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10.º ano A · Física e Química A
Ligação química e estrutura da matéria · A tabela periódica

Desenvolvimento histórico da tabela periódica

Antes de começar, convém dominares: A tabela periódica (9.º ano do ensino básico (3.º ciclo))
Antes de começar, convém dominares: Partículas subatómicas e isótopos (8.º ano do ensino básico (3.º ciclo))

Na parede do laboratório da tua escola está pendurada a tabela periódica, arrumada e completa, como se tivesse sido sempre assim. Não foi. Demorou mais de quarenta anos a encontrar o critério certo de ordenação e, pelo caminho, houve ideias brilhantes, previsões que se confirmaram quase ao grama e erros que ninguém soube explicar até chegar a física atómica. Quem tinha razão, e porquê?

Döbereiner e as tríades

No início do século XIX já se conheciam várias dezenas de elementos e ninguém sabia se havia alguma ordem entre eles. Em $1829$, o químico alemão Johann Döbereiner reparou que certos grupos de três elementos, com propriedades químicas muito semelhantes, tinham também uma regularidade numérica. A massa atómica do elemento central era aproximadamente a média das massas dos outros dois. Chamou-lhes tríades.

Pratica★☆☆Por começar
Em $1829$, o químico alemão Johann Döbereiner publicou as suas «tríades»: grupos de três elementos com propriedades químicas muito semelhantes, como o lítio, o sódio e o…

Em $1829$, o químico alemão Johann Döbereiner publicou as suas «tríades»: grupos de três elementos com propriedades químicas muito semelhantes, como o lítio, o sódio e o potássio.

  1. a) O que observou Döbereiner sobre a massa atómica do elemento central de cada tríade, comparada com a média das massas dos outros dois?
  2. b) Que propriedades partilhavam os elementos da tríade dos metais alcalinos? Refere duas.
Resolver
Pratica★☆☆Por começar
As massas atómicas do cloro, do bromo e do iodo são $35,5\ \text{u}$, $79,9\ \text{u}$ e $126,9\ \text{u}$. Calcula a média das massas do cloro e do iodo e verifica se…

As massas atómicas do cloro, do bromo e do iodo são $35,5\ \text{u}$, $79,9\ \text{u}$ e $126,9\ \text{u}$. Calcula a média das massas do cloro e do iodo e verifica se coincide, aproximadamente, com a massa do bromo, como afirmava a regra das tríades de Döbereiner.

Resolver
Pratica★★☆Por começar
Os extremos da tríade dos metais alcalinos são o lítio ($6,9\ \text{u}$) e o potássio ($39,1\ \text{u}$). a) Usa a regra de Döbereiner para prever a massa atómica do…

Os extremos da tríade dos metais alcalinos são o lítio ($6,9\ \text{u}$) e o potássio ($39,1\ \text{u}$).

  1. a) Usa a regra de Döbereiner para prever a massa atómica do elemento central, o sódio.
  2. b) A massa real do sódio é $23,0\ \text{u}$: calcula o erro percentual da previsão e comenta o resultado.
Resolver

Até onde chegava a regra das tríades

A regra era uma boa pista: indicava que a massa atómica estava ligada às propriedades químicas. Mas tinha duas fraquezas. A primeira é que só abrangia poucos elementos. A segunda é que a coincidência numérica, por si só, não prova semelhança química: há conjuntos de três elementos que cumprem a regra e que nada têm em comum.

Pratica★★☆Por começar
Outra tríade clássica de Döbereiner é formada pelo cálcio ($40,1\ \text{u}$), pelo estrôncio ($87,6\ \text{u}$) e pelo bário ($137,3\ \text{u}$). a) Calcula a média das…

Outra tríade clássica de Döbereiner é formada pelo cálcio ($40,1\ \text{u}$), pelo estrôncio ($87,6\ \text{u}$) e pelo bário ($137,3\ \text{u}$).

