Vírus, viroides e príons
Um vírus não respira, não se alimenta, não cresce e não se divide sozinho. Mesmo assim, ele consegue sequestrar a maquinaria de uma célula para fabricar milhares de cópias de si mesmo em poucas horas. Vírus, viroides e príons vivem na fronteira entre o vivo e o não vivo, e é essa fronteira que torna tão difícil combatê-los. Ao longo da página, você vai ver por que a campanha de vacinação do SUS funciona e por que um antibiótico não adianta nada contra uma gripe.
Os vírus estão vivos? Estrutura básica
Em 1892, o cientista russo Ivanovski filtrou o extrato de folhas de tabaco doentes em filtros de porcelana capazes de reter qualquer bactéria conhecida. O líquido filtrado continuava transmitindo a doença a plantas sadias. Que agente, invisível ao microscópio óptico e menor que uma célula, estava agindo?
Genoma de DNA ou de RNA
Os vírus podem ter DNA ou RNA, de fita simples ou dupla. Essa escolha tem consequências práticas.
Retrovírus: o caso do HIV
Os retrovírus têm genoma de RNA, mas fazem um caminho "ao contrário". Eles carregam a enzima transcriptase reversa, que copia o RNA viral em DNA. Esse DNA entra no núcleo e se integra ao cromossomo da célula hospedeira (como um provírus), e a célula passa a produzir novos vírus. O HIV é o exemplo mais conhecido.
Especificidade do hospedeiro
Apresente três razões pelas quais os vírus não são considerados seres vivos de acordo com os critérios clássicos (organização celular, metabolismo e reprodução) e uma…
Apresente três razões pelas quais os vírus não são considerados seres vivos de acordo com os critérios clássicos (organização celular, metabolismo e reprodução) e uma razão pela qual o debate continua em aberto.
Descreva a estrutura básica de um vírus (genoma, capsídeo e, em alguns casos, envelope) e explique a diferença entre um vírus nu e um vírus envelopado, indicando um…
Descreva a estrutura básica de um vírus (genoma, capsídeo e, em alguns casos, envelope) e explique a diferença entre um vírus nu e um vírus envelopado, indicando um exemplo de cada tipo.
Distinga os vírus com genoma de DNA dos de RNA, e apresente um exemplo de doença causada por cada tipo (herpes ou varíola versus gripe, sarampo ou COVID-19), referindo…
Distinga os vírus com genoma de DNA dos de RNA, e apresente um exemplo de doença causada por cada tipo (herpes ou varíola versus gripe, sarampo ou COVID-19), referindo as implicações para a sua variabilidade genética.
Explique o que é a especificidade do hospedeiro de um vírus (por que razão o vírus do mosaico do tabaco não nos infecta?) e que barreiras um vírus deve ultrapassar para…
Explique o que é a especificidade do hospedeiro de um vírus (por que razão o vírus do mosaico do tabaco não nos infecta?) e que barreiras um vírus deve ultrapassar para infectar uma espécie diferente (receptores, maquinaria celular).
Observe a estrutura do vírus da imagem. a) Explique a função das estruturas 1, 2 e 4 durante a infecção de uma célula. b) Justifique por que a estrutura 3 torna este…
Observe a estrutura do vírus da imagem. a) Explique a função das estruturas 1, 2 e 4 durante a infecção de uma célula. b) Justifique por que a estrutura 3 torna este tipo de vírus especialmente sensível ao sabão e às soluções alcoólicas. c) É possível saber apenas pela imagem se o seu genoma é DNA ou RNA? Justifique a sua resposta.

O ciclo do bacteriófago e dos vírus em geral
Ciclos virais em células animais
Em células animais, o roteiro é o mesmo, com alguns detalhes próprios. O vírus se liga a um receptor da célula (adsorção) e entra por fusão do envelope com a membrana ou por endocitose. Dentro da célula, o genoma é copiado e as proteínas virais são produzidas pelos ribossomos. Os vírus nus costumam sair por lise, e os envelopados saem por brotamento, levando um pedaço de membrana. Há também infecções latentes, como o herpes, que fica "adormecido" nos neurônios e reativa quando a pessoa está debilitada. É o paralelo do profago.
Explique o que é um bacteriófago, descreva a sua estrutura (cabeça contendo o genoma, cauda e fibras de fixação) e indique qual é a sua «presa» e por que razão cada fago…
Explique o que é um bacteriófago, descreva a sua estrutura (cabeça contendo o genoma, cauda e fibras de fixação) e indique qual é a sua «presa» e por que razão cada fago infecta apenas determinadas bactérias.
Descreva o ciclo lítico e o ciclo lisogênico de um bacteriófago, indicando em que diferem e que consequência tem para a bactéria a entrada do fago em estado de latência.
