Consumo responsável e sustentável
Na pastelaria da esquina, o café custa 0,80 € em qualquer dia. Mas quem plantou o café? Quanto recebeu? Que caminho fez até à chávena? E o que acontece ao copo depois de o deitares fora? Cada compra é também um voto sobre o tipo de economia que queremos. Neste apartado vais ver como consumir de forma mais responsável.
O que é o consumo responsável
Consumo responsável é consumir tendo em conta os efeitos das nossas escolhas nas pessoas e no ambiente, e não apenas o preço e a vontade de ter o produto. Já viste que, por causa do problema económico, temos de escolher. Aqui acrescenta-se uma pergunta: que consequências tem a minha escolha?
Há três dimensões a considerar:
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social: em que condições trabalharam as pessoas que produziram o bem (salário, horário, trabalho infantil);
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ambiental: que recursos se gastaram, que poluição se produziu, que resíduos sobram;
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económica: quanto custa e a que economia local ou distante o dinheiro vai parar.
Uma compra responsável não é sempre a mais cara nem a mais barata: é a que foi pensada. Podes usar alguns sinais para escolher melhor:
| Sinal | O que indica |
|---|---|
| Selo de comércio justo | Produtores com preço e condições de trabalho dignos |
| Produção biológica | Menos pesticidas e adubos químicos |
| Produto de proximidade | Menos transporte; apoia a economia local |
| Rótulo energético (A a G) | Menor consumo de eletricidade |
| Material reciclado ou reciclável | Menos resíduos e menos matérias-primas novas |
Num supermercado de Coimbra, um quilo de café convencional custa $12\ \text{€}$ e um quilo de café com selo de comércio justo custa $14\ \text{€}$. a) Explica o que é o…
Num supermercado de Coimbra, um quilo de café convencional custa $12\ \text{€}$ e um quilo de café com selo de comércio justo custa $14\ \text{€}$.
- a) Explica o que é o comércio justo e porque é que, em regra, os seus produtos são mais caros do que os convencionais.
- b) Uma família que compra $2\ \text{kg}$ de café por mês decidiu passar a comprar apenas café de comércio justo. Calcula quanto passará a gastar a mais por ano.
- c) Além do selo de comércio justo, indica dois outros sinais que te ajudam a escolher produtos mais responsáveis quando fazes compras (por exemplo, produção biológica, proximidade, rótulo ecológico da União Europeia).
Comércio justo e produtos de proximidade
O comércio justo é um modelo de comércio em que os produtores (muitas vezes de países em desenvolvimento) recebem um preço mínimo digno, trabalham em condições seguras e não há trabalho infantil. Em geral, os produtos custam mais porque o preço paga melhor o trabalho de quem produz e os custos de certificação.
Os produtos de proximidade são produzidos perto de onde se consomem (a fruta do mercado local, o queijo de uma queijaria da região). Têm vantagens:
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menos transporte, logo menos combustível e menos emissões;
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o dinheiro fica na economia local (agricultores, pequenos comerciantes);
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produtos mais frescos e da época.
Pegada ecológica e consumo
A pegada ecológica mede a pressão que as nossas atividades exercem sobre a natureza: quanta terra, água e energia são precisas para produzir o que consumimos e absorver os resíduos e as emissões que geramos. O transporte faz parte da pegada porque queima combustíveis e emite dióxido de carbono (CO₂).
Em regra, quanto maior a distância e mais poluente o meio de transporte, maior é a pegada do transporte:
Na semana da alimentação saudável, a escola do Tomás comparou a origem de três produtos à venda na zona: morangos produzidos no Alentejo, que percorrem cerca de…
Na semana da alimentação saudável, a escola do Tomás comparou a origem de três produtos à venda na zona:
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morangos produzidos no Alentejo, que percorrem cerca de $200\ \text{km}$ de camião até Lisboa;
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morangos importados de Marrocos, que percorrem mais de $1\,000\ \text{km}$, entre camião e barco;
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mirtilos vindos do Peru, que viajam cerca de $9\,000\ \text{km}$, a maior parte de avião.
- a) Explica o que é a pegada ecológica associada ao consumo e por que razão o transporte dos produtos faz parte dela.
- b) Ordena os três produtos, da menor para a maior pegada associada ao transporte, e justifica a ordenação com os dados do enunciado.
- c) Explica o que é o consumo local (ou «de proximidade») e apresenta duas vantagens e uma limitação deste tipo de consumo (preço, variedade, sazonalidade).
- d) Indica dois outros comportamentos de consumo sustentável que possas adotar no dia a dia, explicando o impacto de cada um.
Resíduos e economia circular
Na economia linear, extrai-se, produz-se, usa-se e deita-se fora. Na economia circular, procura-se manter os produtos e os materiais em uso o mais tempo possível, reduzindo os resíduos. A pirâmide da gestão de resíduos ordena as opções da mais sustentável para a menos sustentável:
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Reduzir: consumir menos e evitar o desperdício (a melhor opção, pois o resíduo nem chega a existir).
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Reutilizar: dar nova vida ao objeto sem o transformar (garrafas, roupa em segunda mão).
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Reciclar: transformar o material em matéria-prima nova (papel, vidro, plástico, metal).
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Valorizar: aproveitar a energia dos resíduos que não se conseguem reciclar.
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Eliminar: aterro, a pior opção.
A reciclagem não está no topo porque gasta energia e recursos no processo, e nem todo o material se recupera. Antes de reciclar, convém reduzir e reutilizar. Em Portugal, o ecoponto amarelo é para plástico e metal, o azul para papel e cartão e o verde para vidro.
Exemplos de economia circular em ação: reparar um telemóvel em vez de comprar outro, comprar roupa em segunda mão, partilhar ferramentas ou um carro, ou uma empresa que recupera componentes usados (remanufatura).
A figura apresenta a pirâmide da gestão dos resíduos, ordenada da opção mais sustentável (no topo) para a menos sustentável (na base), com uma das etiquetas tapada. a)…
A figura apresenta a pirâmide da gestão dos resíduos, ordenada da opção mais sustentável (no topo) para a menos sustentável (na base), com uma das etiquetas tapada.
- a) Que opção está tapada na pirâmide? Justifica a posição que ocupa.
- b) Explica por que razão a reciclagem não está no topo da pirâmide: o que deve acontecer antes de se chegar à reciclagem?
- c) Relaciona esta hierarquia com o conceito de economia circular e dá um exemplo concreto de economia circular em ação (reparação, compra em segunda mão, partilha de bens, remanufatura).
- d) Em Portugal, produzem-se cerca de $5$ milhões de toneladas de resíduos urbanos por ano, aproximadamente $500\ \text{kg}$ por habitante. Se cada português reduzisse os seus resíduos em $10\ \%$, calcula quantos quilogramas se evitariam por habitante e quantas toneladas no total do país.
Em resumo
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Consumo responsável é escolher tendo em conta os efeitos sociais e ambientais, não só o preço.
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Comércio justo: preço digno e boas condições para os produtores, o que costuma encarecer o produto.
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Produtos de proximidade: menos transporte e apoio à economia local, mas é preciso comparar o impacto total.
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Pegada ecológica: pressão sobre os recursos naturais; o transporte é uma das suas componentes.
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Pirâmide dos resíduos: reduzir, reutilizar, reciclar, valorizar, eliminar, por esta ordem de preferência.
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Economia circular: manter produtos e materiais em uso o mais tempo possível, reduzindo resíduos.
De volta ao início: o café da pastelaria tem uma história social e ambiental por trás, e cada escolha tua, do rótulo ao ecoponto, faz parte dela.