As patologias do sistema imunitário
O sistema imunitário nem sempre acerta: pode reagir de forma exagerada a algo inofensivo (alergia), confundir o que é próprio com o que é estranho e atacar o próprio organismo (autoimunidade), ou ficar aquém do necessário e deixar a porta aberta a infeções que um sistema saudável controlaria sem esforço (imunodeficiência). Perceber estas três falhas explica muitas doenças crónicas atuais.
Alergias e hipersensibilidade
Um grão de pólen ou uns miligramas de amendoim são inofensivos para a maioria das pessoas, mas noutras provocam urticária, falta de ar ou uma queda brusca da tensão arterial em poucos minutos. Porque é que o sistema imunitário monta uma resposta tão destrutiva contra substâncias que não constituem ameaça real?
Os anticorpos (imunoglobulinas) têm forma de Y: as duas regiões Fab (variáveis) reconhecem e ligam-se especificamente ao antigénio, enquanto a região Fc (constante) determina o isotipo e a função. Existem vários isotipos: a IgG é a mais abundante no sangue e neutraliza antigénios; a IgE é a das alergias, pois fixa-se pela região Fc aos recetores dos mastócitos, ficando as regiões Fab livres para captar o alergénio. Quando o alergénio une duas IgE vizinhas, o mastócito liberta a histamina.
A histamina provoca vasodilatação, aumento da permeabilidade dos capilares, contração dos músculos lisos dos brônquios e secreção de muco. É isto que dá comichão, espirros, pele vermelha e inchaço. Os fármacos anti-histamínicos bloqueiam os recetores da histamina nas células-alvo, impedindo-a de atuar.
A asma é um bom exemplo: nas pessoas com asma alérgica, o contacto com o alergénio provoca inflamação dos brônquios, contração do músculo liso, inchaço da mucosa e excesso de muco. O ar passa com dificuldade e surge pieira e falta de ar. É uma resposta desproporcionada porque o alergénio (ácaros, pólen) não é perigoso em si.
O que é uma alergia? Dá dois exemplos de alergénios frequentes e explica o que acontece no organismo de uma pessoa alérgica quando entra em contacto com eles.
O que é uma alergia? Dá dois exemplos de alergénios frequentes e explica o que acontece no organismo de uma pessoa alérgica quando entra em contacto com eles.
O que é a histamina e que sintomas produz quando é libertada durante uma reação alérgica? Indica como atuam os fármacos anti-histamínicos.
O que é a histamina e que sintomas produz quando é libertada durante uma reação alérgica? Indica como atuam os fármacos anti-histamínicos.
A asma é uma doença inflamatória das vias respiratórias com uma componente alérgica frequente. Explica o que ocorre nos brônquios durante uma crise de asma e por que…
A asma é uma doença inflamatória das vias respiratórias com uma componente alérgica frequente. Explica o que ocorre nos brônquios durante uma crise de asma e por que razão é considerada uma resposta imunitária desproporcionada.
No esquema está representada a nível molecular a ativação de um mastócito num tecido conjuntivo. a) Deduz o que representam as partículas A e as moléculas B. Justifica a…
No esquema está representada a nível molecular a ativação de um mastócito num tecido conjuntivo.
- a) Deduz o que representam as partículas A e as moléculas B. Justifica a que isotipo pertencem as imunoglobulinas fixadas à membrana e qual das suas regiões (Fab ou Fc) se liga ao recetor do mastócito e qual à partícula A.
- b) Um laboratório ensaia dois fármacos para evitar as crises alérgicas: o Fármaco 1 (um anticorpo monoclonal que bloqueia especificamente a porção Fc livre destas imunoglobulinas antes de contactarem com o mastócito) e o Fármaco 2 (um antagonista competitivo dos recetores da molécula B). Prevê fundamentadamente qual dos dois fármacos seria totalmente inútil se for administrado a um paciente quando já tiver começado a desgranulação do mastócito.
