Voltar ao inícioCiências Naturais · 8.º ano · Mudar de matéria
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8.º ano · Ciências Naturais
A ecologia · Os ecossistemas

Os ciclos da matéria

O carbono que expiras neste momento pode ter feito parte, há milhões de anos, de um dinossauro. A energia do Sol atravessa os ecossistemas e acaba por se dissipar sob a forma de calor. Os átomos, pelo contrário, não se perdem: passam dos seres vivos para a atmosfera, para a água ou para as rochas e voltam a ser utilizados. Estes percursos chamam-se ciclos da matéria ou ciclos biogeoquímicos. Neste apontamento vais aprender como funcionam e como a ação humana os pode alterar.

Reservatórios, fluxos e decompositores

Um pinhal acumula toneladas de carbono nos troncos. Quando a madeira arde ou apodrece, esse carbono deixa de estar no tronco, mas não foi destruído. Para onde foi? E por que caminhos é que a matéria viaja?

Imagina uma banheira: a água que lá está é o reservatório; a torneira e o ralo são os fluxos. Se entra tanta água como a que sai, o nível mantém-se (equilíbrio). Se o fluxo de entrada ultrapassar o de saída, o reservatório enche.

Um reservatório com um fluxo de entrada e um fluxo de saída: se os dois fluxos forem iguais, a quantidade armazenada mantém-se. reservatório (ex.: atmosfera) fluxo de entrada fluxo de saída entrada = saída → equilíbrio

Quem mantém os ciclos a funcionar? Os produtores captam matéria inorgânica do meio e transformam-na em matéria orgânica. Os consumidores passam-na de uns para outros ao alimentarem-se. Os decompositores (bactérias e fungos) fazem o último passo: decompõem os restos de seres vivos, as folhas caídas e os dejetos, e devolvem ao solo, à água e ao ar os nutrientes que lá estavam.

Sem decompositores, os restos de seres vivos acumular-se-iam e os nutrientes ficariam presos neles. Mesmo que continuasse a haver produtores, o solo ficaria sem nutrientes e o ciclo interromper-se-ia.

Os ciclos classificam-se segundo o reservatório principal por onde passam:

  • ciclo gasoso: o elemento tem uma fase gasosa importante e circula pela atmosfera (carbono, oxigénio, azoto);

  • ciclo sedimentar: não há fase gasosa relevante e o elemento circula sobretudo entre rochas, solo e água (fósforo).

Pratica★☆☆Por começar
Explica o que é a decomposição da matéria orgânica, que grupos de organismos a realizam e por que razão os ciclos da matéria ficariam interrompidos sem eles, mesmo que…

Explica o que é a decomposição da matéria orgânica, que grupos de organismos a realizam e por que razão os ciclos da matéria ficariam interrompidos sem eles, mesmo que continuasse a haver produtores.

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Pratica★☆☆Por começar
Define reservatório e fluxo num ciclo biogeoquímico, e identifica um reservatório e um fluxo concretos no ciclo do carbono, explicando que processo mantém esse fluxo.

Define reservatório e fluxo num ciclo biogeoquímico, e identifica um reservatório e um fluxo concretos no ciclo do carbono, explicando que processo mantém esse fluxo.

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Pratica★☆☆Por começar
Explica a diferença entre um ciclo biogeoquímico gasoso e um sedimentar, e classifica num dos dois tipos os ciclos do carbono, do azoto e do fósforo, justificando a tua…

Explica a diferença entre um ciclo biogeoquímico gasoso e um sedimentar, e classifica num dos dois tipos os ciclos do carbono, do azoto e do fósforo, justificando a tua escolha.

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O ciclo do carbono

O carbono é a base da matéria orgânica: está nos açúcares, nas gorduras, nas proteínas, na madeira e no teu corpo. O seu principal reservatório de troca rápida é o dióxido de carbono ($\mathrm{CO_2}$) da atmosfera e da água.

Dois processos, de sentidos opostos, comandam o ciclo:

Em palavras: dióxido de carbono + água → glicose + oxigénio (com luz). A respiração é o processo inverso e liberta a energia que as células usam.

Esquema do ciclo do carbono: os produtores retiram CO₂ da atmosfera por fotossíntese e devolvem-no por respiração; o carbono passa aos consumidores pela alimentação e, de ambos, para o solo e os decompositores. atmosfera (CO₂) produtores consumidores solo e decompositores fotossíntese respiração alimentação

Repara que a respiração acontece em todos os seres vivos (produtores, consumidores e decompositores), enquanto a fotossíntese só acontece nos que têm clorofila.

