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7.º ano · Ciências Naturais
A Terra dinâmica · A história da Terra

Os cortes geológicos

As rochas sedimentares acumulam-se camada a camada, como as páginas de um livro que se escreve de baixo para cima. Numa arriba do Algarve ou da Estremadura vês esse livro aberto: com meia dúzia de princípios simples, consegues ler por que ordem aconteceu tudo.

Os princípios do raciocínio geológico

Numa escarpa à beira de uma estrada vês estratos de calcário inclinados a $40^\circ$. No entanto, se hoje olhares para o fundo de uma lagoa ou da ria de Aveiro, os sedimentos depositam-se sempre planos. Como é que aquelas camadas deixaram de estar na horizontal?

Para responder, os geólogos usam o atualismo: os processos que hoje modelam a Terra (a chuva, os rios, o mar, o vento, os vulcões) são os mesmos que atuaram no passado. Se vemos hoje o mar a depositar areia em camadas horizontais, concluímos que uma rocha com camadas de areia se formou da mesma maneira: na horizontal. Por isso, estratos inclinados só podem ter sido deformados depois de se formarem, por forças no interior da Terra.

Corte de um afloramento com quatro estratos sedimentares horizontais sobrepostos, numerados de 1 (mais antigo, na base) a 4 (mais recente, no topo); uma seta indica que a ordem de deposição avança de baixo para cima. 4.º, mais recente 3.º 2.º 1.º, mais antigo ordem de deposição Série não alterada: os estratos continuam horizontais
Pratica★☆☆Por começar
Enuncia o princípio da horizontalidade original e explica o que terá acontecido se hoje encontrarmos estratos inclinados ou dobrados.

Enuncia o princípio da horizontalidade original e explica o que terá acontecido se hoje encontrarmos estratos inclinados ou dobrados.

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Pratica★☆☆Por começar
Num corte surgem quatro estratos horizontais não deformados: arenito, argilito, calcário e conglomerado, de baixo para cima. Aplica o princípio da sobreposição para…

Num corte surgem quatro estratos horizontais não deformados: arenito, argilito, calcário e conglomerado, de baixo para cima. Aplica o princípio da sobreposição para indicar qual é o mais antigo e qual é o mais recente, e justifica a resposta.

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Ler um corte geológico

Interpretar um corte geológico é aplicar os princípios, um a um, para ordenar todos os acontecimentos representados, do mais antigo para o mais recente: deposição de estratos, deformações (dobras e falhas), intrusões magmáticas e superfícies de erosão.

Corte geológico com três estratos horizontais numerados de 1 (em baixo, mais antigo) a 3 (em cima). Uma falha corta-os e desloca o bloco da direita para baixo. Um dique de rocha magmática atravessa os três estratos e a falha sem se deslocar, pelo que é o acontecimento mais recente. 3 2 1 estrato 3 mais recente estrato 2 estrato 1 mais antigo 4 · falha 5 · intrusão magmática Ordem: 1 → 2 → 3 → 4 → 5 sobreposição (1–3) · interseção (4 e 5)
Pratica★☆☆Por começar
No corte geológico do esquema assinalam-se cinco estratos (A, B, C, D e E), uma superfície de erosão (W) e uma falha (X). Ordena estes acontecimentos do mais antigo para…

No corte geológico do esquema assinalam-se cinco estratos (A, B, C, D e E), uma superfície de erosão (W) e uma falha (X). Ordena estes acontecimentos do mais antigo para o mais recente: formação dos cinco estratos, erosão que originou W e movimento da falha X. Indica que princípio aplicas em cada etapa.

A B C W D E X
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Pratica★★☆Por começar
Uma falha corta uma série de estratos e, por sua vez, é intersetada por um dique de rocha magmática. Aplica o princípio da interseção para ordenar estes três…

Uma falha corta uma série de estratos e, por sua vez, é intersetada por um dique de rocha magmática. Aplica o princípio da interseção para ordenar estes três acontecimentos: formação dos estratos, movimento da falha e intrusão do dique.

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Pratica★★★Por começar
Um estudante examina um corte geológico com três estratos dobrados (1, 2 e 3), uma superfície de erosão sobre eles, dois estratos horizontais superiores (4 e 5) e uma…

Um estudante examina um corte geológico com três estratos dobrados (1, 2 e 3), uma superfície de erosão sobre eles, dois estratos horizontais superiores (4 e 5) e uma falha que atravessa todos os estratos desde a base até à superfície. No seu relatório afirma:

«A falha é mais antiga do que os estratos 4 e 5 porque as falhas se originam a grande profundidade, e a dobra ocorreu depois de se depositar o estrato 5, mas só afetou os inferiores por serem rochas mais brandas».

  1. a) Rebate de forma justificada os dois erros do estudante aplicando os princípios da sobreposição de estratos, da horizontalidade original e das relações de corte.
  2. b) Deduz a história geológica real do terreno ordenando cronologicamente todos os acontecimentos (etapas de sedimentação, deformação tectónica e erosão).
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Tempo histórico e tempo geológico

A Ponte 25 de Abril foi inaugurada em 1966 e o terramoto de Lisboa foi em 1755. Estas datas medem-se em séculos. Mas o calcário das arribas do Algarve formou-se há mais de cem milhões de anos. Como se mede um tempo tão longo?