- c) Uma pessoa não sensibilizada sofre uma picada de vespa pela primeira vez na sua vida. Um acompanhante insiste em injetar-lhe adrenalina de urgência alegando que «o veneno lhe provocará um choque anafilático imediato». Baseando-te no mecanismo imunitário do esquema, contesta esta afirmação e justifica que alteração vascular crítica causa a morte num verdadeiro choque anafilático se não for revertido a tempo.
Doenças autoimunes
Os anticorpos monoclonais são anticorpos todos iguais, produzidos por um único clone de linfócitos B e dirigidos a um único alvo. Obtêm-se por hibridomas: fundem-se um linfócito B produtor do anticorpo pretendido e uma célula tumoral, que se multiplica indefinidamente; o hibridoma resultante produz grandes quantidades do mesmo anticorpo. Usam-se no diagnóstico (por exemplo, testes de gravidez e testes rápidos) e na terapêutica, ao bloquear uma molécula específica. Na artrite reumatoide, o infliximabe bloqueia o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), uma citocina inflamatória: sem a sua ação, a inflamação crónica das articulações e a destruição da cartilagem diminuem.
Cada doença autoimune tem um alvo diferente. Alguns exemplos:
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Diabetes tipo 1: são destruídas as células beta do pâncreas, produtoras de insulina.
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Lúpus eritematoso sistémico: os autoanticorpos dirigem-se a componentes do núcleo das células, presentes em todo o corpo; por isso pode afetar vários órgãos em simultâneo e o diagnóstico inclui a pesquisa de anticorpos antinucleares no sangue.
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Esclerose múltipla: linfócitos T (e outras células imunitárias) atacam a mielina que reveste os neurónios; os sintomas dependem da zona do sistema nervoso lesada.
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Artrite reumatoide: inflamação crónica das articulações, com destruição da cartilagem.
O que é uma doença autoimune? Nomeia dois exemplos e explica que falha do sistema imunitário lhes dá origem.
O que é uma doença autoimune? Nomeia dois exemplos e explica que falha do sistema imunitário lhes dá origem.
Na diabetes tipo 1 o sistema imunitário destrói as células beta do pâncreas, produtoras de insulina. Explica por que razão é considerada uma doença autoimune e raciocina…
Na diabetes tipo 1 o sistema imunitário destrói as células beta do pâncreas, produtoras de insulina. Explica por que razão é considerada uma doença autoimune e raciocina por que motivo o seu tratamento consiste na administração de insulina.
No lúpus eritematoso sistémico produzem-se autoanticorpos contra componentes do núcleo das próprias células. Explica o que são os autoanticorpos, por que razão esta…
No lúpus eritematoso sistémico produzem-se autoanticorpos contra componentes do núcleo das próprias células. Explica o que são os autoanticorpos, por que razão esta doença pode afetar vários órgãos simultaneamente e por que motivo o seu diagnóstico inclui a pesquisa de anticorpos antinucleares no sangue.
Na esclerose múltipla, o sistema imunitário destrói a mielina que reveste os neurónios. Raciocina por que razão é classificada como uma doença autoimune, que células…
Na esclerose múltipla, o sistema imunitário destrói a mielina que reveste os neurónios. Raciocina por que razão é classificada como uma doença autoimune, que células imunitárias participam no ataque e por que motivo os sintomas dependem da zona do sistema nervoso afetada.
Casos que se confundem e a questão do sexo
A doença celíaca não é uma alergia alimentar clássica: intervêm linfócitos T que reagem a péptidos do glúten e autoanticorpos contra a transglutaminase tecidual própria, com uma componente autoimune, e a reação ao glúten lesa a mucosa do intestino delgado. O único tratamento eficaz é uma dieta estrita sem glúten.
Muitas doenças autoimunes (lúpus, tiroidite de Hashimoto) afetam sobretudo mulheres. Hipóteses em estudo: os estrogénios tendem a estimular os linfócitos B e a produção de anticorpos, enquanto os androgénios tendem a ser imunossupressores; além disso, o cromossoma X contém muitos genes ligados à imunidade.