  1. a) Calcula a média das massas do cálcio e do bário.
  2. b) Calcula o desvio percentual dessa média relativamente à massa real do estrôncio e avalia se a regra das tríades funciona neste caso.
Resolver
Pratica★★★Por começar
Um aluno procura tríades de Döbereiner entre estes elementos, com as suas massas atómicas: Mg ($24,3\ \text{u}$), Ca ($40,1\ \text{u}$), Sr ($87,6\ \text{u}$), Ba…

Um aluno procura tríades de Döbereiner entre estes elementos, com as suas massas atómicas: Mg ($24,3\ \text{u}$), Ca ($40,1\ \text{u}$), Sr ($87,6\ \text{u}$), Ba ($137,3\ \text{u}$) e Zn ($65,4\ \text{u}$).

  1. a) Verifica, calculando as médias pertinentes, que conjuntos de três elementos consecutivos em massa cumprem a regra de Döbereiner (a massa do central coincide com a média dos extremos com um erro inferior a $5\ \%$).
  2. b) Das tríades que cumprem a regra numérica, quais agrupam também elementos quimicamente semelhantes?
  3. c) Conclui por que razão a regra das tríades, por si só, não foi suficiente para ordenar todos os elementos conhecidos.
Resolver

Newlands e a lei das oitavas

Em $1865$, o inglês John Newlands deu um passo mais ambicioso. Ordenou todos os elementos conhecidos por ordem crescente de massa atómica e observou que, a partir do lítio, cada oitavo elemento repetia as propriedades do primeiro. Chamou-lhe «lei das oitavas», por analogia com a escala musical: depois de sete notas, a oitava volta a ser a mesma nota, mais aguda.

Esquema da lei das oitavas de Newlands: ordenados por massa crescente, o oitavo elemento a contar do lítio, o sódio, repete as propriedades do lítio. Lei das oitavas de Newlands (ordem crescente de massa) Li Be B C N O F Na 8.ª nota: propriedades semelhantes

A lei funcionava razoavelmente para os elementos mais leves, mas falhava a partir do cálcio. Em $1865$ conheciam-se apenas cerca de sessenta elementos e famílias inteiras, como os gases nobres, ainda não tinham sido descobertas. Uma escala fechada, de oito em oito, não tinha lugar para o que faltava encontrar.

Pratica★☆☆Por começar
Em $1865$, o inglês John Newlands organizou os elementos conhecidos por ordem crescente de massa atómica e observou que, a partir do lítio, cada oitavo elemento repetia…

Em $1865$, o inglês John Newlands organizou os elementos conhecidos por ordem crescente de massa atómica e observou que, a partir do lítio, cada oitavo elemento repetia as propriedades do primeiro: chamou-lhe «lei das oitavas». O esquema representa a sua «escala» de elementos:

oitava Li Be B C N O F Na 1 2 3 4 5 6 7 8 massa atómica crescente
  1. a) Por que razão escolheu esse nome musical?
  2. b) Contando o lítio como o primeiro, os sete elementos seguintes por massa são Be, B, C, N, O, F e Na: que elemento ocupa a «oitava nota» do lítio? As suas propriedades são semelhantes?
Resolver
Pratica★★☆Por começar
A lei das oitavas de Newlands funcionava razoavelmente bem para os elementos mais leves, mas deixava de se verificar a partir do cálcio. a) Ordena por ordem crescente de…

A lei das oitavas de Newlands funcionava razoavelmente bem para os elementos mais leves, mas deixava de se verificar a partir do cálcio.

  1. a) Ordena por ordem crescente de massa estes oito elementos: Li ($6,9\ \text{u}$), B ($10,8\ \text{u}$), Na ($23,0\ \text{u}$), Be ($9,0\ \text{u}$), C ($12,0\ \text{u}$), F ($19,0\ \text{u}$), O ($16,0\ \text{u}$) e N ($14,0\ \text{u}$), e verifica que o oitavo é quimicamente semelhante ao primeiro.
  2. b) Propõe uma razão histórica pela qual a lei das oitavas não pôde ser geral: pensa em quantos elementos se conheciam em $1865$ e que famílias inteiras faltavam ainda descobrir.
Resolver
Pratica★★★Por começar
Imagina que estás em $1865$ e só conheces estes dez elementos, já ordenados por massa: Li ($6,9\ \text{u}$), Be ($9,0\ \text{u}$), B ($10,8\ \text{u}$), C (…

Imagina que estás em $1865$ e só conheces estes dez elementos, já ordenados por massa: Li ($6,9\ \text{u}$), Be ($9,0\ \text{u}$), B ($10,8\ \text{u}$), C ($12,0\ \text{u}$), N ($14,0\ \text{u}$), O ($16,0\ \text{u}$), F ($19,0\ \text{u}$), Na ($23,0\ \text{u}$), Mg ($24,3\ \text{u}$) e Si ($28,1\ \text{u}$). As suas propriedades: Li e Na são metais macios que reagem com a água; Be e Mg são metais mais duros e menos reativos; B e Si são semimetais; C, N, O e F são não metais.

