A gestão sustentável dos recursos
Todos os anos, a pesca da sardinha em Portugal tem períodos de defeso, em que as traineiras ficam no porto mesmo havendo peixe no mar. Porquê parar de pescar quando se podia apanhar mais? A resposta está numa ideia simples: não gastar um recurso mais depressa do que ele se renova.
Recursos renováveis e não renováveis
Um poço de petróleo esgota-se ao fim de algumas décadas e o petróleo não volta a formar-se à nossa escala de tempo. Um montado de sobreiros bem gerido dá cortiça de nove em nove anos durante séculos. Mas se abatermos a floresta toda em poucos meses, ela pode demorar séculos a recuperar, ou nunca recuperar. De que depende podermos continuar a aproveitar um recurso?
Um recurso vivo (peixe, madeira) só se comporta como renovável se for bem gerido, isto é, se não se tirar mais do que ele consegue repor.
Distingue recurso renovável de não renovável aplicando estes conceitos a três casos: um pesqueiro, uma galeria ripícola e uma jazida de carvão. Explica que condição deve…
Distingue recurso renovável de não renovável aplicando estes conceitos a três casos: um pesqueiro, uma galeria ripícola e uma jazida de carvão. Explica que condição deve ser cumprida para que um recurso vivo continue a comportar-se como renovável.
Define recurso natural e classifica estes quatro em renováveis, renováveis apenas se forem bem geridos, ou não renováveis, justificando a resposta: água de um aquífero…
Define recurso natural e classifica estes quatro em renováveis, renováveis apenas se forem bem geridos, ou não renováveis, justificando a resposta: água de um aquífero fóssil, madeira de uma floresta gerida de forma sustentável, petróleo e vento.
Sobre-exploração
Quais são os sinais? Capturas a diminuir apesar do mesmo esforço de pesca, peixes cada vez mais pequenos e mais jovens, árvores abatidas mais depressa do que crescem. O exemplo clássico é o bacalhau do Atlântico Noroeste, que colapsou na década de 1990 depois de décadas de capturas muito elevadas.
A renovação não é igual para qualquer tamanho da população, como mostra o gráfico. Com poucos indivíduos há poucos reprodutores. Com a população muito grande há falta de alimento e de espaço. A renovação é maior a meio. Se a captura anual se mantiver acima da curva, a população encolhe.
Define sobre-exploração e apresenta um exemplo real de um recurso vivo sobre-explorado, explicando que sinal indica que o aproveitamento ultrapassa a capacidade de…
Define sobre-exploração e apresenta um exemplo real de um recurso vivo sobre-explorado, explicando que sinal indica que o aproveitamento ultrapassa a capacidade de renovação do recurso.
Explica o que é a capacidade de renovação de um recurso vivo e o que acontece quando a taxa de extração a supera de forma continuada, recorrendo a um exemplo da pesca ou…
Explica o que é a capacidade de renovação de um recurso vivo e o que acontece quando a taxa de extração a supera de forma continuada, recorrendo a um exemplo da pesca ou da exploração florestal.
O gráfico representa a taxa de renovação natural de uma pescaria em função do tamanho da sua população e a captura anual da frota. a) Interpreta por que razão a…
O gráfico representa a taxa de renovação natural de uma pescaria em função do tamanho da sua população e a captura anual da frota. a) Interpreta por que razão a renovação é nula em ambos os extremos e máxima em tamanhos intermédios. b) Explica o que representa o ponto «?» e o que acontecerá à população se a captura se mantiver acima da taxa de renovação.
Rendimento máximo sustentável
O rendimento máximo sustentável (RMS) é a maior quantidade que se pode retirar de uma população todos os anos sem que o seu tamanho diminua a longo prazo. No modelo mais simples, coincide com o ponto de renovação máxima do gráfico anterior.
Este valor é apenas teórico. O modelo assume uma taxa de renovação constante e um manancial bem conhecido. Na realidade, o manancial só se conhece por estimativas, a renovação varia com o clima, a temperatura do mar e a quantidade de alimento, e há capturas acessórias e pesca ilegal.
