução do PIB de um país ao longo do tempo: a linha descontínua é a tendência de crescimento a longo prazo e a curva é a trajetória real da atividade. Um ponto da curva está assinalado com um ponto de interrogação.
- a) A que fase do ciclo corresponde o ponto assinalado? Justifique a resposta.
- b) Descreva o que acontece ao emprego e ao investimento nessa fase e na fase seguinte.
Tendência, ciclo e indicadores
A tendência de longo prazo (o PIB potencial) cresce devagar, graças ao capital, ao trabalho e ao progresso técnico. O ciclo são as oscilações à volta dessa tendência. Por isso, uma economia pode estar em recessão e, mesmo assim, ter um PIB potencial que continua a aumentar.
Também se diz que a história económica «não se repete, mas rima»: todas as crises têm em comum a quebra de atividade, o aumento do desemprego e a descida do investimento, mas diferem na causa (financeira, energética, sanitária), na duração e nos setores atingidos.
Explique o que são indicadores avançados do ciclo económico e para que servem. Comente três exemplos (matrículas de automóveis, licenças de construção, confiança dos…
Explique o que são indicadores avançados do ciclo económico e para que servem. Comente três exemplos (matrículas de automóveis, licenças de construção, confiança dos consumidores) e fundamente por que razão se movem antes da atividade geral.
Descreva como se comportam normalmente estas três variáveis durante uma expansão e durante uma recessão: o desemprego, a inflação e os lucros das empresas. Justifique…
Descreva como se comportam normalmente estas três variáveis durante uma expansão e durante uma recessão: o desemprego, a inflação e os lucros das empresas. Justifique cada resposta numa frase.
Explique a diferença entre a tendência de crescimento a longo prazo de uma economia (o seu PIB potencial) e as oscilações do ciclo económico em seu redor. O que é o…
Explique a diferença entre a tendência de crescimento a longo prazo de uma economia (o seu PIB potencial) e as oscilações do ciclo económico em seu redor. O que é o hiato do PIB e o que significa ser negativo?
Os ciclos repetem-se, mas nenhum é igual ao anterior. Explique por que razão se diz que a história económica «não se repete, mas rima»: o que têm em comum as várias…
Os ciclos repetem-se, mas nenhum é igual ao anterior. Explique por que razão se diz que a história económica «não se repete, mas rima»: o que têm em comum as várias crises e em que diferem (causa desencadeante, duração, setores afetados)?
Recessão e depressão
Explica a diferença entre recessão e depressão económica. Indica que regra simples usam os economistas para falar de recessão técnica e dá um exemplo de cada uma que…
Explica a diferença entre recessão e depressão económica. Indica que regra simples usam os economistas para falar de recessão técnica e dá um exemplo de cada uma que conheças (de recessão e de depressão).
Ler uma série do PIB
A taxa de variação anual do PIB de Arta em sete anos consecutivos foi: $+3\ \%$, $+2,5\ \%$, $+1\ \%$, $-1\ \%$, $-2\ \%$, $+0,5\ \%$ e $+2\ \%$. a) Identifique em que…
A taxa de variação anual do PIB de Arta em sete anos consecutivos foi: $+3\ \%$, $+2,5\ \%$, $+1\ \%$, $-1\ \%$, $-2\ \%$, $+0,5\ \%$ e $+2\ \%$.
- a) Identifique em que ano começa a recessão e em que ano se atinge o ponto mais baixo.
- b) Situe as fases de expansão, recessão e recuperação na série e explique o que acontece ao nível do PIB durante os anos de taxas negativas.
O nível do PIB de Merídia em sete anos consecutivos foi: $100$, $104$, $106$, $104$, $101$, $103$ e $107$ (índice, ano 1 $= 100$). a) Calcule a taxa de variação do PIB…
O nível do PIB de Merídia em sete anos consecutivos foi: $100$, $104$, $106$, $104$, $101$, $103$ e $107$ (índice, ano 1 $= 100$).
