Poluição sonora e proteção auditiva
Estás no metro do Porto, com os auscultadores postos e o volume quase no máximo, para não ouvires o barulho das carruagens. Será que isso te protege, ou estás a fazer mais mal ao teu ouvido? Vamos descobrir como se mede o ruído, quando é perigoso e o que podemos fazer para o evitar.
O que é a poluição sonora
Um som é agradável ou incómodo consoante o contexto. A música numa festa de São João do Porto é desejada; a mesma música às três da manhã, na janela do vizinho, é ruído.
As fontes de poluição sonora estão por todo o lado:
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o trânsito, os comboios e os aviões a descolar do aeroporto de Lisboa;
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as obras e as máquinas de construção;
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os espaços de lazer: concertos, discotecas, bares;
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os espaços fechados: um refeitório cheio, um ginásio, uma sala de aula barulhenta;
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os auscultadores com o volume muito alto.
Como o som é uma onda de pressão, quanto maior a amplitude da onda, maior a intensidade do som e maior o seu nível de intensidade sonora, que se mede em decibéis (dB).
Como se mede: o sonómetro
Para saber se um local é demasiado barulhento, não basta dizer «parece alto»: é preciso medir. O instrumento usado é o sonómetro.
O sonómetro tem um microfone que capta o som e converte-o num valor, em decibéis (dB), mostrado no ecrã. Para o usar bem:
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segura-o afastado do corpo, apontado para a fonte sonora;
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espera que o valor estabilize antes de o registar;
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regista o local e a hora, porque o ruído varia ao longo do dia.
A tabela mostra valores típicos, que podes usar como referência.
| Situação | Nível de intensidade sonora (dB) |
|---|---|
| Biblioteca | 40 |
| Conversa normal | 60 |
| Trânsito intenso | 80 |
| Concerto, junto às colunas | 100 a 110 |
| Limiar da dor | cerca de 120 |
Consequências para o ser humano
O ouvido é delicado. Dentro dele, células muito sensíveis captam as vibrações e enviam sinais ao cérebro. Sons muito intensos, ou ouvidos durante muito tempo, danificam essas células, e elas não se regeneram.
O que conta é o nível de intensidade sonora e também o tempo de exposição. A partir de cerca de 85 dB, passar muito tempo exposto já é arriscado, e valores próximos do limiar da dor (cerca de 120 dB) podem causar lesões em pouco tempo.
Os efeitos do ruído vão além do ouvido:
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perda de audição, temporária ou permanente (surdez);
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zumbido nos ouvidos (acufeno) depois de um concerto;
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stress, irritabilidade e dificuldade de concentração;
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perturbações do sono e cansaço;
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subida da tensão arterial e problemas de coração, em exposições longas.
Prevenção e proteção
Para reduzir o problema, há dois tipos de medidas:
Prevenção: evitar que o ruído exista ou que seja tão intenso.
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fontes mais silenciosas (carros elétricos, máquinas com menos ruído);
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limites legais de ruído e horários de silêncio;
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planeamento das cidades: afastar estradas e aeroportos das casas e escolas;
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barreiras acústicas nas autoestradas e árvores a separar a rua das habitações.
Proteção: reduzir o que chega ao ouvido de cada pessoa.
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protetores auriculares em obras, concertos e fábricas;
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janelas com vidro duplo e materiais que absorvem o som nas paredes e tetos;
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baixar o volume dos auscultadores e fazer pausas;
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afastar-te das colunas e do trânsito.
Os alunos do 8.º C mediram, com um sonómetro, o nível de intensidade sonora em vários espaços da escola e registaram os valores da tabela. | Espaço | Nível de…
Os alunos do 8.º C mediram, com um sonómetro, o nível de intensidade sonora em vários espaços da escola e registaram os valores da tabela.
| Espaço | Nível de intensidade sonora (dB) |
|---|---|
| Biblioteca | 40 |
| Corredor entre aulas | 65 |
| Refeitório à hora de almoço | 80 |
| Campo de jogos no intervalo | 85 |
| Junto às colunas, no concerto da escola | 105 |
- a) A Direção-Geral da Saúde recomenda evitar a exposição prolongada a sons acima de $85\ \text{dB}$. Indica os espaços medidos onde esse valor é atingido ou ultrapassado.
- b) Indica dois efeitos que a exposição frequente a níveis de intensidade sonora elevados pode ter na saúde.
- c) Escolhe um dos espaços identificados em a) e sugere uma medida para reduzir o risco, indicando se atua na fonte do som, no meio de propagação ou no recetor.
- d) No refeitório, grande parte do ruído vem de muitas conversas em simultâneo e do som refletido nas paredes e no teto. Explica por que razão a colocação de painéis de material absorvente no teto reduziria a reverberação e o nível de intensidade sonora no espaço.
De volta ao início: no metro, subir o volume dos auscultadores para tapar o ruído aumenta o risco para o ouvido. É melhor baixar o volume e usar auscultadores que isolem o ruído.