A doença celíaca é uma reação imunitária contra o glúten que danifica a mucosa do intestino delgado. Explica por que razão não é considerada uma alergia alimentar…
A doença celíaca é uma reação imunitária contra o glúten que danifica a mucosa do intestino delgado. Explica por que razão não é considerada uma alergia alimentar clássica (intervêm linfócitos T e autoanticorpos, com uma componente autoimune) e qual é hoje o seu único tratamento eficaz.
Uma paciente de 50 anos com artrite reumatoide grave não apresenta melhorias com fármacos anti-inflamatórios. O seu especialista decide prescrever um tratamento…
Uma paciente de 50 anos com artrite reumatoide grave não apresenta melhorias com fármacos anti-inflamatórios. O seu especialista decide prescrever um tratamento biológico com infliximabe, um anticorpo monoclonal que bloqueia especificamente o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α). Antes de iniciar o tratamento, o protocolo hospitalar exige a realização obrigatória de um teste da tuberculina (Mantoux) e de uma radiografia ao tórax.
- a) Justifica o mecanismo biológico pelo qual a neutralização do TNF-α consegue travar a inflamação crónica e a destruição da cartilagem articular nesta patologia autoimune.
- b) Fundamenta por que razão é indispensável descartar uma infeção latente por Mycobacterium tuberculosis antes de administrar infliximabe: explica a função defensiva normal do TNF-α na formação e manutenção dos granulomas que confinam este microrganismo intracelular e prevê que complicação ocorreria se o fármaco fosse administrado a uma pessoa com infeção tuberculosa silenciosa.
- c) A paciente confia em que este tratamento biológico «repare o seu sistema imunitário e cure definitivamente a artrite reumatoide». Rebate esta expectativa explicando por que razão o anticorpo monoclonal atua como uma terapia paliativa/anti-inflamatória e não corrige a perda de autotolerância que originou a doença.
Em patologias autoimunes como o lúpus eritematoso sistémico (LES) ou a tiroidite de Hashimoto, cerca de 90 % dos casos diagnosticados correspondem a mulheres. Para…
Em patologias autoimunes como o lúpus eritematoso sistémico (LES) ou a tiroidite de Hashimoto, cerca de 90 % dos casos diagnosticados correspondem a mulheres. Para explicar este acentuado enviesamento por sexo, a comunidade científica investiga fatores hormonais (os estrogénios tendem a potenciar a proliferação de linfócitos B e a produção de anticorpos, enquanto os androgénios costumam atuar como imunossupressores) e fatores genéticos ligados ao cromossoma X (que concentra numerosos genes vinculados à imunidade inata e adaptativa).
- a) Formula uma hipótese fundamentada para prever se os homens com síndrome de Klinefelter (cariótipo 47,XXY) terão um risco de desenvolver LES mais semelhante ao dos homens 46,XY ou ao das mulheres 46,XX.
- b) Do ponto de vista adaptativo, uma resposta imunitária humoral mais vigorosa nas mulheres confere maior resistência contra infeções bacterianas e víricas. Justifica como esta vantagem evolutiva se pode traduzir, em determinadas condições genéticas e ambientais, num custo desfavorável sob a forma de doença autoimune.
- c) Um médico de medicina geral e familiar atende um jovem com dor articular simétrica, eritema malar e anticorpos antinucleares (ANA) positivos, mas descarta o diagnóstico de LES afirmando que «o lúpus é uma patologia exclusiva das mulheres». Rebate esta decisão médica diferenciando probabilidade epidemiológica de exclusão clínica diagnóstica.
Imunodeficiências
Microrganismos oportunistas como o fungo Pneumocystis jirovecii convivem connosco sem fazer mal, mas provocam pneumonias graves em pessoas com poucos linfócitos T CD4 (abaixo de 200 células por microlitro). Que acontece quando as defesas baixam a guarda perante microrganismos que um sistema saudável mantém sob controlo todos os dias?
