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Atividade enzimática e aplicações biotecnológicas · Atividade enzimática

Efeito do pH na atividade enzimática

Depois de uma refeição, o bolo alimentar passa da boca (pH perto de 7) para o estômago (pH perto de 2). A amilase da saliva, que começou a digerir o amido, deixa de funcionar quase de imediato. E a pepsina, que digere proteínas no estômago, ficaria inativa na boca. Porquê? Vais perceber que o pH não é um pormenor: decide se uma enzima trabalha ou não.

O que é o pH e porque afeta as enzimas

O pH mede a acidez de um meio: abaixo de 7 o meio é ácido, em 7 é neutro e acima de 7 é básico. Quanto mais baixo o pH, maior é a concentração de iões $\text{H}^+$.

As enzimas são proteínas. A sua forma tridimensional depende de ligações entre as cadeias laterais dos aminoácidos, muitas delas cargas elétricas. Os iões $\text{H}^+$ e $\text{OH}^-$ do meio alteram essas cargas, e por isso a forma da proteína muda, incluindo a do centro ativo, onde se encaixa o substrato.

Se o centro ativo muda de forma, o substrato deixa de encaixar bem e a velocidade inicial da reação diminui. Num pH muito afastado do ideal, a proteína desnatura-se e perde a atividade.

Esquema de uma enzima com centro ativo ajustado ao substrato no pH ótimo e com a forma alterada em pH extremo pH ótimo pH muito ácido ou muito básico enzima substrato centro ativo deformado substrato não encaixa
Pratica★★☆Por começar
A pepsina atua no estômago, onde o pH é muito ácido (cerca de 2), e a amilase salivar atua na boca, onde o pH é próximo de 7. No gráfico representam-se as curvas de…

A pepsina atua no estômago, onde o pH é muito ácido (cerca de 2), e a amilase salivar atua na boca, onde o pH é próximo de 7. No gráfico representam-se as curvas de atividade das duas enzimas em função do pH, identificadas apenas como enzima A e enzima B.

atividade (%) pH 0 2 4 6 8 10 12 14 20 40 60 80 100 enzima A enzima B
  1. a) Indica qual das curvas corresponde à pepsina e qual corresponde à amilase salivar, justificando com os valores de pH dos meios em que cada enzima atua.
  2. b) Indica, aproximadamente, o pH ótimo de cada enzima.
  3. c) Explica o que acontece à amilase salivar quando o bolo alimentar chega ao estômago e por que razão a digestão química do amido praticamente cessa nesse órgão.
  4. d) Explica, referindo a estrutura tridimensional da enzima e o seu centro ativo, por que razão variações de pH alteram a atividade enzimática.
Resolver

A curva de atividade e cada enzima no seu meio

Se medires a atividade de uma enzima em vários valores de pH, obténs uma curva em forma de sino: sobe até ao pH ótimo e depois desce.

Gráfico da atividade enzimática em função do pH, com curva de pepsina com máximo perto de 2 e curva de amilase salivar com máximo perto de 7 024681012 pH Atividade relativa enzima A enzima B

Cada enzima está adaptada ao meio onde atua:

Enzima Onde atua pH do meio pH ótimo
Pepsina Estômago cerca de 2 cerca de 2
Amilase salivar Boca cerca de 7 cerca de 7
Tripsina Intestino delgado ligeiramente básico (cerca de 8) cerca de 8

Repara que o pH ótimo coincide com o pH do meio onde a enzima atua. Essa coincidência é o resultado da adaptação de cada enzima ao seu ambiente.

Interpretar uma atividade experimental

Num trabalho laboratorial testa-se o efeito do pH mantendo tudo o resto igual. Os tubos usam soluções tampão, que mantêm o pH constante durante a experiência.

  • Variável independente (a que o experimentador altera): o pH.

  • Variável dependente (a que se mede): por exemplo, o tempo que a reação demora, ou a quantidade de produto formado.

  • Variáveis controladas: temperatura, quantidade de enzima, quantidade de substrato e volume.

Quando a medida é o tempo, a relação é inversa: quanto menor o tempo, maior a velocidade da reação. Se não há alteração de forma nenhuma (por exemplo, o leite nunca fica transparente), a enzima não está a atuar.

Pratica★★☆Por começar
A tripsina é uma enzima produzida pelo pâncreas que digere proteínas no intestino. Num trabalho laboratorial, um grupo preparou cinco tubos de ensaio com a mesma…

A tripsina é uma enzima produzida pelo pâncreas que digere proteínas no intestino. Num trabalho laboratorial, um grupo preparou cinco tubos de ensaio com a mesma quantidade de solução de tripsina e de leite (que contém a proteína caseína, responsável pelo seu aspeto turvo) e ajustou cada tubo para um pH diferente, usando soluções tampão. Registou-se o tempo necessário para o leite ficar transparente, sinal de que a caseína foi digerida.

pH do tubo 2 5 7 9 12
Tempo até ficar transparente (min) sem digestão 35 10 6 28
  1. a) Indica o pH ótimo aproximado da tripsina nestas condições, explicando a relação entre o tempo registado e a velocidade da reação.
  2. b) Explica por que razão não se pode afirmar que o pH ótimo é exatamente 9 e descreve que medições adicionais farias para o determinar com maior precisão.
  3. c) Identifica duas variáveis que foi necessário controlar nesta experiência para que a comparação entre os tubos fosse válida.
  4. d) Explica por que razão se usaram soluções tampão para ajustar o pH dos tubos.
Resolver

Em resumo

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