Agentes económicos e circuito económico
O salário de uma repositora de supermercado em Braga sai das vendas desse supermercado, que por sua vez vêm dos salários de outras famílias. Ninguém «fabrica» o dinheiro que circula: ele dá voltas. Perceber este circuito é o primeiro passo para compreender a Contabilidade Nacional.
Os agentes económicos e os seus mercados
Famílias e empresas encontram-se em dois mercados distintos, com os papéis trocados.
No mercado de bens e serviços, as empresas oferecem e as famílias procuram (e pagam preços). No mercado de fatores produtivos, as famílias oferecem trabalho, capital ou terra e as empresas procuram esses fatores (e pagam rendimentos).
Indica os três agentes económicos principais e explica numa frase o papel de cada um na economia. Dá um exemplo de cada um retirado do teu meio envolvente.
Indica os três agentes económicos principais e explica numa frase o papel de cada um na economia. Dá um exemplo de cada um retirado do teu meio envolvente.
O que é o mercado de fatores produtivos dentro do circuito económico? Explica quem oferece e quem procura trabalho nele, e dá um exemplo de um fator diferente do…
O que é o mercado de fatores produtivos dentro do circuito económico? Explica quem oferece e quem procura trabalho nele, e dá um exemplo de um fator diferente do trabalho (um espaço comercial arrendado, um capital emprestado) com o seu mercado correspondente.
Desafio do tema. Os fatores produtivos são o trabalho, o capital e a terra (ou recursos naturais). Cada um recebe um rendimento diferente: salários, juros ou lucros, e…
Desafio do tema. Os fatores produtivos são o trabalho, o capital e a terra (ou recursos naturais). Cada um recebe um rendimento diferente: salários, juros ou lucros, e rendas (ou renda da terra).
- a) Associa cada fator produtivo ao rendimento que lhe corresponde.
- b) Dá um exemplo real, da tua localidade ou do teu meio, de cada um desses rendimentos (um salário, um juro ou lucro e uma renda).
Será valorizado: que a associação entre fator e rendimento seja correta e que cada exemplo seja realista e corresponda claramente ao fator produtivo a que pertence.
Fluxo real e fluxo monetário
Clica em cada seta do esquema para identificares o fluxo e os agentes entre os quais circula.
Distingue fluxo real de fluxo monetário e classifica os seguintes: o trabalho de uma operadora de caixa, o seu salário, a compra de um computador por uma empresa e o pão…
Distingue fluxo real de fluxo monetário e classifica os seguintes: o trabalho de uma operadora de caixa, o seu salário, a compra de um computador por uma empresa e o pão que uma família compra.
A figura mostra o circuito económico entre famílias e empresas, com quatro fluxos identificados. a) Identifica quais são os fluxos reais e quais são os monetários. b)…
A figura mostra o circuito económico entre famílias e empresas, com quatro fluxos identificados.
- a) Identifica quais são os fluxos reais e quais são os monetários.
- b) Explica por que razão o circuito pode ser visto como um círculo: onde «começa» e onde «acaba» o dinheiro?
No circuito económico surgem dois mercados: o de bens e serviços e o de fatores produtivos. a) Explica quem oferece e quem procura em cada um desses mercados. b)…
No circuito económico surgem dois mercados: o de bens e serviços e o de fatores produtivos.
- a) Explica quem oferece e quem procura em cada um desses mercados.
- b) Enquadra no mercado correspondente: o arrendamento de um espaço comercial, um recibo de vencimento e uma compra no supermercado.
Lê esta notícia fictícia: «Uma empresa alemã inaugura uma fábrica de baterias em Portugal e contratará $200$ pessoas da região». a) Identifica os agentes económicos que…
Lê esta notícia fictícia: «Uma empresa alemã inaugura uma fábrica de baterias em Portugal e contratará $200$ pessoas da região».
- a) Identifica os agentes económicos que surgem e os mercados em que interagem.
- b) Descreve os fluxos reais e monetários gerados pela notícia (trabalho, salários, investimento, produtos).
O Estado e o Resto do Mundo no circuito
Distingue consumo, investimento e despesa pública dentro da despesa total de uma economia, e classifica: uma família compra uma máquina de lavar roupa, uma padaria…
Distingue consumo, investimento e despesa pública dentro da despesa total de uma economia, e classifica: uma família compra uma máquina de lavar roupa, uma padaria compra um forno industrial e o Estado constrói um centro de saúde. Qual das três aumenta a capacidade produtiva futura?