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Primárias: de origem genética, presentes desde o nascimento. Exemplo: a agamaglobulinemia ligada ao X (doença de Bruton), em que os linfócitos B não amadurecem e não há anticorpos.
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Adquiridas: surgem ao longo da vida. Exemplo: a sida, causada pelo VIH.
O VIH infeta e destrói progressivamente os linfócitos T auxiliares (CD4). Estas células coordenam a resposta específica através de citocinas: ativam macrófagos, linfócitos T citotóxicos e linfócitos B. À medida que diminuem, todas as defesas enfraquecem. Na fase final, microrganismos que nada fariam a uma pessoa saudável provocam as infeções oportunistas.
O que é uma imunodeficiência? Distingue imunodeficiência primária de adquirida e dá um exemplo de cada tipo.
O que é uma imunodeficiência? Distingue imunodeficiência primária de adquirida e dá um exemplo de cada tipo.
O VIH causa a sida. Explica que célula do sistema imunitário infeta, por que razão as defesas do doente enfraquecem ao longo do tempo e o que são as infeções…
O VIH causa a sida. Explica que célula do sistema imunitário infeta, por que razão as defesas do doente enfraquecem ao longo do tempo e o que são as infeções oportunistas que surgem na fase final.
Um lactente do sexo masculino de oito meses é diagnosticado com agamaglobulinemia ligada ao cromossoma X (doença de Bruton), uma imunodeficiência congénita devida a um…
Um lactente do sexo masculino de oito meses é diagnosticado com agamaglobulinemia ligada ao cromossoma X (doença de Bruton), uma imunodeficiência congénita devida a um bloqueio na maturação dos linfócitos B na medula óssea.
- a) A história clínica revela que o bebé esteve completamente saudável durante os seus primeiros cinco meses de vida, mas a partir do sexto mês começou a sofrer pneumonias e otites de repetição causadas por bactérias piogénicas extracelulares (Streptococcus pneumoniae). Justifica a aparente proteção durante os primeiros meses e fundamenta por que razão a carência de anticorpos o torna vulnerável especificamente face a bactérias extracelulares encapsuladas (menciona o papel da opsonização).
- b) Paradoxalmente, o lactente supera sem complicações de maior infeções víricas habituais como a varicela ou o sarampo. Interpreta este facto a partir dos componentes do sistema imunitário que permanecem intactos neste doente.
- c) O pediatra desaconselha a administração de vacinas bacterianas atenuadas e prescreve, em vez disso, injeções intravenosas periódicas de imunoglobulinas humanas purificadas provenientes de dadores saudáveis. Justifica o tipo de imunidade (ativa ou passiva; natural ou artificial) que este tratamento substitutivo confere e explica por que razão não gera memória imunológica na criança.
Agentes patogénicos, contágio e fases da doença infeciosa
Um agente infecioso ou patogénico é um organismo ou partícula capaz de provocar doença. Os principais tipos:
| Agente | Exemplo de doença |
|---|---|
| Vírus | gripe, sida, sarampo |
| Bactérias | tuberculose, pneumonia pneumocócica |
| Fungos | candidíase, pé de atleta |
| Protozoários | malária, giardíase |
O contágio é a passagem do agente de uma pessoa (ou animal) para outra. Cada via exige a sua medida de prevenção:
| Via | Exemplo | Prevenção |
|---|---|---|
| Respiratória | gripe | ventilação, máscara |
| Digestiva | gastroenterite | lavar as mãos, água tratada |
| Contacto | pé de atleta | não partilhar toalhas, calçado |
| Vetores | malária | redes mosquiteiras, repelentes |
| Sexual e sanguínea | VIH | preservativo, não partilhar agulhas |
O que é um agente infecioso ou patogénico? Classifica os principais tipos (vírus, bactérias, fungos, protozoários) e dá um exemplo de doença causada por cada um deles.
