Uma palha de aço leva semanas para enferrujar na pia da cozinha, mas, se for aquecida na chama de um fogão, ela se acende em poucos segundos. A reação é a mesma, o ferro reagindo com o oxigênio; o que muda é a rapidez com que ela acontece. A cinética química estuda exatamente isso: quanto tempo uma transformação leva e por quê.
Velocidade média e velocidade instantânea
Quando você coloca um comprimido efervescente na água, o desprendimento de bolhas é intenso no começo e quase imperceptível minutos depois. Como medir, de forma precisa, uma rapidez que muda a cada instante?
A curva real de $[\mathrm A]$ em função do tempo não é uma reta: no começo, com muito reagente, a velocidade é alta; conforme ele se consome, ela diminui. A velocidade instantânea em um instante $t$ é obtida pela reta tangente à curva nesse ponto: o módulo da sua inclinação dá a velocidade de consumo de A. Para obter a velocidade da reação, divide-se pelo coeficiente de A. No esquema, esse coeficiente é 1. Não é preciso usar derivadas: basta ler dois pontos da tangente.
Pratica★☆☆Por começar
Em um reator fechado de volume constante a $300\,\text{K}$, monitora-se a decomposição em fase gasosa do pentóxido de dinitrogênio segundo a reação:…
Em um reator fechado de volume constante a $300\,\text{K}$, monitora-se a decomposição em fase gasosa do pentóxido de dinitrogênio segundo a reação:
Em um intervalo de $40\,\text{s}$, a concentração de $\mathrm{N_2O_5}$ diminui de $0{,}100\,\text{mol}\cdot\text{L}^{-1}$ até $0{,}064\,\text{mol}\cdot\text{L}^{-1}$.
a) Calcule a velocidade média de desaparecimento do $\mathrm{N_2O_5}$ nesse intervalo de tempo.
b) Determine a velocidade média geral da reação normalizada pela estequiometria e a velocidade média de formação de $\mathrm{NO_2}$.
Estuda-se cineticamente a decomposição em solução aquosa do reagente $\mathrm{A}$ segundo…
Estuda-se cineticamente a decomposição em solução aquosa do reagente $\mathrm{A}$ segundo $\mathrm{A}\,(\mathrm{aq}) \rightarrow \mathrm{B}\,(\mathrm{aq}) + \mathrm{C}\,(\mathrm{aq})$ a $25\,^\circ\text{C}$. Medem-se as concentrações de $\mathrm{A}$ em função do tempo, obtendo-se: a $t = 0\,\text{s}$, $[\mathrm{A}] = 0{,}80\,\text{mol}\cdot\text{L}^{-1}$; a $t = 10\,\text{s}$, $[\mathrm{A}] = 0{,}50\,\text{mol}\cdot\text{L}^{-1}$; a $t = 20\,\text{s}$, $[\mathrm{A}] = 0{,}32\,\text{mol}\cdot\text{L}^{-1}$; e a $t = 30\,\text{s}$, $[\mathrm{A}] = 0{,}22\,\text{mol}\cdot\text{L}^{-1}$. A evolução temporal observada é ilustrada a seguir.
a) Calcule a velocidade média de desaparecimento de $\mathrm{A}$ nos três intervalos sucessivos: $[0, 10]\,\text{s}$, $[10, 20]\,\text{s}$ e $[20, 30]\,\text{s}$.
b) Compare numericamente os três valores e explique, empregando a teoria das colisões, a causa da variação observada à medida que a reação avança.
Para a reação de decomposição térmica $2\,\mathrm{NO_2}\,(\mathrm{g}) \rightarrow 2\,\mathrm{NO}\,(\mathrm{g}) + \mathrm{O_2}\,(\mathrm{g})$ a volume constante e…
Para a reação de decomposição térmica $2\,\mathrm{NO_2}\,(\mathrm{g}) \rightarrow 2\,\mathrm{NO}\,(\mathrm{g}) + \mathrm{O_2}\,(\mathrm{g})$ a volume constante e $500\,\text{K}$, registra-se a concentração de dióxido de nitrogênio em função do tempo. No instante $t = 40\,\text{s}$, a reta tangente traçada à curva concentração-tempo passa exatamente pelos pontos auxiliares $(0\,\text{s};\,0{,}052\,\text{mol}\cdot\text{L}^{-1})$ e $(80\,\text{s};\,0{,}012\,\text{mol}\cdot\text{L}^{-1})$.
a) Determine o valor da velocidade instantânea de desaparecimento de $\mathrm{NO_2}$ nesse instante $t = 40\,\text{s}$.
b) Calcule a velocidade instantânea de formação de $\mathrm{O_2}$ nesse mesmo instante e justifique por que a velocidade instantânea fornece uma informação cinética mais precisa que a velocidade média calculada entre $0\,\text{s}$ e $80\,\text{s}$.
