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7.º ano · Ciências Naturais
Fósseis e fossilização · Fósseis: testemunhos de vida no passado

O que os fósseis nos contam

Numa saída de campo, a turma da professora Rita encontra, numa encosta de Leiria, uma rocha cheia de conchas de animais marinhos. Mas o mar está a quilómetros de distância! Como é que as conchas foram ali parar? Os fósseis são como pequenos documentos: sabendo lê-los, contam-nos onde, quando e como viveram seres que já não existem.

Fósseis e ambientes do passado

Cada ser vivo vive num ambiente que lhe convém. Um coral precisa de mar quente e pouco profundo; um feto precisa de terra húmida; um peixe precisa de água. Se encontramos o fóssil de um ser, o ambiente onde ele viveu era provavelmente parecido com o dos seus parentes atuais.

Por isso, os fósseis ajudam-nos a reconstituir o ambiente e o clima do passado. Esta ideia chama-se, de forma simples, «comparar o passado com o presente».

Esquema de camadas de rocha sedimentar com fósseis marinhos: amonites e conchas, indicando que o local já esteve coberto pelo mar. Amonite Concha Camada de rocha
Pratica★☆☆Por começar
Numa saída de campo no centro de Portugal, uma turma do 7.º ano observou um afloramento de rochas sedimentárias situado numa encosta a cerca de 600 m de altitude. Nas…

Numa saída de campo no centro de Portugal, uma turma do 7.º ano observou um afloramento de rochas sedimentárias situado numa encosta a cerca de 600 m de altitude. Nas camadas da rocha encontravam-se restos de conchas e de amonites, como se mostra no esquema (fora de escala).

600 m de altitude
  1. a) Indica em que tipo de ambiente se terão formado estas rochas. Justifica a resposta com base nos fósseis observados.
  2. b) Explica o que este achado permite concluir sobre o passado desta região.
Resolver

A história da vida na Terra

Os fósseis também têm idade. Nas rochas sedimentares, as camadas mais profundas são, em regra, as mais antigas. Se observarmos os fósseis camada a camada, vemos a vida a mudar ao longo do tempo:

  • nas camadas mais antigas, só há fósseis de seres simples;

  • nas camadas mais recentes, aparecem, de modo geral, seres mais variados.

Atenção: não é um progresso em linha reta, porque ao longo do tempo muitos grupos também se extinguiram.

Três camadas de rocha: a mais antiga, em baixo, com seres simples; a intermédia com mais variedade; a mais recente, em cima, com seres muito variados. Mais recente:seres variados Intermédia Mais antiga:seres simples

Há ainda fósseis com características intermédias entre dois grupos. O Archaeopteryx, de há cerca de 150 milhões de anos, tinha penas e asas como as aves, mas também dentes e uma cauda óssea comprida como os répteis. Mostra que os grupos de seres vivos se foram transformando ao longo do tempo: é um elo entre répteis e aves.

Pratica★★★Por começar
Em 1861 foi descoberto, numa pedreira, o fóssil de um animal com cerca de 150 milhões de anos a que foi dado o nome Archaeopteryx*. Tinha asas e penas, como as aves…

Em 1861 foi descoberto, numa pedreira, o fóssil de um animal com cerca de 150 milhões de anos a que foi dado o nome Archaeopteryx. Tinha asas e penas, como as aves atuais, mas também dentes no bico e uma cauda óssea comprida, como os répteis.

  1. a) Explica por que razão os fósseis com características intermédias, como o Archaeopteryx, são considerados provas da evolução dos seres vivos.
  2. b) Num mesmo local, as camadas de rocha mais antigas contêm apenas fósseis de organismos simples, enquanto as mais recentes apresentam fósseis de organismos cada vez mais variados. O que se pode concluir sobre a história da vida na Terra?
  3. c) Além da evolução, indica outro tipo de informação que os fósseis fornecem sobre o passado da Terra e dá um exemplo.
Resolver

Conservação excecional

Normalmente só as partes duras (ossos, dentes, conchas) se fossilizam. Mas em ambientes muito especiais conservam-se seres inteiros, com partes moles. Isto acontece quando a decomposição é travada, porque falta oxigénio, falta água líquida ou a temperatura é muito baixa, e os microrganismos decompositores não conseguem atuar.

Ambiente O que conserva Porque se conserva
Âmbar (resina de árvores endurecida) Insetos, aranhas, pequenas plantas A resina pegajosa envolve o animal e isola-o do ar e dos microrganismos
Gelo (solos gelados) Mamutes com pele e pelo O frio impede a atividade dos decompositores
Pratica★★☆Por começar
Em certos ambientes, a conservação dos seres vivos é excecional. Na costa do mar Báltico encontram-se insetos de há milhões de anos conservados em âmbar (resina…

Em certos ambientes, a conservação dos seres vivos é excecional. Na costa do mar Báltico encontram-se insetos de há milhões de anos conservados em âmbar (resina fossilizada de árvores), e nos solos permanentemente gelados da Sibéria foram encontrados mamutes com pele e pelo, conservados no gelo durante milhares de anos.

  1. a) Explica por que razão estes organismos se conservaram tão bem, relacionando a resposta com as condições que travam a decomposição.
  2. b) Indica uma vantagem deste tipo de conservação para o estudo dos seres do passado, em comparação com um fóssil comum, como um osso mineralizado.
Resolver

Em resumo

  • Os fósseis indicam o ambiente e o clima do passado, por comparação com os seres atuais.

  • Fósseis marinhos numa rocha em terra firme mostram que o local já foi mar.

  • De modo geral, ao longo do tempo foram surgindo seres mais variados, mas a vida não evoluiu em linha reta: muitas espécies também se extinguiram.

  • Fósseis intermédios, como o Archaeopteryx, mostram características de dois grupos e que os seres vivos se foram transformando ao longo do tempo.

  • No âmbar e no gelo, a decomposição é travada e conservam-se seres inteiros, com partes moles.

De volta ao início: as conchas na encosta de Leiria mostram que aquela região já esteve debaixo de água.

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