Estima-se que uma pescaria possua um stock de $100\,000\ \text{t}$ de uma espécie, com uma taxa de renovação natural de $8\ \%$ anual. a) Calcula o rendimento máximo…
Estima-se que uma pescaria possua um stock de $100\,000\ \text{t}$ de uma espécie, com uma taxa de renovação natural de $8\ \%$ anual. a) Calcula o rendimento máximo sustentável teórico. b) Explica o que acontecerá ao stock nos anos seguintes se a frota capturar $10\,000\ \text{t}$ por ano. c) Indica duas incertezas do modelo que poderiam tornar esse valor inseguro.
Um modelo de gestão pesqueira baseado no Rendimento Máximo Sustentável (RMS) estimou a capacidade de carga (K) de uma população de pescada em 100 000 t e fixou a quota…
Um modelo de gestão pesqueira baseado no Rendimento Máximo Sustentável (RMS) estimou a capacidade de carga (K) de uma população de pescada em 100 000 t e fixou a quota anual constante no valor teórico de máxima produtividade, assumindo que o stock devia estabilizar-se em K/2 (50 000 t). No entanto, após quatro anos a aplicar rigidamente essa quota, a biomassa reprodutora colapsou para menos de 15 000 t.
- a) Justifica, apoiando-te na curva de crescimento logístico populacional, por que razão gerir uma população situando-a de forma permanente em K/2 constitui um ponto de equilíbrio instável face a flutuações ambientais imprevistas (como anomalias térmicas ou quebras no recrutamento).
- b) O modelo clássico de RMS tratou a população como uma massa homogénea de biomassa em quilogramas. Explica que fatores biológicos cruciais (como a estrutura etária, a fecundidade exponencial dos grandes reprodutores e a seletividade das artes) esse cálculo ignorou e como isso precipitou o colapso.
- c) Delineia uma regra de controlo de capturas sob a abordagem de precaução para este pesqueiro: define um ponto de referência limite (Blím) e um ponto de referência de precaução ou objetivo (Bpa), e detalha que medidas automáticas de ajuste de quota ou defeso devem ser ativadas se o stock cair para cada uma dessas zonas.
Instrumentos de gestão da pesca
Para impedir o colapso, os gestores usam regras. Cada uma protege uma parte do ciclo de vida da espécie.
| Instrumento | O que faz | Objetivo biológico |
|---|---|---|
| Período de defeso | Proíbe pescar numa época do ano | Proteger a época de reprodução (desova) |
| Quota de captura | Limita as toneladas capturadas por ano | Não ultrapassar a capacidade de renovação |
| Tamanho mínimo | Obriga a devolver os indivíduos pequenos | Deixar que cheguem à idade da primeira reprodução |
Para fixar uma quota responsável, o gestor precisa de saber o tamanho do manancial, a idade da primeira reprodução e o recrutamento anual (quantos juvenis entram na população por ano). Se os dados estiverem desatualizados, a quota pode ficar acima da renovação real e a pescaria entra em sobrepesca sem que ninguém o repare.
Explica em que consistem estes três instrumentos da pesca sustentável — períodos de defeso, quotas de captura e tamanhos mínimos — e que objetivo biológico persegue cada…
Explica em que consistem estes três instrumentos da pesca sustentável — períodos de defeso, quotas de captura e tamanhos mínimos — e que objetivo biológico persegue cada um deles.
Explica que informação é necessária a um gestor de pescas para definir uma quota de captura responsável (tamanho do manancial, idade da primeira reprodução, recrutamento…
Explica que informação é necessária a um gestor de pescas para definir uma quota de captura responsável (tamanho do manancial, idade da primeira reprodução, recrutamento anual) e que risco corre a pescaria se a quota for estabelecida com dados desatualizados.
Uma pescaria de biqueirão encontra-se esgotada após décadas de sobrepesca. Delineia um plano de gestão para a sua recuperação: medidas de defeso, monitorização…
Uma pescaria de biqueirão encontra-se esgotada após décadas de sobrepesca. Delineia um plano de gestão para a sua recuperação: medidas de defeso, monitorização científica do manancial, controlo do cumprimento e calendário de reabertura, fundamentando cada decisão com a biologia da espécie.
