O ouvido e o audiograma
A Matilde foi ao médico fazer um exame à audição. Sentou-se numa cabina silenciosa, pôs uns auscultadores e carregou num botão sempre que ouvia um «pi». Os sons eram cada vez mais fracos e de frequências diferentes. Como se transforma esse teste num gráfico, e o que nos diz esse gráfico sobre o ouvido de cada pessoa?
Do som ao cérebro
Uma fonte sonora faz vibrar o ar. Essa vibração é uma onda de pressão que chega ao ouvido. O ouvido tem três zonas:
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ouvido externo: o pavilhão auricular recolhe o som e o canal auditivo conduz a onda até ao tímpano;
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ouvido médio: o tímpano vibra e passa a vibração a três ossículos (martelo, bigorna e estribo);
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ouvido interno: na cóclea, a vibração é transformada em sinais elétricos, que o nervo auditivo leva ao cérebro.
Quando o som é muito intenso ou dura muito tempo, as células sensoriais da cóclea podem ficar danificadas, e essas células não se regeneram.
Limiar de audição e limiar da dor
Nem todos os sons são ouvidos por nós. Se um som for demasiado fraco, não o detetamos. Se for demasiado forte, deixa de ser apenas som e passa a doer.
Estes limiares dependem da frequência do som. Um mesmo nível de 10 dB pode ser audível a uma frequência e inaudível a outra.
Ler um audiograma
Um audiograma é um gráfico que regista, para cada frequência, o limiar de audição de uma pessoa. No eixo horizontal está a frequência (em Hz); no eixo vertical, o nível de intensidade sonora (em dB). Quanto mais alto está o limiar de audição, mais forte tem de ser o som para o ouvirmos.
Do gráfico tiramos três conclusões:
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Entre cerca de $2\,000\ \text{Hz}$ e $4\,000\ \text{Hz}$ a curva do limiar de audição é a mais baixa: é aí que o ouvido é mais sensível.
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Nos sons muito graves e muito agudos a curva sobe: é preciso um nível de intensidade maior para os ouvir.
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Entre as duas curvas está a zona de audição: os sons ouvem-se sem dor.
A figura apresenta um audiograma: o gráfico mostra o limiar de audição — o nível de intensidade sonora mais baixo que um ouvido jovem e saudável consegue detetar — para…
A figura apresenta um audiograma: o gráfico mostra o limiar de audição — o nível de intensidade sonora mais baixo que um ouvido jovem e saudável consegue detetar — para sons de diferentes frequências, bem como o limiar da dor.
- a) Indica o valor aproximado do limiar de audição para um som de frequência $1\ 000\ \text{Hz}$.
- b) Em que zona de frequências é que o ouvido humano é mais sensível? Justifica a resposta com valores lidos no gráfico.
- c) O que acontece ao limiar de audição para sons muito graves ou muito agudos? O que significa isso quanto à facilidade de os ouvirmos?
- d) Lê no gráfico o valor do limiar da dor e indica uma situação do quotidiano em que o nível de intensidade sonora se pode aproximar desse valor.
Num exame de medicina do trabalho, mediu-se o limiar de audição de dois trabalhadores para sons de várias frequências, obtendo-se os valores da tabela. | Frequência (Hz)…
Num exame de medicina do trabalho, mediu-se o limiar de audição de dois trabalhadores para sons de várias frequências, obtendo-se os valores da tabela.
| Frequência (Hz) | 250 | 500 | 1 000 | 2 000 | 4 000 | 8 000 |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Trabalhador A (dB) | 20 | 15 | 10 | 5 | 10 | 20 |
| Trabalhador B (dB) | 30 | 35 | 40 | 55 | 70 | 80 |
- a) Qual dos trabalhadores apresenta perda auditiva? Justifica, sabendo que um ouvido saudável tem o limiar de audição próximo de $0\ \text{dB}$ nas frequências médias.
- b) A perda auditiva desse trabalhador é maior para sons graves ou para sons agudos? Apresenta valores da tabela que sustentem a resposta.
- c) As vogais correspondem a sons graves e consoantes como «s» e «f» a sons agudos. Explica por que razão esse trabalhador, numa conversa, pode ouvir que alguém está a falar mas ter dificuldade em perceber as palavras.
- d) Indica uma possível causa deste tipo de perda auditiva e uma medida que a poderia ter prevenido.
Gamas de audição
O ser humano ouve sons com frequências entre cerca de $20\ \text{Hz}$ e $20\,000\ \text{Hz}$. Fora desta gama:
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abaixo de $20\ \text{Hz}$ estão os infrassons;
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acima de $20\,000\ \text{Hz}$ estão os ultrassons.
Outros animais ouvem gamas diferentes. Um cão ouve até cerca de $60\,000\ \text{Hz}$, e um morcego ou um golfinho ouvem ultrassons ainda mais agudos. Os elefantes ouvem infrassons.
A tabela indica, de forma aproximada, a gama de frequências que alguns animais conseguem ouvir. | Animal | Gama de audição (Hz) | |------------|----------------------| |…
A tabela indica, de forma aproximada, a gama de frequências que alguns animais conseguem ouvir.
| Animal | Gama de audição (Hz) |
|---|---|
| Ser humano | 20 a 20 000 |
| Cão | 40 a 60 000 |
| Morcego | 1 000 a 120 000 |
| Golfinho | 100 a 150 000 |
| Elefante | 5 a 10 000 |
- a) Quais destes animais conseguem detetar ultrassons? Justifica.
- b) Qual deles deteta infrassons? Justifica.
- c) Um apito para cães emite um som de $25\ 000\ \text{Hz}$. Explica por que razão o cão reage ao apito e as pessoas à volta não ouvem nada.
- d) Os elefantes comunicam entre si, a vários quilómetros de distância, com sons de cerca de $10\ \text{Hz}$. Classifica esses sons e explica por que razão uma pessoa próxima não se apercebe dessa comunicação.
De volta ao início: o exame da Matilde mede, frequência a frequência, o limiar de audição, e o audiograma mostra se ela está dentro do que é normal.