Fluxo de energia, cadeias e teias alimentares
Na Amazônia, uma onça-pintada precisa de uma área enorme para viver, enquanto milhares de formigas cabem em um único tronco. Por que existem tão poucos predadores de topo e tanta vida na base da cadeia? A resposta está em como a energia circula nos ecossistemas, e você vai voltar a essa pergunta no fim da página.
Quem come quem: cadeias alimentares e níveis tróficos
Toda cadeia alimentar começa com um ser vivo capaz de produzir o próprio alimento e termina em quem não é comido por mais ninguém. Cada "degrau" é um nível trófico.
A seta não significa "come": ela aponta no sentido em que a energia e a matéria seguem, do alimento para quem o consome. Os decompositores atuam em todos os níveis, devolvendo ao ambiente os nutrientes de restos e cadáveres, o que permite que a matéria seja reciclada.
Considere a cadeia alimentar: capim → gafanhoto → sapo → cobra. Identifique o produtor e os consumidores primário, secundário e terciário dessa cadeia, indicando o nível…
Considere a cadeia alimentar: capim → gafanhoto → sapo → cobra. Identifique o produtor e os consumidores primário, secundário e terciário dessa cadeia, indicando o nível trófico de cada organismo.
Explique, com suas palavras, qual é o papel dos decompositores (fungos e bactérias) em um ecossistema e por que eles são importantes para a reciclagem da matéria.
Explique, com suas palavras, qual é o papel dos decompositores (fungos e bactérias) em um ecossistema e por que eles são importantes para a reciclagem da matéria.
Teias alimentares
Na natureza, quase nenhum animal come uma única coisa. As várias cadeias de um ambiente se cruzam e formam uma teia alimentar. Em uma teia, o mesmo organismo pode ocupar níveis tróficos diferentes, conforme o que ele está comendo.
No exemplo, o gavião é consumidor secundário quando come o preá (capim → preá → gavião) e consumidor quaternário quando come a cobra (capim → gafanhoto → sapo → cobra → gavião).
Observe a teia alimentar de um campo no Pampa: o capim é consumido por gafanhotos e por preás; os gafanhotos são consumidos por sapos e por seriemas; os preás são…
Observe a teia alimentar de um campo no Pampa: o capim é consumido por gafanhotos e por preás; os gafanhotos são consumidos por sapos e por seriemas; os preás são consumidos por gaviões; os sapos são consumidos por cobras; as cobras são consumidas por gaviões e seriemas. Indique duas cadeias alimentares diferentes contidas nessa teia e diga em quais delas o gavião ocupa níveis tróficos diferentes.
A energia que se perde: regra dos 10% e pirâmides
A energia do Sol entra nos ecossistemas pela fotossíntese. Mas, a cada passagem de um nível trófico para outro, só uma pequena parte chega ao próximo nível. Boa parte é usada na respiração celular (para viver, se mover e manter a temperatura), sai como calor, ou ainda está em partes não ingeridas e em excretas.
Por isso o fluxo de energia é unidirecional: ele entra como luz, passa pelos níveis e sai como calor, sem retornar. A matéria, ao contrário, é reciclada pelos decompositores.
Desenhando cada nível com largura em degraus decrescentes (sem escala exata), obtemos a pirâmide de energia.
A pirâmide de energia nunca é invertida, porque a energia sempre diminui de um nível para o seguinte. É também por isso que as cadeias têm poucos níveis (em geral 4 ou 5): no topo, a energia que sobra não sustenta mais um degrau.
Existem outras pirâmides. A pirâmide de biomassa mostra a massa de seres vivos em cada nível, e a pirâmide de números mostra quantos indivíduos há em cada um. Estas duas podem aparecer invertidas: uma única árvore enorme sustenta milhares de insetos herbívoros, então a base da pirâmide de números é estreita. Mesmo assim, a pirâmide de energia do ambiente continua com a base larga, pois a árvore armazena e fixa muita energia e os insetos usam só uma fração dela.
Em uma pirâmide de energia, a base representa os produtores e os degraus seguintes representam os consumidores. Explique por que a pirâmide de energia tem sempre o…
Em uma pirâmide de energia, a base representa os produtores e os degraus seguintes representam os consumidores. Explique por que a pirâmide de energia tem sempre o formato de triângulo, com a base mais larga que o topo.