O ciclo do carbono também se representa em esquemas com setas. Para os interpretar, identifica primeiro os reservatórios (caixas) e depois o sentido de cada seta. Uma seta da atmosfera para os produtores é a fotossíntese; dos seres vivos para a atmosfera é a respiração (ou a combustão, se vier de combustíveis); dos restos de seres vivos para o solo é a decomposição. Uma seta extra que parte de combustíveis fósseis para a atmosfera, sem ter sido desenhada num ciclo natural, indica um fluxo de origem humana que desequilibra o ciclo.

Pratica★☆☆Por começar
Escreve as equações químicas globais da fotossíntese e da respiração celular aeróbia, e explica o papel que ambos os processos desempenham, em sentidos opostos, no ciclo…

Escreve as equações químicas globais da fotossíntese e da respiração celular aeróbia, e explica o papel que ambos os processos desempenham, em sentidos opostos, no ciclo do carbono.

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Pratica★★☆Por começar
Descreve o trajeto possível de um átomo de carbono desde que integra o $\text{CO}2$ atmosférico até ser incorporado num músculo do teu corpo e regressar à atmosfera,…

Descreve o trajeto possível de um átomo de carbono desde que integra o $\text{CO}_2$ atmosférico até ser incorporado num músculo do teu corpo e regressar à atmosfera, indicando o processo biológico de cada etapa (fotossíntese, alimentação, respiração...).

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Pratica★★☆Por começar
O esquema representa os principais reservatórios e fluxos do ciclo do carbono. Indica os processos assinalados com as letras a, b e c, identifica o processo…

O esquema representa os principais reservatórios e fluxos do ciclo do carbono. Indica os processos assinalados com as letras a, b e c, identifica o processo correspondente à seta marcada com «?» e explica de que modo esse fluxo altera o equilíbrio do ciclo.

ATMOSFERA (CO₂) PRODUTORES CONSUMIDORES SOLO E DECOMPOSITORES COMB. FÓSSEIS a b c ?
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O oceano e a «bomba biológica»

Os oceanos armazenam muito mais carbono do que a atmosfera e trocam-no com ela. O $\mathrm{CO_2}$ da atmosfera dissolve-se na água à superfície e é utilizado pelo fitoplâncton, as algas microscópicas que flutuam na água. O fitoplâncton faz fotossíntese e fixa carbono, sendo o alimento de pequenos animais e de toda a cadeia alimentar marinha. É por isso que se diz que os oceanos funcionam como uma esponja de $\mathrm{CO_2}$.

Parte do carbono volta à atmosfera pela respiração dos seres marinhos. Outra parte afunda-se: os restos de organismos mortos, as carapaças e os dejetos caem para o fundo e podem ficar nos sedimentos durante milhares ou milhões de anos. A este transporte de carbono da superfície para o fundo chama-se bomba biológica. O carbono guardado nos sedimentos fica fora do ciclo rápido.

Em muitas zonas do oceano há nutrientes, mas pouco fitoplâncton, porque falta um mineral essencial, como o ferro. Quando se propõe «fertilizar» o mar com ferro para estimular o fitoplâncton, a ideia é aumentar a bomba biológica e retirar mais $\mathrm{CO_2}$ do ar. Só resulta se o carbono fixado afundar e ficar guardado no fundo durante séculos ou milénios. Se for consumido e respirado perto da superfície, volta rapidamente à atmosfera. Há ainda riscos: o excesso de matéria que chega ao fundo é decomposto por organismos que gastam oxigénio, o que pode criar zonas com pouco oxigénio (tal como na eutrofização, que vais ver adiante).

Pratica★☆☆Por começar
Explica o papel desempenhado pelo fitoplâncton no ciclo do carbono oceânico e por que razão se afirma que os oceanos atuam como uma esponja de $\text{CO}2$ atmosférico.

Explica o papel desempenhado pelo fitoplâncton no ciclo do carbono oceânico e por que razão se afirma que os oceanos atuam como uma esponja de $\text{CO}_2$ atmosférico.

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Pratica★★★Por começar
Para combater o aquecimento global, foi proposto um projeto de geoengenharia que consiste em «fertilizar» zonas oceânicas com elevada concentração de nutrientes mas…

Para combater o aquecimento global, foi proposto um projeto de geoengenharia que consiste em «fertilizar» zonas oceânicas com elevada concentração de nutrientes mas baixa clorofila (zonas HNLC), lançando sais solúveis de ferro para potenciar a bomba biológica de carbono.

