Tipos de movimentos ondulatórios
O som de um concerto no Coliseu, a luz do ecrã do telemóvel, as ondas gigantes da Nazaré e o sismo que destruiu Lisboa em 1755 são todos movimentos ondulatórios, mas não se parecem nada entre si. Para os compreender sem decorar caso a caso, basta fazer duas perguntas: o que é que a onda precisa para se propagar e como vibra o meio? Com elas percebes porque é que o som não se propaga no vácuo, porque é que um tsunami em mar aberto quase não se nota e porque é que uma corda de guitarra só soa com certas frequências.
O que transporta uma onda
Uma rolha de cortiça flutua num lago. Quando passam ondas, a rolha sobe e desce, mas fica praticamente no mesmo sítio. Então o que é que viaja?
Uma onda é uma perturbação que se propaga num meio (ou no vácuo) transportando energia, sem transportar matéria de forma duradoura. Cada ponto do meio apenas oscila em torno da sua posição de equilíbrio: passa a perturbação ao ponto seguinte e fica onde estava.
Se a fonte da perturbação oscilar com um movimento harmónico simples (MHS), por exemplo a mão a agitar a extremidade de uma corda para cima e para baixo de forma regular, cada ponto da corda repete o movimento da fonte, com a mesma frequência e a mesma amplitude, mas com um pequeno atraso que cresce com a distância. A onda diz-se então periódica e, neste caso, harmónica, porque tem origem num MHS.
Observa a onda: a forma avança, mas cada ponto só sobe e desce. A distância mínima entre dois pontos consecutivos que estão no mesmo estado de vibração (em fase) é o comprimento de onda $\lambda$ e o tempo de uma oscilação completa é o período $T$.
Uma rolha de cortiça flutua à superfície de um lago quando chega um comboio de ondas: a rolha sobe e desce, mas não avança com as ondas, como se mostra na figura. a)…
Uma rolha de cortiça flutua à superfície de um lago quando chega um comboio de ondas: a rolha sobe e desce, mas não avança com as ondas, como se mostra na figura.
- a) Justifica, a partir desta observação, o que é transportado por uma onda e o que não é transportado.
- b) Explica como chega então a perturbação a grandes distâncias sem que a água sofra um deslocamento horizontal líquido com ela.
A extremidade de uma corda é posta a oscilar verticalmente com um movimento harmónico simples. a) Explica por que razão a onda gerada na corda recebe o nome de onda…
A extremidade de uma corda é posta a oscilar verticalmente com um movimento harmónico simples.
- a) Explica por que razão a onda gerada na corda recebe o nome de onda harmónica.
- b) Descreve a relação existente entre o movimento de cada ponto da corda e o movimento da extremidade que se agita.
Segundo o meio: ondas mecânicas e eletromagnéticas
Se colocares uma campainha a tocar dentro de uma campânula de vidro e retirares o ar com uma bomba de vácuo, continuas a ver o martelo a bater, mas o som deixa de se ouvir. Porque é que a luz atravessa o vácuo sem dificuldade e o som precisa de matéria para viajar?
Classifica as seguintes ondas em mecânicas ou eletromagnéticas e explica o critério utilizado: a) O som emitido por um altifalante. b) A luz de um farol. c) As…
Classifica as seguintes ondas em mecânicas ou eletromagnéticas e explica o critério utilizado:
- a) O som emitido por um altifalante.
- b) A luz de um farol.
- c) As micro-ondas de um forno.
- d) As ondas do mar.
- e) As ondas sísmicas de um sismo.
Em $2015$ o observatório LIGO detetou pela primeira vez ondas gravitacionais provenientes da fusão de dois buracos negros situados a $1,3\cdot10^{9}$ anos-luz. As ondas…
Em $2015$ o observatório LIGO detetou pela primeira vez ondas gravitacionais provenientes da fusão de dois buracos negros situados a $1,3\cdot10^{9}$ anos-luz. As ondas gravitacionais propagam-se no vácuo a $c = 3\cdot10^{8}\ \text{m/s}$. Dados: $1$ ano-luz $= 9,46\cdot10^{15}\ \text{m}$; $1$ ano $= 3,156\cdot10^{7}\ \text{s}$.
- a) Exprime a distância à fonte em metros, em notação científica.
- b) Calcula o tempo durante o qual o sinal viajou até chegar à Terra, em segundos.
- c) Justifica se as ondas gravitacionais são ondas eletromagnéticas ou mecânicas e o que as distingue de umas e de outras.
