As etapas da fossilização
Na Pedra da Mua, no Cabo Espichel, há pegadas de dinossauros com mais de 100 milhões de anos. Mas todos os dias morrem milhares de animais e quase nenhum deixa fóssil. O que é preciso acontecer para que um ser vivo chegue até nós, transformado em pedra?
Da morte ao fóssil: a sequência
A fossilização não é um acontecimento único. É uma sequência de etapas, que demora milhares ou milhões de anos. Se uma delas falhar, o fóssil não se forma.
Vamos acompanhar um peixe que morre num lago.
Resumindo cada etapa:
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Morte do organismo.
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Soterramento rápido: sedimentos (areia, lama) cobrem o corpo.
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Sedimentação: continuam a acumular-se camadas de sedimentos por cima, que enterram cada vez mais o resto do organismo.
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Mineralização: com o tempo e a pressão, os sedimentos transformam-se em rocha sedimentar (diagénese) e os minerais da água substituem as partes duras, que ficam «petrificadas».
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Afloramento por erosão: o relevo muda, a erosão remove as camadas de cima e o fóssil aparece à superfície, onde pode ser encontrado.
A figura representa, de modo simplificado, a sequência de etapas que conduziram à formação e ao aparecimento, à superfície, de um fóssil de peixe. a) Indica o nome das…
A figura representa, de modo simplificado, a sequência de etapas que conduziram à formação e ao aparecimento, à superfície, de um fóssil de peixe.
- a) Indica o nome das etapas assinaladas com «?».
- b) Descreve o que acontece em cada uma das cinco etapas representadas.
- c) Explica por que razão a etapa 2 tem de ocorrer rapidamente para que o peixe se possa fossilizar.
Porque é que o soterramento tem de ser rápido
Quando um animal morre e fica à superfície, é comido por necrófagos, decomposto por bactérias e fungos, partido pela água e pelo vento. Em poucos meses pode não restar nada.
O soterramento é a cobertura inicial do corpo; depois, a sedimentação continua a acumular camadas por cima. Se for coberto depressa por sedimentos, fica protegido: há menos oxigénio e menos animais a chegar até ele. A decomposição abranda e as partes duras (conchas, ossos, dentes) ficam intactas.
Por isso, o soterramento rápido é a condição mais importante para fossilizar.
Condições favoráveis à fossilização
Há características que aumentam muito as hipóteses de um ser vivo se tornar fóssil:
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Partes duras (conchas, ossos, dentes, carapaças), que resistem mais à decomposição do que as partes moles.
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Soterramento rápido, em ambiente de sedimentação contínua (lagos, lagoas, mares pouco profundos, deltas).
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Pouco oxigénio e águas calmas, que não destroem nem espalham os restos.
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Tempo e estabilidade para a rocha se formar e os minerais substituírem as partes duras.
Num rio de montanha de corrente forte e leito rochoso, o corpo é arrastado e partido, e quase não há sedimentos finos para o cobrir. Numa lagoa de águas calmas, onde chegam sedimentos finos continuamente, o corpo é coberto depressa.
Uma truta morre num rio de montanha, de corrente forte e leito rochoso. Noutro local, um peixe morre e afunda-se numa lagoa de águas calmas, cujo fundo recebe…
Uma truta morre num rio de montanha, de corrente forte e leito rochoso. Noutro local, um peixe morre e afunda-se numa lagoa de águas calmas, cujo fundo recebe continuamente sedimentos finos.
- a) Ordena as seguintes etapas da fossilização: mineralização · morte do organismo · afloramento por erosão · soterramento rápido · sedimentação.
- b) Indica em qual dos dois locais é mais provável que o animal venha a fossilizar. Justifica a escolha, relacionando-a com as etapas da fossilização.