  1. a) Verifica a lei das oitavas de Newlands: cada oitavo elemento assemelha-se ao primeiro da sua «escala»? Identifica os três pares que a confirmam.
  2. b) O árgon ($Z = 18$, $39,9\ \text{u}$) só foi descoberto em $1894$: deduz onde Newlands o teria colocado e que problema teria representado para a sua escala musical um elemento que não se assemelha a nenhum outro.
  3. c) Explica por que razão a tabela de Mendeleev, que deixava espaços vazios, era mais flexível do que a escala fechada de Newlands.
Resolver

Mendeléiev: espaços vazios em vez de ordem forçada

Em $1869$, o russo Dmitri Mendeléiev publicou uma tabela com os $63$ elementos então conhecidos. Também os ordenou por massa atómica crescente, mas com uma ideia decisiva: agrupava em colunas os elementos de propriedades químicas semelhantes e, quando o elemento seguinte não se enquadrava numa coluna, deixava um espaço vazio em vez de o forçar no lugar errado.

Pratica★☆☆Por começar
Em $1869$, o russo Dmitri Mendeleev publicou a primeira versão da sua tabela periódica com os $63$ elementos então conhecidos. a) Segundo que critério ordenou…

Em $1869$, o russo Dmitri Mendeleev publicou a primeira versão da sua tabela periódica com os $63$ elementos então conhecidos.

  1. a) Segundo que critério ordenou principalmente os elementos?
  2. b) Quando o elemento seguinte da lista não se enquadrava nas propriedades de uma coluna, Mendeleev deixava um espaço vazio em vez de o forçar: como interpretou esses espaços vazios?
Resolver
Pratica★☆☆Por começar
Mendeleev previu a existência de um elemento desconhecido a que chamou eka-alumínio, descoberto poucos anos depois e batizado como gálio ($\text{Ga}$). O esquema mostra…

Mendeleev previu a existência de um elemento desconhecido a que chamou eka-alumínio, descoberto poucos anos depois e batizado como gálio ($\text{Ga}$). O esquema mostra o espaço vazio que Mendeleev deixou na sua tabela:

Al Si eka-Al ? eka-Si ?
  1. a) O prefixo eka significa «aquele que está um lugar além» em sânscrito: que posição ocupava o eka-alumínio relativamente ao alumínio na tabela?
  2. b) O que teria acontecido à credibilidade da tabela periódica se o gálio nunca tivesse sido encontrado?
Resolver

As previsões de Mendeléiev

O caso mais célebre é o do eka-alumínio, o espaço que Mendeléiev deixou por baixo do alumínio. Previu para ele uma massa atómica de cerca de $68\ \text{u}$ e uma massa volúmica de $5{,}9\ \text{g/cm}^3$. Em $1875$, Lecoq de Boisbaudran descobriu o gálio: $69{,}7\ \text{u}$ e $5{,}9\ \text{g/cm}^3$.

Coluna do alumínio na tabela de Mendeléiev: por baixo da casa do Al fica um espaço vazio, o eka-alumínio, com massa e massa volúmica previstas. Al alumínio eka-Al ? Coluna do Al Previsão de Mendeléiev: M ≈ 68 u ρ ≈ 5,9 g/cm³

Em $1871$, Mendeléiev previu também o eka-silício. Foi descoberto em $1886$ por Clemens Winkler e chamou-se germânio. Winkler isolou o germânio a partir do mineral argirodite e verificou que as suas propriedades coincidiam quase exatamente com as previstas. A primeira pista de que havia um elemento novo veio da análise do espetro do mineral: cada elemento emite riscas espetrais características, como uma impressão digital, e riscas desconhecidas indiciam um elemento ainda não identificado.