Segundo a vibração: ondas transversais e longitudinais
Explica a diferença entre uma onda transversal e uma onda longitudinal, indicando como oscila o meio em cada caso relativamente à direção em que a perturbação se…
Explica a diferença entre uma onda transversal e uma onda longitudinal, indicando como oscila o meio em cada caso relativamente à direção em que a perturbação se propaga, e apresenta um exemplo real de cada tipo.
As ondas sísmicas P são longitudinais e as ondas sísmicas S são transversais. a) Explica o que significa cada uma destas afirmações, descrevendo como se move o terreno à…
As ondas sísmicas P são longitudinais e as ondas sísmicas S são transversais.
- a) Explica o que significa cada uma destas afirmações, descrevendo como se move o terreno à passagem de cada tipo de onda.
- b) Justifica qual dos dois tipos não se pode propagar através das camadas fluidas do interior da Terra e porquê.
Após um grande sismo, as estações situadas no outro lado do planeta, a mais de cerca de 103° do epicentro, não registam ondas S. Também as ondas P não chegam diretamente…
Após um grande sismo, as estações situadas no outro lado do planeta, a mais de cerca de 103° do epicentro, não registam ondas S. Também as ondas P não chegam diretamente a uma faixa intermédia, a designada «zona de sombra» (aproximadamente entre 103° e 143°), embora reapareçam mais longe depois de atravessarem o núcleo com trajetórias curvas. O esquema da figura resume essas observações.
- a) Explica que conclusão sobre a estrutura interna da Terra se deduz da ausência de ondas S na zona de sombra.
- b) Justifica, relacionando-o com o seu caráter transversal, por que razão as ondas S não atravessam o núcleo externo fluido.
- c) As ondas P mudam de velocidade ao entrar no núcleo e as suas trajetórias curvam-se: indica como se chama esse fenómeno e justifica por que razão ocorre quando uma onda muda de meio.
O som: uma onda de pressão
Quando alguém fala, as cordas vocais fazem vibrar o ar. Mas as moléculas do ar não viajam da boca até ao teu ouvido: o que viaja?
Sinais elétricos. Um microfone converte a variação de pressão do ar numa tensão elétrica que varia da mesma forma. Num osciloscópio vês essa tensão em função do tempo: da amplitude do sinal tiras a intensidade do som e do período $T$ obténs a frequência, $f = 1/T$.
Medir a velocidade do som. Coloca dois microfones a uma distância $d$ um do outro, na direção de propagação, e mede o intervalo de tempo $\Delta t$ entre os dois sinais: $v = d/\Delta t$. Repete a medição várias vezes e calcula a incerteza.
Em muitos filmes de ficção científica ouvem-se estrondosas explosões de naves no espaço exterior. a) Justifica, a partir da natureza do som, por que razão no vácuo do…
Em muitos filmes de ficção científica ouvem-se estrondosas explosões de naves no espaço exterior.
- a) Justifica, a partir da natureza do som, por que razão no vácuo do espaço não se poderia ouvir nenhuma explosão.
- b) Explica como comunicam os astronautas por voz com o controlo da missão e que tipo de onda é utilizado para esse efeito.
A ecossonda de um barco de pesca emite um pulso de ultrassons que demora $0,12\ \text{s}$ a descer até um cardume e a regressar. O som propaga-se na água do mar a…
A ecossonda de um barco de pesca emite um pulso de ultrassons que demora $0,12\ \text{s}$ a descer até um cardume e a regressar. O som propaga-se na água do mar a $1500\ \text{m/s}$. O esquema da figura mostra o trajeto do pulso.
- a) Calcula a profundidade a que se encontra o cardume, tendo em conta que o tempo medido corresponde ao trajeto de ida e volta.
- b) Se o pulso tiver uma frequência de $50\ \text{kHz}$, calcula o seu comprimento de onda na água.
- c) Explica, a partir do valor da frequência, por que razão estas ondas recebem o nome de ultrassons.
Um sonar de investigação oceanográfica deve distinguir objetos de $5\ \text{cm}$ no fundo marinho; para resolver um detalhe é necessário um comprimento de onda da ordem…
Um sonar de investigação oceanográfica deve distinguir objetos de $5\ \text{cm}$ no fundo marinho; para resolver um detalhe é necessário um comprimento de onda da ordem do tamanho do objeto ou menor. O som propaga-se na água a $1500\ \text{m/s}$.