  1. a) Justifica que limitação nutricional o ferro alivia nessas zonas e descreve o trajeto biogeoquímico que o carbono fixado deve seguir para que o sequestro seja eficaz à escala geológica (séculos ou milénios) e não uma mera reciclagem biológica rápida.
  2. b) Analisa os riscos ecológicos bentónicos: prevê o que ocorrerá na coluna de água profunda se uma chuva maciça de neve marinha orgânica descer para zonas afóticas com baixa taxa de renovação de água.
  3. c) O aquecimento global atual intensifica a estratificação térmica da superfície oceânica (cria uma termoclina mais acentuada). Prevê e argumenta como afetará esta estratificação o funcionamento natural da bomba biológica e que retroalimentação provocará sobre o $\text{CO}_2$ da atmosfera.
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Combustíveis fósseis e ação humana no carbono

Durante milhões de anos, uma pequena fração dos seres vivos mortos ficou enterrada sem se decompor totalmente, e o seu carbono transformou-se em carvão, petróleo e gás natural (combustíveis fósseis). Este carbono ficou fora do ciclo rápido durante muito tempo.

A combustão de gasolina, gasóleo ou carvão devolve esse carbono à atmosfera sob a forma de $\mathrm{CO_2}$. Quimicamente é um processo semelhante ao da respiração: um composto de carbono reage com o oxigénio e formam-se $\mathrm{CO_2}$ e água, com libertação de energia. A diferença está na origem do carbono.

Podes pensar que 10 Gt (mil milhões de toneladas) por ano de emissões são pouca coisa comparadas com o carbono dos oceanos (menos de $0{,}03\,\%$ do que lá está). Mas os oceanos trocam carbono com a atmosfera de forma lenta, e o ciclo lento das rochas demora milhares de anos. O que conta não é a fração do total, mas o equilíbrio dos fluxos. Os fluxos naturais de entrada e de saída de $\mathrm{CO_2}$ na atmosfera estavam praticamente equilibrados. A queima de combustíveis fósseis e a desflorestação (menos árvores a fazer fotossíntese e carbono da madeira libertado) acrescentam um fluxo extra. Os oceanos e as florestas absorvem uma parte, mas não toda, e o resto acumula-se na atmosfera, porque o ciclo lento (rochas, sedimentos) demora milhares de anos a retirar carbono. Um reservatório pequeno e de fluxos rápidos, como a atmosfera, é muito sensível a pequenas alterações.

Uma floresta pode ajudar a equilibrar esta contabilidade. O que conta é o sequestro líquido: o carbono fixado menos o carbono libertado pela respiração (das árvores e dos decompositores).

Pratica★☆☆Por começar
A combustão da gasolina e a respiração celular libertam $\text{CO}2$. Explica o que ambos os processos têm em comum quimicamente, em que diferem e por que razão apenas…

A combustão da gasolina e a respiração celular libertam $\text{CO}_2$. Explica o que ambos os processos têm em comum quimicamente, em que diferem e por que razão apenas um deles fez parte do ciclo natural do carbono durante milhões de anos.

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Pratica★★☆Por começar
Uma floresta madura fixa $10\ \text{t}$ de $\text{CO}2$ por hectare e por ano, mas as suas árvores e decompositores libertam $9{,}5\ \text{t}$ por respiração no mesmo…

Uma floresta madura fixa $10\ \text{t}$ de $\text{CO}_2$ por hectare e por ano, mas as suas árvores e decompositores libertam $9{,}5\ \text{t}$ por respiração no mesmo período. Calcula o sequestro líquido anual de carbono da floresta e explica por que razão uma floresta jovem em crescimento sequestra muito mais do que uma madura, embora fixe menos $\text{CO}_2$ no total.

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Pratica★★★Por começar
Um divulgador cético publica a seguinte mensagem: «A atmosfera contém cerca de $850\text{ Gt}$ de carbono e os oceanos mais de $38\,000\text{ Gt}$. As nossas emissões…

Um divulgador cético publica a seguinte mensagem: «A atmosfera contém cerca de $850\text{ Gt}$ de carbono e os oceanos mais de $38\,000\text{ Gt}$. As nossas emissões anuais pela queima de combustíveis fósseis rondam apenas as $10\text{ Gt}$. Como o carbono total do planeta é constante e as emissões antrópicas representam menos de $0,03\,\%$ do reservatório marinho, é absurdo sustentar que possamos alterar o ciclo global do carbono».

  1. a) Contesta o seu argumento distinguindo entre a dinâmica do ciclo biológico (rápido) e a do ciclo geológico (lento): utiliza os conceitos de fluxo, tempo de residência e equilíbrio dinâmico para justificar por que razão $10\text{ Gt/ano}$ desestabilizam o clima global.
  2. b) Se os sumidouros naturais (biosfera e superfície oceânica) absorvem em média $45\,\%$ do carbono antrópico emitido a cada ano, calcula quantas ppm de $\text{CO}_2$ se acumulam anualmente na atmosfera, sabendo que $1\text{ ppm} \approx 2,13\text{ Gt}$ de carbono atmosférico.
  3. c) Prevê o que acontecerá à capacidade de o oceano continuar a atuar como sumidouro químico de $\text{CO}_2$ à medida que aumentar a temperatura da água superficial e diminuir o seu pH, justificando com base no equilíbrio químico do ácido carbónico e dos carbonatos.
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O metano: carbono sem oxigénio

Onde falta oxigénio (no fundo de um arrozal ou de um pântano, no interior do estômago de uma vaca), há microrganismos que decompõem a matéria orgânica sem oxigénio. Esta decomposição anaeróbia produz metano ($\mathrm{CH_4}$). O gado bovino liberta metano durante a digestão, porque as bactérias anaeróbias do seu aparelho digestivo fermentam a erva.