Pratica★★☆Por começar
Mendeléiev previu para o eka-alumínio uma massa atómica de cerca de $68\ \text{u}$ e uma massa volúmica de $5,9\ \text{g/cm}^3$. O gálio, descoberto em $1875$ por Lecoq…

Mendeléiev previu para o eka-alumínio uma massa atómica de cerca de $68\ \text{u}$ e uma massa volúmica de $5,9\ \text{g/cm}^3$. O gálio, descoberto em $1875$ por Lecoq de Boisbaudran, tem massa $69,7\ \text{u}$ e massa volúmica $5,9\ \text{g/cm}^3$.

  1. a) Calcula o erro percentual da massa prevista.
  2. b) Avalia a qualidade conjunta de ambas as previsões: o que dizem sobre o método utilizado por Mendeléiev?
Resolver
Pratica★★☆Por começar
Em $1886$, Clemens Winkler isolou o germânio ($\text{Ge}$) a partir do mineral argirodite e verificou que as suas propriedades coincidiam quase exatamente com as do…

Em $1886$, Clemens Winkler isolou o germânio ($\text{Ge}$) a partir do mineral argirodite e verificou que as suas propriedades coincidiam quase exatamente com as do eka-silício previsto por Mendeléiev quinze anos antes. A primeira pista de que havia um elemento novo nesse mineral foi dada pela análise do seu espetro.

  1. a) Por que razão o aparecimento de riscas espetrais desconhecidas indicia a presença de um novo elemento?
  2. b) Que relação tem este episódio com a ideia da tabela periódica como ferramenta preditiva?
Resolver
Pratica★★★Por começar
Mendeléiev previu em $1871$ para o eka-silício: massa atómica $72\ \text{u}$, massa volúmica $5,5\ \text{g/cm}^3$ e um óxido de fórmula $\text{EO}2$ com massa volúmica…

Mendeléiev previu em $1871$ para o eka-silício: massa atómica $72\ \text{u}$, massa volúmica $5,5\ \text{g/cm}^3$ e um óxido de fórmula $\text{EO}_2$ com massa volúmica $4,7\ \text{g/cm}^3$. O germânio, descoberto em $1886$, tem massa $72,6\ \text{u}$, massa volúmica $5,3\ \text{g/cm}^3$, e o seu óxido $\text{GeO}_2$ tem massa volúmica $4,2\ \text{g/cm}^3$.

  1. a) Calcula o erro relativo percentual de cada uma das três previsões.
  2. b) Por que razão previu um óxido de fórmula $\text{EO}_2$ e não $\text{EO}$ ou $\text{E}_2\text{O}_3$? Pensa na coluna do silício e nas fórmulas dos seus compostos.
  3. c) À vista destes resultados, comenta a frase «a tabela periódica é uma ferramenta preditiva».
Resolver

As inversões que a massa não explicava

Havia um problema. Se se ordenasse rigorosamente por massa, alguns elementos ficavam em colunas que não condiziam com as suas propriedades. O telúrio ($127{,}6\ \text{u}$) é mais pesado do que o iodo ($126{,}9\ \text{u}$), mas quimicamente o telúrio pertence à família do oxigénio e o iodo à do cloro. Mendeléiev inverteu a ordem: pôs o telúrio antes do iodo, dando prioridade às propriedades. Não soube justificar a inversão.

Aconteceu o mesmo com outros pares, como o árgon e o potássio ($39{,}9\ \text{u}$ e $39{,}1\ \text{u}$) ou o cobalto e o níquel ($58{,}9\ \text{u}$ e $58{,}7\ \text{u}$). Em todos, o elemento mais pesado vem primeiro na tabela.

Pratica★☆☆Por começar
O telúrio ($M = 127,6\ \text{u}$) é mais pesado do que o iodo ($M = 126,9\ \text{u}$); no entanto, Mendeléiev colocou o telúrio antes do iodo, contrariando a ordem…

O telúrio ($M = 127,6\ \text{u}$) é mais pesado do que o iodo ($M = 126,9\ \text{u}$); no entanto, Mendeléiev colocou o telúrio antes do iodo, contrariando a ordem crescente de massas.

