Paleomagnetismo: as bandas magnéticas
Imagina um barco de investigação a navegar no Atlântico, ao largo dos Açores, a arrastar um aparelho que mede o magnetismo das rochas do fundo do mar. Os valores sobem e descem como um código de barras. Que mensagem estará escrita nas rochas? E o que nos conta sobre a idade e o movimento do fundo oceânico?
O campo magnético e as rochas que o guardam
A Terra comporta-se como um enorme íman: tem um campo magnético que faz a agulha de uma bússola apontar para o polo norte magnético.
Quando a lava sai numa dorsal médio-oceânica e arrefece, forma uma rocha magmática vulcânica (o basalto). Esse basalto contém minerais ricos em ferro, como a magnetite. Enquanto a lava arrefece, os cristais de magnetite orientam-se como pequenas agulhas de bússola, de acordo com o campo magnético da Terra nessa altura.
Quando a rocha solidifica, as «agulhas» ficam presas na posição em que estavam. A rocha guarda, assim, o registo do campo magnético da sua época, como uma fotografia.
O estudo do magnetismo guardado nas rochas antigas chama-se paleomagnetismo.
Quando a lava arrefece e se transforma em rocha magmática, certos minerais, como a magnetite, orientam-se como pequenas agulhas magnéticas de acordo com o campo…
Quando a lava arrefece e se transforma em rocha magmática, certos minerais, como a magnetite, orientam-se como pequenas agulhas magnéticas de acordo com o campo magnético terrestre da época e ficam «congelados» nessa posição quando a rocha solidifica.
- a) Explica o que é o paleomagnetismo.
- b) Explica o que é uma inversão da polaridade do campo magnético da Terra.
- c) Indica a diferença entre uma rocha com magnetização normal e uma rocha com magnetização inversa.
- d) A última inversão do campo magnético terrestre ocorreu há cerca de 780 mil anos. Indica, justificando, qual é a polaridade das rochas magmáticas que se formam hoje junto às dorsais.
Inversões da polaridade
O campo magnético da Terra não é para sempre igual. Ao longo da história do planeta, o norte e o sul magnéticos trocaram de posição muitas vezes. Chama-se inversão da polaridade a esta troca.
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Polaridade normal: o campo tem a orientação que tem hoje (a agulha da bússola aponta para o norte).
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Polaridade inversa: o campo tem a orientação contrária.
Uma rocha com magnetização normal formou-se num período de polaridade normal; uma rocha com magnetização inversa formou-se num período de polaridade inversa. As «agulhas» de magnetite apontam em sentidos opostos nos dois casos.
A última inversão ocorreu há cerca de 780 mil anos. Por isso, as rochas formadas depois dessa data têm polaridade normal, como o campo atual; as rochas formadas antes, durante o período anterior, têm polaridade inversa.
Quando a lava arrefece e se transforma em rocha magmática, certos minerais, como a magnetite, orientam-se como pequenas agulhas magnéticas de acordo com o campo…
Quando a lava arrefece e se transforma em rocha magmática, certos minerais, como a magnetite, orientam-se como pequenas agulhas magnéticas de acordo com o campo magnético terrestre da época e ficam «congelados» nessa posição quando a rocha solidifica.
- a) Explica o que é o paleomagnetismo.
- b) Explica o que é uma inversão da polaridade do campo magnético da Terra.
- c) Indica a diferença entre uma rocha com magnetização normal e uma rocha com magnetização inversa.
- d) A última inversão do campo magnético terrestre ocorreu há cerca de 780 mil anos. Indica, justificando, qual é a polaridade das rochas magmáticas que se formam hoje junto às dorsais.
As bandas magnéticas do fundo oceânico
Quando se mede o magnetismo das rochas do fundo do oceano, a ambos os lados de uma dorsal médio-oceânica, descobre-se um padrão: bandas paralelas à dorsal, em que alternam rochas de polaridade normal e inversa.
O mais importante é que o padrão é simétrico: as bandas de um lado são iguais às do outro, à mesma distância da crista da dorsal.
Como se formam as bandas
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No eixo da dorsal sobe magma, que arrefece e forma rocha nova, magnetizada segundo o campo da época.