- a) Calcule a taxa de variação do PIB de cada ano relativamente ao anterior.
- b) Identifique em que ano se atinge o pico e em que ano se atinge o ponto mais baixo do ciclo.
- c) Quantos anos durou a recessão? Explique a diferença entre a taxa de variação ser negativa e voltar a ser positiva.
Desemprego conjuntural e estrutural
Há também uma relação entre PIB e desemprego: como as empresas ajustam o emprego com atraso (e a produtividade aparente do trabalho varia), o desemprego pode subir vários pontos percentuais mesmo com uma queda moderada do PIB; e um crescimento do PIB igual à queda não repõe automaticamente o emprego perdido.
Os empregados de mesa despedidos numa recessão e readmitidos na recuperação são desemprego conjuntural. Os operadores de caixa que perdem o posto por causa da banca digital são desemprego estrutural.
Porquê importa a distinção? Cada tipo pede uma resposta diferente: para o conjuntural, estimular a procura; para o estrutural, formação e reconversão profissional.
Na última recessão de Arta perderam o emprego empregados de mesa que foram readmitidos quando a atividade recuperou; pelo contrário, muitos operadores de caixa na banca…
Na última recessão de Arta perderam o emprego empregados de mesa que foram readmitidos quando a atividade recuperou; pelo contrário, muitos operadores de caixa na banca foram perdendo o seu ano após ano, com ou sem crise, devido à banca digital.
- a) Defina desemprego conjuntural e desemprego estrutural e classifique os dois casos.
- b) Explique por que razão as políticas adequadas a cada tipo são distintas (estímulo da procura face a formação e reconversão profissional).
Na última recessão de Briga, o PIB contraiu 2 %, mas a taxa de desemprego aumentou de forma fulgurante de 10 % para 15 %. a) Um assessor do Governo sustenta que «é…
Na última recessão de Briga, o PIB contraiu 2 %, mas a taxa de desemprego aumentou de forma fulgurante de 10 % para 15 %.
- a) Um assessor do Governo sustenta que «é impossível o desemprego aumentar 5 pontos percentuais se a produção apenas caiu 2 %, pelo que as estatísticas de emprego devem estar adulteradas». Refuta a sua afirmação analisando a dualidade laboral (contratos temporários vs. sem termo) e a produtividade aparente do trabalho.
- b) Se o PIB de Briga crescer 2 % no próximo ano recuperando o nível inicial, é possível prever com segurança que a taxa de desemprego descerá automaticamente de novo para 10 %? Justifica a tua resposta utilizando o conceito de histerese económica ou desânimo laboral.
- c) Concebe um pacote de duas medidas de política económica conjuntural para travar a destruição de emprego neste cenário, com uma restrição fundamental: o país encontra-se numa situação de défice público elevado. Justifica como alcançarias a sua eficácia sem disparar o endividamento.
Choques de procura e de oferta
A procura agregada e a poupança
A procura agregada é a soma do consumo das famílias (C), do investimento das empresas (I), da despesa pública (G) e das exportações menos as importações (X − M). Quando uma destas componentes cai, as empresas vendem menos, produzem menos e pagam menos rendimentos, o que reduz de novo o consumo.
Durante um debate televisivo sobre a economia nacional, um comentador afirma: «Se as famílias e as empresas fossem mais prudentes e decidissem poupar mais e investir…
Durante um debate televisivo sobre a economia nacional, um comentador afirma: «Se as famílias e as empresas fossem mais prudentes e decidissem poupar mais e investir menos perante os primeiros rumores de crise, a economia seria muito mais sólida e evitaríamos as recessões».
- a) Refuta analiticamente a afirmação do comentador utilizando o modelo da Procura Agregada e o paradoxo da frugalidade (ou paradoxo da poupança). Explica o que acontece ao rendimento nacional e ao volume total de poupança da economia quando todos os agentes tentam aumentar a sua poupança em simultâneo.