O metano continua a pertencer ao ciclo do carbono: provém de matéria orgânica fixada por fotossíntese e acaba por ser oxidado a $\mathrm{CO_2}$ na atmosfera ao fim de alguns anos. Mas é um gás com efeito de estufa muito mais eficaz do que o $\mathrm{CO_2}$: por molécula, retém muito mais calor (num horizonte de cem anos, cerca de 25 a 30 vezes mais). Por isso, mesmo existindo em quantidade muito menor, a sua emissão preocupa.

As barragens de centrais hidroelétricas também podem emitir metano. Quando se inunda uma zona com muita vegetação e solo rico em húmus, a matéria orgânica submersa decompõe-se no fundo da albufeira, onde há pouco oxigénio. Isto é mais intenso em águas quentes de clima tropical e quando a vegetação não é retirada antes de se encher a albufeira. Pelo contrário, numa albufeira de clima frio e com a vegetação removida, há muito menos matéria para decompor e a decomposição é mais lenta. Daí que nem toda a energia hidroelétrica seja igualmente «limpa» no seu início.

Pratica★★☆Por começar
O gado bovino emite metano ($\text{CH}4$) durante a digestão. Explica que processo anaeróbio o produz, em que ciclo da matéria se enquadra e por que razão a sua emissão…

O gado bovino emite metano ($\text{CH}_4$) durante a digestão. Explica que processo anaeróbio o produz, em que ciclo da matéria se enquadra e por que razão a sua emissão é preocupante, embora ocorra em quantidade muito inferior à de $\text{CO}_2$ (compara o seu potencial de aquecimento global).

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Pratica★★★Por começar
Um relatório de avaliação de impacto compara duas barragens hidroelétricas recém-construídas: Barragem A: Inunda um vale montanhoso e rochoso em clima temperado, onde…

Um relatório de avaliação de impacto compara duas barragens hidroelétricas recém-construídas:

  • Barragem A: Inunda um vale montanhoso e rochoso em clima temperado, onde previamente se cortou e retirou toda a biomassa arbórea. Temperatura média da água no fundo: $9\ ^\circ\text{C}$.

  • Barragem B: Inunda uma planície de selva tropical sem retirar a vegetação nem a densa camada de húmus do solo. Temperatura média da água no fundo: $26\ ^\circ\text{C}$.

Durante a sua primeira década de exploração, a Barragem B emite para a atmosfera mais gases com efeito de estufa por MWh produzido do que uma central térmica a gás natural.

  1. a) Justifica biogeoquimicamente por que razão no fundo da Barragem B se esgota o $\text{O}_2$ dissolvido e que consórcios microbianos atuam para que o carbono armazenado na biomassa vegetal seja libertado sob a forma de metano ($\text{CH}_4$) em vez de dióxido de carbono ($\text{CO}_2$).
  2. b) Sabendo que o potencial de aquecimento do $\text{CH}_4$ a 20 anos é cerca de 80 vezes maior do que o do $\text{CO}_2$, debate criticamente a afirmação habitual de que «a energia hidroelétrica é sempre uma fonte de energia limpa e neutra em carbono».
  3. c) Delineia duas medidas prévias ao enchimento e uma medida técnica de gestão na tomada de água das turbinas (cota de captação) para evitar que as águas anóxicas ricas em gases dissolvidos sejam descarregadas a jusante, desgaseificando subitamente.
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O ciclo da água

A água não pára de circular entre o oceano, a atmosfera, a terra e os seres vivos. A energia que o move vem do Sol.

Ciclo da água: evaporação e transpiração levam vapor de água para a atmosfera; a condensação forma nuvens; a precipitação devolve água ao solo e ao oceano; a infiltração e o escoamento levam-na de volta ao mar. Sol nuvem solo oceano plantas evaporação transpiração precipitação escoamento infiltração condensação

As fases principais são:

  • evaporação: a água líquida (sobretudo dos oceanos) passa a vapor por ação do calor do Sol; as plantas também a libertam pelas folhas, por transpiração;

  • condensação: o vapor arrefece em altitude e forma gotículas, que constituem as nuvens;

  • precipitação: chuva, neve ou granizo devolvem a água à superfície;

  • escoamento superficial e infiltração: parte da água corre pelos rios até ao mar, outra parte infiltra-se no solo e forma águas subterrâneas.