Em um litro de qualquer mistura gasosa à temperatura ambiente ocorrem mais de $10^{28}$ choques entre moléculas por segundo. Mesmo assim, a maioria das reações não acontece instantaneamente. Por que quase todas as colisões são inúteis?
De todas as colisões em um segundo, só uma fração minúscula cumpre os dois requisitos. Por isso, mesmo havendo bilhões de choques por segundo, a maioria das reações não é instantânea. Quanto mais choques efetivos por segundo, maior a velocidade da reação.
Pratica★☆☆Por começar
Considere a reação global em fase gasosa entre o monóxido de carbono e o dióxido de nitrogênio: $$\mathrm{CO}\,(\mathrm{g}) + \mathrm{NO_2}\,(\mathrm{g}) \rightarrow…
Considere a reação global em fase gasosa entre o monóxido de carbono e o dióxido de nitrogênio:
Utilize um modelo simplificado de colisão com transferência de um átomo de oxigênio entre essas moléculas, sem identificá-lo necessariamente com o mecanismo real completo:
a) Explique, justificando, por que nem todas as colisões entre moléculas de $\mathrm{CO}$ e $\mathrm{NO_2}$ levam à formação de produtos, indicando os dois requisitos indispensáveis para que um choque seja eficaz.
b) Justifique qual das duas orientações relativas favorece a reação: o átomo de carbono do $\mathrm{CO}$ colidindo com um átomo de oxigênio do $\mathrm{NO_2}$, ou o átomo de oxigênio do $\mathrm{CO}$ colidindo com o átomo de nitrogênio do $\mathrm{NO_2}$.
Observe o widget: aumentar $E_a$ torna a montanha mais alta (reação mais lenta), enquanto $\Delta H$ só altera a posição do patamar final em relação ao inicial (reação exotérmica ou endotérmica), sem mudar a altura do topo.
Pratica★★☆Por começar
O diagrama de energia potencial para o processo elementar em fase gasosa: $$\mathrm{A}\,(\mathrm{g}) + \mathrm{B}\,(\mathrm{g}) \rightleftharpoons…
O diagrama de energia potencial para o processo elementar em fase gasosa:
mostra que a entalpia dos reagentes é $H_R = 45\,\text{kJ}\cdot\text{mol}^{-1}$, a entalpia dos produtos é $H_P = 85\,\text{kJ}\cdot\text{mol}^{-1}$, e a energia correspondente ao estado de transição (complexo ativado) é $H_{\neq} = 130\,\text{kJ}\cdot\text{mol}^{-1}$.
a) Calcule a entalpia da reação direta ($\Delta H^\circ$), a energia de ativação direta ($E_{a,\text{dir}}$) e a energia de ativação do processo inverso ($E_{a,\text{inv}}$).
b) Explique o que representa fisicamente o complexo ativado e justifique qual dos dois processos (direto ou inverso) apresentará maior constante de velocidade à mesma temperatura, considerando fatores pré-exponenciais idênticos.
Na indústria de fertilizantes, a amônia é produzida a partir de $\mathrm{N_2}$ e $\mathrm{H_2}$ em uma reação exotérmica e reversível. Se aquecer deixa tudo mais rápido, por que não trabalhar na temperatura mais alta possível?
Há duas perguntas diferentes sobre uma reação:
Com que rapidez ela acontece? É a velocidade (cinética), ligada à energia de ativação e à frequência de choques efetivos.
Até onde ela vai? É a extensão ou rendimento no equilíbrio (termodinâmica), ligada ao $\Delta H$ e à constante de equilíbrio $K$.
Elevar a temperatura aumenta a energia cinética média das moléculas: mais choques superam $E_a$, e a velocidade aumenta, tanto a da reação direta quanto a da inversa. Já a constante $K$ de uma reação exotérmica diminui com o aumento da temperatura, de modo que, no equilíbrio, sobra menos produto.
Pratica★☆☆Por começar
Na síntese industrial da amônia: $$\mathrm{N_2}\,(\mathrm{g}) + 3\,\mathrm{H_2}\,(\mathrm{g}) \rightleftharpoons 2\,\mathrm{NH_3}\,(\mathrm{g}) \quad \Delta H^\circ =…
a) Diferencie conceitualmente a velocidade de uma reação química de seu grau de extensão ou rendimento de equilíbrio.
b) Se a temperatura de trabalho aumenta de $300\,^\circ\text{C}$ para $500\,^\circ\text{C}$, justifique qual parâmetro cinético aumenta e o que ocorre com a constante termodinâmica de equilíbrio $K_p$, explicando por que maior velocidade não implica maior quantidade final de produto.
Voltando ao início: a palha de aço se acende na chama porque o aquecimento faz muito mais choques superarem a energia de ativação a cada segundo, e porque os fios finos oferecem grande superfície de contato com o oxigênio. A reação é a mesma; o que muda é a frequência de colisões efetivas.
Resumo
Vamos praticar! 3 exercícios de nível médio neste tema