Reanimação cardiopulmonar
Estás num ginásio em Braga e vês um cliente cair no chão. Não responde e não respira normalmente. Há uma coisa que ajuda muito a salvá-lo: começar logo a reanimação cardiopulmonar (RCP). Mas o que se faz, ao certo, com as mãos e com a boca? E porque é que cada segundo conta? Vamos ver.
Porque é que a RCP é necessária
Na paragem cardiorrespiratória, o coração deixa de bombear sangue de forma eficaz e a pessoa deixa de respirar normalmente. Sem sangue a circular, o oxigénio não chega ao cérebro e aos outros órgãos. Passados poucos minutos, os danos no cérebro podem ser graves.
A RCP não faz o coração voltar a bater por si. Faz de bomba artificial: ao comprimir o tórax, empurra-se o sangue para o corpo e mantém-se o oxigénio a chegar ao cérebro, até chegar ajuda diferenciada (INEM) ou um desfibrilhador.
Como se fazem as compressões
Depois de verificares que a vítima está inconsciente, sem respiração normal, e de ligares 112, inicia as compressões torácicas.
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Onde: no centro do tórax, na metade inferior do esterno.
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Mãos: a base de uma mão apoiada nesse ponto e a outra mão por cima, com os dedos entrelaçados.
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Braços: esticados, na vertical por cima do tórax da vítima, para usares o peso do corpo.
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Profundidade: o tórax de um adulto deve afundar cerca de 5 cm (sem passar os 6 cm).
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Frequência: 100 a 120 compressões por minuto.
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Depois de cada compressão, deixa o tórax voltar totalmente à posição inicial, sem tirar as mãos do sítio.
Uma funcionária de um ginásio encontrou um cliente caído, inconsciente e sem respiração normal. Depois de ligar para o 112, iniciou a reanimação cardiopulmonar. Nota: a…
Uma funcionária de um ginásio encontrou um cliente caído, inconsciente e sem respiração normal. Depois de ligar para o 112, iniciou a reanimação cardiopulmonar. Nota: a RCP treina-se apenas em manequins, nunca em colegas nem em qualquer pessoa saudável.
- a) Indica em que zona do tórax da vítima a reanimadora deve apoiar as mãos e como devem estar posicionados os braços.
- b) Indica quantas compressões e quantas insuflações compõem um ciclo de RCP num adulto.
- c) Indica a que frequência se devem fazer as compressões e com que profundidade aproximada deve afundar o tórax de um adulto em cada uma.
- d) Explica por que razão nunca se devem fazer compressões torácicas numa pessoa consciente ou que respira normalmente.
Ciclos de 30:2
Quando sabes e consegues fazer insuflações, a RCP organiza-se em ciclos de 30 compressões e 2 insuflações.
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Faz 30 compressões seguidas.
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Abre a via aérea (inclina a cabeça para trás e eleva o queixo) e faz 2 insuflações, de cerca de 1 segundo cada, vendo o tórax a subir.
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Volta de imediato às compressões, sem perder tempo.
As pausas para insuflar devem ser curtas: enquanto não se comprime, o sangue deixa de circular.
Se não estiveres treinado ou não quiseres fazer insuflações, faz só compressões, sem parar, até chegar ajuda.
Cerca de 5 ciclos demoram aproximadamente 2 minutos. A frequência «efetiva» das compressões ao longo de um minuto é, por isso, menor do que a frequência a que se comprime, porque há pausas para as insuflações.
Num curso de suporte básico de vida, os formandos aprenderam que a RCP se organiza em ciclos de 30 compressões e 2 insuflações e que se completam cerca de 5 ciclos em 2…
Num curso de suporte básico de vida, os formandos aprenderam que a RCP se organiza em ciclos de 30 compressões e 2 insuflações e que se completam cerca de 5 ciclos em 2 minutos, como mostra o esquema.
- a) Calcula quantas compressões e quantas insuflações se fazem, no total, em 5 ciclos de RCP.
- b) Calcula a frequência efetiva das compressões ao longo desses 2 minutos, em compressões por minuto.
- c) Explica por que razão o valor obtido na alínea b) é inferior à frequência de 100 a 120 compressões por minuto recomendada para as compressões.
- d) Ao fim dos 5 ciclos, chega ao local um desfibrilhador automático externo (DAE). Explica o que faz este aparelho e por que razão pode ser utilizado por uma pessoa sem formação médica.
O desfibrilhador automático externo
Em muitas paragens cardíacas, o coração fica com um ritmo desordenado que não bombeia sangue. Um choque elétrico dado a tempo pode permitir que o ritmo normal volte. É o que faz o desfibrilhador automático externo (DAE).
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Quando chega um DAE, liga-o e segue as instruções de voz do aparelho.
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Colocam-se os elétrodos adesivos no tórax nu da vítima, como indicado nas imagens que vêm desenhadas nos próprios elétrodos.
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O DAE analisa o ritmo e só aconselha o choque se for necessário. Quando manda afastar, ninguém toca na vítima.
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Depois do choque, ou se este não for indicado, retoma-se de imediato a RCP e continua-se até a vítima mostrar sinais de vida ou chegar a equipa de emergência.
Em Portugal, o 112 encaminha o pedido para o INEM, que pode orientar-te por telefone enquanto fazes a RCP.
Variante pediátrica
Numa criança, o essencial é o mesmo: chamar ajuda, comprimir e insuflar. Com mais pormenor:
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Começa-se com 5 insuflações iniciais, porque nas crianças a paragem é muitas vezes causada por falta de oxigénio.
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Depois faz-se 30 compressões e 2 insuflações. Os profissionais de saúde, quando são dois reanimadores, usam 15:2.
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A profundidade é cerca de um terço da altura do tórax (cerca de 5 cm numa criança e 4 cm num bebé).
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Num bebé, comprime-se com dois dedos no centro do tórax; numa criança, com uma ou duas mãos, conforme o tamanho.
Estas indicações seguem as recomendações do European Resuscitation Council, que se atualizam de tempos a tempos. Confirma sempre o que te ensinam no curso de SBV.
Em resumo
De volta ao início: ao ginásio, a funcionária salvou tempo precioso porque ligou 112, começou logo as compressões e pediu o DAE.