A tragédia dos comuns
Explica o que é a «tragédia dos comuns» recorrendo a um pesqueiro de livre acesso e analisa de que modo três ferramentas procuram evitá-la: as quotas individuais, as…
Explica o que é a «tragédia dos comuns» recorrendo a um pesqueiro de livre acesso e analisa de que modo três ferramentas procuram evitá-la: as quotas individuais, as zonas de pesca geridas por associações de pescadores e as reservas marinhas.
Aquicultura e fontes de proteína
A aquicultura é a criação de espécies aquáticas em instalações controladas (tanques, viveiros, jaulas no mar). Já fornece cerca de metade do peixe consumido no mundo.
| Vantagens | Impactes | |
|---|---|---|
| Aquicultura marinha | Alivia a pressão sobre os pesqueiros selvagens; produção regular; emprego | Descargas de nutrientes e resíduos; rações feitas com peixe selvagem; fugas de animais e doenças; ocupação do litoral |
Por isso a aquicultura não é a solução definitiva para a sobrepesca: só ajuda se a ração não vier de pesqueiros também sobre-explorados.
Para comparar fontes de proteína, usam-se estes critérios (comparação qualitativa, que vai além das Aprendizagens Essenciais):
| Fonte | Eficiência trófica | Dependência externa | Impactes principais |
|---|---|---|---|
| Pesca extrativa | Baixa (carnívoros no topo da cadeia) | Combustível | Sobrepesca, capturas acessórias, danos nos fundos |
| Aquicultura | Média (varia com a espécie) | Rações, água, energia | Descargas, fugas, uso de peixe selvagem nas rações |
| Leguminosas (feijão, grão, lentilhas) | Alta (comem-se produtores) | Solo e água | Menores; fixam azoto no solo |
Quanto mais perto do início da cadeia alimentar, menos energia se perde e menor é a pegada ecológica. Uma combinação sustentável privilegia leguminosas e outros vegetais, pesca com quotas cumpridas, aquicultura de espécies que comem pouco peixe, e reduz o desperdício.
A aquacultura fornece já cerca de metade do peixe consumido no mundo. Analisa duas vantagens e dois impactes ambientais das explorações aquícolas marinhas e discute se…
A aquacultura fornece já cerca de metade do peixe consumido no mundo. Analisa duas vantagens e dois impactes ambientais das explorações aquícolas marinhas e discute se podem ser consideradas a solução definitiva para a sobrepesca.
Compara três fontes de proteína para a alimentação — pesca extrativa, aquacultura e leguminosas — em termos de eficiência trófica, pegada ecológica, dependência de…
Compara três fontes de proteína para a alimentação — pesca extrativa, aquacultura e leguminosas — em termos de eficiência trófica, pegada ecológica, dependência de recursos externos (rações, pesqueiros) e impactes ambientais. Argumenta que combinação seria mais sustentável e que alterações de consumo implicaria.
Uma grande empresa atuneira de cerco industrial que opera no oceano Índico obteve uma prestigiada certificação azul de pesca sustentável para comercializar as suas…
Uma grande empresa atuneira de cerco industrial que opera no oceano Índico obteve uma prestigiada certificação azul de pesca sustentável para comercializar as suas conservas na União Europeia. No entanto, uma auditoria independente revela três factos: 1) a frota utiliza dispositivos de concentração de peixes (FAD) que provocam 15 % de capturas acessórias de tartarugas marinhas e tubarões juvenis; 2) as comunidades piscatórias artesanais locais pescam atum um a um com linha de mão sem praticamente devoluções, mas não têm selo porque a auditoria inicial custa mais de 35 000 €; e 3) os observadores independentes só estão embarcados em 10 % das marés da frota certificada.
- a) Avalia criticamente se esta certificação garante uma exploração verdadeiramente ecológica ou se se trata de um caso de branqueamento ecológico (greenwashing), justificando a tua resposta com os dados de seletividade e controlo.
- b) Analisa como este sistema de rotulagem voluntária distorce a concorrência no mercado, penalizando as pescarias artesanais de menor impacto ambiental face às grandes frotas industriais.
