Controlo biológico de pragas
Em Portugal, muitas palmeiras de jardins e avenidas, de Faro ao Funchal, morreram nos últimos anos por causa de um inseto que vive escondido dentro do tronco. Como se combate um animal que ninguém vê e que os inseticidas quase não alcançam? E será que a solução passa por pôr outro ser vivo a trabalhar por nós? Vamos descobrir.
O que é uma praga e como se combate
Uma praga é uma população de organismos (insetos, fungos, ervas daninhas, roedores…) que se multiplica de tal forma que causa prejuízos importantes em culturas, florestas, alimentos armazenados ou espaços urbanos. Muitas vezes, o problema surge quando uma espécie é introduzida num local onde não tem predadores nem parasitas naturais, como aconteceu com o escaravelho-da-palmeira.
Há duas grandes estratégias de combate. No controlo biológico incluem-se também predadores e parasitóides, como as joaninhas, que se alimentam de pulgões. Na escolha do método, há ainda que ponderar questões de CTSA (saúde pública, ambiente e sociedade):
| Controlo químico | Controlo biológico | |
|---|---|---|
| Agente | Biocidas de síntese (inseticidas, fungicidas, herbicidas) | Seres vivos ou os seus produtos (vírus, bactérias, fungos, nemátodos, predadores) |
| Ação | Tóxica, geralmente sobre muitas espécies | Em geral muito específica de uma espécie ou grupo |
| Persistência | Pode acumular-se no solo, na água e nas cadeias alimentares | Degrada-se ou depende da presença da praga |
| Resistências | Surgem por seleção natural | Também podem surgir, mas tendem a desenvolver-se mais lentamente |
Os baculovírus são vírus que infetam exclusivamente insetos e são utilizados, em Portugal e noutros países da União Europeia, no controlo biológico de lagartas que…
Os baculovírus são vírus que infetam exclusivamente insetos e são utilizados, em Portugal e noutros países da União Europeia, no controlo biológico de lagartas que atacam culturas agrícolas, como alternativa aos inseticidas químicos. A figura apresenta o ciclo simplificado de ação de um baculovírus aplicado sobre uma cultura infestada.
- a) Descreve as etapas do ciclo representado na figura, desde a aplicação do baculovírus na cultura até à redução da população de lagartas.
- b) Explica duas vantagens do controlo biológico com baculovírus face aos inseticidas químicos de síntese, referindo a especificidade da ação e o que acontece aos resíduos deixados no ambiente.
- c) Indica uma limitação do uso de baculovírus na agricultura e explica por que razão a sua aplicação exige um bom conhecimento da praga a combater.
- d) Outro agente de controlo biológico muito usado é a bactéria Bacillus thuringiensis (Bt), que produz uma toxina letal apenas para certas larvas de insetos. Explica por que razão tanto os baculovírus como a Bt são considerados aplicações da biotecnologia.
Baculovírus: um vírus que só infeta insetos
Os baculovírus são vírus que infetam exclusivamente insetos, sobretudo lagartas. Não infetam plantas, mamíferos nem aves, o que os torna muito seletivos. São usados em culturas agrícolas, em pomares e em florestas.
O ciclo de ação, simplificado, segue estas etapas:
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Aplicação: pulveriza-se a cultura com uma suspensão de baculovírus (partículas protegidas por uma matriz proteica, resistente no ambiente).
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Ingestão: a lagarta come folhas contaminadas.
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Infeção: no intestino, o meio alcalino dissolve a matriz proteica e liberta os vírus, que penetram nas células do inseto.
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Multiplicação: o vírus usa a maquinaria da célula hospedeira para replicar o seu ADN no núcleo das células e produzir novas partículas virais, que se espalham pelo corpo da lagarta.
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Morte: a lagarta enfraquece, deixa de se alimentar e morre; os tecidos liquefazem-se e o corpo liberta milhões de novos vírus sobre as folhas.
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Propagação: outras lagartas ingerem estes vírus e a doença alastra na população, que diminui.
Os baculovírus são vírus que infetam exclusivamente insetos e são utilizados, em Portugal e noutros países da União Europeia, no controlo biológico de lagartas que…
Os baculovírus são vírus que infetam exclusivamente insetos e são utilizados, em Portugal e noutros países da União Europeia, no controlo biológico de lagartas que atacam culturas agrícolas, como alternativa aos inseticidas químicos. A figura apresenta o ciclo simplificado de ação de um baculovírus aplicado sobre uma cultura infestada.
- a) Descreve as etapas do ciclo representado na figura, desde a aplicação do baculovírus na cultura até à redução da população de lagartas.
- b) Explica duas vantagens do controlo biológico com baculovírus face aos inseticidas químicos de síntese, referindo a especificidade da ação e o que acontece aos resíduos deixados no ambiente.
- c) Indica uma limitação do uso de baculovírus na agricultura e explica por que razão a sua aplicação exige um bom conhecimento da praga a combater.
- d) Outro agente de controlo biológico muito usado é a bactéria Bacillus thuringiensis (Bt), que produz uma toxina letal apenas para certas larvas de insetos. Explica por que razão tanto os baculovírus como a Bt são considerados aplicações da biotecnologia.
O caso do escaravelho-da-palmeira
O escaravelho-da-palmeira (Rhynchophorus ferrugineus) é originário da Ásia. Foi detetado em Portugal no final da primeira década deste século. A fêmea põe os ovos no estipe da palmeira; as larvas alimentam-se do interior, abrem galerias e destroem os tecidos de condução, e a palmeira acaba por morrer.