Descreva o ciclo lítico e o ciclo lisogênico de um bacteriófago, indicando em que diferem e que consequência tem para a bactéria a entrada do fago em estado de latência.
Ordene e descreva as fases do ciclo de replicação de um vírus (adsorção, penetração, replicação e síntese, montagem, liberação), e indique em que etapas podem atuar os…
Ordene e descreva as fases do ciclo de replicação de um vírus (adsorção, penetração, replicação e síntese, montagem, liberação), e indique em que etapas podem atuar os fármacos antivirais (bloqueio da entrada, inibição da polimerase ou da protease).
O HIV infecta os linfócitos T CD4. Explique por que razão a destruição dessas células desorganiza todo o sistema imunológico, o que é a aids (a fase terminal sem…
O HIV infecta os linfócitos T CD4. Explique por que razão a destruição dessas células desorganiza todo o sistema imunológico, o que é a aids (a fase terminal sem tratamento) e por que motivo os antirretrovirais transformam a infecção em uma doença crônica controlada, mas não a curam (reservatórios de vírus latente).
Em um laboratório analisam-se dois vírus emergentes que infectam linfócitos humanos: o vírus Alpha (com genoma de DNA de fita dupla de $150\text{ kb}$) e o vírus Beta…
Em um laboratório analisam-se dois vírus emergentes que infectam linfócitos humanos: o vírus Alpha (com genoma de DNA de fita dupla de $150\text{ kb}$) e o vírus Beta (com genoma de RNA de fita simples de $15\text{ kb}$). Isolam-se partículas virais de pacientes após seis meses de infecção:
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No Alpha, a sequência do gene da glicoproteína de adesão apresenta uma divergência média de $0,001\,\%$ em relação à linhagem inoculada.
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No Beta, a divergência na proteína homóloga é de $4,2\,\%$, encontrando-se uma ampla nuvem de variantes em um mesmo hospedeiro.
- a) Justifique em nível molecular e enzimático a causa dessa enorme disparidade nas taxas de mutação observadas entre os dois vírus.
- b) Para combater ambos os agentes patogênicos, testa-se uma vacina de subunidades proteicas baseada em uma única variante da proteína de adesão e um fármaco inibidor dessa proteína. Preveja, de forma fundamentada, o prognóstico de eficácia a médio prazo dessas estratégias no Alpha e no Beta.
- c) Que alvo viral ou estratégia farmacológica você proporia para o vírus Beta com o objetivo de reduzir a probabilidade de ele desenvolver variantes resistentes?
Viroides e príons: além dos vírus
Nas décadas de 1960 a 1980 foram descobertos agentes infecciosos ainda mais simples que os vírus: batatas deformadas por moléculas sem capa de proteína e doenças cerebrais fatais transmitidas por preparados que resistiam à radiação ultravioleta. Podem existir patógenos mais elementares que um vírus?
O que são os viroides e o que são os príons? Indique que organismos os primeiros infectam e cite uma doença humana ou animal provocada por príons.
O que são os viroides e o que são os príons? Indique que organismos os primeiros infectam e cite uma doença humana ou animal provocada por príons.
Uma equipe de pesquisa tenta determinar a natureza do agente infeccioso causador de uma nova encefalopatia espongiforme. Para isso, submete amostras de tecido cerebral…
Uma equipe de pesquisa tenta determinar a natureza do agente infeccioso causador de uma nova encefalopatia espongiforme. Para isso, submete amostras de tecido cerebral infeccioso a diferentes tratamentos antes de inoculá-las em camundongos de laboratório saudáveis:
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Tratamento 1: Digestão exaustiva com DNAses e RNAses $\rightarrow$ $100\,\%$ dos camundongos adoece.
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Tratamento 2: Irradiação ultravioleta com doses letais para ácidos nucleicos $\rightarrow$ $100\,\%$ dos camundongos adoece.
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Tratamento 3: Autoclave a $121\text{ }^\circ\text{C}$ durante $20\text{ minutos}$ $\rightarrow$ $100\,\%$ dos camundongos adoece.
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Tratamento 4: Fervura prolongada em hidróxido de sódio ($1\text{ M}$) ou digestão com proteases enérgicas $\rightarrow$ Nenhum camundongo adoece.
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Tratamento 5: Inocula-se a amostra infecciosa intacta em camundongos Knock-Out nos quais foi suprimido o gene $PRNP$ (não expressam a proteína celular normal $\text{PrP}^\text{C}$) $\rightarrow$ Nenhum camundongo desenvolve a doença nem multiplica o agente patogênico.
- a) Interprete os resultados dos tratamentos 1, 2 e 4: deduza a natureza bioquímica do agente patogênico e justifique por que sua descoberta representou uma aparente violação do dogma central da biologia molecular.
- b) Explique no nível estrutural (conformação secundária e agregação) por que o tratamento 3 falhou, mas o tratamento 4 conseguiu neutralizar a infecciosidade.
