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8.º ano · Ciências Naturais
Conservação da natureza em Portugal · Conservação da natureza

Incêndios florestais

No verão, as notícias repetem-se: colunas de fumo na serra, aldeias ameaçadas, bombeiros e meios aéreos em ação. Em Portugal, nos piores anos, ardem centenas de milhares de hectares. Porque é que o fogo se espalha tão depressa no nosso país? E o que podemos fazer para que arda menos? No fim da página voltas a esta pergunta.

Porque arde a floresta

Para haver fogo são precisas três coisas ao mesmo tempo: combustível (folhas secas, mato, ramos, árvores), calor (uma ignição) e oxigénio (o ar). Tirando uma delas, o fogo não existe ou apaga-se.

Triângulo do fogo: combustível, calor e oxigénio têm de existir em simultâneo para haver incêndio. Calor Combustível Oxigénio Fogo

De onde vem a ignição? A quase totalidade dos incêndios em Portugal tem origem humana. Os raios das trovoadas secas (trovoadas com raios, mas sem chuva que chegue ao solo) são uma causa natural, mas rara no nosso país.

Comportamento humano Medida de prevenção
Queimadas de restos agrícolas em dias de calor e vento Só queimar com autorização e fora da época de perigo; triturar ou compostar os restos
Pontas de cigarro atiradas para o chão ou da janela do carro Nunca deitar cigarros na natureza; usar o cinzeiro
Fogueiras e churrascos fora dos locais próprios Usar apenas zonas de merendas autorizadas
Máquinas agrícolas ou florestais a trabalhar em dias de risco Evitar trabalhos que produzam faíscas nos dias de perigo máximo
Fogo posto (ato criminoso) Vigilância, investigação e punição

Porque é que o perigo é maior no verão? Porque se juntam vários fatores: o calor intenso e a falta de chuva (seca) deixam o mato e as folhas muito secos, por isso um excelente combustível; o vento espalha as chamas e leva faúlhas a grande distância; e há mais gente no campo, logo mais ignições possíveis.

Pratica★★☆Por começar
Nos piores anos, ardem em Portugal centenas de milhares de hectares de floresta. A quase totalidade dos incêndios florestais tem origem humana; os raios das trovoadas…

Nos piores anos, ardem em Portugal centenas de milhares de hectares de floresta. A quase totalidade dos incêndios florestais tem origem humana; os raios das trovoadas secas são uma causa natural rara no país.

  1. a) Explica por que razão o perigo de incêndio florestal é maior no verão.
  2. b) Indica três comportamentos humanos que podem dar origem a um incêndio florestal e, para cada um, uma medida de prevenção.
  3. c) O que são trovoadas secas e por que razão podem provocar incêndios?
  4. d) Comenta a afirmação: «Nos incêndios florestais, mais vale prevenir do que combater.»
Resolver

Paisagem em mosaico ou monocultura contínua

O modo como a paisagem está organizada influencia muito a propagação do fogo.

Numa paisagem em mosaico alternam manchas diferentes: hortas, olivais, vinhas, pastagens, carvalhais, caminhos e ribeiras. Muitas destas manchas têm pouco combustível ou têm humidade, por isso funcionam como barreiras que travam o fogo.

Numa monocultura contínua (por exemplo, um eucaliptal ou um pinhal sem interrupções ao longo de uma encosta inteira) o combustível é igual e está ligado de ponta a ponta. O fogo corre sem obstáculos.

Comparação entre uma paisagem em mosaico, com manchas diferentes que travam o fogo, e uma monocultura contínua, onde o fogo avança sem barreiras. Paisagem em mosaico Monocultura contínua carvalhal olival horta vinha só eucaliptal

Há ainda uma questão de biodiversidade. O mosaico oferece mais habitats diferentes (clareiras, bosque, cultivos, água) e por isso mais espécies. A monocultura tem menos variedade de plantas e de animais.

O eucalipto é um caso particular: as folhas e as cascas que caem acumulam-se no solo, são ricas em óleos e secam facilmente. Esta manta de combustível arde com muita intensidade, sobretudo quando o eucaliptal é contínuo e mal gerido.

