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8.º ano · Ciências Naturais
Conservação da natureza em Portugal · Conservação da natureza

Espécies invasoras

Percorres uma duna ou a margem de um rio em Portugal e vês manchas amarelas de mimosa a perder de vista, sem quase mais nenhuma planta à volta. Ninguém as semeou ali de propósito. Como é que uma planta de outro continente conseguiu tomar conta da paisagem, e porque é que isso preocupa os cientistas?

Autóctone, exótica ou invasora?

Cada ecossistema tem as suas espécies, que se foram ajustando umas às outras ao longo de muito tempo. Mas há espécies que chegam de fora, trazidas pelo ser humano. Nem todas se comportam da mesma maneira.

Repara: toda a espécie invasora é exótica, mas nem toda a espécie exótica é invasora. O milho, a batata e o tomate são exóticos em Portugal e não ocupam as matas por conta própria. Uma exótica só se torna invasora quando encontra condições favoráveis e poucos inimigos naturais.

Dois conjuntos: as invasoras estão dentro das exóticas; as autóctones ficam fora. Espécies exóticas Invasoras Espécies autóctones

Quando uma exótica vira invasora, o problema vem de três coisas: não tem predadores nem parasitas que a controlem, reproduz-se depressa e aproveita bem os recursos (luz, água, nutrientes) de que as autóctones também precisam.

Pratica★★☆Por começar
A acácia-de-espigas, conhecida por mimosa, foi trazida da Austrália para Portugal no século XIX, para jardins e para fixar dunas. Hoje espalha-se por matas, dunas e…

A acácia-de-espigas, conhecida por mimosa, foi trazida da Austrália para Portugal no século XIX, para jardins e para fixar dunas. Hoje espalha-se por matas, dunas e margens de rios, formando manchas muito densas, e consta das listas oficiais de espécies invasoras.

  1. a) O que é uma espécie invasora? Distingue-a de espécie exótica e de espécie autóctone.
  2. b) Explica duas características da acácia que a tornam tão expansiva.
  3. c) Indica duas consequências da expansão da acácia, uma para o ecossistema e outra para as pessoas.
  4. d) Propõe uma medida de controlo da acácia e identifica uma dificuldade da sua aplicação.
Resolver

Acácias: uma invasão em terra

A acácia-de-espigas (a «mimosa») veio da Austrália no século XIX, para enfeitar jardins e fixar dunas. Hoje está nas listas oficiais de espécies invasoras.

Porque é que se espalha tanto?

  • Produz muitas sementes, que ficam vivas no solo durante muitos anos.

  • Rebenta de novo depois de cortada ou queimada, a partir da base e das raízes.

  • Cresce depressa e faz sombra às plantas pequenas.

  • Em Portugal, quase não tem inimigos naturais que a controlem.

Consequências:

  • Para o ecossistema: forma manchas muito densas, as plantas autóctones deixam de ter luz e espaço e a biodiversidade diminui. Além disso, altera o solo.

  • Para as pessoas: aumenta o combustível nos incêndios, prejudica a atividade agrícola e florestal e custa dinheiro a remover.

O eucalipto: exótico, mas não invasor?

O eucalipto também veio da Austrália. É a espécie florestal mais plantada em Portugal, porque cresce depressa e a sua madeira é usada para fazer papel e pasta de papel, o que dá lucro rápido a quem o planta. É uma espécie exótica de plantação: as pessoas plantam-no, mas, ao contrário da mimosa, não costuma espalhar-se sozinho em grande escala pelos ecossistemas naturais.

Isto não quer dizer que não tenha problemas. Um eucaliptal é muitas vezes uma monocultura: as árvores são todas da mesma espécie e têm a mesma idade. Alberga menos biodiversidade do que um carvalhal, porque há menos tipos de alimento e de abrigo para animais, plantas e fungos. As folhas e o solo também ajudam menos outras espécies, e o eucaliptal arde com facilidade.

Eucaliptal Carvalhal (autóctone)
Origem Exótica (Austrália) Autóctone
Crescimento Rápido Lento
Biodiversidade Baixa Elevada
Retorno económico Rápido Lento
Pratica★★☆Por começar
O eucalipto, originário da Austrália, cobre hoje cerca de um quarto da floresta portuguesa — é a espécie florestal mais plantada no país. Os bosques de árvores…

O eucalipto, originário da Austrália, cobre hoje cerca de um quarto da floresta portuguesa — é a espécie florestal mais plantada no país. Os bosques de árvores autóctones, como o carvalho e o castanheiro, ocupam áreas cada vez mais reduzidas.