- a) Calcula a frequência mínima que o sonar deve utilizar.
- b) Se o fundo estiver a $3000\ \text{m}$, calcula o tempo que decorre entre a emissão do pulso e a receção do seu eco.
- c) Um sonar de pesca convencional trabalha a $20\ \text{kHz}$: calcula o seu comprimento de onda e justifica se serviria para distinguir esses objetos.
A velocidade de propagação depende do meio
Numa trovoada, o clarão do relâmpago vê-se de imediato e o trovão só chega alguns segundos depois. E se encostares o ouvido a um carril de comboio, ouves o comboio muito antes de o ouvir pelo ar. Que propriedades do meio determinam a velocidade a que a perturbação se propaga?
Fixa a frequência (quem a impõe é a fonte) e altera o comprimento de onda: é o que acontece ao mudar de meio, porque $v = \lambda f$ varia só porque $\lambda$ varia.
A velocidade das ondas transversais numa corda esticada é $v = \sqrt{\frac{T}{\mu}}$, onde $T$ é a tensão e $\mu$ a densidade linear da corda. a) Justifica como se…
A velocidade das ondas transversais numa corda esticada é $v = \sqrt{\frac{T}{\mu}}$, onde $T$ é a tensão e $\mu$ a densidade linear da corda.
- a) Justifica como se altera a velocidade se a tensão aumentar sem mudar de corda.
- b) Justifica como se altera se for substituída por uma corda mais grossa (maior $\mu$) submetida à mesma tensão.
- c) Relaciona estes resultados com o que faz um guitarrista ao rodar as cravelhas para afinar a guitarra.
Uma corda de piano com $1\ \text{m}$ de comprimento tem uma massa de $10\ \text{g}$ e está submetida a uma tensão de $400\ \text{N}$. a) Calcula a sua massa linear…
Uma corda de piano com $1\ \text{m}$ de comprimento tem uma massa de $10\ \text{g}$ e está submetida a uma tensão de $400\ \text{N}$.
- a) Calcula a sua massa linear $\mu$, em $\text{kg/m}$.
- b) Calcula a velocidade de propagação das ondas transversais na corda usando $v = \sqrt{\frac{T}{\mu}}$.
- c) Calcula o tempo que um pulso demora a percorrer a corda de uma extremidade à outra.
Dá-se uma pancada seca na extremidade de um tubo de aço de $1000\ \text{m}$ de comprimento, cheio de água e rodeado de ar, de modo que o som se propaga pelos três meios…
Dá-se uma pancada seca na extremidade de um tubo de aço de $1000\ \text{m}$ de comprimento, cheio de água e rodeado de ar, de modo que o som se propaga pelos três meios em simultâneo. As velocidades do som são $5100\ \text{m/s}$ no aço, $1480\ \text{m/s}$ na água e $340\ \text{m/s}$ no ar.
- a) Calcula o tempo que o som demora a chegar à outra extremidade através de cada um dos três meios.
- b) Explica por que razão na outra extremidade se detetam três sinais separados no tempo.
- c) Justifica, relacionando com a estrutura interna de cada meio, por que razão o som se propaga mais depressa num sólido do que num gás.
Sismos e tsunamis
O sismo de 1755 destruiu Lisboa e foi seguido de um tsunami. As ondas P e S de um sismo e as ondas de um tsunami são mecânicas, mas propagam-se com velocidades diferentes. Isso permite, por exemplo, estimar a distância ao epicentro.
Uma estação de vigilância sísmica encontra-se a $300\ \text{km}$ do epicentro de um sismo. As ondas P propagam-se nessa zona a $7,5\ \text{km/s}$ e as ondas S a…
Uma estação de vigilância sísmica encontra-se a $300\ \text{km}$ do epicentro de um sismo. As ondas P propagam-se nessa zona a $7,5\ \text{km/s}$ e as ondas S a $4\ \text{km/s}$.
- a) Calcula o tempo que demora a chegar à estação cada tipo de onda.
- b) Calcula a diferença de tempo entre as duas chegadas.
- c) Explica por que razão essa diferença de tempos permite estimar a distância ao epicentro.
Em mar aberto, um tsunami propaga-se como uma onda de gravidade cuja velocidade depende da profundidade $h$ segundo $v = \sqrt{g \cdot h}$. Considera…
Em mar aberto, um tsunami propaga-se como uma onda de gravidade cuja velocidade depende da profundidade $h$ segundo $v = \sqrt{g \cdot h}$. Considera $g = 9,8\ \text{m/s}^2$.