Para organizar tanto tempo, os geólogos dividem-no em grandes intervalos, as eras geológicas. As mais recentes são o Paleozoico, o Mesozoico e o Cenozoico, e cada uma terminou com grandes alterações na vida na Terra. Por exemplo, os trilobites são típicos do Paleozoico e os dinossauros e os amonites do Mesozoico.

As discordâncias

Nas arribas de algumas praias vês estratos horizontais assentes sobre camadas inclinadas, cortadas em bisel. Que acontecimento explica que faltem milhões de anos de registo entre os dois conjuntos de rochas?

Discordância angular: estratos inferiores inclinados e dobrados, cortados por uma superfície de erosão horizontal, com estratos superiores horizontais por cima. discordância estratos inferiores (inclinados) estratos superiores (horizontais)
Pratica★★☆Por começar
Explica o que é uma discordância angular e descreve, passo a passo, a sequência de processos (sedimentação, deformação, erosão e nova sedimentação) necessária para a sua…

Explica o que é uma discordância angular e descreve, passo a passo, a sequência de processos (sedimentação, deformação, erosão e nova sedimentação) necessária para a sua formação.

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Os fósseis de idade

Duas arribas, a centenas de quilómetros uma da outra, mostram arenitos idênticos. Numa há conchas de amonites e na outra restos de trilobites. Como saber qual se formou primeiro, se não há ligação física entre elas? Os fósseis de espécies diferentes mostram idades diferentes; e se em ambas aparecesse a mesma espécie, de existência curta, os estratos teriam a mesma idade.

Os fósseis ajudam a responder. Ao longo do tempo, os seres vivos mudaram. Por isso, cada conjunto de espécies viveu numa época diferente, e os estratos mais antigos têm fósseis diferentes dos mais recentes. É o princípio da sucessão faunística.

Dois cortes geológicos muito afastados, A e B, com estratos diferentes. Em ambos aparece um estrato com o mesmo fóssil de idade, uma amonite, embora num seja arenito e no outro calcário. Uma faixa tracejada une os dois estratos e indica que têm a mesma idade, sem continuidade física entre os afloramentos. mesmo fóssilde idade mesma idade arenito calcário muito afastados, sem continuidade física corte A corte B
Pratica★★☆Por começar
O que é um fóssil de idade (fóssil-guia)? Explica que condições deve reunir um fóssil para ser útil como fóssil de idade e como é utilizado para estabelecer a correlação…

O que é um fóssil de idade (fóssil-guia)? Explica que condições deve reunir um fóssil para ser útil como fóssil de idade e como é utilizado para estabelecer a correlação entre estratos de regiões distintas.

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Pratica★★★Por começar
Durante uma prospeção geológica, encontra-se uma série de estratos onde uma camada com fósseis de trilobites se localiza geometricamente por cima de outra camada com…

Durante uma prospeção geológica, encontra-se uma série de estratos onde uma camada com fósseis de trilobites se localiza geometricamente por cima de outra camada com fósseis de amonites. Um curioso conclui que as trilobites sobreviveram às amonites e evoluíram durante o Mesozoico.

  1. a) Rebate a conclusão do curioso explicando em que consiste o princípio da sucessão faunística e que papel desempenham ambos os grupos como fósseis de idade.
  2. b) Coloca e justifica duas hipóteses tectónicas diferentes (estruturas geológicas concretas) que expliquem como podem ter ficado invertidas as posições destes estratos.
  3. c) Que estrutura ou critério sedimentar procurarias nos estratos para verificar no terreno se a série geológica está invertida ou não?
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Pratica★★★Por começar
Em duas colunas estratigráficas separadas por $50\ \text{km}$ observam-se litologias completamente distintas: a coluna A é composta por calcários marinhos maciços e a…

Em duas colunas estratigráficas separadas por $50\ \text{km}$ observam-se litologias completamente distintas: a coluna A é composta por calcários marinhos maciços e a coluna B por argilitos escuros. No entanto, num nível de ambas as colunas aparece a mesma espécie de amonite (Hildoceras bifrons).

  1. a) Justifica por que razão correlacionar estas colunas baseando-se unicamente no tipo de rocha (litologia) teria conduzido a um erro sobre a sua contemporaneidade.
  2. b) Explica que duas características biológicas ou tafonómicas convertem o Hildoceras bifrons num fóssil de idade fiável para afirmar que ambos os estratos têm a mesma idade.
  3. c) Se na coluna B se detetar uma camada de arenito idêntica a outra da coluna A, mas situada $20\ \text{m}$ acima do nível de Hildoceras, pode deduzir-se que ambos os arenitos se formaram simultaneamente? Justifica a tua resposta utilizando os princípios de correlação estratigráfica.
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De volta ao início: as camadas inclinadas da escarpa eram horizontais quando se depositaram. Foram deformadas depois, por forças internas da Terra, e a sua idade relativa lê-se com a sobreposição e a interseção.

Em resumo

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