Elos e pedido de ajuda
O Martim ia a caminho da escola, em Coimbra, quando viu uma ciclista cair e ficar imóvel no chão. Aproximou-se e ela não respondia. O que deve fazer primeiro? E porque é que cada minuto conta tanto?
O que é a cadeia de sobrevivência
Na paragem cardiorrespiratória, o coração deixa de bombear sangue de forma eficaz e a pessoa deixa de respirar normalmente. O cérebro fica sem oxigénio e começa a ser lesado em poucos minutos.
O European Resuscitation Council (ERC) organizou as ações que mais aumentam a probabilidade de sobrevivência numa sequência a que chama cadeia de sobrevivência. Cada ação é um elo.
Os cinco elos são:
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Reconhecimento precoce e pedido de ajuda: perceber que a vítima não responde nem respira normalmente e ligar 112.
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RCP precoce: iniciar logo a reanimação cardiopulmonar (compressões no tórax), para manter algum sangue a chegar ao cérebro e ao coração.
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Desfibrilhação precoce: usar o desfibrilhador automático externo (DAE), que pode repor um ritmo normal do coração.
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Cuidados diferenciados: a equipa do INEM (ou outra equipa de emergência) continua o tratamento com meios e medicamentos próprios.
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Cuidados pós-reanimação: tratamento no hospital para recuperar o organismo e prevenir novas complicações.
A cadeia de sobrevivência, definida pelo European Resuscitation Council, organiza em cinco elos as ações que mais aumentam a probabilidade de sobrevivência de uma vítima…
A cadeia de sobrevivência, definida pelo European Resuscitation Council, organiza em cinco elos as ações que mais aumentam a probabilidade de sobrevivência de uma vítima de paragem cardiorrespiratória. Na figura seguinte, dois dos elos estão substituídos por «?».
- a) Identifica os dois elos em falta na figura.
- b) Descreve, por palavras tuas, o que acontece em cada um dos cinco elos.
- c) Explica por que razão se chama «cadeia» a este conjunto de ações, referindo o que acontece quando um dos elos falha.
Reconhecer e pedir ajuda
Perante uma vítima caída, a ordem lógica é:
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Verificar se o local é seguro para ti e para a vítima.
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Verificar se a vítima responde (chamar, sacudir suavemente os ombros) e se respira normalmente.
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Se não responde e não respira normalmente: ligar 112 (ou pedir a alguém que o faça).
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Iniciar a RCP e, assim que houver, usar o DAE.
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Continuar até chegarem os socorros diferenciados.
O 112 é o número europeu de emergência, válido em toda a União Europeia e gratuito. Em Portugal, quem coordena os meios de emergência médica pré-hospitalar é o INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica), através dos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU).
O que dizer ao operador
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Onde estás: localidade, rua, número ou ponto de referência.
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O que aconteceu: a vítima não responde e não respira normalmente.
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Quantas vítimas há e o seu estado (idade aproximada, se é adulto ou criança).
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O teu nome e um número de telefone para contacto.
O operador faz perguntas e orienta-te, por exemplo, ajudando-te a fazer as compressões. Por isso não desligues até ele te dizer que podes desligar: pode ser preciso dar mais informação, e as instruções dele podem salvar a vida da vítima. Se possível, põe o telemóvel em alta voz para teres as mãos livres.
O Martim ia a caminho da escola quando viu uma ciclista cair e ficar imóvel no chão. Aproximou-se com cuidado e verificou que ela não respondia. a) Indica o número de…
O Martim ia a caminho da escola quando viu uma ciclista cair e ficar imóvel no chão. Aproximou-se com cuidado e verificou que ela não respondia.
- a) Indica o número de emergência para o qual o Martim deve ligar, válido em toda a União Europeia.
- b) Indica três informações que o Martim deve dar ao operador que atende a chamada.
- c) Explica por que razão o Martim não deve desligar a chamada enquanto o operador não o indicar.
- d) Indica a instituição que, em Portugal, coordena os meios de emergência médica pré-hospitalar.
Numa aula de Ciências Naturais, a turma da Inês recebeu cinco cartões com ações a realizar perante uma vítima de paragem cardiorrespiratória: A — Iniciar a reanimação…
Numa aula de Ciências Naturais, a turma da Inês recebeu cinco cartões com ações a realizar perante uma vítima de paragem cardiorrespiratória:
A — Iniciar a reanimação cardiopulmonar.
B — Verificar se a vítima responde e se respira normalmente.
C — Ligar para o número de emergência.
D — Utilizar o desfibrilhador automático externo.
E — Acompanhar a vítima até à chegada dos socorros diferenciados.
- a) Ordena as cinco ações pela ordem em que devem ocorrer, da primeira à última.
- b) Explica por que razão a primeira ação nunca é «iniciar a reanimação».
- c) Explica por que razão cada minuto conta numa situação deste tipo.
Cada minuto conta
Sem circulação, as células do cérebro ficam sem oxigénio. Quanto mais tempo passa, menor a probabilidade de a pessoa sobreviver e de recuperar sem sequelas.
Valores estimados de diminuição da probabilidade de sobrevivência:
| Situação | Diminuição por minuto |
|---|---|
| Sem reanimação nem desfibrilhação | cerca de 10 pontos percentuais |
| Com RCP iniciada por uma testemunha | cerca de 3 pontos percentuais |
Repara na diferença: a RCP não resolve a paragem, mas abranda a perda de hipóteses, dando tempo ao DAE e aos socorros. Por isso a ação da testemunha é decisiva.
De volta ao início: o Martim deve verificar a segurança, a resposta e a respiração, ligar 112 e iniciar a RCP, porque cada minuto perdido faz diminuir de forma acentuada as hipóteses da ciclista.
Na Europa, menos de 1 em cada 10 pessoas que sofrem uma paragem cardíaca fora do hospital sobrevive. A probabilidade de sobrevivência depende do tempo que passa até ao…
Na Europa, menos de 1 em cada 10 pessoas que sofrem uma paragem cardíaca fora do hospital sobrevive. A probabilidade de sobrevivência depende do tempo que passa até ao início da ajuda, como mostram os valores estimados da tabela:
| Situação | Diminuição da probabilidade de sobrevivência |
|---|---|
| Sem reanimação nem desfibrilhação | cerca de 10 pontos percentuais por minuto |
| Com RCP iniciada por uma testemunha | cerca de 3 pontos percentuais por minuto |
Admite que, no instante da paragem, a probabilidade de sobrevivência de uma vítima é de 80 % e que uma ambulância demora 8 minutos a chegar ao local.
- a) Estima a probabilidade de sobrevivência da vítima ao fim de 4 minutos e ao fim de 8 minutos, se ninguém iniciar a RCP. Comenta os valores obtidos.
- b) Estima essa probabilidade ao fim dos 8 minutos, admitindo que uma testemunha inicia a RCP logo no primeiro minuto e a mantém até à chegada da ambulância (admite que a diminuição mais lenta se aplica aos 8 minutos).
- c) Calcula a diferença, em pontos percentuais, entre a probabilidade estimada na alínea b) e a probabilidade ao fim de 8 minutos da alínea a), e comenta o resultado.
- d) Relaciona os resultados com o papel dos elos «RCP precoce» e «desfibrilhação precoce» da cadeia de sobrevivência.