Causas de infertilidade
A Matilde e o Tomás tentam ter um filho há mais de um ano e nada acontece. Será que há «um culpado»? Na verdade, a dificuldade em obter uma gravidez afeta uma parte dos casais em idade fértil e a causa pode estar no homem, na mulher, nos dois ou não ser identificada. Neste apartado vais ver que etapas têm de correr bem para haver gravidez e o que pode falhar em cada uma. No fim, voltamos ao caso da Matilde e do Tomás.
Esterilidade e infertilidade
Para haver gravidez, é preciso que ocorra uma sequência de acontecimentos: produção de gâmetas, encontro dos gâmetas, fecundação, desenvolvimento do zigoto e nidação no endométrio. Se um destes passos falha de forma repetida, o casal tem dificuldade em ter filhos.
A distinção é útil: a esterilidade é uma incapacidade definitiva; a infertilidade é uma dificuldade, que pode estar na conceção, na nidação ou na manutenção da gravidez.
Uma ideia importante: a infertilidade nem sempre é definitiva. Muitas causas são tratáveis, e outras podem ser contornadas com técnicas de procriação medicamente assistida (PMA), que vais estudar noutro apartado.
Quando um casal tem dificuldade em obter uma gravidez, fala-se de um problema de fertilidade. Estima-se que esta situação afete cerca de 10 % a 15 % dos casais em idade…
Quando um casal tem dificuldade em obter uma gravidez, fala-se de um problema de fertilidade. Estima-se que esta situação afete cerca de 10 % a 15 % dos casais em idade fértil em Portugal, com causas distribuídas de forma aproximadamente equilibrada entre o homem, a mulher e o próprio casal — ou sem causa aparente.
- a) Distingue os termos «esterilidade» e «infertilidade».
- b) Indica duas possíveis causas masculinas e duas possíveis causas femininas de dificuldade em obter uma gravidez.
- c) Explica o que significa dizer que a causa é «do casal» e dá um exemplo.
- d) Justifica que, perante um problema de fertilidade, o estudo clínico seja feito sempre aos dois elementos do casal.
Causas masculinas, femininas e do casal
As causas distribuem-se de forma aproximadamente equilibrada: uma parte é masculina, outra feminina, outra mista (do casal) e uma parte fica sem causa aparente.
| Origem | Exemplos de causas | O que falha |
|---|---|---|
| Masculina | Poucos espermatozoides (oligospermia), pouca mobilidade, formas anómalas, ausência de espermatozoides; varicocelo; obstrução dos canais deferentes; baixa produção de testosterona | Produção ou transporte de gâmetas viáveis |
| Feminina | Ausência de ovulação (ex.: síndrome do ovário poliquístico, desequilíbrios hormonais); obstrução das trompas de Falópio; endometriose; endométrio inadequado; alterações do colo do útero | Ovulação, encontro dos gâmetas, fecundação ou nidação |
| Do casal | Incompatibilidade imunológica (anticorpos contra espermatozoides); combinação de fatores ligeiros nos dois; relações sexuais pouco frequentes ou mal sincronizadas com a ovulação | A interação entre os dois |
Fatores como o tabagismo, o álcool, a obesidade, o stresse, a exposição a substâncias tóxicas e a idade avançada (sobretudo da mulher) reduzem a fertilidade em ambos os sexos.
O sistema reprodutor feminino e as suas falhas
Cada estrutura do sistema reprodutor feminino tem uma função precisa. Se souberes a função, deduzes o que acontece quando ela falha.
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Ovários: produzem ovócitos e as hormonas estrogénios e progesterona. Falhas: ausência de ovulação, endometriose com focos nos ovários, quistos.
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Trompas de Falópio: captam o ovócito e é lá que ocorre normalmente a fecundação; transportam o zigoto até ao útero. Falhas: obstrução (por exemplo, após uma infeção) ou lesão das células ciliadas.
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Útero e endométrio: o endométrio, sob a ação dos estrogénios e da progesterona, prepara-se para receber o embrião. Falhas: endométrio pouco desenvolvido, malformações ou miomas, que dificultam a nidação.
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Colo do útero: o muco cervical facilita a passagem dos espermatozoides na altura da ovulação. Falha: muco hostil ou demasiado espesso.
O esquema representa, de forma simplificada, o sistema reprodutor feminino, com cinco estruturas assinaladas pelas letras A a E. a) Identifica as estruturas assinaladas…
O esquema representa, de forma simplificada, o sistema reprodutor feminino, com cinco estruturas assinaladas pelas letras A a E.
- a) Identifica as estruturas assinaladas pelas letras A a E.
- b) Relaciona cada uma das situações clínicas seguintes com a letra da estrutura mais afetada: 1. endometriose com focos nos ovários; 2. obstrução tubária na sequência de uma infeção; 3. endométrio pouco desenvolvido, que dificulta a nidação; 4. muco cervical hostil aos espermatozoides.
- c) Explica por que razão uma obstrução bilateral das estruturas B impede a conceção natural, indicando a etapa da fecundação que fica comprometida.
Voltar ao princípio
Voltemos à Matilde e ao Tomás: não faz sentido procurar «um culpado». Seguindo o percurso dos gâmetas, há que verificar se há gâmetas viáveis (espermograma, ovulação), se o encontro é possível (trompas, colo do útero) e se o endométrio permite a nidação. O diagnóstico, que vais ver no apartado seguinte, serve precisamente para identificar em que etapa está o problema.
Em resumo
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Esterilidade: incapacidade definitiva de ter filhos; infertilidade: dificuldade em obter gravidez após cerca de um ano ou em levá-la até ao fim.
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Cerca de 10 % a 15 % dos casais em idade fértil têm dificuldades; as causas são masculinas, femininas, do casal ou desconhecidas.
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Causas masculinas: poucos espermatozoides, mobilidade reduzida, obstruções, varicocelo.
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Causas femininas: falta de ovulação, trompas obstruídas, endometriose, endométrio inadequado, muco cervical hostil.
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Causa «do casal»: nenhum é infértil sozinho, mas a combinação impede a gravidez.
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Fecundação (trompa) e nidação (endométrio) são etapas distintas.