  1. a) Que propriedades químicas o levaram a fazer essa inversão?
  2. b) Que critério de ordenação, descoberto décadas mais tarde, justificou que essa inversão estivesse correta?
Resolver
Pratica★★☆Por começar
O árgon tem massa atómica $39,9\ \text{u}$ e o potássio, $39,1\ \text{u}$; no entanto, na tabela moderna o árgon ($Z = 18$) surge antes do potássio ($Z = 19$). a) Ordena…

O árgon tem massa atómica $39,9\ \text{u}$ e o potássio, $39,1\ \text{u}$; no entanto, na tabela moderna o árgon ($Z = 18$) surge antes do potássio ($Z = 19$).

  1. a) Ordena o Ar e o K primeiro por massa e depois por $Z$: qual das duas ordenações condiz com as suas propriedades (gás nobre face a metal macio muito reativo)?
  2. b) Explica como o trabalho de Moseley eliminou para sempre este tipo de «inversões» que para Mendeleiev ficaram sem explicação.
Resolver
Pratica★★★Por começar
As três «inversões» clássicas da tabela são Ar ($39,9\ \text{u}$)–K ($39,1\ \text{u}$), Co ($58,9\ \text{u}$)–Ni ($58,7\ \text{u}$) e Te ($127,6\ \text{u}$)–I (…

As três «inversões» clássicas da tabela são Ar ($39,9\ \text{u}$)–K ($39,1\ \text{u}$), Co ($58,9\ \text{u}$)–Ni ($58,7\ \text{u}$) e Te ($127,6\ \text{u}$)–I ($126,9\ \text{u}$): nos três pares, o elemento mais pesado surge antes na tabela.

  1. a) Verifica com os números atómicos (Ar: $Z = 18$, K: $Z = 19$; Co: $Z = 27$, Ni: $Z = 28$; Te: $Z = 52$, I: $Z = 53$) que a ordem por $Z$ é a contrária da ordem por massa nos três casos.
  2. b) A massa atómica de um elemento é a média ponderada das massas dos seus isótopos naturais: utiliza essa ideia para explicar como um elemento com menor $Z$ pode resultar mais pesado do que o seguinte.
  3. c) Conclui por que razão a massa atómica não pode ser o critério de ordenação da tabela e o número atómico pode.
Resolver

Moseley: o número atómico substitui a massa

A solução veio em $1913$, de um físico britânico de $26$ anos, Henry Moseley. Bombardeou elementos diferentes com eletrões e mediu a frequência $\nu$ dos raios X característicos que emitiam. Encontrou uma relação muito simples entre essa frequência e um número inteiro que aumentava de elemento para elemento:

$$\sqrt{\nu} = k\cdot\left(Z - 1\right)$$

em que $k$ é uma constante e $Z$ é o número atómico: o número de protões do núcleo. Ao contrário da massa atómica, que é uma média ponderada das massas dos isótopos, $Z$ é um número inteiro e exato.

Gráfico da lei de Moseley: a raiz quadrada da frequência dos raios X característicos aumenta linearmente com o número atómico Z. Z √ν (Hz1/2)

Com este critério, as inversões deixam de ser um mistério: o árgon ($Z=18$) vem antes do potássio ($Z=19$), apesar de ser ligeiramente mais pesado. O número de protões ordena; a massa média depende dos isótopos.

Pratica★☆☆Por começar
Em $1913$, o jovem físico britânico Henry Moseley estudou os raios X emitidos por diferentes elementos ao bombardeá-los com eletrões e encontrou uma regularidade…

Em $1913$, o jovem físico britânico Henry Moseley estudou os raios X emitidos por diferentes elementos ao bombardeá-los com eletrões e encontrou uma regularidade perfeita. O esquema resume a sua montagem experimental:

cátodo eletrões elemento raios X
  1. a) Que grandeza física atribuiu Moseley a cada elemento como critério de ordenação, em vez da massa atómica?
  2. b) Como se chama hoje esse número na tabela periódica e o que conta exatamente no átomo?
Resolver
Pratica★★★Por começar
Moseley mediu a frequência $\nu$ dos raios X característicos de muitos elementos e verificou que a raiz quadrada da frequência aumenta linearmente com o número atómico:…

Moseley mediu a frequência $\nu$ dos raios X característicos de muitos elementos e verificou que a raiz quadrada da frequência aumenta linearmente com o número atómico:

$\sqrt{\nu} = 4,98\cdot10^{7}\cdot\left(Z - 1\right)\ \text{Hz}^{1/2}$

Representados num gráfico, os valores dos elementos situam-se sobre uma reta:

Z √ν
  1. a) Calcula a frequência dos raios X característicos do cobre ($Z = 29$).
  2. b) Uma amostra metálica desconhecida emite raios X com $\nu = 1,54\cdot10^{18}\ \text{Hz}$: calcula o seu número atómico e identifica o elemento, sabendo que $Z = 26$ corresponde ao ferro.
  3. c) Explica por que razão esta lei permitiu ordenar a tabela por $Z$ sem qualquer ambiguidade, algo impossível com a massa atómica.
Resolver

O que a tabela atual resolveu

A tabela de Mendeléiev, apesar do sucesso, tinha quatro dificuldades que a tabela atual não tem.

Dificuldade em Mendeléiev Na tabela atual
Não havia coluna para os gases nobres (descobertos depois) Têm o seu grupo, o grupo 18
O hidrogénio não se enquadrava bem em nenhum grupo Ocupa a posição $Z = 1$
Os isótopos pareciam exigir casas diferentes Todos os isótopos ficam na mesma posição (mesmo $Z$)
Os lantanídeos (terras raras) não tinham lugar Formam o bloco f

A tabela atual tem os elementos por ordem crescente de número atómico, organizados em $18$ grupos (colunas) e $7$ períodos (linhas), e em blocos s, p, d e f. Verás no apartado seguinte que a sua estrutura reflete as configurações eletrónicas.

Pratica★☆☆Por começar
Enuncia por palavras tuas a lei periódica atual. a) De que grandeza dependem periodicamente as propriedades dos elementos? b) O que significa que as propriedades se…

Enuncia por palavras tuas a lei periódica atual.

  1. a) De que grandeza dependem periodicamente as propriedades dos elementos?
  2. b) O que significa que as propriedades se repetem «periodicamente»? Apoia a tua resposta com um exemplo de dois elementos de propriedades muito semelhantes situados na mesma coluna.
Resolver
Pratica★★★Por começar
A tabela de Mendeléiev apresentava quatro dificuldades que a tabela atual não tem: ① não havia coluna para os gases nobres; ② o hidrogénio não se enquadrava bem em…

A tabela de Mendeléiev apresentava quatro dificuldades que a tabela atual não tem: ① não havia coluna para os gases nobres; ② o hidrogénio não se enquadrava bem em nenhum grupo; ③ os isótopos de um mesmo elemento pareciam exigir várias posições; ④ as terras raras (lantanídeos) não encontravam lugar.

  1. a) Explica a origem histórica ou química de cada uma das quatro dificuldades.
  2. b) Explica como são resolvidas pela tabela atual, ordenada por $Z$ e construída a partir das configurações eletrónicas.
  3. c) Quando Ramsay descobriu os gases nobres na década de $1890$, a tabela pôde incorporar uma coluna inteira sem se desestruturar: justifica por que razão essa descoberta reforçou a tabela em vez de a destruir.
Resolver

Usar a tabela para prever

A grande vantagem da tabela é que as propriedades variam de forma regular ao longo de um grupo. Isso permite estimar propriedades de elementos que não se conseguem medir, por exemplo os que são raros ou radioativos. O processo é o de Mendeléiev: representar os valores conhecidos, descrever a tendência e extrapolar para o elemento seguinte.

Pratica★★☆Por começar
Os pontos de fusão dos halogéneos são: $\text{F}2$: $-220\ \celsius$, $\text{Cl}2$: $-101\ \celsius$, $\text{Br}2$: $-7\ \celsius$ e $\text{I}2$: $114\ \celsius$. a)…

Os pontos de fusão dos halogéneos são: $\text{F}_2$: $-220\ \celsius$, $\text{Cl}_2$: $-101\ \celsius$, $\text{Br}_2$: $-7\ \celsius$ e $\text{I}_2$: $114\ \celsius$.

  1. a) Traça no teu caderno o ponto de fusão em função do número do período e descreve a tendência do grupo.
  2. b) O ástato, o halogéneo seguinte, quase não existe na natureza e praticamente não pôde ser estudado: estima graficamente o seu ponto de fusão e deduz se será sólido à temperatura ambiente ($25\ \celsius$).