- b) Supõe que o banco central reage descendo a taxa de juro diretora para 0 %, mas as famílias continuam a adiar o seu consumo e as empresas paralisam as suas contratações por receio do futuro. Como se designa esta situação e por que razão a política monetária convencional perde tração?
- c) Concebe uma estratégia combinada (política orçamental e comunicação de expectativas) para quebrar esta espiral de pessimismo sem comprometer a estabilidade orçamental a longo prazo. Justifica os canais de transmissão através dos quais as tuas medidas restaurariam a confiança.
Classifique cada notícia como choque de oferta ou de procura e explique o seu efeito sobre a atividade económica: uma seca mundial que encarece os alimentos, uma queda…
Classifique cada notícia como choque de oferta ou de procura e explique o seu efeito sobre a atividade económica: uma seca mundial que encarece os alimentos, uma queda abrupta da confiança dos consumidores após uma crise financeira e uma nova tecnologia que barateia a produção de baterias.
Em Merídia, durante a última expansão, a inflação rondava os $3\ \%$; ao entrar em recessão, desceu para $0,5\ \%$. a) Explique por que razão a inflação costuma subir…
Em Merídia, durante a última expansão, a inflação rondava os $3\ \%$; ao entrar em recessão, desceu para $0,5\ \%$.
- a) Explique por que razão a inflação costuma subir nas expansões e descer nas recessões (relacione-a com a procura).
- b) Explique o que é a estagflação e por que razão um choque de oferta (como um aumento brusco do preço da energia) pode produzir inflação e recessão em simultâneo.
Compare estas duas crises: a de 2008, que começou com o rebentamento de uma bolha imobiliária e uma crise financeira, e a de 2020, provocada por uma pandemia que obrigou…
Compare estas duas crises: a de 2008, que começou com o rebentamento de uma bolha imobiliária e uma crise financeira, e a de 2020, provocada por uma pandemia que obrigou a encerrar setores inteiros.
- a) Classifique cada crise como choque de procura, de oferta ou misto, e justifique.
- b) Explique por que razão a crise da pandemia era mais difícil de combater com as políticas habituais de estímulo da procura.
- c) Comente que medidas específicas foram implementadas em 2020 (apoios diretos, lay-off e regimes de suspensão temporária) e com que objetivo.
A economia de Meridia enfrenta um cenário complexo: a taxa de inflação situa-se nos 6,5 % devido a um choque de oferta energético, enquanto o PIB regista dois trimestres…
A economia de Meridia enfrenta um cenário complexo: a taxa de inflação situa-se nos 6,5 % devido a um choque de oferta energético, enquanto o PIB regista dois trimestres consecutivos de queda (-1,5 %).
- a) Se o Governo aprovar um grande pacote de despesa pública e descidas de impostos para combater a recessão, ao mesmo tempo que o banco central corta as taxas de juro para baratear o crédito, prevê os efeitos desta coordenação expansionista sobre o crescimento, a inflação e a balança comercial.
- b) Explica o dilema específico que o banco central enfrenta neste contexto de estagflação: por que razão os instrumentos tradicionais de estabilização cíclica geram um conflito inevitável entre o objetivo de crescimento e o de estabilidade de preços perante um choque de oferta?
- c) Desenha uma combinação alternativa de políticas (policy mix) que permita amortecer o impacto da recessão sobre as famílias mais vulneráveis sem alimentar uma espiral de inflação nem esgotar a margem de dívida pública do Estado. Justifica os instrumentos escolhidos.
Estabilizadores automáticos, multiplicador e política anticíclica
O multiplicador é mais forte numa recessão, porque há recursos por utilizar (trabalhadores desempregados, capacidade instalada): a despesa extra faz aumentar a produção sem pressionar os preços. Em pleno emprego, a mesma despesa tenderia a gerar sobretudo inflação.