Em uma lagoa, os produtores fixam $10.000$ kcal de energia por metro quadrado ao ano. Considere que, em cada passagem de um nível trófico para o seguinte, apenas $10\%$…
Em uma lagoa, os produtores fixam $10.000$ kcal de energia por metro quadrado ao ano. Considere que, em cada passagem de um nível trófico para o seguinte, apenas $10\%$ da energia é transferida. Calcule quanta energia chega aos consumidores secundários (terceiro nível trófico) e explique para onde vai a energia que não é transferida.
Uma pirâmide de números de uma floresta mostra uma única árvore grande sustentando milhares de insetos herbívoros, que por sua vez alimentam centenas de aves. Explique…
Uma pirâmide de números de uma floresta mostra uma única árvore grande sustentando milhares de insetos herbívoros, que por sua vez alimentam centenas de aves. Explique por que essa pirâmide de números aparece invertida na base, enquanto a pirâmide de energia do mesmo ambiente continua com a base larga.
Consequências do fluxo de energia
Biomagnificação
Alguns poluentes, como metais pesados (mercúrio) e certos pesticidas, não são degradados nem eliminados pelo organismo. Eles se acumulam nos tecidos. Como um peixe grande come muitos peixes pequenos, que comeram muitas algas, o poluente se concentra a cada nível. Esse aumento de concentração ao longo da cadeia é a biomagnificação (ou magnificação trófica).
A ligação com a energia é direta: para ganhar $1$ kg de massa, um consumidor precisa ingerir muito mais que $1$ kg de alimento, já que boa parte vira calor. A energia é "perdida", mas o poluente, que não é gasto na respiração, fica. Quem está no topo ingeriu o poluente de milhares de organismos da base.
Para uma comunidade ribeirinha que come esses peixes, o risco à saúde é maior: o mercúrio, por exemplo, afeta o sistema nervoso. Por isso, monitorar a qualidade da água e orientar o consumo de peixes de topo de cadeia são medidas de saúde pública.
Escolhas alimentares
Se cada nível perde cerca de $90\%$ da energia, comer mais perto da base da cadeia aproveita melhor a energia fixada pelas plantas. Um cereal ou uma leguminosa (arroz, feijão) é consumo no nível de produtor. A carne bovina exige que o boi (consumidor primário) coma muito capim ou ração, de modo que, para a mesma energia, a produção de carne em geral ocupa mais área cultivada.
Em um rio, um poluente não degradável (um metal pesado) é absorvido por algas, que são comidas por pequenos peixes, que são comidos por peixes maiores, que são…
Em um rio, um poluente não degradável (um metal pesado) é absorvido por algas, que são comidas por pequenos peixes, que são comidos por peixes maiores, que são consumidos por uma comunidade ribeirinha. Explique o fenômeno da biomagnificação e justifique, usando o conceito de fluxo de energia, por que a concentração do poluente é maior nos peixes maiores do que nas algas. Discuta também o que isso implica para a saúde da população que consome esses peixes.
Uma pesquisadora compara duas dietas humanas: uma baseada principalmente em carne bovina e outra baseada principalmente em cereais e leguminosas. Considerando a perda de…
Uma pesquisadora compara duas dietas humanas: uma baseada principalmente em carne bovina e outra baseada principalmente em cereais e leguminosas. Considerando a perda de energia entre os níveis tróficos, argumente qual dieta exige menos área cultivada para alimentar o mesmo número de pessoas. Em seguida, aponte uma limitação desse raciocínio, considerando, por exemplo, os tipos de terra usados na pecuária e na agricultura.
De volta ao início: a onça-pintada e os outros predadores de topo são poucos porque, a cada degrau, só cerca de $10\%$ da energia continua disponível. A base, com produtores e herbívoros, tem muito mais energia e, por isso, muito mais indivíduos.
Resumo
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Cadeia alimentar: sequência produtor → consumidores; as setas indicam o sentido da energia. Decompositores atuam em todos os níveis e reciclam a matéria.
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Teia alimentar: várias cadeias interligadas; um mesmo organismo pode ocupar níveis tróficos diferentes.
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Regra dos 10%: só cerca de $10\%$ da energia passa de um nível para o seguinte; o resto vira calor, restos e excretas.
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Fluxo de energia: unidirecional (Sol → seres vivos → calor); a matéria circula, a energia não.
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Pirâmides: a de energia nunca é invertida; as de números e de biomassa podem ser.
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Biomagnificação: poluentes não degradáveis se concentram ao longo da cadeia; o risco é maior no topo, inclusive para o ser humano.