Voltar ao inícioBiologia · 12.º ano · Mudar de matéria
Começar grátis
12.º ano A · Biologia
Reprodução e manipulação da fertilidade · Procriação medicamente assistida

Técnicas de procriação medicamente assistida

A Matilde e o Tomás tentam ter um filho há dois anos, sem sucesso. Na consulta de infertilidade, a médica explica que existem várias técnicas de procriação medicamente assistida (PMA) e que a escolha depende da causa do problema. Porque não se usa a mesma técnica para todos os casais? Vamos descobrir.

O que é a PMA e o que muda em relação à conceção natural

Na conceção natural, a fecundação ocorre dentro do corpo da mulher, na trompa de Falópio (ampola), pouco depois da ovulação. O zigoto faz depois a segmentação ao longo da trompa e fixa-se no endométrio (nidação).

A procriação medicamente assistida (PMA) reúne técnicas que ajudam a ultrapassar um obstáculo a este percurso. Cada técnica «salta» uma etapa diferente:

  • na inseminação artificial (IA), ajuda-se o encontro dos gâmetas, mas a fecundação continua a ser in vivo;

  • na fecundação in vitro (FIV), a fecundação passa a ocorrer em laboratório;

  • na ICSI, o próprio espermatozoide é colocado dentro do ovócito.

Comparação do local da fecundação na conceção natural, na inseminação artificial, na FIV e na ICSI Conceção natural Inseminação artificial FIV ICSI Trompa Trompa Laboratório Laboratório in vivo in vivo in vitro in vitro 1 espermatozoide

Inseminação artificial

É a técnica mais simples. Decorre em três passos:

  1. Preparação do esperma em laboratório: separam-se os espermatozoides móveis e morfologicamente normais do restante líquido seminal e concentram-se num pequeno volume.

  2. Momento da ovulação: a ovulação pode ser natural ou estimulada com uma medicação hormonal ligeira e vigiada por ecografia.

  3. Deposição do esperma preparado, com uma cânula fina, diretamente no útero.

Porque se prepara o esperma? Ao concentrar os espermatozoides mais móveis e colocá-los no útero, contorna-se o colo do útero e aumenta-se o número de espermatozoides que chegam às trompas, o que melhora a probabilidade de encontro com o ovócito.

Situações em que pode estar indicada: esperma com ligeira diminuição da concentração ou da mobilidade; muco cervical hostil; dificuldades na relação sexual; infertilidade sem causa aparente; uso de esperma de dador (por exemplo, numa mulher sem parceiro masculino).

Pratica★★☆Por começar
A inseminação artificial (IA) é a técnica de procriação medicamente assistida (PMA) mais simples: no laboratório, o esperma é preparado e concentrado e, no momento da…

A inseminação artificial (IA) é a técnica de procriação medicamente assistida (PMA) mais simples: no laboratório, o esperma é preparado e concentrado e, no momento da ovulação, é colocado diretamente no útero da mulher através de uma cânula fina.

  1. a) Indica onde ocorre a fecundação na inseminação artificial e compara com o que acontece numa conceção natural.
  2. b) Indica duas situações clínicas em que a inseminação artificial pode estar indicada.
  3. c) Explica por que razão esta técnica não é adequada quando as trompas de Falópio estão obstruídas.
  4. d) Relaciona a preparação laboratorial do esperma com o aumento da probabilidade de gravidez.
Resolver

Fecundação in vitro (FIV)

Na FIV, os gâmetas são colocados em contacto fora do corpo, em laboratório. As etapas habituais são:

  1. Estimulação ovárica com hormonas (análogos de FSH e LH), para que amadureçam vários folículos.

  2. Colheita dos ovócitos por punção dos folículos, guiada por ecografia.

  3. Preparação do esperma e colocação em contacto com os ovócitos, em meio de cultura (a fecundação ocorre nesta etapa).

  4. Cultura dos embriões durante alguns dias, em incubadora a cerca de $37\ \text{°C}$, com observação da segmentação.

  5. Transferência de um ou dois embriões para o útero, com um cateter; os restantes, se viáveis, podem ser criopreservados.