As plantas ligam o ciclo da água ao do carbono: absorvem água pelas raízes e usam-na na fotossíntese, e a maior parte volta ao ar por transpiração. Uma floresta densa liberta muito vapor de água (evapotranspiração), que ajuda a formar nuvens e chuva na região. Ao mesmo tempo, as raízes e o húmus seguram a água e reduzem o escoamento.

Pratica★★☆Por começar
Explica de que modo a desflorestação de uma bacia hidrográfica tropical altera simultaneamente o ciclo do carbono e o ciclo da água: o que sucede ao carbono armazenado…

Explica de que modo a desflorestação de uma bacia hidrográfica tropical altera simultaneamente o ciclo do carbono e o ciclo da água: o que sucede ao carbono armazenado na biomassa, à evapotranspiração, à precipitação da região e ao escoamento superficial.

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O ciclo do oxigénio

O oxigénio ($\mathrm{O_2}$) forma cerca de um quinto do ar. Os seres vivos aeróbios precisam dele para a respiração celular. A sua história ligada à vida é notável: foi libertado pelos primeiros organismos fotossintéticos e acumulou-se na atmosfera ao longo de milhões de anos.

O ciclo do oxigénio assenta nos dois processos que já conheces:

  • a fotossíntese liberta $\mathrm{O_2}$ (a partir da água) para o ar ou para a água;

  • a respiração (e também a combustão e a decomposição aeróbia) consome $\mathrm{O_2}$ e forma $\mathrm{CO_2}$ e água.

Por isso, o ciclo do oxigénio está ligado ao do carbono e ao da água, e as mesmas equações descrevem os três. Em meio aquático, o $\mathrm{O_2}$ dissolvido é limitado, e é isso que torna os peixes sensíveis à poluição, como vais ver já a seguir.

Ciclo do azoto

O ar tem cerca de $78\,\%$ de azoto ($\mathrm{N_2}$), mas as culturas amarelecem se o solo for pobre em nutrientes. Porque é que um elemento tão abundante não serve às plantas, e como é que mesmo assim entra nos seres vivos?

O azoto é indispensável para fabricar proteínas e ADN. O $\mathrm{N_2}$ é muito pouco reativo: os dois átomos estão ligados por uma ligação tripla muito forte, que a maioria dos seres vivos não consegue quebrar. As plantas só absorvem pelas raízes o azoto dissolvido na água do solo, sob a forma de amónio ($\mathrm{NH_4^+}$) ou de nitrato ($\mathrm{NO_3^-}$).

Ciclo do azoto: o N₂ do ar passa a amónio por fixação, a nitrato por nitrificação e a matéria orgânica por absorção; a matéria orgânica devolve amónio por amonificação e o nitrato regressa ao ar como N₂ por desnitrificação. N₂ (ar) amónio NH₄⁺ nitrato NO₃⁻ matéria orgânica fixação nitrificação absorção amonificação desnitrificação

Há três formas de «puxar» azoto do ar: os relâmpagos, a fixação industrial (que vês já a seguir) e, sobretudo, as bactérias fixadoras. Algumas vivem livres no solo e outras vivem em simbiose com plantas.

Pratica★☆☆Por começar
Refere as principais formas químicas que o azoto assume ao longo do seu ciclo ($\text{N}2$ atmosférico, amónio, nitrito, nitrato e matéria orgânica) e explica por que…

Refere as principais formas químicas que o azoto assume ao longo do seu ciclo ($\text{N}_2$ atmosférico, amónio, nitrito, nitrato e matéria orgânica) e explica por que razão a maioria das plantas não consegue utilizar diretamente o $\text{N}_2$ do ar.

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Pratica★☆☆Por começar
Descreve o papel das bactérias fixadoras de azoto e das bactérias nitrificantes, indicando que transformação química realiza cada grupo e por que razão são…

Descreve o papel das bactérias fixadoras de azoto e das bactérias nitrificantes, indicando que transformação química realiza cada grupo e por que razão são imprescindíveis para a nutrição das plantas.

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Pratica★★☆Por começar
Ordena as seguintes etapas do ciclo do azoto pela sequência em que ocorrem num ecossistema e descreve sumariamente em que consiste cada uma: nitrificação, fixação,…

Ordena as seguintes etapas do ciclo do azoto pela sequência em que ocorrem num ecossistema e descreve sumariamente em que consiste cada uma: nitrificação, fixação, desnitrificação e amonificação.

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O azoto na agricultura

As raízes das leguminosas (feijão, ervilha, fava, luzerna, tremoço) têm nódulos onde vivem bactérias do género Rhizobium. É uma simbiose: a planta fornece-lhes açúcares da fotossíntese e abrigo, e as bactérias fixam $\mathrm{N_2}$ e cedem-lhe amónio. Por isso, quando se alternam culturas e se inclui uma leguminosa na rotação de culturas, o solo fica mais rico em azoto de modo natural.