Rendimento disponível, poupança e recuperação em «K»
O rendimento disponível é o que as famílias têm para consumir ou poupar; a taxa de poupança é a parte dele que não se gasta. As famílias com rendimentos baixos gastam quase tudo o que recebem (propensão marginal ao consumo elevada); as de rendimentos altos poupam uma parte maior.
Numa recuperação em «K», os rendimentos altos sobem e os baixos descem. Os que ganham mais poupam o acréscimo em vez de o gastar, e os que perdem rendimento deixam de consumir. O consumo total recupera pouco e a recuperação é desigual.
Após uma crise, a economia de Meridia regista uma recuperação em forma de «K». Os 25 % dos trabalhadores com maiores rendimentos (teletrabalháveis, setores tecnológicos)…
Após uma crise, a economia de Meridia regista uma recuperação em forma de «K». Os 25 % dos trabalhadores com maiores rendimentos (teletrabalháveis, setores tecnológicos) viram o seu rendimento disponível crescer 5 % e aumentaram a sua taxa de poupança de 12 % para 24 %. Em contraste, os 25 % com menores rendimentos (serviços presenciais, contratação temporária) sofreram uma perda de rendimento de 15 % e a sua taxa de poupança afundou-se em terreno negativo (-4 %).
- a) Utilizando o conceito de propensão marginal ao consumo (PMC), prevê como é que esta divergência na distribuição do rendimento afetará a força da procura agregada total e a reativação do PIB. Justifica por que razão um euro nas mãos do quartil de rendimento baixo gera maior estímulo económico do que no quartil de rendimento alto.
- b) Um grupo parlamentar propõe: «Para salvar os empregos perdidos, o Estado deve subsidiar indefinidamente os salários e custos das empresas em crise dos setores mais atingidos». Avalia criticamente esta proposta distinguindo entre medidas de amortecimento temporário e o risco de sustentar «empresas-zombie» que travem a reafetação produtiva.
- c) Desenha uma proposta de intervenção pública articulada em duas vertentes: uma medida de proteção de rendimentos a curto prazo condicionada e uma medida ativa de emprego e formação orientada para reduzir a vulnerabilidade destes trabalhadores perante futuros ciclos económicos. Justifica como financiarias ambas as medidas sem prejudicar a competitividade geral.
Numa recessão, o desemprego de um país aumenta em $200\,000$ pessoas. a) Explique o que acontece automaticamente às receitas do Estado provenientes de impostos e à sua…
Numa recessão, o desemprego de um país aumenta em $200\,000$ pessoas.
- a) Explique o que acontece automaticamente às receitas do Estado provenientes de impostos e à sua despesa com subsídios de desemprego.
- b) Justifique por que razão estes «estabilizadores automáticos» atenuam a recessão: o que acontece ao rendimento disponível das famílias e à procura?
Em plena recessão, o Governo de Briga constrói um hospital por $500$ milhões de euros. As empresas de construção contratam trabalhadores, que gastam os seus salários no…
Em plena recessão, o Governo de Briga constrói um hospital por $500$ milhões de euros. As empresas de construção contratam trabalhadores, que gastam os seus salários no comércio local, e este, por sua vez, faz novas encomendas aos seus fornecedores.
- a) Explique como uma despesa pública inicial acaba por gerar mais atividade do que o que custa (efeito multiplicador).
- b) Justifique por que razão esse efeito é mais potente numa recessão, com recursos não utilizados, do que numa economia em pleno emprego.
Examina o registo orçamental do país de Briga durante o último ciclo económico: Fase de expansão (anos 1 a 4): Crescimento médio do PIB de 3,8 % anual; saldo orçamental…
Examina o registo orçamental do país de Briga durante o último ciclo económico:
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Fase de expansão (anos 1 a 4): Crescimento médio do PIB de 3,8 % anual; saldo orçamental médio com um défice de 2,5 % do PIB; a dívida pública subiu de 70 % para 82 % do PIB.
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Fase de recessão (ano 5): Queda do PIB de 3,2 %; o Governo cortou a despesa pública em 12 % e congelou contratações para «sanear as contas perante a queda de receitas».