- a) Calcula a velocidade do tsunami numa zona do oceano com $4000\ \text{m}$ de profundidade, em $\text{m/s}$, e exprime-a em $\text{km/h}$.
- b) Calcula o tempo que demoraria a percorrer $2000\ \text{km}$ de oceano aberto a essa velocidade, em horas.
- c) Ao aproximar-se da costa, a profundidade diminui: justifica o que acontece à velocidade do tsunami e explica, pela conservação da energia transportada pelo comboio de ondas, por que razão a sua altura aumenta ao chegar à costa.
As ondas P ($7\ \text{km/s}$) e S ($4\ \text{km/s}$) de um sismo chegam a uma estação sísmica com uma diferença de tempo de $54\ \text{s}$. a) Escreve a expressão do…
As ondas P ($7\ \text{km/s}$) e S ($4\ \text{km/s}$) de um sismo chegam a uma estação sísmica com uma diferença de tempo de $54\ \text{s}$.
- a) Escreve a expressão do tempo de propagação de cada onda em função da distância $d$ ao epicentro.
- b) Formula a equação da diferença de tempos e calcula a distância $d$.
- c) Explica por que razão os dados de uma única estação não são suficientes para localizar o epicentro e que informação adicional traz a utilização de três estações (triangulação).
Ondas estacionárias: nós e ventres
Quando agitas uma corda presa a uma parede com uma frequência bem escolhida, a perturbação deixa de parecer um pulso que avança: a corda divide-se em pontos parados e zonas que oscilam muito. Como podem duas ondas em movimento produzir uma figura que fica parada?
Como surge um nó? Num ponto da corda, as duas ondas que viajam em sentidos opostos chegam sempre em oposição (uma empurra para cima quando a outra empurra para baixo): interferência destrutiva, deslocamento nulo. Num ventre chegam sempre em concordância (interferência construtiva): a amplitude é o dobro da de cada onda. Soma de duas ondas idênticas em sentidos opostos: $y = 2A\operatorname{sen}(kx)\cos(\omega t)$. A amplitude varia com a posição e entre dois nós consecutivos há $\lambda/2$.
Ao tocar numa corda de guitarra, fixa nas duas extremidades, forma-se uma onda estacionária como a da figura. a) Explica o que são os nós e os ventres (ou antinodos) de…
Ao tocar numa corda de guitarra, fixa nas duas extremidades, forma-se uma onda estacionária como a da figura.
- a) Explica o que são os nós e os ventres (ou antinodos) de uma onda estacionária.
- b) Indica, em função do comprimento de onda $\lambda$, a distância que separa dois nós consecutivos.
Numa corda de $1,2\ \text{m}$ fixa em ambas as extremidades forma-se uma onda estacionária com quatro ventres. a) Desenha no teu caderno a forma da corda e assinala os…
Numa corda de $1,2\ \text{m}$ fixa em ambas as extremidades forma-se uma onda estacionária com quatro ventres.
- a) Desenha no teu caderno a forma da corda e assinala os nós e os ventres.
- b) Calcula o comprimento de onda tendo em conta que na corda cabem quatro meios comprimentos de onda.
- c) Se as ondas se propagarem na corda a $240\ \text{m/s}$, calcula a frequência da vibração.
Podes fazê-lo em papel e enviar uma fotografia com a tua resposta.
Numa corda fixa em ambas as extremidades sobrepõem-se duas ondas harmónicas idênticas que viajam em sentidos opostos, formando uma onda estacionária. a) Explica, por…
Numa corda fixa em ambas as extremidades sobrepõem-se duas ondas harmónicas idênticas que viajam em sentidos opostos, formando uma onda estacionária.
- a) Explica, por sobreposição das duas ondas, como surgem pontos que nunca oscilam (nodos) e pontos que oscilam com amplitude máxima (ventres).
- b) A corda mede $1\ \text{m}$ e vibra formando três ventres com uma frequência de $150\ \text{Hz}$: calcula o comprimento de onda e a velocidade de propagação das ondas que viajam pela corda.
- c) Justifica em que difere uma onda estacionária de uma onda progressiva quanto ao transporte líquido de energia ao longo da corda.