Pratica★★☆Por começar
Considera duas paisagens do interior de Portugal: na paisagem A, pequenas hortas, olivais e vinhas alternam com manchas de carvalhal e caminhos; na paisagem B, um…

Considera duas paisagens do interior de Portugal: na paisagem A, pequenas hortas, olivais e vinhas alternam com manchas de carvalhal e caminhos; na paisagem B, um eucaliptal contínuo estende-se por uma encosta inteira. A figura representa a paisagem A, em mosaico.

horta olival vinha carvalhal pastagem pomar caminhos
  1. a) O que é uma paisagem em mosaico? Descreve-a com base na figura.
  2. b) Explica por que razão um incêndio tem mais dificuldade em propagar-se na paisagem A do que na paisagem B.
  3. c) Relaciona a paisagem em mosaico com a biodiversidade da região.
  4. d) O eucaliptal contínuo acumula no solo folhas e cascas ricas em óleos. Explica como esse facto aumenta o perigo de incêndio e indica uma medida de gestão florestal que o reduza.
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Prevenir é melhor do que combater

Combater um grande incêndio é difícil, caro e perigoso. Por isso a prevenção é a melhor estratégia. Em Portugal usam-se várias medidas:

  • Limpeza de matos à volta das casas e das povoações (a lei obriga a manter uma faixa limpa): se o fogo chegar, há menos combustível junto das pessoas.

  • Faixas de gestão de combustível: corredores onde se corta ou reduz o mato e as árvores, geridos pelo ICNF e pelos municípios. Travam o avanço do fogo e dão espaço de manobra aos bombeiros.

  • Pastorícia: cabras e ovelhas comem o mato e mantêm as zonas abertas. É uma forma natural e barata de reduzir o combustível, por isso é apoiada em zonas de mato.

  • Sapadores florestais: equipas que, além de vigiar e apoiar o combate, fora da época de incêndios limpam matos, abrem e mantêm caminhos e faixas, e plantam e cuidam da floresta.

  • Vigilância e sensibilização: postos de vigia, patrulhas e campanhas que alertam para os comportamentos de risco.

Pratica★★☆Por começar
Para reduzir o risco de incêndio, a lei portuguesa obriga à limpeza de matos numa faixa à volta das povoações, e o ICNF e os municípios mantêm redes de faixas de gestão…

Para reduzir o risco de incêndio, a lei portuguesa obriga à limpeza de matos numa faixa à volta das povoações, e o ICNF e os municípios mantêm redes de faixas de gestão de combustível, equipas de sapadores florestais e projetos de pastorícia com cabras em zonas de mato.

  1. a) Explica como a limpeza de matos à volta das povoações e as faixas de gestão de combustível reduzem a gravidade dos incêndios.
  2. b) Justifica o apoio dado à pastorícia com cabras como medida de prevenção de incêndios.
  3. c) Refere duas funções das equipas de sapadores florestais fora da época de incêndios.
  4. d) Se, durante uma caminhada, detetares o princípio de um incêndio, descreve dois procedimentos corretos.
Resolver

Depois do fogo: efeitos e regeneração

Efeitos de um incêndio:

  • No solo: fica sem a proteção da vegetação, por isso, quando chove, a água arrasta a terra (erosão) e leva cinzas para ribeiras e albufeiras, o que pode poluir a água.

  • Na biodiversidade: morrem plantas e animais, sobretudo os que se movem pouco; muitos perdem o abrigo e o alimento.

  • Na atmosfera: libertam-se fumo e dióxido de carbono ($\mathrm{CO_2}$), que reforça o efeito de estufa.

  • Nas pessoas: perda de casas, de atividade económica e, por vezes, de vidas.

Mas a natureza regenera. Depois do fogo, o solo ainda tem sementes, raízes e cepos. Por isso, ao longo dos anos, instala-se uma sucessão ecológica secundária: primeiro surgem ervas e plantas pioneiras, depois o mato, mais tarde as árvores jovens e, por fim, a floresta. Como o solo já existe, o processo é mais rápido do que numa sucessão primária.

Fases da regeneração depois de um incêndio: solo queimado, ervas, mato, árvores jovens e floresta. Solo Ervas Mato Árvores jovens Floresta queimado Tempo (anos)

Contudo, se os incêndios forem muito frequentes, a floresta não tem tempo de recuperar e a paisagem pode degradar-se. Em solos muito erodidos e em áreas com espécies invasoras, a regeneração pode correr mal. Por isso, depois do fogo, é importante proteger o solo e ajudar a recuperação, por exemplo, com cordões de troncos para travar a erosão e com plantações de espécies autóctones, como o carvalho, o sobreiro ou a azinheira.

Em resumo

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