- c) A partir deste caso, rebate o argumento de que «a sobrepesca global pode ser travada confiando na compra individual responsável do consumidor» e propõe duas medidas de regulação pública vinculativas que os Estados deveriam impor oficiosamente a todas as frotas.
Exploração e transformação dos recursos
Muitos recursos naturais não se usam como são extraídos: são transformados. O petróleo dá combustíveis, o minério dá metais e a madeira dá papel.
| Recurso | Transformação | Impactes | Medidas de redução |
|---|---|---|---|
| Petróleo | Combustíveis e plásticos | Poluição do ar e da água, CO₂ | Energias renováveis, poupar energia |
| Minério | Metais | Destruição de paisagem, resíduos das minas | Reciclar metais, recuperar as minas |
| Madeira | Papel e móveis | Perda de floresta, consumo de água | Papel reciclado, selos FSC e PEFC |
Gestão florestal sustentável
Em Portugal a floresta fornece madeira, cortiça, resina e pasta de papel. Os sobreiros do montado dão cortiça sem serem abatidos. O pinhal dá madeira e resina. O eucalipto é plantado em grande escala, de rotação curta (poucos anos entre cortes), sobretudo para pasta de papel.
Convém exigir estes selos porque, sem eles, o consumidor não sabe se o produto vem de uma floresta bem gerida ou de uma desflorestação.
| Eucaliptal de rotação curta | Floresta mista autóctone | |
|---|---|---|
| Produção de madeira | Elevada e rápida | Mais lenta, produtos variados |
| Biodiversidade | Baixa (uma só espécie) | Elevada |
| Risco de incêndio | Maior (folhagem inflamável, muito combustível, povoamento contínuo) | Menor |
| Serviços dos ecossistemas | Poucos: sobretudo produção | Muitos: solo, água, abrigo, paisagem, clima |
Critérios para novos repovoamentos: usar espécies autóctones (sobreiro, azinheira, carvalhos), misturar espécies e idades, criar mosaicos em vez de manchas contínuas, adequar a espécie ao solo e à água disponível e evitar plantar nas margens das linhas de água.
Explica o que é a gestão florestal sustentável e o que certificam selos como o FSC ou o PEFC num móvel ou numa embalagem de papel, indicando por que razão convém…
Explica o que é a gestão florestal sustentável e o que certificam selos como o FSC ou o PEFC num móvel ou numa embalagem de papel, indicando por que razão convém exigi-los.
Compara um povoamento de eucaliptos de rotação curta destinado a pasta de papel com uma floresta mista autóctone da mesma região: produtividade de madeira,…
Compara um povoamento de eucaliptos de rotação curta destinado a pasta de papel com uma floresta mista autóctone da mesma região: produtividade de madeira, biodiversidade albergada, risco de incêndio e serviços dos ecossistemas. Conclui que critérios deveriam orientar os novos repovoamentos florestais.
Desflorestação e montado
A desflorestação desencadeia uma cadeia de efeitos:
Sem árvores há menos chuva local e menos sombra. O solo fica exposto à chuva e é arrastado, e os rios ficam com sedimentos. Perdem-se habitats e espécies, e os serviços dos ecossistemas (regulação da água e do clima, fertilidade do solo, abrigo da fauna). Como as árvores guardam carbono, abatê-las e queimá-las faz aumentar o $\text{CO}_2$ atmosférico, o que reforça o efeito de estufa.
A desflorestação desencadeia efeitos em cadeia sobre o clima, o solo e a biodiversidade. Explica essa cadeia de efeitos e relaciona-a com o aumento de $\text{CO}2$…
A desflorestação desencadeia efeitos em cadeia sobre o clima, o solo e a biodiversidade. Explica essa cadeia de efeitos e relaciona-a com o aumento de $\text{CO}_2$ atmosférico e com a perda de serviços dos ecossistemas.
Num montado estremenho coexistem o aproveitamento pecuário, a caça e a conservação de aves ameaçadas. Expõe o potencial conflito entre a economia e a conservação e…
Num montado estremenho coexistem o aproveitamento pecuário, a caça e a conservação de aves ameaçadas. Expõe o potencial conflito entre a economia e a conservação e propõe um modelo de gestão que os torne compatíveis, explicando que serviços dos ecossistemas são sustentados pelo montado.