Os agricultores também aplicam adubos azotados. O fertilizante mineral de síntese é produzido industrialmente pelo processo Haber-Bosch, que quebra a ligação tripla do $\mathrm{N_2}$ a alta temperatura e pressão. Esse processo gasta muita energia, em geral proveniente de combustíveis fósseis, e tem por isso uma pegada de carbono elevada. Uma alternativa é a adubação verde: semear uma leguminosa (como a ervilhaca), triturá-la e enterrá-la, e complementar com estrume ou chorume compostado. Libertam azoto de forma mais lenta, pela decomposição, e poupam energia fóssil. Mas, se o azoto for aplicado em excesso ou antes de chuvas fortes, o nitrato é arrastado para as águas e há risco de eutrofização.

As zonas húmidas (sapais, charcos, pântanos) funcionam como filtros naturais. Nos sedimentos sem oxigénio, as bactérias desnitrificantes transformam o nitrato em $\mathrm{N_2}$, que volta ao ar, e a matéria orgânica fica acumulada nos sedimentos, retendo carbono. Se a desnitrificação for completa, liberta-se $\mathrm{N_2}$, um gás inofensivo; se for incompleta, pode formar-se óxido nitroso ($\mathrm{N_2O}$), um gás com forte efeito de estufa.

Pratica★★☆Por começar
As raízes das leguminosas albergam nódulos com bactérias do género Rhizobium. Explica o que trocam a planta e a bactéria nessa simbiose, que processo do ciclo do azoto…

As raízes das leguminosas albergam nódulos com bactérias do género Rhizobium. Explica o que trocam a planta e a bactéria nessa simbiose, que processo do ciclo do azoto realiza a bactéria e que vantagem agrícola resulta de incluir leguminosas na rotação de culturas.

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Pratica★★★Por começar
Uma exploração agrícola de milho requer a aplicação de $180\text{ kg N/ha}$. O agrónomo hesita entre duas opções de gestão: Opção 1: Aplicar fertilizante mineral…

Uma exploração agrícola de milho requer a aplicação de $180\text{ kg N/ha}$. O agrónomo hesita entre duas opções de gestão:

  • Opção 1: Aplicar fertilizante mineral sintético (ureia/nitrato de amónio) produzido industrialmente através do processo Haber-Bosch.

  • Opção 2: Semear uma cultura de cobertura de ervilhaca (Vicia sativa, leguminosa) no outono-inverno, triturá-la como adubo verde na primavera e complementar com chorume de suíno compostado.

  1. a) Compara ambas as opções do ponto de vista do gasto energético e da pegada de carbono: justifica como se quebra quimicamente a ligação $\text{N}\equiv\text{N}$ na indústria em comparação com a forma como a nitrogenase simbiótica o faz nos nódulos radiculares.
  2. b) Após uma tempestade primaveril, nos poços próximos de parcelas tratadas exclusivamente com a Opção 1 registam-se concentrações de nitratos de $95\text{ mg/L}$ (o limiar de segurança é de $50\text{ mg/L}$) e picos de emissão de óxido nitroso ($\text{N}_2\text{O}$) para a atmosfera. Explica que transformações microbianas do ciclo do azoto originam ambos os problemas a partir do fertilizante excedentário.
  3. c) Delineia uma estratégia combinada que aproveite a disponibilidade imediata do adubo mineral e a sustentabilidade do adubo biológico, minimizando a lixiviação e as perdas gasosas.
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Ciclo do fósforo

O fósforo faz parte do ADN, do ATP (a molécula que armazena energia nas células), das membranas, dos ossos e dos dentes. Mas o seu ciclo é muito diferente do do carbono e do azoto.

O fósforo existe em rochas fosfatadas, que se desgastam muito devagar pela erosão, e liberta-se assim para o solo e para a água. As plantas absorvem-no pelas raízes, passa aos consumidores, volta ao solo por decomposição e é arrastado pelos rios até ao mar, onde se acumula nos sedimentos. Só ao fim de milhões de anos, com movimentos da crosta terrestre, esses sedimentos podem voltar a formar rochas em terra.

Ciclo sedimentar do fósforo: a rocha fosfatada liberta fósforo muito lentamente por erosão para o solo, e daí passa para rios e mar, sem passar pela atmosfera. rocha fosfatada erosão muito lenta solo rios e mar sem passagem pela atmosfera

Quando se acrescenta fósforo por adubação durante décadas, uma parte fica fixada em compostos pouco solúveis no solo (o solo acumula fósforo, mas as plantas não conseguem absorver tudo) e outra parte é arrastada pela chuva para os rios e lagoas, onde provoca eutrofização. Além disso, as reservas de rocha fosfatada usadas para fazer adubos são finitas, o que levanta um problema de sustentabilidade.

