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Reprodução e manipulação da fertilidade · Infertilidade

Diagnóstico da infertilidade

A Beatriz e o Tomás tentam ter um filho há mais de um ano, sem sucesso. A médica de família não lhes dá um diagnóstico à primeira consulta: pede-lhes exames. Que análises se fazem a cada um dos elementos do casal e como se lê o resultado? No fim da página vais perceber porque é que o estudo da fertilidade começa quase sempre pelo homem.

Estudo do casal

A infertilidade é a incapacidade de conseguir uma gravidez ao fim de cerca de um ano de relações sexuais regulares sem contraceção. A causa pode estar no homem, na mulher ou em ambos, por isso o estudo é feito ao casal.

A sequência habitual é:

  1. Consulta e história clínica: idade, ciclos menstruais, doenças anteriores, medicação, hábitos (tabaco, álcool).

  2. Exames ao homem: o espermograma.

  3. Exames à mulher: ecografia, análises hormonais e, se necessário, histerossalpingografia.

  4. Interpretação conjunta, que orienta o tratamento (por exemplo, uma das técnicas de PMA).

O espermograma é a primeira análise porque é simples, barata e não invasiva, ao passo que os exames femininos são mais complexos.

O espermograma

O espermograma é a análise laboratorial de uma amostra de esperma, obtida por masturbação após alguns dias de abstinência. Avalia a quantidade e a qualidade dos espermatozoides.

Parâmetro O que avalia Valor de referência (aprox., OMS)
Volume do ejaculado Produção das glândulas anexas superior a 1,5 mL
Concentração Nº de espermatozoides por mL superior a 15 milhões/mL
Mobilidade % de espermatozoides com movimento superior a 40 %
Morfologia % de formas normais superior a 4 %

Para interpretar, compara-se cada resultado com o valor de referência. Há termos que convém conhecer:

  • Oligospermia: concentração baixa.

  • Astenospermia: mobilidade reduzida.

  • Teratospermia: muitas formas anormais.

  • Azoospermia: ausência de espermatozoides no ejaculado.

Pratica★★☆Por começar
O espermograma é a primeira análise pedida no estudo da fertilidade masculina. A tabela apresenta os resultados de um doente de 32 anos e os valores de referência…

O espermograma é a primeira análise pedida no estudo da fertilidade masculina. A tabela apresenta os resultados de um doente de 32 anos e os valores de referência aproximados da Organização Mundial de Saúde.

Parâmetro Resultado do doente Valor de referência (aprox.)
Volume do ejaculado 2,8 mL superior a 1,5 mL
Concentração de espermatozoides 8 milhões/mL superior a 15 milhões/mL
Espermatozoides com mobilidade 25 % superior a 40 %
Espermatozoides com morfologia normal 5 % superior a 4 %
  1. a) Indica, para cada parâmetro, se o resultado do doente está dentro ou fora do valor de referência.
  2. b) Calcula o número total de espermatozoides presentes no ejaculado analisado.
  3. c) Explica como cada um dos parâmetros alterados pode contribuir para reduzir a probabilidade de fecundação.
  4. d) Indica duas situações clínicas que podem estar na origem destes resultados e que o médico deve investigar.
Resolver

Exames à mulher

O estudo da fertilidade feminina avalia três coisas: estruturas (ovários, útero), hormonas (ovulação) e permeabilidade das trompas de Falópio, por onde o ovócito segue e onde ocorre a fecundação.

Exame O que permite avaliar
Ecografia pélvica Aspeto e tamanho dos ovários e do útero; folículos; espessura do endométrio; miomas ou quistos
Análises hormonais (colheita de sangue) Níveis de FSH, LH, estrogénios e progesterona
Histerossalpingografia Cavidade uterina e permeabilidade das trompas: injeta-se um contraste e faz-se uma radiografia

As análises hormonais devem ser feitas em dias certos do ciclo, porque os valores variam ao longo dele. Recorda o ciclo de 28 dias: a progesterona é produzida pelo corpo amarelo, que só se forma depois da ovulação, e atinge o máximo por volta do dia 21.

Variação esquemática da progesterona ao longo de um ciclo de 28 dias, com o máximo por volta do dia 21 ovulação (dia 14) 0 14 21 28 Dias do ciclo Progesterona
Pratica★★☆Por começar
No estudo da fertilidade feminina utilizam-se vários exames complementares: 1. Ecografia pélvica 2. Análises hormonais sanguíneas 3. Histerossalpingografia (radiografia…

No estudo da fertilidade feminina utilizam-se vários exames complementares:

  1. Ecografia pélvica

  2. Análises hormonais sanguíneas

  3. Histerossalpingografia (radiografia com contraste)

  1. a) Associa cada exame ao que permite avaliar: o aspeto dos ovários e do útero; a permeabilidade das trompas de Falópio; os níveis de FSH, LH, estrogénios e progesterona.
  2. b) Uma mulher com ciclos irregulares apresenta, no dia 21 do ciclo, um valor de progesterona muito baixo. Interpreta este resultado, relacionando-o com a ocorrência, ou não, de ovulação nesse ciclo. Justifica.
  3. c) Explica por que razão a colheita de sangue para as análises hormonais tem de ser feita em dias concretos do ciclo.
  4. d) No relatório de uma histerossalpingografia lê-se: «o contraste progride livremente em ambas as trompas, com extravasamento para a cavidade peritoneal». Interpreta o resultado quanto à permeabilidade das trompas.
Resolver

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O estudo começa pelo espermograma porque é o exame mais simples e que dá logo informação sobre metade do problema. Com os resultados do Tomás (espermograma) e da Beatriz (ecografia, hormonas e, se preciso, histerossalpingografia), a equipa médica identifica a causa e escolhe o tratamento mais adequado.

Em resumo

  • A infertilidade estuda-se no casal: história clínica, exames ao homem e exames à mulher.

  • O espermograma compara volume, concentração, mobilidade e morfologia com valores de referência da OMS.

  • Termos úteis: oligospermia, astenospermia, teratospermia, azoospermia.

  • Ecografia pélvica: ovários e útero. Análises hormonais: FSH, LH, estrogénios e progesterona. Histerossalpingografia: permeabilidade das trompas.

  • Progesterona baixa no dia 21 sugere ausência de ovulação (não houve corpo amarelo).

  • Um resultado isolado alterado deve ser confirmado e interpretado em conjunto.

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