  1. a) Indica uma razão económica que explica a grande expansão do eucalipto em Portugal.
  2. b) Compara um eucaliptal com um carvalhal quanto à biodiversidade que cada um alberga e justifica a diferença.
  3. c) Reflorestar com árvores autóctones é mais caro e mais lento do que plantar eucaliptos. Explica por que razão, mesmo assim, muitos técnicos defendem essa reflorestação.
  4. d) Propõe uma regra simples para decidir em que zonas pode ser admitido o eucalipto e em que zonas deve ser dada prioridade ao carvalho e ao castanheiro.
Resolver

Invasoras na água: o lagostim-vermelho

O lagostim-vermelho veio da América do Norte e está hoje em muitos rios e ribeiras portugueses. Come plantas, larvas, pequenos animais e restos, e é muito resistente. Ocupa o lugar de espécies autóctones que se alimentam do mesmo.

Vê o efeito na cadeia alimentar de uma ribeira. A seta vai de quem é comido para quem come.

Cadeia alimentar de uma ribeira: algas, larvas, peixe, lontra, com o lagostim-vermelho a competir com o peixe. Algas Larvas Peixe Lontra Lagostim-vermelho (introduzido) competição com o peixe

Quando a espécie introduzida não tem predadores na nova região, a sua população cresce sem limite. Come muitas plantas e larvas, e as espécies autóctones que dependem delas ficam com menos alimento. O lagostim compete com os peixes pelo mesmo alimento. Assim, a teia alimentar desequilibra-se e a biodiversidade diminui.

Pratica★★☆Por começar
O lagostim-vermelho, originário da América do Norte, foi introduzido em Portugal e está hoje presente em muitos rios e ribeiras. A figura representa uma cadeia alimentar…

O lagostim-vermelho, originário da América do Norte, foi introduzido em Portugal e está hoje presente em muitos rios e ribeiras. A figura representa uma cadeia alimentar simplificada de uma ribeira portuguesa após a sua chegada, com a espécie introduzida assinalada.

plantas aquáticas insetos aquáticos boga garça-real lagostim-vermelho (espécie introduzida)
  1. a) Identifica, na cadeia representada, o produtor e os consumidores primário, secundário e terciário.
  2. b) Que organismo da cadeia passa a competir com o lagostim-vermelho pelo mesmo alimento? Justifica com base na figura.
  3. c) Observa que nenhum consumidor da figura se alimenta do lagostim-vermelho. Explica como esse facto favorece a sua expansão na ribeira.
  4. d) Prevê um efeito da presença do lagostim-vermelho sobre a população de bogas e um problema geral que este caso ilustra para a conservação dos rios.
Resolver

Como travar as invasões

Depois de instalada, uma espécie invasora é muito difícil de eliminar. Por isso a melhor medida é evitar que chegue.

  • Prevenção: não libertar animais de estimação nem plantar espécies exóticas no jardim sem saber o risco; controlar o transporte de plantas e animais, por exemplo em barcos e cargas.

  • Deteção precoce: descobrir as invasões quando ainda são pequenas, e por isso mais fáceis de travar.

  • Controlo: reduzir a população (arrancar, capturar, cortar de forma repetida).

  • Erradicação: eliminar a espécie por completo, o que só é possível quando a área ocupada é pequena.

  • Listas oficiais: a lei de Portugal tem uma lista de espécies invasoras, cuja posse, venda e libertação são proibidas.

  • Restauro: depois de remover a invasora, replantar espécies autóctones.

De volta ao início: as manchas de mimosa nas dunas são o resultado de uma espécie exótica sem inimigos naturais, que se reproduz depressa e afasta as plantas autóctones.

Em resumo

  • Espécie autóctone é a que vive naturalmente num local; exótica foi levada pelo ser humano; invasora é uma exótica que se espalha e ameaça as autóctones.

  • Toda a invasora é exótica, mas nem toda a exótica é invasora.

  • A acácia (mimosa) espalha-se por produzir muitas sementes, rebentar depois de cortada e não ter inimigos naturais.

  • O eucalipto é exótico de plantação, dá lucro rápido, mas um eucaliptal tem menos biodiversidade do que um carvalhal.

  • O lagostim-vermelho compete com espécies autóctones e, sem predadores, desequilibra a teia alimentar.

  • A melhor medida é a prevenção; depois vêm a deteção precoce, o controlo, a erradicação e o restauro.

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