Modos de vibração de uma corda
Por isso uma corda de guitarra, quando é tocada, não soa com uma frequência qualquer, mas com a fundamental e os seus harmónicos. Como $v = \sqrt{T/\mu}$, a frequência fundamental é $f_1 = \dfrac{1}{2L}\sqrt{\dfrac{T}{\mu}}$: aumenta com a tensão e diminui com o comprimento e a densidade linear.
Uma corda de guitarra com $0,65\ \text{m}$ de comprimento vibra no seu modo fundamental, ou seja, com um único ventre entre as duas extremidades fixas. As ondas…
Uma corda de guitarra com $0,65\ \text{m}$ de comprimento vibra no seu modo fundamental, ou seja, com um único ventre entre as duas extremidades fixas. As ondas propagam-se nela a $260\ \text{m/s}$.
- a) Justifica, a partir da condição de extremidades fixas, que o comprimento de onda do modo fundamental é $\lambda_1 = 2 \cdot L$.
- b) Calcula a frequência fundamental usando $f_1 = \frac{v}{2 \cdot L}$.
Uma corda de $0,8\ \text{m}$ fixa em ambas as extremidades admite modos de vibração de frequências $f_n = \frac{n \cdot v}{2 \cdot L}$, com $n = 1, 2, 3, \dots$ As ondas…
Uma corda de $0,8\ \text{m}$ fixa em ambas as extremidades admite modos de vibração de frequências $f_n = \frac{n \cdot v}{2 \cdot L}$, com $n = 1, 2, 3, \dots$ As ondas propagam-se nela a $160\ \text{m/s}$. A figura mostra os três primeiros modos de vibração.
- a) Calcula as frequências dos três primeiros modos de vibração.
- b) Explica que relação matemática essas frequências guardam com a fundamental e por que razão recebem o nome de harmónicos.
Duas cordas idênticas de uma guitarra deveriam emitir a mesma nota, mas as suas frequências fundamentais revelam-se $440\ \text{Hz}$ e $430\ \text{Hz}$. A frequência…
Duas cordas idênticas de uma guitarra deveriam emitir a mesma nota, mas as suas frequências fundamentais revelam-se $440\ \text{Hz}$ e $430\ \text{Hz}$. A frequência fundamental de uma corda é $f_1 = \frac{1}{2 \cdot L} \cdot \sqrt{\frac{T}{\mu}}$.
- a) Justifica se é necessário aumentar ou diminuir a tensão da corda que soa mais grave para a igualar à outra.
- b) Calcula em que percentagem deve variar a tensão dessa corda, tendo em conta que a frequência é proporcional a $\sqrt{T}$.
- c) Explica por que razão uma variação de tensão tão pequena é logo percetível para o ouvido humano.
Ondas estacionárias em tubos sonoros
Num tubo ideal, uma extremidade aberta é aproximadamente um ventre de deslocamento do ar (e nó de pressão); uma extremidade fechada é um nó de deslocamento (e ventre de pressão). Nos desenhos, a figura representa o deslocamento do ar.
Um tubo de órgão aberto em ambas as extremidades mede $0,85\ \text{m}$ e o som viaja pelo ar a $340\ \text{m/s}$. Num tubo aberto, o comprimento de onda fundamental é…
Um tubo de órgão aberto em ambas as extremidades mede $0,85\ \text{m}$ e o som viaja pelo ar a $340\ \text{m/s}$. Num tubo aberto, o comprimento de onda fundamental é $\lambda_1 = 2 \cdot L$. A figura representa o tubo a vibrar no seu modo fundamental.
- a) Calcula a frequência fundamental do tubo.
- b) Calcula a frequência do seu segundo harmónico.
- c) Se o mesmo tubo fosse fechado numa extremidade, o seu comprimento de onda fundamental passaria a ser $\lambda_1 = 4 \cdot L$: calcula a nova frequência fundamental e justifica por que razão o tubo soa então mais grave.
Interferência de duas ondas sonoras
Quando duas ondas da mesma frequência se encontram, os seus efeitos somam-se. Com dois altifalantes que emitem em fase o mesmo tom, há pontos em que o som se reforça e outros em que quase desaparece: tudo depende da diferença de caminhos $\Delta d$ entre o ponto e cada altifalante.
Dois altifalantes separados por alguns metros emitem em fase o mesmo tom puro de $f = 170\ \text{Hz}$, que viaja pelo ar a $340\ \text{m/s}$. O esquema da figura mostra…
Dois altifalantes separados por alguns metros emitem em fase o mesmo tom puro de $f = 170\ \text{Hz}$, que viaja pelo ar a $340\ \text{m/s}$. O esquema da figura mostra a montagem com um ponto de escuta P.
