Gémeos monozigóticos e dizigóticos
Na turma da Inês há duas irmãs gémeas, a Matilde e a Leonor. Ninguém as consegue distinguir. Noutra turma, o Martim e a Francisca também são gémeos, mas um é rapaz e a outra é rapariga. Como podem dois pares de gémeos ser tão diferentes um do outro? A resposta está na forma como cada par se formou.
Duas maneiras de formar gémeos
Nos casos mais comuns, de cada gravidez nasce um bebé. Às vezes nascem dois: são os gémeos. Isto pode acontecer de duas maneiras.
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Gémeos monozigóticos (também chamados «verdadeiros» ou «idênticos»): um único óvulo é fecundado por um único espermatozoide, formando um só zigoto. Nos primeiros dias, as células resultantes da divisão do zigoto separam-se em dois grupos e cada grupo origina um embrião.
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Gémeos dizigóticos (também chamados «falsos» ou «fraternos»): são libertados dois óvulos na mesma ovulação e cada um é fecundado por um espermatozoide diferente. Formam-se dois zigotos.
Os prefixos ajudam a lembrar: mono = um, di = dois, e zigoto é a primeira célula do novo ser.
Os gémeos podem formar-se de duas maneiras: a partir de um único zigoto que se divide em dois embriões, ou a partir de dois óvulos fecundados por dois espermatozoides…
Os gémeos podem formar-se de duas maneiras: a partir de um único zigoto que se divide em dois embriões, ou a partir de dois óvulos fecundados por dois espermatozoides diferentes.
- a) Indica o nome dos gémeos formados em cada uma das situações descritas.
- b) Explica por que razão os gémeos de um dos tipos são sempre do mesmo sexo e geneticamente idênticos, enquanto os do outro tipo podem ser de sexos diferentes.
- c) Dois irmãos gémeos têm grupos sanguíneos diferentes. Indica, justificando, a que tipo de gémeos pertencem.
Que têm em comum?
A diferença na origem explica as semelhanças.
| Monozigóticos | Dizigóticos | |
|---|---|---|
| Zigotos | 1 | 2 |
| Óvulos e espermatozoides | 1 e 1 | 2 e 2 |
| Material genético | idêntico | diferente (como irmãos) |
| Sexo | sempre o mesmo | igual ou diferente |
| Grupo sanguíneo | o mesmo | pode ser diferente |
Porquê? O sexo é determinado pelos cromossomas sexuais que o espermatozoide traz (X ou Y) e que ficam no zigoto. Se há um só zigoto, os dois embriões herdam exatamente os mesmos cromossomas e os mesmos genes: o mesmo sexo e o mesmo grupo sanguíneo. Com dois zigotos, cada espermatozoide pode trazer X ou Y (o óvulo traz sempre X) e cada óvulo e cada espermatozoide trazem combinações diferentes de genes: os irmãos podem ser rapaz e rapariga e ter características distintas.
Placenta, ambiente e pequenas diferenças
Depois da nidação, o embrião fixa-se no endométrio e forma-se a placenta.
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Nos dizigóticos, cada embrião resulta de um zigoto que faz a sua própria nidação, por isso cada um tem a sua placenta (às vezes tão juntas que parecem uma só).
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Nos monozigóticos, a separação do zigoto pode ocorrer em momentos diferentes. Se acontecer muito cedo, antes da nidação, cada embrião pode ter a sua placenta. Se acontecer mais tarde, depois de o embrião já se ter fixado, os dois partilham a mesma placenta. Isto só é possível porque, até essa altura, há um único embrião.
Mesmo com o mesmo ADN, os gémeos monozigóticos não são exatamente iguais ao longo da vida. O ambiente (alimentação, desporto, doenças, exposição ao Sol, hábitos como fumar) e pequenas alterações que ocorrem ao longo da vida fazem com que, passados anos, surjam diferenças de peso, de saúde ou de aspeto.
Numa maternidade portuguesa registaram-se, num determinado mês, 60 partos de gémeos. Em 45 desses partos os gémeos eram de sexos diferentes ou de grupos sanguíneos…
Numa maternidade portuguesa registaram-se, num determinado mês, 60 partos de gémeos. Em 45 desses partos os gémeos eram de sexos diferentes ou de grupos sanguíneos incompatíveis com a identidade genética; nos restantes 15 os gémeos eram do mesmo sexo e partilhavam todas as características hereditárias.
- a) Calcula a percentagem de partos de gémeos monocigóticos e de gémeos dicigóticos nesse mês.
- b) Explica por que razão a partilha da mesma placenta pode ocorrer nos gémeos monocigóticos, mas não nos dicigóticos.
- c) Um casal de gémeos monocigóticos apresenta, ao fim de alguns anos, pequenas diferenças de altura e de massa corporal. Explica como é possível que indivíduos geneticamente idênticos apresentem diferenças fenotípicas.
De volta ao início: a Matilde e a Leonor são provavelmente monozigóticas (mesmo zigoto, mesmo ADN); o Martim e a Francisca são dizigóticos (dois zigotos), por isso podem diferir em sexo e em características.