Pratica★★☆Por começar
O fósforo é frequentemente o nutriente limitante nos ecossistemas continentais. Explica o que significa um nutriente ser «limitante», por que razão o ciclo do fósforo é…

O fósforo é frequentemente o nutriente limitante nos ecossistemas continentais. Explica o que significa um nutriente ser «limitante», por que razão o ciclo do fósforo é tão lento e que consequência advém de não possuir fase gasosa.

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Pratica★★★Por começar
Ao contrário do carbono e do azoto, o ciclo do fósforo é predominantemente sedimentar. Numa região agrícola constata-se um paradoxo: as análises do solo mostram uma…

Ao contrário do carbono e do azoto, o ciclo do fósforo é predominantemente sedimentar. Numa região agrícola constata-se um paradoxo: as análises do solo mostram uma elevada acumulação de fósforo total após décadas de adubação fosfatada, mas as culturas apresentam sintomas de clorose e défice de fósforo a menos que se continuem a adicionar fertilizantes minerais, ao mesmo tempo que as águas superficiais adjacentes sofrem eutrofização.

  1. a) Justifica por que razão a inexistência de uma fase gasosa significativa condiciona a taxa natural de reciclagem do fósforo para os continentes e explica que processos biológicos e geológicos permitem o seu retorno a terra firme à escala macroscópica.
  2. b) Explica o processo de fixação ou insolubilização do fósforo no solo: fundamenta como o pH (solos muito ácidos ou fortemente calcários) influencia a formação de sais insolúveis com ferro, alumínio ou cálcio, fazendo com que o fósforo não seja assimilável pelas raízes.
  3. c) Perante o esgotamento previsto das minas de apatite («pico do fósforo»), desenha duas medidas de economia circular para uma exploração agropecuária orientadas para mobilizar o fósforo já retido nos seus solos e para o recuperar dos efluentes residuais sem depender de fertilizantes de síntese.
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Eutrofização: quando os ciclos se desequilibram

Depois de adubarem os campos à volta, uma lagoa de águas límpidas cobre-se em poucos dias de uma camada verde e opaca. Pouco depois aparecem peixes mortos à margem. Como é que um excesso de nutrientes, que faz crescer os produtores, pode acabar por matar a fauna?

Sequência da eutrofização: o excesso de azoto e fósforo faz proliferar algas; quando as algas morrem e se afundam, os decompositores gastam o oxigénio da água e os peixes morrem. Excesso de azoto e fósforo Proliferação de algas As algas morrem e afundam-se Decompositores gastam o O₂ hipoxia → peixes morrem

Para prevenir a eutrofização, reduz-se a quantidade de adubo, trata-se o esgoto antes de o lançar nos rios e criam-se faixas de vegetação e zonas húmidas artificiais que retêm nutrientes: nos sedimentos sem oxigénio, a desnitrificação converte nitratos em $\mathrm{N_2}$, e o fósforo fica retido nos sedimentos.

Pratica★★★Por começar
Uma equipa de controlo ambiental monitoriza uma lagoa costeira após uma descarga de escorrência agrícola e regista os seguintes dados: Dia 5: Concentração de fósforo…

Uma equipa de controlo ambiental monitoriza uma lagoa costeira após uma descarga de escorrência agrícola e regista os seguintes dados:

  • Dia 5: Concentração de fósforo reativo à superfície de $0,8\text{ mg/L}$ e clorofila $a$ de $65\ \mu\text{g/L}$; saturação de $\text{O}_2$ dissolvido de $145\,\%$ ao meio-dia nos primeiros $40\text{ cm}$ de profundidade.

  • Dia 20: Saturação de $\text{O}_2$ superficial de $35\,\%$ ao amanhecer; turvação extrema ($40\text{ NTU}$); $\text{O}_2$ dissolvido no fundo ($3\text{ m}$) a $0,3\text{ mg/L}$, com libertação de sulfureto de hidrogénio ($\text{H}_2\text{S}$) e mortalidade de fauna bentónica.

Um técnico municipal afirma: «É impossível que os peixes morram por asfixia se as algas produzem oxigénio de sobra por fotossíntese; a causa deve ser uma toxicidade química direta do nitrato».

  1. a) Contesta a afirmação do técnico através de argumentos biogeoquímicos: justifica por que razão uma proliferação autótrofa maciça resulta necessariamente em anóxia hipolimnética e noturna.
  2. b) Explica que grupo trófico prolifera a partir do dia 15 e que vias do metabolismo anaeróbio explicam a presença de $\text{H}_2\text{S}$ no fundo.
  3. c) Prevê que consequências ecológicas imediatas teria sobre o ciclo da matéria tratar a lagoa com um algicida químico para erradicar o fitoplâncton.
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Pratica★★★Por começar
Um consórcio agrícola descarrega as suas águas de escoamento carregadas de nitratos ($80\text{ mg/L}$) e fósforo solúvel através de uma zona húmida artificial antes de…

Um consórcio agrícola descarrega as suas águas de escoamento carregadas de nitratos ($80\text{ mg/L}$) e fósforo solúvel através de uma zona húmida artificial antes de chegarem a uma lagoa costeira protegida. À saída da zona húmida, as análises indicam:

  • Concentração de nitratos reduzida a $9\text{ mg/L}$.

