Sangue, linfa e tecidos
Depois de um dia inteiro sentado na escola, o Martim repara que as meias deixaram uma marca nas pernas. Entretanto, o sangue passou o dia a trocar líquido com os tecidos. Para onde vai todo esse líquido e como é que não fica acumulado? A resposta está na relação entre o sangue, o líquido intersticial e a linfa.
Do sangue ao líquido intersticial
As células do corpo não estão em contacto direto com o sangue. Entre os capilares sanguíneos e as células existe o líquido intersticial (ou líquido tecidular), que banha todas as células.
Os capilares têm paredes muito finas, com poros. A pressão do sangue empurra o plasma para fora, ficando para trás as células sanguíneas e as proteínas de grande dimensão. O líquido que sai é, por isso, plasma «sem proteínas grandes».
As trocas entre o sangue e as células fazem-se através deste líquido. É a hematose tecidular:
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do sangue para o líquido intersticial e daí para as células: $\text{O}_2$, glicose e outros nutrientes;
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das células para o líquido intersticial e daí para o sangue: $\text{CO}_2$ e resíduos (como a ureia).
O balanço diário: 20 L, 17 L e 3 L
Em cada dia, cerca de $20\ \text{L}$ de líquido saem dos capilares sanguíneos de todo o corpo para os espaços entre as células. Se ficassem lá, os tecidos inchariam. O que acontece?
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Cerca de $17\ \text{L}$ são reabsorvidos pelos próprios capilares sanguíneos (na zona final do capilar, onde o sangue já perdeu pressão).
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O volume restante não regressa pelos capilares sanguíneos. Entra nos capilares linfáticos e passa a chamar-se linfa.
Em cada dia, cerca de $20\ \text{L}$ de líquido (plasma sem as proteínas de grande dimensão) passam dos capilares sanguíneos de todo o corpo para os espaços entre as…
Em cada dia, cerca de $20\ \text{L}$ de líquido (plasma sem as proteínas de grande dimensão) passam dos capilares sanguíneos de todo o corpo para os espaços entre as células; desse volume, cerca de $17\ \text{L}$ são reabsorvidos pelos próprios capilares sanguíneos. O esquema seguinte resume estas relações.
- a) Identifica as trocas representadas pelas setas 1 e 2 e indica uma substância transferida em cada sentido, relacionando-as com a hematose tissular.
- b) Qual das setas representa a formação da linfa? Justifica com os valores apresentados no enunciado.
- c) Calcula o volume de linfa formado por dia e determina que percentagem esse volume representa do líquido que sai dos capilares sanguíneos.
- d) A linfa regressa ao sangue no local assinalado com «?». Indica em que vasos sanguíneos isso acontece.
O circuito completo e o regresso ao sangue
A linfa não fica nos vasos linfáticos: circula e regressa ao sangue. Os vasos linfáticos vão-se juntando em vasos cada vez maiores, passam pelos gânglios linfáticos e desembocam em veias perto do coração. Assim, os $3\ \text{L}$ drenados por dia voltam ao sangue e o volume de sangue mantém-se.
Em resumo, o sangue, o líquido intersticial e a linfa formam um circuito: o que sai do sangue ou regressa por ele (17 L) ou regressa através da linfa (3 L).
Tipos de linfa
Nem toda a linfa é igual. Distinguem-se dois tipos, consoante o local onde se forma:
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linfa intersticial (ou linfa circulante): forma-se a partir do líquido intersticial em quase todo o corpo. É transparente, rica em água e sais e com poucas proteínas; transporta linfócitos e ajuda na defesa;
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quilo: é a linfa do intestino delgado, que recebe as gorduras absorvidas nas vilosidades intestinais e fica esbranquiçada, rica em lípidos.
Os dois tipos acabam por se juntar e regressar ao sangue pelas veias.
Quando a drenagem falha: o linfedema
Quando os vasos ou os gânglios linfáticos de uma zona são retirados ou cortados, essa zona perde a drenagem. Isto acontece, por exemplo, em algumas cirurgias à mama em que se retiram gânglios da axila.
Em algumas cirurgias oncológicas da mama são retirados gânglios linfáticos da axila e cortados vasos linfáticos que drenam o braço do lado operado. Algumas doentes…
Em algumas cirurgias oncológicas da mama são retirados gânglios linfáticos da axila e cortados vasos linfáticos que drenam o braço do lado operado. Algumas doentes desenvolvem, meses depois, um inchaço persistente desse braço, chamado linfedema.
- a) Recorrendo às relações entre o sangue, o líquido intersticial e a linfa, explica a origem do inchaço.
- b) Explica por que motivo este inchaço é persistente, ao contrário do inchaço das pernas no fim de um dia passado sentado.
- c) A fisioterapia destas doentes inclui massagens de drenagem linfática e exercícios com o braço. Justifica a utilidade destas medidas com base no mecanismo de circulação da linfa.
Em resumo
De volta ao início: as marcas das meias do Martim devem-se a líquido intersticial acumulado durante o dia; os vasos linfáticos e a reabsorção nos capilares evitam que isso seja mais grave.