Agricultura sustentável
O solo é um recurso: demora muito tempo a formar-se e pode perder-se por erosão ou empobrecimento. A agricultura também usa água e energia.
| Agricultura convencional | Agricultura biológica | |
|---|---|---|
| Fertilização | Adubos de síntese | Composto, adubos verdes |
| Solo | Mobilizado, por vezes a descoberto | Coberto de vegetação, mais matéria orgânica |
| Pragas | Pesticidas de síntese | Insetos auxiliares, rotação de culturas |
| Produção por hectare | Mais elevada | Normalmente menor |
E os nitratos? A parcela A aplica $200\ \text{kg N/ha}$ de adubo de síntese, solúvel, e rega por inundação, o que arrasta nitratos para o aquífero e os rios (lixiviação). A B aplica $80\ \text{kg N/ha}$ de composto, que liberta o azoto devagar e é aproveitado pelas plantas, e rega gota a gota, sem excesso de água. Espera-se muito menos lixiviação na B. O excesso de nitratos nas águas pode causar eutrofização (proliferação de algas, falta de oxigénio).
Descreve duas práticas que distinguem a agricultura biológica da convencional (utilização de fatores de produção, gestão do solo, controlo de pragas) e explica o que…
Descreve duas práticas que distinguem a agricultura biológica da convencional (utilização de fatores de produção, gestão do solo, controlo de pragas) e explica o que garante a certificação oficial de produção biológica.
Duas parcelas agrícolas contíguas de 10 ha numa mesma comarca apresentam os seguintes balanços anuais: a Parcela A (intensiva) produz 45 t/ha de citrinos, aplica 200 kg…
Duas parcelas agrícolas contíguas de 10 ha numa mesma comarca apresentam os seguintes balanços anuais: a Parcela A (intensiva) produz 45 t/ha de citrinos, aplica 200 kg N/ha em fertilizantes inorgânicos de síntese, rega por inundação e consome 14 000 kWh/ano em maquinaria e bombagem; a Parcela B (biológica) produz 28 t/ha com coberturas vegetais, fornece composto maturado à razão de 80 kg N/ha orgânico, rega gota a gota e consome 6 500 kWh/ano.
- a) Prevê e justifica que diferenças quantitativas e qualitativas se observarão entre ambas as parcelas no que diz respeito à lixiviação de nitratos para as águas subterrâneas, às emissões de óxido nitroso (N₂O) para a atmosfera e à taxa de sequestro de carbono no solo.
- b) Um relatório técnico sustenta que «dado que a Parcela B produz menos quilos por hectare, a sua pegada ecológica por tonelada colhida é necessariamente pior para o planeta do que a da Parcela A». Rebate esta afirmação analisando a energia fóssil incorporada na síntese de fertilizantes inorgânicos (processo Haber-Bosch) e a degradação do capital natural a longo prazo.
- c) Identifica duas externalidades ambientais negativas da Parcela A que não estejam refletidas no preço final dos seus citrinos no mercado e propõe uma medida política ou económica para que os custos reais fiquem internalizados.
Gestão sustentável da água
A água doce é um recurso renovável (o ciclo da água repõe-no), mas só se a retirada não ultrapassar a reposição. Em aquíferos que se enchem muito devagar (aquíferos fósseis), a água comporta-se como não renovável. A contaminação (esgotos, adubos, pesticidas, indústria) reduz a água utilizável e obriga a tratamentos caros.
| Aumentar a oferta | Gerir a procura | |
|---|---|---|
| Vantagem | Resolve o problema a curto prazo | Reduz o consumo e ataca a causa |
| Limite | Os rios e aquíferos são finitos; a dessalinização gasta muita energia; pode incentivar mais consumo | Exige mudar hábitos, investir em infraestruturas e aceitar preços mais altos |
As duas estratégias combinam-se, mas a segunda tem prioridade: poupar é mais barato do que produzir água nova.