  • Libertação contínua de azoto diatómico ($\text{N}_2$) para a atmosfera com emissão quase nula de $\text{N}_2\text{O}$.

  • Acumulação líquida de carbono no sedimento à razão de $400\text{ g C/m}^2\cdot\text{ano}$.

  1. a) Analisa a microzonação biogeoquímica da zona húmida: justifica como interagem espacialmente a rizosfera oxidada dos macrófitos aquáticos e a vasa anóxica subjacente para completar com sucesso a nitrificação e a desnitrificação consecutivas.
  2. b) Explica o mecanismo pelo qual as zonas húmidas retêm e acumulam carbono durante milénios a taxas superiores às de muitas florestas maduras, relacionando a saturação hídrica com a baixa atividade das enzimas hidrolíticas bacterianas e fúngicas.
  3. c) Prevê e argumenta as consequências biogeoquímicas sobre os ciclos do azoto e do carbono se esta zona húmida fosse drenada artificialmente para ser convertida em solo urbanizável.
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Ciclo do enxofre e chuva ácida

O enxofre faz parte de alguns aminoácidos. As plantas absorvem sulfato do solo, passa aos consumidores e a decomposição devolve-o ao meio. Tem grandes reservatórios nas rochas e uma fase gasosa: os vulcões e a queima de carvão e petróleo libertam dióxido de enxofre ($\mathrm{SO_2}$), e em meios sem oxigénio forma-se $\mathrm{H_2S}$.

O $\mathrm{SO_2}$ (e os óxidos de azoto dos escapes) reage com a água da atmosfera e forma ácidos. A chuva fica mais ácida do que o normal (pH inferior a cerca de $5{,}6$): é a chuva ácida. Como é um gás, pode ser transportado pelo vento a centenas de quilómetros e cair longe da central que o emitiu.

Os efeitos dependem da rocha da bacia. Em terrenos de granito, pobres em carbonatos, nada neutraliza o ácido: o pH da água desce e o solo liberta iões de alumínio ($\mathrm{Al^{3+}}$), que são tóxicos para os peixes e anfíbios. Em terrenos calcários, o carbonato de cálcio reage com os iões $\mathrm{H^+}$ e neutraliza o ácido (efeito tampão), pelo que o pH quase não baixa e o alumínio não se solta.

Pratica★★★Por começar
Dois lagos de alta montanha, situados à mesma distância de um complexo industrial com centrais térmicas a carvão, recebem precipitações contínuas com um pH médio de…

Dois lagos de alta montanha, situados à mesma distância de um complexo industrial com centrais térmicas a carvão, recebem precipitações contínuas com um pH médio de $4,1$. A monitorização biológica e química revela dados muito díspares:

  • Lago A (assente sobre bacia granítica): Perdeu as suas populações de salmonídeos e anfíbios; nas suas águas deteta-se uma concentração de $\text{Al}^{3+}$ dissolvido de $0,35\text{ mg/L}$.

  • Lago B (assente sobre bacia calcária): Mantém intacta a sua riqueza aquícola e não apresenta alumínio dissolvido detetável.

  1. a) Justifica à escala litológica e química por que razão um mesmo fluxo de chuva ácida gera um colapso biológico no lago A, mas resulta inócuo no lago B.
  2. b) Explica o mecanismo biogeoquímico pelo qual a acidificação do solo circundante mobiliza iões tóxicos como o $\text{Al}^{3+}$ e lixivia nutrientes essenciais ($\text{Ca}^{2+}$, $\text{Mg}^{2+}$), e prevê o impacto deste fenómeno sobre a floresta da bacia A.
  3. c) Para restaurar o lago A, uma associação propõe adicionar periodicamente grandes volumes de cal apagada ou carbonato de cálcio diretamente à água. Argumenta as limitações e possíveis efeitos prejudiciais desta medida face à redução das emissões de $\text{SO}_2$ na origem.
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Volta ao princípio: o carbono que expiras pode ter pertencido a um dinossauro porque, quando o réptil morreu e se decompôs, o seu carbono voltou à atmosfera como $\mathrm{CO_2}$ (ou ficou preso em sedimentos). Milhões de anos depois, uma planta fixou-o por fotossíntese e chegou a ti através da cadeia alimentar.

Em resumo

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