- a) Calcula o comprimento de onda do som.
- b) Um ouvinte situado num ponto equidistante de ambos os altifalantes ouve o tom com intensidade forte: justifica, a partir da diferença de percursos das duas ondas, por que razão aí se reforçam.
- c) Noutro ponto, as distâncias aos altifalantes são $5\ \text{m}$ e $4\ \text{m}$: calcula a diferença de percursos, exprime-a em função de $\lambda$ e justifica o que o ouvinte aí ouve.
- d) Enuncia a condição geral, em função de $\lambda$, que deve ser satisfeita pela diferença de percursos para que o som se reforce e para que se anule.
Desafio: a onda numa corda tensa
No desafio do tema vais medir, com uma fita métrica e o cronómetro do telemóvel, o tempo que um pulso demora a ir e vir numa corda tensa. Aplicas o que aprendeste aqui: a onda é mecânica e transversal, a velocidade vem de $v = d/t$ (com o percurso de ida e volta) e depende da tensão e da densidade linear. A descrição matemática completa, $y(x,t) = A\operatorname{sen}(\omega t - kx + \varphi_0)$, está no apartado sobre a equação de ondas; aqui fica a ideia.
Classificação. Quanto ao meio, uma onda numa corda é mecânica; quanto à vibração, é transversal; quanto à dimensionalidade, é unidimensional (propaga-se ao longo de uma linha), ao passo que as ondas na superfície da água são bidimensionais e o som no ar é tridimensional. Neste desafio, a onda propaga-se num único sentido ao longo da corda.
Do MHS à equação. A extremidade que agitas descreve um MHS: $y(0,t) = A\operatorname{sen}(\omega t + \varphi_0)$. Um ponto a uma distância $x$ repete esse movimento com um atraso $x/v$, ou seja, no instante $t$ faz o que a fonte fez em $t - x/v$. Então $y(x,t) = A\operatorname{sen}\big(\omega (t - x/v) + \varphi_0\big) = A\operatorname{sen}(\omega t - kx + \varphi_0)$, com $k = \omega/v$.
Desafio do tema. Como futuro investigador, modela experimentalmente a propagação de uma onda mecânica transversal numa corda ou cabo tenso em casa. 1. Classifica o tipo…
Desafio do tema. Como futuro investigador, modela experimentalmente a propagação de uma onda mecânica transversal numa corda ou cabo tenso em casa.
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Classifica o tipo de onda segundo o meio, a dimensionalidade e a direção de propagação. Justifica analiticamente como o MHS de um ponto individual dá origem à equação geral $y(x,t) = A \sin(\omega t - kx + \varphi_0)$.
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Mede com fita métrica o comprimento útil ($L \pm 0,001\text{ m}$). Gera pulsos transversais secos e cronometra com o telemóvel, gravando em câmara lenta e contando fotogramas, o tempo ($t \pm 0,01\text{ s}$) de ida e volta para 4 comprimentos distintos, efetuando 3 repetições por ensaio.
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Constrói uma tabela com médias e incertezas absolutas. Representa o gráfico da distância percorrida em função do tempo médio e obtém, através do declive da reta, a velocidade de propagação $v$.
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Elabora um relatório breve que reúna os dados, o gráfico e a dedução dos parâmetros $\omega$, $k$ e $\lambda$ para escrever a equação de onda completa resultante de perturbar a extremidade com $A = 0,04\text{ m}$, $f = 2,5\text{ Hz}$ e fase inicial nula ($\varphi_0 = 0$).
Será valorizado:
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Rigor na classificação ondulatória e justificação formal do vínculo cinemático com o MHS.
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Tratamento metrológico: correção da tabela de dados, cálculo de incertezas e ajuste gráfico para deduzir $v$.
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Determinação analítica exata da equação $y(x,t)$ expressa em unidades do Sistema Internacional.
Volta ao princípio: o som não se propaga no vácuo porque é uma onda mecânica, e a luz sim porque é eletromagnética. Em mar aberto, um tsunami viaja a mais de $700\ \text{km/h}$ com apenas cerca de um metro de altura e centenas de quilómetros de comprimento de onda, por isso passa despercebido; ao perder velocidade junto à costa, a sua energia concentra-se numa onda muito mais alta, como aconteceu em Lisboa em 1755.