- a) Justifica tecnicamente por que motivo a atuação do Governo de Briga em ambas as fases se qualifica como uma política orçamental pró-cíclica e prevê o impacto que os cortes do ano 5 tiveram sobre a gravidade e a duração da recessão.
- b) Um representante do Governo argumenta: «Se numa crise as famílias apertam o cinto porque têm menos rendimentos, o Estado tem a obrigação moral e económica de fazer exatamente o mesmo». Rebate esta analogia explicando o funcionamento dos estabilizadores automáticos e a diferença macroeconómica entre um agente individual e o setor público.
- c) Desenha uma regra orçamental para Briga que obrigue os seus governantes a atuar de forma contracíclica no próximo ciclo, e identifica dois dilemas reais (políticos, institucionais ou de desfasamentos temporais) que dificultem a sua aplicação estrita.
O departamento de estatística de Braga estima que o PIB potencial da economia se situa em 1 250 000 milhões de euros. Observa as previsões macroeconómicas para os dois…
O departamento de estatística de Braga estima que o PIB potencial da economia se situa em 1 250 000 milhões de euros. Observa as previsões macroeconómicas para os dois próximos exercícios:
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Exercício atual: PIB real de 1 200 000 milhões de euros; inflação homóloga de 1,1 %.
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Exercício seguinte: após um ambicioso programa de despesa e estímulos, projeta-se um PIB real de 1 300 000 milhões de euros.
- a) Calcula o hiato do produto (output gap) para ambos os exercícios como percentagem do PIB potencial. Interpreta o significado económico da transição de um sinal para outro em termos de utilização da capacidade produtiva e tensão no mercado de trabalho.
- b) Utilizando o modelo de Procura e Oferta Agregadas, prevê o que acontecerá ao nível de preços e aos custos de produção se a economia atingir os 1 300 000 milhões de euros projetados. Por que razão se afirma em macroeconomia que um hiato positivo não é sustentável a médio prazo?
- c) Perante a projeção para o exercício seguinte, o banco central debate-se entre endurecer a política monetária ou manter as taxas baixas. Avalia os riscos de ambas as opções e justifica que decisão priorizarias para garantir a estabilidade macroeconómica.
Durante uma recessão severa provocada por uma queda drástica da procura privada, dois países aplicam estratégias opostas: País A: aprova um corte da despesa pública de…
Durante uma recessão severa provocada por uma queda drástica da procura privada, dois países aplicam estratégias opostas:
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País A: aprova um corte da despesa pública de 10 000 milhões de euros para reduzir o seu défice. No ano seguinte, o seu PIB cai 14 000 milhões adicionais e o seu rácio dívida pública/PIB aumenta de 75 % para 81 %.
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País B: executa um programa de investimento público de 10 000 milhões de euros. O seu PIB cresce 13 000 milhões e o seu rácio dívida pública/PIB passa de 45 % para 48 %.
- a) Calcula o multiplicador da despesa pública implícito no resultado de cada país e interpreta por que motivo, em fases recessivas com recursos ociosos, o multiplicador tende a ser maior do que em fases de auge económico.
- b) Explica o paradoxo observado no País A: como é possível que um Governo que aplica cortes para sanear as suas contas públicas acabe com um rácio dívida/PIB mais deteriorado do que antes? Decompõe o impacto sobre o numerador (dívida) e o denominador (PIB) através da receita fiscal.
- c) Supõe que o País B tinha uma dívida inicial de 115 % do PIB em vez de 45 %. Avalia como é que este dado condicionaria a viabilidade do seu plano de estímulo e que papel deveria desempenhar o prémio de risco ou o apoio do banco central para evitar uma crise de dívida soberana.
Em resumo
Voltando ao início: em 2019 Portugal estava na fase de prosperidade; em 2020 um choque de oferta (a pandemia) provocou uma recessão profunda, muito diferente da de 2008, que foi sobretudo um choque de procura de origem financeira.