Da troca direta à moeda digital
A Beatriz quer um pastel de nata, mas na pastelaria ninguém aceita o desenho que ela fez na escola. Hoje basta pagar 1,30 €. Mas como seria o mundo sem moeda? E como é que passámos das conchas e do gado ao saldo do telemóvel? É isso que vais perceber nesta página.
A troca direta e os seus problemas
Antes de existir moeda, as pessoas trocavam diretamente bens e serviços: o pescador dava peixe ao padeiro e recebia pão. A isto chama-se troca direta (ou escambo).
Funciona bem quando duas pessoas querem exatamente o que a outra tem. Mas e se o padeiro já tiver peixe que chegue e precisar de lenha? O pescador fica com peixe e sem pão.
Os economistas dizem que a troca direta exige uma dupla coincidência de vontades: cada pessoa tem de querer precisamente o que a outra oferece, ao mesmo tempo. Quando isso falha, é preciso procurar uma terceira pessoa, e mais outra, até fechar a cadeia de trocas. Perde-se tempo.
Há outros problemas: não é fácil comparar valores (quantos peixes valem um saco de farinha?) e muitos bens não se dividem sem perder valor (uma vaca não se corta ao meio para pagar metade de um sapato).
Numa aldeia da Antiguidade, antes de existir moeda, os produtores trocavam diretamente o que faziam: o pescador dava peixe ao padeiro em troca de pão. a) Explica o que é…
Numa aldeia da Antiguidade, antes de existir moeda, os produtores trocavam diretamente o que faziam: o pescador dava peixe ao padeiro em troca de pão.
- a) Explica o que é a troca direta.
- b) Certo dia, o padeiro já não quer peixe: precisa de lenha para o forno. Que problema surge agora para o pescador, que quer pão mas só tem peixe para oferecer?
- c) Os economistas dizem que a troca direta exige uma «dupla coincidência de vontades». Explica o significado desta expressão e relaciona o problema que ela descreve com o aparecimento da moeda.
O aparecimento da moeda
Para resolver o problema, as comunidades começaram a escolher um bem que todos aceitavam em troca de qualquer outro. Em vez de trocar peixe por pão, o pescador vendia o peixe por esse bem e usava-o depois para comprar pão, lenha ou o que quisesse. Nasceu assim a moeda: algo geralmente aceite nas trocas.
A troca deixa de precisar de dupla coincidência: vende-se a quem quer comprar e compra-se a quem quer vender, em momentos diferentes. Daí a moeda ter três funções, que estudas com detalhe na página MOEDA-FUNC (as funções da moeda): meio de pagamento (serve para pagar bens e serviços), medida de valor (permite exprimir o preço de tudo na mesma unidade) e reserva de valor (permite guardar poder de compra para usar mais tarde).
Da moeda-mercadoria à moeda escritural
A moeda foi mudando de forma ao longo dos séculos.
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Moeda-mercadoria: um bem com utilidade própria que serve de moeda (gado, sal, conchas, cereais). Tem desvantagens: estraga-se, ocupa espaço e nem sempre se divide.
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Moeda metálica: moedas de ouro, prata, cobre ou bronze, cunhadas por um soberano. São duráveis, fáceis de transportar, divisíveis em várias unidades e de valor reconhecível.
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Papel-moeda: notas, mais leves do que os metais. Começaram por ser certificados de depósito de metais preciosos; hoje o seu valor assenta na confiança e na lei, e não no papel.
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Moeda escritural: o dinheiro registado nas contas bancárias. Move-se por transferência, cartão ou MB Way, sem passar notas de mão em mão.
Classifica cada um dos meios de pagamento seguintes como moeda-mercadoria, moeda metálica, papel-moeda ou moeda escritural, justificando cada escolha. a) Sacos de sal…
Classifica cada um dos meios de pagamento seguintes como moeda-mercadoria, moeda metálica, papel-moeda ou moeda escritural, justificando cada escolha.
- a) Sacos de sal com que se pagava a soldados do Império Romano.
- b) Conchas raras usadas como pagamento em povoações antigas.
- c) Moedas de ouro e de prata cunhadas pelos reis de Portugal.
- d) Uma nota de 20 € na carteira do Afonso.
- e) O saldo da conta à ordem usado pela mãe da Beatriz para pagar as compras do supermercado.
- f) O gado (vacas e ovelhas) aceite como pagamento entre pastores.
A linha do tempo seguinte mostra as grandes etapas da evolução da moeda, mas uma delas está tapada por um ponto de interrogação. a) Indica a etapa que falta na linha do…
A linha do tempo seguinte mostra as grandes etapas da evolução da moeda, mas uma delas está tapada por um ponto de interrogação.
- a) Indica a etapa que falta na linha do tempo e dá dois exemplos de bens que foram usados como moeda nessa etapa.
- b) Explica duas vantagens das moedas metálicas face aos bens da etapa anterior (pensa na durabilidade, no transporte e na possibilidade de as dividir).
- c) Hoje convivem várias formas de moeda ao mesmo tempo. Dá, a partir do teu dia a dia, um exemplo de papel-moeda e um exemplo de moeda escritural.
E as criptomoedas?
Hoje a maior parte da moeda é escritural. Há quem pense que as criptomoedas, como a bitcoin, serão a moeda do futuro. Para o avaliar, usa duas condições que qualquer moeda tem de cumprir:
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ser aceite por todos como meio de pagamento;
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conservar o valor ao longo do tempo.
As criptomoedas só são aceites por muito poucos estabelecimentos e o seu preço pode subir ou descer muito num só dia. Por isso, nas AE de Economia A, não são consideradas um tipo de moeda: são, para já, um ativo especulativo.
Já as notas e moedas de euro são emitidas pelo Eurosistema (Banco Central Europeu e bancos centrais nacionais, como o Banco de Portugal) e têm curso legal: a lei obriga a aceitá-las como pagamento de dívidas em Portugal. Isso dá-lhes aceitação geral e uma confiança que a bitcoin não tem.
Num debate na turma, o Rodrigo defendeu: «A bitcoin e as outras criptomoedas são a moeda do futuro e vão substituir o euro.» a) Para funcionar como moeda, algo tem de…
Num debate na turma, o Rodrigo defendeu: «A bitcoin e as outras criptomoedas são a moeda do futuro e vão substituir o euro.»
- a) Para funcionar como moeda, algo tem de ser aceite por todos como meio de pagamento e tem de conservar o seu valor ao longo do tempo. Analisa se a bitcoin cumpre hoje estas duas condições (pensa no número de lojas portuguesas que a aceitam e na forte subida e descida do seu preço).
- b) As notas e as moedas de euro são emitidas pelo Eurosistema — o Banco Central Europeu e os bancos centrais nacionais, como o Banco de Portugal — e têm curso legal em Portugal. Explica o que significa «curso legal» e por que razão a existência de instituições públicas por trás da moeda reforça a confiança das pessoas.
- c) Assume a tua posição no debate: consideras que as criptomoedas são já moeda em sentido pleno? Justifica com as tuas respostas anteriores.
De volta ao início: a Beatriz já não precisa de que a pastelaria queira o seu desenho; paga com moeda, que todos aceitam.
Em resumo
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Troca direta: bem por bem, sem moeda; exige dupla coincidência de vontades.
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A moeda surgiu para resolver esse problema, separando a venda da compra.
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Evolução: moeda-mercadoria → moeda metálica → papel-moeda → moeda escritural.
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Hoje a maior parte da moeda é escritural; as notas e moedas de euro têm curso legal.
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Uma moeda tem de ser aceite por todos e conservar o seu valor; as criptomoedas não cumprem bem estas condições.