O que é o sector externo no circuito económico? Explica como entram e saem fluxos do circuito de um país através das exportações e das importações, com um exemplo de…
O que é o sector externo no circuito económico? Explica como entram e saem fluxos do circuito de um país através das exportações e das importações, com um exemplo de cada uma (vender laranjas para o estrangeiro, comprar petróleo no estrangeiro).
Que papel desempenha o Estado no circuito? Explica por onde «entra» e por onde «sai» o dinheiro público, referindo impostos, despesa pública e serviços coletivos.
Que papel desempenha o Estado no circuito? Explica por onde «entra» e por onde «sai» o dinheiro público, referindo impostos, despesa pública e serviços coletivos.
Uma família paga $400\ \text{€}$ por mês em impostos e contribuições, e recebe serviços públicos avaliados em $520\ \text{€}$ (escola pública, saúde, apoio social…
Uma família paga $400\ \text{€}$ por mês em impostos e contribuições, e recebe serviços públicos avaliados em $520\ \text{€}$ (escola pública, saúde, apoio social escolar).
- a) Localiza estes fluxos no circuito: por onde sai o dinheiro da família e por onde «volta»?
- b) Explica o que mostra o exemplo sobre a redistribuição dentro do circuito económico.
Equilíbrio entre recursos e empregos
Numa economia, tudo o que está disponível tem de ter um destino. Os recursos são o que se produz internamente (PIB) mais o que se importa (M). Os empregos são os usos desses bens: consumo privado (C), consumo público (G), investimento (I) e exportações (X).
Fugas e injeções (apoio)
Nem todo o rendimento volta de imediato ao circuito como consumo: uma parte foge (poupança, impostos, importações). Essas fugas podem regressar como injeções (investimento, despesa pública, exportações).
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Fugas $>$ injeções → o circuito tende a contrair-se.
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Fugas $<$ injeções → o circuito tende a expandir-se.
Propensão marginal ao consumo e efeito multiplicador (apoio)
Quando uma injeção chega ao circuito, o efeito não para no primeiro destinatário: quem recebe o rendimento gasta uma parte e essa despesa é rendimento de outros. A propensão marginal ao consumo (PMC) indica a fração de cada euro de rendimento adicional que é gasta. Uma PMC de $0{,}75$ significa que, de cada $100\ \text{€}$ de rendimento adicional, se gastam $75\ \text{€}$ e os restantes $25\ \text{€}$ saem do circuito (poupança, impostos, importações).
Como a despesa se repete em cadeia, cada ronda é menor do que a anterior e o rendimento total aumenta mais do que a injeção inicial. O multiplicador mede esse aumento: $$k = \frac{1}{1 - \text{PMC}}$$ Se a injeção for $\Delta I$, a variação do rendimento é $k \times \Delta I$. O mesmo vale em sentido contrário: uma redução da despesa provoca uma contração multiplicada do rendimento.
Porquê? Se sai mais dinheiro do que entra, a despesa total desce, as empresas vendem menos e reduzem produção e salários na volta seguinte.
No circuito, a poupança das famílias é uma «fuga» e o investimento das empresas uma «injeção». Explica o significado de cada termo recorrendo à comparação com um…
No circuito, a poupança das famílias é uma «fuga» e o investimento das empresas uma «injeção». Explica o significado de cada termo recorrendo à comparação com um circuito de água: por onde sai a água e por onde volta a entrar?
As famílias de um país decidem poupar uma parte muito maior do seu rendimento. a) Explica que «fuga» sofre o circuito e que efeito imediato tem sobre as empresas. b) Que…
As famílias de um país decidem poupar uma parte muito maior do seu rendimento.
- a) Explica que «fuga» sofre o circuito e que efeito imediato tem sobre as empresas.
- b) Que «injeção» poderia compensar essa fuga? Justifica a resposta.
Os turistas estrangeiros gastam todos os verões milhões de euros numa zona costeira; os hotéis da zona importam parte da comida que servem. a) A despesa turística é uma…
Os turistas estrangeiros gastam todos os verões milhões de euros numa zona costeira; os hotéis da zona importam parte da comida que servem.
- a) A despesa turística é uma fuga ou uma injeção para a economia portuguesa? Por onde entra no circuito?
- b) E a comida importada pelos hotéis? Explica como ambas as situações se compensam parcialmente.