Distingue stresse hídrico de seca e compara duas filosofias de gestão da água: aumentar a oferta (transvases, centrais de dessalinização) face a gerir a procura…
Distingue stresse hídrico de seca e compara duas filosofias de gestão da água: aumentar a oferta (transvases, centrais de dessalinização) face a gerir a procura (eficiência na rega, reutilização, tarifários). Aponta uma vantagem e um limite de cada filosofia.
O mar de Aral passou de quarto maior lago do mundo a quase desaparecer devido ao desvio dos rios que o alimentavam para a rega de algodão. Reconstrói a sucessão de…
O mar de Aral passou de quarto maior lago do mundo a quase desaparecer devido ao desvio dos rios que o alimentavam para a rega de algodão. Reconstrói a sucessão de decisões e de efeitos ecológicos, sociais e climáticos locais, e retira uma lição aplicável à gestão dos rios na Península Ibérica.
Uma região depende da agricultura de regadio intensivo, que está a esgotar o seu aquífero. a) Analisa o conflito entre o emprego atual e a sustentabilidade do recurso.…
Uma região depende da agricultura de regadio intensivo, que está a esgotar o seu aquífero. a) Analisa o conflito entre o emprego atual e a sustentabilidade do recurso. b) Delineia uma transição ordenada (alteração de culturas, modernização da rega, reutilização, preço da água) que reduza a captação sem conduzir ao abandono da região. c) Raciocina sobre quem deveria suportar os custos da transição e porquê.
Energia: renováveis e rede elétrica
O vento, o Sol e a água são recursos energéticos renováveis e não se esgotam ao serem usados. Mas aproveitá-los traz impactes (ocupação de terrenos, paisagem, efeitos sobre aves e rios) e desafios técnicos.
Há que distinguir potência instalada (o que as centrais podem produzir no máximo) de capacidade de gestão da rede (o que a rede consegue receber, transportar e armazenar em cada momento). Num dia de muito sol e vento, as renováveis podem produzir mais do que se consome. O preço da eletricidade no mercado grossista (onde os produtores vendem a energia antes de chegar às casas) pode cair para perto de zero, e o operador da rede, que garante o equilíbrio entre produção e consumo, manda desligar parques. À noite, sem Sol, e com pouco vento, é preciso recorrer a centrais de gás natural, um combustível fóssil não renovável.
Instalar renováveis sem parar não resolve o problema. São necessários armazenamento (baterias, bombagem hidroelétrica), interligações com outros países, gestão da procura (consumir quando há produção) e redes adequadas.
Durante um meio-dia soalheiro e ventoso de abril na Península Ibérica, a produção eólica e solar fotovoltaica instantânea chega a cobrir 105 % do consumo elétrico,…
Durante um meio-dia soalheiro e ventoso de abril na Península Ibérica, a produção eólica e solar fotovoltaica instantânea chega a cobrir 105 % do consumo elétrico, fazendo despencar o preço no mercado grossista para 0,0 €/MWh e obrigando o operador do sistema (REN) a ordenar cortes de renováveis (desconexão de parques). Contudo, às 22:00 desse mesmo dia, as centrais de ciclo combinado de gás natural têm de fornecer 30 % da eletricidade consumida.
- a) A partir destes dados, interpreta a diferença entre potência instalada e capacidade de gestão da rede, e justifica por que razão aumentar indefinidamente o número de parques solares não resolve por si só a procura noturna.
- b) Avalia duas soluções técnicas viáveis para armazenar ou gerir esse excedente diurno em Portugal (como as centrais hidroelétricas de bombagem reversível e o hidrogénio verde), comparando a sua eficiência energética líquida e as suas possíveis servidões territoriais ou ambientais.
- c) Rebate a afirmação de que «a transição energética consiste simplesmente em substituir os geradores fósseis por renováveis para manter o atual ritmo de consumo», argumentando por que razão as políticas de poupança e eficiência são indispensáveis perante os limites biofísicos de materiais críticos e solo.
Voltando ao início: o defeso da sardinha serve para proteger a desova e deixar a população reproduzir-se, para que haja sardinha nos anos seguintes. Hoje abrir mão de pescar mais é investir na pesca de amanhã.