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A rocha nova divide-se em duas metades, que se afastam para um lado e para o outro (expansão).
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Mais magma sobe, forma-se rocha nova com a polaridade do momento, e o ciclo repete-se.
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Quando o campo se inverte, a rocha que se forma passa a ter polaridade contrária, e surge uma nova banda.
As bandas funcionam como uma «fita gravadora»: o fundo oceânico vai-se formando e afastando, e o registo fica gravado.
A figura mostra, visto de cima, o padrão de bandas magnéticas do fundo oceânico a ambos os lados de uma dorsal. As cores representam a polaridade registada nas rochas;…
A figura mostra, visto de cima, o padrão de bandas magnéticas do fundo oceânico a ambos os lados de uma dorsal. As cores representam a polaridade registada nas rochas; uma das bandas está assinalada com «?».
- a) Indica a polaridade da banda assinalada com «?», justificando a tua resposta a partir da simetria do padrão.
- b) Explica como se formam estas bandas paralelas à dorsal.
- c) Explica por que razão a simetria das bandas a ambos os lados da dorsal é uma prova da expansão dos fundos oceânicos.
Os cientistas comparam muitas vezes as bandas magnéticas do fundo oceânico a um código de barras. a) Descreve o padrão das bandas magnéticas que se observa de um lado e…
Os cientistas comparam muitas vezes as bandas magnéticas do fundo oceânico a um código de barras.
- a) Descreve o padrão das bandas magnéticas que se observa de um lado e do outro de uma dorsal médio-oceânica, referindo a sua disposição e simetria.
- b) Justifica a comparação deste padrão a um código de barras, explicando que informação cada banda «guarda».
- c) Descreve o que aconteceria ao padrão de bandas se o campo magnético da Terra sofresse uma nova inversão nos próximos milhares de anos.
Calcular a velocidade de afastamento
Se soubermos a que distância da crista está uma banda e a idade das suas rochas, podemos calcular a velocidade a que o fundo se afasta da dorsal:
$$v = \frac{\text{distância}}{\text{tempo}}$$Para obter centímetros por ano, convertem-se as unidades antes de dividir: $1\ \text{km} = 100\,000\ \text{cm}$.
Estas velocidades são muito baixas, da ordem de poucos centímetros por ano, aproximadamente como o crescimento das unhas (cerca de 3 cm por ano). Mas, ao longo de milhões de anos, somam-se centenas e milhares de quilómetros.
Se a velocidade se mantiver, podemos prever distâncias: rochas com o dobro da idade encontram-se ao dobro da distância (regra de três ou proporcionalidade direta).
Num setor do Atlântico, os cientistas dataram as rochas de uma banda magnética situada a 40 km da crista da dorsal médio-atlântica: essas rochas formaram-se há cerca de…
Num setor do Atlântico, os cientistas dataram as rochas de uma banda magnética situada a 40 km da crista da dorsal médio-atlântica: essas rochas formaram-se há cerca de 2 milhões de anos.
- a) Calcula, em centímetros por ano, a velocidade média de afastamento desse fundo oceânico em relação à dorsal.
- b) Compara o valor obtido com a velocidade de crescimento das unhas, cerca de 3 cm por ano, e tira uma conclusão.
- c) Prevê, justificando, a que distância da crista da dorsal se devem encontrar rochas com cerca de 4 milhões de anos.
Em resumo
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Paleomagnetismo: estudo do campo magnético do passado, registado pela orientação de minerais como a magnetite nas rochas que solidificaram.
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O campo magnético da Terra inverte-se de tempos a tempos: há polaridade normal (como a atual) e polaridade inversa.
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No fundo oceânico existem bandas magnéticas paralelas à dorsal, alternando polaridade normal e inversa, e simétricas a ambos os lados da crista.
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A simetria prova que a rocha nova se forma na dorsal e se afasta para os dois lados: é uma prova da expansão dos fundos oceânicos.
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Com a distância e a idade de uma banda calcula-se a velocidade: $v = \text{distância} / \text{tempo}$ (alguns cm/ano).
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De volta ao início: o «código de barras» do fundo oceânico é a sucessão de bandas, em que cada banda guarda a polaridade do campo magnético da época em que a rocha se formou.