Técnicas de procriação medicamente assistida
A Matilde e o Tomás tentam ter um filho há dois anos, sem sucesso. Na consulta de infertilidade, a médica explica que existem várias técnicas de procriação medicamente assistida (PMA) e que a escolha depende da causa do problema. Porque não se usa a mesma técnica para todos os casais? Vamos descobrir.
O que é a PMA e o que muda em relação à conceção natural
Na conceção natural, a fecundação ocorre dentro do corpo da mulher, na trompa de Falópio (ampola), pouco depois da ovulação. O zigoto faz depois a segmentação ao longo da trompa e fixa-se no endométrio (nidação).
A procriação medicamente assistida (PMA) reúne técnicas que ajudam a ultrapassar um obstáculo a este percurso. Cada técnica «salta» uma etapa diferente:
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na inseminação artificial (IA), ajuda-se o encontro dos gâmetas, mas a fecundação continua a ser in vivo;
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na fecundação in vitro (FIV), a fecundação passa a ocorrer em laboratório;
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na ICSI, o próprio espermatozoide é colocado dentro do ovócito.
Inseminação artificial
É a técnica mais simples. Decorre em três passos:
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Preparação do esperma em laboratório: separam-se os espermatozoides móveis e morfologicamente normais do restante líquido seminal e concentram-se num pequeno volume.
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Momento da ovulação: a ovulação pode ser natural ou estimulada com uma medicação hormonal ligeira e vigiada por ecografia.
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Deposição do esperma preparado, com uma cânula fina, diretamente no útero.
Porque se prepara o esperma? Ao concentrar os espermatozoides mais móveis e colocá-los no útero, contorna-se o colo do útero e aumenta-se o número de espermatozoides que chegam às trompas, o que melhora a probabilidade de encontro com o ovócito.
Situações em que pode estar indicada: esperma com ligeira diminuição da concentração ou da mobilidade; muco cervical hostil; dificuldades na relação sexual; infertilidade sem causa aparente; uso de esperma de dador (por exemplo, numa mulher sem parceiro masculino).
A inseminação artificial (IA) é a técnica de procriação medicamente assistida (PMA) mais simples: no laboratório, o esperma é preparado e concentrado e, no momento da…
A inseminação artificial (IA) é a técnica de procriação medicamente assistida (PMA) mais simples: no laboratório, o esperma é preparado e concentrado e, no momento da ovulação, é colocado diretamente no útero da mulher através de uma cânula fina.
- a) Indica onde ocorre a fecundação na inseminação artificial e compara com o que acontece numa conceção natural.
- b) Indica duas situações clínicas em que a inseminação artificial pode estar indicada.
- c) Explica por que razão esta técnica não é adequada quando as trompas de Falópio estão obstruídas.
- d) Relaciona a preparação laboratorial do esperma com o aumento da probabilidade de gravidez.
Fecundação in vitro (FIV)
Na FIV, os gâmetas são colocados em contacto fora do corpo, em laboratório. As etapas habituais são:
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Estimulação ovárica com hormonas (análogos de FSH e LH), para que amadureçam vários folículos.
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Colheita dos ovócitos por punção dos folículos, guiada por ecografia.
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Preparação do esperma e colocação em contacto com os ovócitos, em meio de cultura (a fecundação ocorre nesta etapa).
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Cultura dos embriões durante alguns dias, em incubadora a cerca de $37\ \text{°C}$, com observação da segmentação.
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Transferência de um ou dois embriões para o útero, com um cateter; os restantes, se viáveis, podem ser criopreservados.
Porque se estimula em vez de esperar pelo ciclo natural? No ciclo natural amadurece normalmente um só ovócito. Com a estimulação obtêm-se vários, o que aumenta o número de embriões disponíveis e a probabilidade de gravidez em cada tentativa.
Porque se transfere um número limitado de embriões? Para reduzir o risco de gravidez múltipla (gémeos ou trigémeos), que aumenta o risco de parto prematuro e de complicações para a mãe e para os bebés; e porque os embriões excedentários podem ser criopreservados e usados mais tarde, sem nova estimulação.
A fecundação in vitro (FIV) envolve várias etapas, representadas no esquema pelos números 1 a 5. a) Descreve, com as tuas palavras, o que acontece em cada uma das etapas…
A fecundação in vitro (FIV) envolve várias etapas, representadas no esquema pelos números 1 a 5.
- a) Descreve, com as tuas palavras, o que acontece em cada uma das etapas numeradas de 1 a 5.
- b) Explica por que razão, na etapa 1, é administrada à mulher uma estimulação hormonal em vez de se aguardar o ciclo natural.
- c) Indica onde ocorre a fecundação na FIV e compara com o que acontece na inseminação artificial.
- d) Indica duas razões por que, na etapa 5, se costuma transferir um número muito limitado de embriões para o útero.
ICSI e comparação das técnicas
A injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI) é uma variante da FIV. As etapas 1, 2, 4 e 5 são iguais; muda a fecundação: com uma micropipeta, um único espermatozoide é injetado no citoplasma do ovócito. Na FIV clássica, milhares de espermatozoides competem em meio de cultura e um deles penetra no ovócito por si próprio.
A ICSI está especialmente indicada na infertilidade masculina grave (muito poucos espermatozoides, pouca mobilidade ou formas anormais), porque basta um espermatozoide viável por ovócito, sem precisar que consiga nadar e atravessar as camadas que rodeiam o ovócito. Também se usa quando a FIV clássica falhou.
| Técnica | Local da fecundação | Intervenção laboratorial |
|---|---|---|
| Inseminação artificial | Trompa de Falópio (in vivo) | Baixa: só preparação do esperma |
| FIV | Meio de cultura (in vitro) | Média/alta: colheita de ovócitos, fecundação e cultura de embriões |
| ICSI | Meio de cultura (in vitro), por injeção no ovócito | Muito alta: seleção e injeção de um espermatozoide, além das etapas da FIV |
A injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI) é uma variante da FIV em que, com uma micropipeta, um único espermatozoide é injetado diretamente no interior do…
A injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI) é uma variante da FIV em que, com uma micropipeta, um único espermatozoide é injetado diretamente no interior do ovócito.
- a) Explica a diferença fundamental entre a FIV clássica e a ICSI quanto à forma como ocorre a fecundação.
- b) Indica o tipo de infertilidade para que a ICSI está especialmente indicada e justifica.
- c) Completa a tabela seguinte, comparando as três técnicas de PMA quanto ao local onde ocorre a fecundação e ao grau de intervenção laboratorial.
| Técnica | Local da fecundação | Intervenção laboratorial |
|---|---|---|
| Inseminação artificial | ? | ? |
| FIV clássica | ? | ? |
| ICSI | ? | ? |
Em resumo
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A PMA reúne técnicas que ajudam a ultrapassar um obstáculo da conceção; a escolha depende da causa da infertilidade.
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Inseminação artificial: esperma preparado e colocado no útero na ovulação; fecundação in vivo, na trompa. Exige trompas permeáveis.
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FIV: estimulação ovárica, colheita de ovócitos, fecundação in vitro, cultura e transferência de poucos embriões para o útero (evita gravidezes múltiplas).
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ICSI: um espermatozoide é injetado no ovócito; indicada na infertilidade masculina grave.
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A nidação ocorre sempre no útero, mesmo nas técnicas in vitro.
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De volta ao início: a Matilde e o Tomás são tratados com a técnica adequada à causa, que a investigação clínica permite identificar.