A idade do fundo oceânico
Se fores de barco de Lisboa até aos Açores, vais passar por fundos oceânicos que não têm todos a mesma idade. Será que o fundo do Atlântico tem a mesma idade em todo o lado? E porque é que não se encontram no mar rochas tão antigas como as que há em terra? Neste apartado vais descobrir como a idade das rochas conta a história do oceano.
A idade das rochas à volta da dorsal
Na crista da dorsal médio-oceânica sobe magma do manto, que arrefece e solidifica. Forma-se assim crosta oceânica nova. Esta rocha empurra para os lados a que já existia, como se fosse um tapete rolante que se afasta dos dois lados da crista.
Por isso, as rochas mais novas estão no eixo da dorsal, e as mais antigas estão longe dele. A idade aumenta de forma regular, dos dois lados, e o padrão é simétrico.
Repara: os valores à esquerda e à direita do eixo são iguais para a mesma distância. Isto acontece porque o fundo se afasta para os dois lados à mesma velocidade.
A figura representa um corte do fundo oceânico junto a uma dorsal, com as idades das rochas em vários pontos; num deles a idade está assinalada com «?». a) Indica a…
A figura representa um corte do fundo oceânico junto a uma dorsal, com as idades das rochas em vários pontos; num deles a idade está assinalada com «?».
- a) Indica a idade esperada das rochas assinaladas com «?», justificando a tua resposta.
- b) Descreve como varia a idade das rochas do fundo oceânico à medida que nos afastamos da crista da dorsal.
- c) Relaciona essa variação com o processo de expansão dos fundos oceânicos.
Os sedimentos e a idade máxima do oceano
Sobre o fundo oceânico cai, muito devagar, uma «chuva» de partículas: restos de seres vivos microscópicos e poeiras. Chamam-se sedimentos.
Junto à crista da dorsal, a rocha acabou de se formar e quase não tem sedimentos. Quanto mais longe, mais tempo teve para acumular sedimentos. Por isso, a camada de sedimentos é tanto mais espessa quanto maior for a distância à dorsal.
Outra descoberta importante: as rochas mais antigas do fundo oceânico têm cerca de 200 milhões de anos, mas nos continentes há rochas com quase 4 000 milhões de anos. Porquê tão diferente?
Porque o fundo oceânico não é eterno. A crosta oceânica nasce nas dorsais e, nas zonas de subducção (fossas oceânicas), afunda-se no manto e é destruída. A Terra não aumenta de tamanho: a crosta que se cria numa zona é compensada pela que é destruída noutra. Já a crosta continental é menos densa e não afunda, por isso conserva rochas muito antigas.
As rochas mais antigas encontradas nos fundos oceânicos têm cerca de 200 milhões de anos, enquanto nos continentes existem rochas com quase 4 000 milhões de anos. Além…
As rochas mais antigas encontradas nos fundos oceânicos têm cerca de 200 milhões de anos, enquanto nos continentes existem rochas com quase 4 000 milhões de anos. Além disso, a camada de sedimentos depositada sobre o fundo oceânico é tanto mais espessa quanto maior a distância à dorsal.
- a) Explica por que razão não existem rochas oceânicas tão antigas como as rochas continentais.
- b) Calcula a diferença entre a idade das rochas mais antigas dos continentes e a das rochas mais antigas dos oceanos, em milhões de anos.
- c) Explica como o espessamento dos sedimentos ao afastares-te da dorsal confirma que o fundo oceânico vai envelhecendo nesse sentido.
Quanto se afasta o fundo?
O Atlântico está a crescer. Os Açores ficam sobre a dorsal médio-atlântica, e a América afasta-se da Europa cerca de 2 cm por ano. É pouco, mas o tempo geológico é enorme.
Para calcular, usa uma regra de três e converte as unidades com cuidado.
O arquipélago dos Açores situa-se sobre a dorsal médio-atlântica, a cordilheira submarina onde se forma o fundo do oceano Atlântico e a partir da qual ele se expande.…
O arquipélago dos Açores situa-se sobre a dorsal médio-atlântica, a cordilheira submarina onde se forma o fundo do oceano Atlântico e a partir da qual ele se expande. Esta expansão faz com que a América se afaste da Europa cerca de 2 cm por ano.
- a) Calcula quantos metros se afastam a América e a Europa ao fim de um século.
- b) Calcula a quantos quilómetros corresponde esse afastamento ao longo de 100 milhões de anos, supondo a velocidade constante.
- c) Indica duas provas, estudadas neste capítulo, que confirmam que o fundo oceânico se expande a partir das dorsais.
Em resumo
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Na crista da dorsal forma-se crosta oceânica nova; a rocha afasta-se para os dois lados.
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A idade das rochas do fundo aumenta com a distância ao eixo da dorsal, de forma simétrica.
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Os sedimentos são mais espessos quanto mais longe da dorsal, porque tiveram mais tempo para se acumular.
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O fundo oceânico é muito mais jovem (até cerca de 200 milhões de anos) do que os continentes (até quase 4 000 milhões de anos) porque a crosta oceânica é destruída nas zonas de subducção.
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A expansão é lenta (cerca de 2 cm/ano no Atlântico), mas ao fim de milhões de anos abre oceanos.
De volta ao início: o fundo do Atlântico não tem a mesma idade em todo o lado, e é mais novo do que as rochas dos continentes porque nasce nas dorsais e desaparece nas fossas.