Podes fazê-lo em papel e enviar uma fotografia com a tua resposta.

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Pratica★★☆Por começar
As massas volúmicas dos metais alcalinos são: Li: $0,53\ \text{g/cm}^3$, Na: $0,97\ \text{g/cm}^3$, K: $0,86\ \text{g/cm}^3$, Rb: $1,53\ \text{g/cm}^3$ e Cs:…

As massas volúmicas dos metais alcalinos são: Li: $0,53\ \text{g/cm}^3$, Na: $0,97\ \text{g/cm}^3$, K: $0,86\ \text{g/cm}^3$, Rb: $1,53\ \text{g/cm}^3$ e Cs: $1,87\ \text{g/cm}^3$. A figura representa estes valores:

d (g/cm³) 0,5 1,0 1,5 2,0 0,53 0,97 0,86 1,53 1,87 ? Li Na K Rb Cs Fr
  1. a) Seguem uma tendência estritamente crescente ao descer no grupo? Identifica a exceção.
  2. b) Estima um valor razoável para a massa volúmica do frâncio, o alcalino do sétimo período, e justifica a tua estimativa a partir da tendência geral.
Resolver
Pratica★★★Por começar
Os pontos de fusão dos metais alcalinos são: Li: $181\ \celsius$, Na: $98\ \celsius$, K: $64\ \celsius$, Rb: $39\ \celsius$ e Cs: $28\ \celsius$. a) Desenha no teu…

Os pontos de fusão dos metais alcalinos são: Li: $181\ \celsius$, Na: $98\ \celsius$, K: $64\ \celsius$, Rb: $39\ \celsius$ e Cs: $28\ \celsius$.

  1. a) Desenha no teu caderno a tendência e estima o ponto de fusão do frâncio, o alcalino do sétimo período.
  2. b) Prevê também, justificando a partir do comportamento do grupo: o seu estado físico à temperatura ambiente ($25\ \celsius$), a sua dureza e o seu comportamento perante a água.
  3. c) O frâncio é tão escasso e radioativo que as suas propriedades medidas mal são conhecidas: explica por que razão a tabela periódica permite fazer ciência preditiva mesmo com elementos quase impossíveis de estudar em laboratório.

Podes fazê-lo em papel e enviar uma fotografia com a tua resposta.

Resolver

Síntese: da tríade ao número atómico

Em mais de oitenta anos, a ideia de organizar os elementos passou por quatro critérios cada vez melhores. Cada cientista resolveu parte do problema e deixou outra parte por resolver, e foi o seguinte que a abordou.

Cientista Ano Critério O que ficava por resolver
Döbereiner $1829$ Tríades: massa do central ≈ média dos extremos Só agrupava poucos elementos
Newlands $1865$ Massa crescente, oitavas Rígido, falhava a partir do cálcio, sem lugar para novos elementos
Mendeléiev $1869$ Massa crescente e propriedades, com espaços vazios Inversões (Te–I, Ar–K) sem explicação
Moseley $1913$ Número atómico $Z$ —

Voltando ao início: a tabela atual é arrumada e completa porque é o resultado de uma sequência de hipóteses testadas, corrigidas e, por fim, explicadas. Uma boa teoria científica não só organiza o que se conhece, como também prevê o que se desconhece: o gálio e o germânio foram a prova.

Pratica★★★Por começar
Escreve um pequeno relatório intitulado «Das tríades ao número atómico: como se construiu a tabela periódica». a) Resume o contributo de Döbereiner, Newlands, Mendeléiev…

Escreve um pequeno relatório intitulado «Das tríades ao número atómico: como se construiu a tabela periódica».

  1. a) Resume o contributo de Döbereiner, Newlands, Mendeléiev e Moseley, indicando o critério de ordenação proposto por cada um.
  2. b) Aponta que problema ficava por resolver após cada cientista e como foi abordado pelo seguinte.
  3. c) Conclui explicando por que razão se afirma que uma boa teoria científica não só organiza o conhecido, como também prevê o desconhecido: ilustra-o com o caso do eka-alumínio.
Resolver

Em resumo

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