Porque é difícil combatê-lo? Porque as larvas estão protegidas dentro do estipe: um inseticida pulverizado à superfície não chega até elas, e quando aparecem os sintomas (folhas descaídas, «coroa» a tombar) a infestação já é grave.
Os agentes de controlo biológico usados são:
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Nemátodos entomopatogénicos: vermes microscópicos que penetram nas larvas e libertam bactérias simbiontes, que as matam em poucos dias. Aplicam-se em solução, por injeção ou rega da coroa e do estipe, e conseguem chegar às galerias.
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Fungo Beauveria bassiana: os esporos aderem à cutícula do inseto, germinam, atravessam-na e crescem no interior, causando a morte. Aplica-se por pulverização.
A DGAV coordena o combate, com inseticidas autorizados e, cada vez mais, estes agentes biológicos, numa estratégia que combina vários métodos.
O escaravelho-da-palmeira (Rhynchophorus ferrugineus*) é um inseto cuja larva se alimenta do interior do estipe das palmeiras, provocando a sua morte. A praga foi…
O escaravelho-da-palmeira (Rhynchophorus ferrugineus) é um inseto cuja larva se alimenta do interior do estipe das palmeiras, provocando a sua morte. A praga foi detetada em Portugal no final da primeira década deste século e espalhou-se por várias regiões, sendo combatida sob coordenação da DGAV (Direção-Geral de Alimentação e Veterinária) com inseticidas autorizados e, cada vez mais, com agentes de controlo biológico, como os nemátodos entomopatogénicos e o fungo Beauveria bassiana.
- a) Explica por que razão as larvas do escaravelho, protegidas no interior do estipe, são difíceis de atingir com inseticidas de contacto, e como os nemátodos entomopatogénicos, que procuram ativamente as larvas no interior da palmeira, contornam essa dificuldade.
- b) Apresenta duas vantagens ambientais do uso de agentes de controlo biológico desta praga em jardins urbanos, face à pulverização com inseticidas químicos.
- c) A introdução de um agente de controlo biológico num ecossistema exige estudos prévios. Indica um risco que esses estudos devem avaliar, relacionado com espécies que não são o alvo do tratamento.
- d) No combate a esta praga é obrigatório destruir as palmeiras muito infestadas e é limitada a movimentação de palmeiras entre concelhos. Explica o interesse destas medidas fitossanitárias para travar a dispersão da praga.
Comparar métodos: eficácia e impactes
Para avaliar um método de controlo de pragas, usam-se critérios como a eficácia (rapidez e grau de redução da praga), a especificidade, os impactes ambientais (resíduos, efeitos noutras espécies, contaminação de solo e água), os riscos para a saúde humana, as resistências e o custo.
| Critério | Biocidas de síntese | Controlo biológico |
|---|---|---|
| Rapidez | Rápida | Mais lenta |
| Especificidade | Baixa a média | Elevada |
| Resíduos persistentes | Possíveis | Reduzidos |
| Resistências | Frequentes | Menos frequentes |
| Condições de aplicação | Simples | Dependem de temperatura, humidade, luz |
| Custo | Variável, por vezes baixo | Por vezes mais elevado |
Raramente um só método resolve tudo. O controlo integrado de pragas combina vários (monitorização, armadilhas, agentes biológicos e, se necessário, um inseticida autorizado), reduzindo o uso de químicos.
O escaravelho-da-palmeira (Rhynchophorus ferrugineus*) é um inseto cuja larva se alimenta do interior do estipe das palmeiras, provocando a sua morte. A praga foi…
O escaravelho-da-palmeira (Rhynchophorus ferrugineus) é um inseto cuja larva se alimenta do interior do estipe das palmeiras, provocando a sua morte. A praga foi detetada em Portugal no final da primeira década deste século e espalhou-se por várias regiões, sendo combatida sob coordenação da DGAV (Direção-Geral de Alimentação e Veterinária) com inseticidas autorizados e, cada vez mais, com agentes de controlo biológico, como os nemátodos entomopatogénicos e o fungo Beauveria bassiana.
- a) Explica por que razão as larvas do escaravelho, protegidas no interior do estipe, são difíceis de atingir com inseticidas de contacto, e como os nemátodos entomopatogénicos, que procuram ativamente as larvas no interior da palmeira, contornam essa dificuldade.
- b) Apresenta duas vantagens ambientais do uso de agentes de controlo biológico desta praga em jardins urbanos, face à pulverização com inseticidas químicos.
- c) A introdução de um agente de controlo biológico num ecossistema exige estudos prévios. Indica um risco que esses estudos devem avaliar, relacionado com espécies que não são o alvo do tratamento.
- d) No combate a esta praga é obrigatório destruir as palmeiras muito infestadas e é limitada a movimentação de palmeiras entre concelhos. Explica o interesse destas medidas fitossanitárias para travar a dispersão da praga.
De volta ao início: o escaravelho escondido no estipe só é atingido por agentes que cheguem ao interior, como os nemátodos e o fungo Beauveria bassiana, e a melhor estratégia combina métodos sob coordenação da DGAV.
Em resumo
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Uma praga é uma população que causa prejuízos; combate-se por controlo químico (biocidas) ou biológico (seres vivos ou seus produtos).
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Os baculovírus infetam apenas insetos: ingestão, infeção do intestino, multiplicação, morte da lagarta e propagação a outras.
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O escaravelho-da-palmeira é difícil de atingir porque as larvas vivem protegidas no estipe; combate-se com inseticidas autorizados, nemátodos e Beauveria bassiana.
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Comparam-se os métodos pela eficácia, especificidade, impactes, resistências e custo.
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O controlo biológico é mais seletivo e menos poluente, mas mais lento e dependente do ambiente; o controlo integrado combina vários métodos.