O que os fósseis nos contam
Numa saída de campo, a turma da professora Rita encontra, numa encosta de Leiria, uma rocha cheia de conchas de animais marinhos. Mas o mar está a quilómetros de distância! Como é que as conchas foram ali parar? Os fósseis são como pequenos documentos: sabendo lê-los, contam-nos onde, quando e como viveram seres que já não existem.
Fósseis e ambientes do passado
Cada ser vivo vive num ambiente que lhe convém. Um coral precisa de mar quente e pouco profundo; um feto precisa de terra húmida; um peixe precisa de água. Se encontramos o fóssil de um ser, o ambiente onde ele viveu era provavelmente parecido com o dos seus parentes atuais.
Por isso, os fósseis ajudam-nos a reconstituir o ambiente e o clima do passado. Esta ideia chama-se, de forma simples, «comparar o passado com o presente».
Numa saída de campo no centro de Portugal, uma turma do 7.º ano observou um afloramento de rochas sedimentárias situado numa encosta a cerca de 600 m de altitude. Nas…
Numa saída de campo no centro de Portugal, uma turma do 7.º ano observou um afloramento de rochas sedimentárias situado numa encosta a cerca de 600 m de altitude. Nas camadas da rocha encontravam-se restos de conchas e de amonites, como se mostra no esquema (fora de escala).
- a) Indica em que tipo de ambiente se terão formado estas rochas. Justifica a resposta com base nos fósseis observados.
- b) Explica o que este achado permite concluir sobre o passado desta região.
A história da vida na Terra
Os fósseis também têm idade. Nas rochas sedimentares, as camadas mais profundas são, em regra, as mais antigas. Se observarmos os fósseis camada a camada, vemos a vida a mudar ao longo do tempo:
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nas camadas mais antigas, só há fósseis de seres simples;
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nas camadas mais recentes, aparecem, de modo geral, seres mais variados.
Atenção: não é um progresso em linha reta, porque ao longo do tempo muitos grupos também se extinguiram.
Há ainda fósseis com características intermédias entre dois grupos. O Archaeopteryx, de há cerca de 150 milhões de anos, tinha penas e asas como as aves, mas também dentes e uma cauda óssea comprida como os répteis. Mostra que os grupos de seres vivos se foram transformando ao longo do tempo: é um elo entre répteis e aves.
Em 1861 foi descoberto, numa pedreira, o fóssil de um animal com cerca de 150 milhões de anos a que foi dado o nome Archaeopteryx*. Tinha asas e penas, como as aves…
Em 1861 foi descoberto, numa pedreira, o fóssil de um animal com cerca de 150 milhões de anos a que foi dado o nome Archaeopteryx. Tinha asas e penas, como as aves atuais, mas também dentes no bico e uma cauda óssea comprida, como os répteis.
- a) Explica por que razão os fósseis com características intermédias, como o Archaeopteryx, são considerados provas da evolução dos seres vivos.
- b) Num mesmo local, as camadas de rocha mais antigas contêm apenas fósseis de organismos simples, enquanto as mais recentes apresentam fósseis de organismos cada vez mais variados. O que se pode concluir sobre a história da vida na Terra?
- c) Além da evolução, indica outro tipo de informação que os fósseis fornecem sobre o passado da Terra e dá um exemplo.
Conservação excecional
Normalmente só as partes duras (ossos, dentes, conchas) se fossilizam. Mas em ambientes muito especiais conservam-se seres inteiros, com partes moles. Isto acontece quando a decomposição é travada, porque falta oxigénio, falta água líquida ou a temperatura é muito baixa, e os microrganismos decompositores não conseguem atuar.
| Ambiente | O que conserva | Porque se conserva |
|---|---|---|
| Âmbar (resina de árvores endurecida) | Insetos, aranhas, pequenas plantas | A resina pegajosa envolve o animal e isola-o do ar e dos microrganismos |
| Gelo (solos gelados) | Mamutes com pele e pelo | O frio impede a atividade dos decompositores |
Em certos ambientes, a conservação dos seres vivos é excecional. Na costa do mar Báltico encontram-se insetos de há milhões de anos conservados em âmbar (resina…
Em certos ambientes, a conservação dos seres vivos é excecional. Na costa do mar Báltico encontram-se insetos de há milhões de anos conservados em âmbar (resina fossilizada de árvores), e nos solos permanentemente gelados da Sibéria foram encontrados mamutes com pele e pelo, conservados no gelo durante milhares de anos.
- a) Explica por que razão estes organismos se conservaram tão bem, relacionando a resposta com as condições que travam a decomposição.
- b) Indica uma vantagem deste tipo de conservação para o estudo dos seres do passado, em comparação com um fóssil comum, como um osso mineralizado.
Em resumo
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Os fósseis indicam o ambiente e o clima do passado, por comparação com os seres atuais.
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Fósseis marinhos numa rocha em terra firme mostram que o local já foi mar.
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De modo geral, ao longo do tempo foram surgindo seres mais variados, mas a vida não evoluiu em linha reta: muitas espécies também se extinguiram.
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Fósseis intermédios, como o Archaeopteryx, mostram características de dois grupos e que os seres vivos se foram transformando ao longo do tempo.
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No âmbar e no gelo, a decomposição é travada e conservam-se seres inteiros, com partes moles.
De volta ao início: as conchas na encosta de Leiria mostram que aquela região já esteve debaixo de água.