O que é um agente infecioso ou patogénico? Classifica os principais tipos (vírus, bactérias, fungos, protozoários) e dá um exemplo de doença causada por cada um deles.
O que é o contágio? Descreve duas vias de transmissão de agentes patogénicos (respiratória, digestiva, por contacto, por vetores ou sexual e sanguínea) e uma medida de…
O que é o contágio? Descreve duas vias de transmissão de agentes patogénicos (respiratória, digestiva, por contacto, por vetores ou sexual e sanguínea) e uma medida de prevenção eficaz para cada uma.
Ordena as fases de uma doença infeciosa (período de resolução, incubação, fase de estado ou aguda, declínio) e descreve brevemente o que ocorre em cada uma.
Ordena as fases de uma doença infeciosa (período de resolução, incubação, fase de estado ou aguda, declínio) e descreve brevemente o que ocorre em cada uma.
Os antibióticos curam as infeções bacterianas mas não as virais. Explica porquê (os vírus utilizam a maquinaria das nossas células e não possuem alvos como a parede…
Os antibióticos curam as infeções bacterianas mas não as virais. Explica porquê (os vírus utilizam a maquinaria das nossas células e não possuem alvos como a parede celular), raciocina por que motivo o uso abusivo de antibióticos seleciona bactérias resistentes e explica o que representa a resistência aos antibióticos enquanto problema de saúde pública.
A hipótese da higiene e a histocompatibilidade
Ao longo do século XX, enquanto as vacinas, a água canalizada e os antibióticos faziam cair a mortalidade infantil por infeções, as taxas de asma e de dermatite alérgica dispararam nas cidades. Será que a falta de contacto com microrganismos na infância desorienta o sistema imunitário?
A exposição precoce a uma grande diversidade de microrganismos ajuda o sistema imunitário a «treinar» o equilíbrio entre respostas (incluindo linfócitos T reguladores). Sem esse treino, tende a reagir em excesso a alergénios inofensivos. Por exemplo, comparando crianças de quintas tradicionais com crianças de apartamentos urbanos muito desinfetados, a asma alérgica surge com muito maior frequência nas segundas. É uma associação observada, não uma lei absoluta.
Transplantes e HLA
Mesmo com boa compatibilidade, os doentes transplantados necessitam de imunossupressores, o que os torna mais vulneráveis a infeções.
A higiene excessiva durante a infância tem sido relacionada com o aumento das alergias nos países desenvolvidos (hipótese da higiene). Explica brevemente em que consiste…
A higiene excessiva durante a infância tem sido relacionada com o aumento das alergias nos países desenvolvidos (hipótese da higiene). Explica brevemente em que consiste esta hipótese.
Os transplantes entre gémeos idênticos praticamente não necessitam de imunossupressão, enquanto os realizados entre pessoas não aparentadas sim. Explica o que determina…
Os transplantes entre gémeos idênticos praticamente não necessitam de imunossupressão, enquanto os realizados entre pessoas não aparentadas sim. Explica o que determina essa diferença (identidade dos marcadores HLA ou MHC) e em que consiste o teste de histocompatibilidade que se realiza antes de um transplante.
Um paciente de 48 anos recebe um transplante de rim procedente de um dador cadáver não aparentado. Para minimizar o risco de falência do enxerto, a equipa médica avalia…
Um paciente de 48 anos recebe um transplante de rim procedente de um dador cadáver não aparentado. Para minimizar o risco de falência do enxerto, a equipa médica avalia a compatibilidade imunológica e prescreve um regime imunossupressor.
- a) Explica que complexo proteico de membrana determina a compatibilidade entre dador e recetor, e descreve o mecanismo imunológico celular (linfócitos T auxiliares e citotóxicos) que provocaria a destruição do enxerto se não fossem administrados imunossupressores.