Esquema das cinco etapas da FIV, numeradas de 1 a 5 1 2 3 4 5 Estimulação ovárica Colheita de ovócitos Fecundação in vitro Cultura dos embriões Transferência para o útero

Porque se estimula em vez de esperar pelo ciclo natural? No ciclo natural amadurece normalmente um só ovócito. Com a estimulação obtêm-se vários, o que aumenta o número de embriões disponíveis e a probabilidade de gravidez em cada tentativa.

Porque se transfere um número limitado de embriões? Para reduzir o risco de gravidez múltipla (gémeos ou trigémeos), que aumenta o risco de parto prematuro e de complicações para a mãe e para os bebés; e porque os embriões excedentários podem ser criopreservados e usados mais tarde, sem nova estimulação.

Pratica★★☆Por começar
A fecundação in vitro (FIV) envolve várias etapas, representadas no esquema pelos números 1 a 5. a) Descreve, com as tuas palavras, o que acontece em cada uma das etapas…

A fecundação in vitro (FIV) envolve várias etapas, representadas no esquema pelos números 1 a 5.

1 2 3 4 5
  1. a) Descreve, com as tuas palavras, o que acontece em cada uma das etapas numeradas de 1 a 5.
  2. b) Explica por que razão, na etapa 1, é administrada à mulher uma estimulação hormonal em vez de se aguardar o ciclo natural.
  3. c) Indica onde ocorre a fecundação na FIV e compara com o que acontece na inseminação artificial.
  4. d) Indica duas razões por que, na etapa 5, se costuma transferir um número muito limitado de embriões para o útero.
Resolver

ICSI e comparação das técnicas

A injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI) é uma variante da FIV. As etapas 1, 2, 4 e 5 são iguais; muda a fecundação: com uma micropipeta, um único espermatozoide é injetado no citoplasma do ovócito. Na FIV clássica, milhares de espermatozoides competem em meio de cultura e um deles penetra no ovócito por si próprio.

A ICSI está especialmente indicada na infertilidade masculina grave (muito poucos espermatozoides, pouca mobilidade ou formas anormais), porque basta um espermatozoide viável por ovócito, sem precisar que consiga nadar e atravessar as camadas que rodeiam o ovócito. Também se usa quando a FIV clássica falhou.

Técnica Local da fecundação Intervenção laboratorial
Inseminação artificial Trompa de Falópio (in vivo) Baixa: só preparação do esperma
FIV Meio de cultura (in vitro) Média/alta: colheita de ovócitos, fecundação e cultura de embriões
ICSI Meio de cultura (in vitro), por injeção no ovócito Muito alta: seleção e injeção de um espermatozoide, além das etapas da FIV
Pratica★★☆Por começar
A injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI) é uma variante da FIV em que, com uma micropipeta, um único espermatozoide é injetado diretamente no interior do…

A injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI) é uma variante da FIV em que, com uma micropipeta, um único espermatozoide é injetado diretamente no interior do ovócito.

  1. a) Explica a diferença fundamental entre a FIV clássica e a ICSI quanto à forma como ocorre a fecundação.
  2. b) Indica o tipo de infertilidade para que a ICSI está especialmente indicada e justifica.
  3. c) Completa a tabela seguinte, comparando as três técnicas de PMA quanto ao local onde ocorre a fecundação e ao grau de intervenção laboratorial.
Técnica Local da fecundação Intervenção laboratorial
Inseminação artificial ? ?
FIV clássica ? ?
ICSI ? ?
Resolver

Em resumo

  • A PMA reúne técnicas que ajudam a ultrapassar um obstáculo da conceção; a escolha depende da causa da infertilidade.

  • Inseminação artificial: esperma preparado e colocado no útero na ovulação; fecundação in vivo, na trompa. Exige trompas permeáveis.

  • FIV: estimulação ovárica, colheita de ovócitos, fecundação in vitro, cultura e transferência de poucos embriões para o útero (evita gravidezes múltiplas).

  • ICSI: um espermatozoide é injetado no ovócito; indicada na infertilidade masculina grave.

  • A nidação ocorre sempre no útero, mesmo nas técnicas in vitro.

  • De volta ao início: a Matilde e o Tomás são tratados com a técnica adequada à causa, que a investigação clínica permite identificar.

Ver todos os exercícios deste tema