Uma economia fictícia apresenta os seguintes dados macroeconómicos anuais (em milhares de milhões de euros): Poupança privada ($S$) = $200$ Investimento empresarial…
Uma economia fictícia apresenta os seguintes dados macroeconómicos anuais (em milhares de milhões de euros):
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Poupança privada ($S$) = $200$
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Investimento empresarial ($I$) = $250$
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Impostos líquidos ($T$) = $300$
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Despesa pública ($G$) = $280$
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Importações ($M$) = $150$
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Exportações ($X$) = $100$
- a) Classifica as variáveis em fugas e injeções do fluxo circular, calcula o saldo líquido entre ambas e prevê fundamentadamente a tendência que a produção nacional (rendimento) e o nível de emprego irão registar se não ocorrerem alterações exógenas.
- b) Perante esta situação, o Governo propõe aumentar a despesa pública ($G$) para os $320\ \text{milhares de milhões}$ para corrigir o diferencial, assegurando que «o aumento da atividade económica equilibrará automaticamente o défice público e o setor externo». Avalia criticamente esta afirmação: calcula o novo saldo orçamental do Estado ($G - T$), o saldo comercial ($X - M$) e justifica que desequilíbrios macroeconómicos se estariam a acumular no fluxo circular.
Limites do modelo do circuito
O esquema do circuito só «vê» o que passa por mercados e se paga em euros. Isso levanta duas limitações importantes.
O modelo é também um esquema fechado: mostra rendimento e despesa, mas omite os fluxos biofísicos que o sustentam. A produção consome recursos naturais e energia (entradas) e devolve resíduos, emissões e calor dissipado (saídas). Como os recursos e a capacidade da natureza para absorver resíduos são limitados, a ideia de que o circuito pode girar cada vez mais depressa, sem teto, não se sustenta: o PIB não pode crescer indefinidamente à custa de recursos finitos. Estes limites ecológicos aparecem também como externalidades negativas (poluição), que o circuito não contabiliza.
Durante uma recessão, um país regista uma quebra de $4,5\,\%$ no seu PIB, o que reflete uma descida notável nas trocas monetárias do fluxo circular. No entanto, os…
Durante uma recessão, um país regista uma quebra de $4,5\,\%$ no seu PIB, o que reflete uma descida notável nas trocas monetárias do fluxo circular. No entanto, os inquéritos às condições de vida mostram que o bem-estar material e o consumo de muitas famílias quase não se deteriorou, graças ao aumento dos cuidados e reparações domésticas não remuneradas, ao cultivo de hortas familiares e à troca direta de bens e serviços entre vizinhos.
- a) Analisa criticamente este paradoxo a partir das limitações do modelo do fluxo circular tradicional: justifica que transações reais e de fatores ficam invisibilizadas ao medir a economia apenas através de fluxos monetários e que riscos acarreta desenhar políticas públicas baseando-se unicamente nessa medição.
- b) Desenha uma proposta de adaptação concetual ou gráfica do esquema do fluxo circular que integre tanto o trabalho doméstico não remunerado como as atividades informais, justificando como se relacionam estes fluxos com as famílias e as empresas do circuito oficial.
Um representante empresarial defende num debate: «O modelo do fluxo circular do rendimento demonstra que o crescimento do PIB pode ser contínuo e ilimitado: a despesa de…
Um representante empresarial defende num debate: «O modelo do fluxo circular do rendimento demonstra que o crescimento do PIB pode ser contínuo e ilimitado: a despesa de uns é o rendimento de outros, pelo que o circuito pode girar cada vez mais depressa sem encontrar qualquer limite físico».
- a) Contesta esta afirmação sob a perspetiva da economia ecológica: explica que fluxos biofísicos de entrada (recursos naturais, energia) e de saída (resíduos, emissões, calor dissipado) são omitidos no esquema fechado tradicional do fluxo circular.
- b) Justifica por que razão considerar o fluxo circular como um sistema isolado pode gerar sinais erróneos na política económica (por exemplo, celebrando um aumento do PIB decorrente de uma catástrofe ambiental) e concebe uma proposta conceptual para integrar os limites biofísicos da biosfera na análise económica básica.
De volta ao início: o salário da repositora vem do mercado de fatores; ao gastá-lo em bens, ela devolve-o às empresas, que com ele pagam salários a outros trabalhadores. O circuito fecha-se.