- b) Às oito semanas do transplante, com o rim a funcionar com normalidade sob tratamento imunossupressor intensivo, o doente dá entrada com febre alta devido a uma reativação do citomegalovírus (CMV) e a uma infeção respiratória por um fungo oportunista. Justifica por que razão os imunossupressores aumentam preferencialmente a vulnerabilidade face a vírus, agentes patogénicos intracelulares e fungos, mais do que face à maioria das bactérias extracelulares comuns.
- c) Formula o dilema terapêutico que a equipa médica enfrenta: fundamenta o que aconteceria ao enxerto se o tratamento imunossupressor fosse suspenso para combater a infeção, e o que aconteceria à vida do doente se a dose fosse aumentada para proteger o rim.
Num estudo epidemiológico comparou-se a prevalência de doenças alérgicas entre crianças criadas em quintas tradicionais (Grupo A), onde convivem diariamente com gado e…
Num estudo epidemiológico comparou-se a prevalência de doenças alérgicas entre crianças criadas em quintas tradicionais (Grupo A), onde convivem diariamente com gado e solos ricos em endotoxinas microbianas, e crianças criadas em apartamentos de centros urbanos (Grupo B) com rotinas rigorosas de desinfeção doméstica e escasso contacto com animais. A incidência de asma alérgica no Grupo B foi de 14,2 %, face a apenas 2,8 % no Grupo A.
- a) Interpreta estes resultados apoiando-te na «hipótese da higiene»: explica como a exposição precoce a uma ampla diversidade microbiana modula o equilíbrio entre as subpopulações de linfócitos T auxiliares (Th1 face a Th2) e a atividade dos linfócitos T reguladores (Treg).
- b) Uma empresa de detergentes promove um produto de limpeza com o slogan: «Elimina 99,9 % das bactérias para manter os seus filhos livres de alergias». Baseando-te em fundamentos imunológicos, rebate de forma justificada a premissa de tal slogan comercial.
- c) Deduz-se da hipótese da higiene que seria conveniente suprimir a potabilização da água ou o plano de vacinação para fortalecer o sistema imunitário infantil? Justifica a tua resposta distinguindo entre a exposição a microrganismos ambientais comensais não patogénicos e a exposição a agentes patogénicos virulentos letais.
Uma mulher com alergia grave ao veneno de vespas inicia um tratamento de imunoterapia específica (doses subcutâneas crescentes de veneno administradas periodicamente…
Uma mulher com alergia grave ao veneno de vespas inicia um tratamento de imunoterapia específica (doses subcutâneas crescentes de veneno administradas periodicamente durante 3 anos). Ao longo da terapia observa-se nas suas análises um aumento notável de linfócitos T reguladores (Treg) produtores de IL-10 e TGF-β, um aumento significativo de anticorpos IgG4 específicos e uma ligeira descida na concentração de IgE específica. Após dois anos de tratamento, sofre uma picada acidental no campo e não apresenta sintomas anafiláticos.
- a) Interpreta o mecanismo através do qual os linfócitos Treg induzidos suprimem a resposta alérgica, indicando sobre que populações linfocitárias (Th2) e células efetoras (mastócitos e basófilos) exercem a sua ação imunomoduladora.
- b) Fundamenta como atuam os anticorpos IgG4 como «anticorpos bloqueadores»: por que razão a sua ligação ao veneno de vespa impede a desgranulação maciça dos mastócitos apesar de a paciente ainda conservar moléculas de IgE fixadas no seu organismo?
- c) Se, por erro médico, fosse administrada à paciente uma dose elevada do alergénio logo desde o primeiro dia de tratamento, em vez de se seguir um escalonamento progressivo de concentrações ínfimas ao longo de meses, prevê que resposta imunológica imediata se desencadearia e justifica por que razão o aumento gradual da dose é indispensável para induzir tolerância.
Voltando ao início: as três falhas — reação excessiva (alergia), ataque ao que é próprio (autoimunidade) e defesa insuficiente (imunodeficiência) — resultam de um sistema imunitário desregulado, não de um sistema «mais forte» ou «mais fraco» em geral.