- c) Deduza a partir do tratamento 5 o mecanismo pelo qual este patógeno consegue «replicar-se» em um hospedeiro saudável e explique por que os camundongos sem o gene $PRNP$ se mostram imunes.
O viroide do tubérculo fusiforme da batata (PSTVd) é constituído por uma única molécula circular de RNA monocatenar de 359 nucleotídeos. A análise da sua sequência…
O viroide do tubérculo fusiforme da batata (PSTVd) é constituído por uma única molécula circular de RNA monocatenar de 359 nucleotídeos. A análise da sua sequência revela que carece totalmente de códons de iniciação AUG e de qualquer fase de leitura aberta (ORF), de modo que não sintetiza nenhuma proteína.
- a) Ao incubar o PSTVd com ribossomos e fatores de tradução em um tubo de ensaio, não se sintetiza nenhum peptídeo. No entanto, ao inoculá-lo em núcleos de células de batateira, o viroide se replica profusamente. Justifique como um ácido nucleico não codificante consegue se multiplicar dentro da célula vegetal e deduza qual enzima nuclear da planta é sequestrada para essa finalidade.
- b) Se o viroide não produz toxinas nem proteínas do capsídeo, como ele causa necrose e malformações graves na planta? Explique o mecanismo patogênico em nível molecular, baseando-se no processamento celular do RNA exógeno por enzimas do tipo Dicer e na via do RNA de interferência (siRNA).
- c) Certos viroides apresentam domínios com atividade de ribozima, capazes de catalisar o seu próprio corte e ligação durante a replicação. Justifique por que os viroides são considerados candidatos a «fósseis moleculares» das etapas iniciais da origem da vida celular.
Variabilidade, transmissão e epidemiologia
Vias de transmissão
Arboviroses e o Aedes aegypti
As arboviroses são doenças virais transmitidas por artrópodes. No Brasil, as mais conhecidas são dengue, zika, chikungunya e febre amarela, e o mosquito Aedes aegypti transmite as três primeiras (a febre amarela urbana também; na silvestre, atuam mosquitos de outros gêneros). O mosquito se reproduz em água parada limpa (pneus, vasos de planta, caixas-d'água destampadas). Por isso o combate à dengue se baseia em eliminar criadouros, e o Dia D de mobilização nas escolas e bairros é parte da prevenção. A vacinação existe para febre amarela e, mais recentemente, para dengue.
Variabilidade: deriva e salto antigênico
Zoonoses e saúde única
HPV e câncer
Alguns vírus aumentam o risco de câncer. O HPV produz proteínas que desligam freios do ciclo celular (como a proteína p53), e a célula passa a se dividir sem controle. Isso leva anos para se manifestar, porque outras alterações precisam se acumular. Como a vacina previne a infecção que leva ao câncer do colo do útero, ela é na prática uma "vacina contra o câncer". O SUS vacina meninas e meninos, de preferência antes do início da vida sexual.
Nomeie três vias de transmissão de vírus (respiratória, fecal-oral, sexual ou sanguínea, por vetores como mosquitos) com um exemplo de doença para cada uma, e indique…
Nomeie três vias de transmissão de vírus (respiratória, fecal-oral, sexual ou sanguínea, por vetores como mosquitos) com um exemplo de doença para cada uma, e indique uma medida de prevenção específica para cada via.
A abordagem «saúde única» (one health) compreende a saúde humana, a dos animais e a do ambiente como um único sistema interligado. Explique-a com base nas zoonoses…
A abordagem «saúde única» (one health) compreende a saúde humana, a dos animais e a do ambiente como um único sistema interligado. Explique-a com base nas zoonoses virais: apresente dois exemplos (raiva, gripe aviária ou COVID-19) e justifique como o desmatamento, a pecuária intensiva e o comércio de espécies selvagens facilitam a transmissão de um vírus de uma espécie animal para o ser humano.
O vírus da gripe sofre alterações por meio de dois processos. Diferencie a deriva antigênica (mutações pontuais anuais) da variação ou salto antigênico (recombinação…
O vírus da gripe sofre alterações por meio de dois processos. Diferencie a deriva antigênica (mutações pontuais anuais) da variação ou salto antigênico (recombinação entre vírus, na origem das pandemias), e justifique por que a gripe aviária e a gripe suína são monitoradas como potenciais fontes de novos vírus pandêmicos.
O vírus do papiloma humano (HPV) pode provocar câncer do colo do útero e outros tumores. Explique como um vírus pode potencializar o surgimento de câncer (alteração do…
O vírus do papiloma humano (HPV) pode provocar câncer do colo do útero e outros tumores. Explique como um vírus pode potencializar o surgimento de câncer (alteração do controle do ciclo celular pelas suas proteínas), por que razão demora anos para se manifestar e por que motivo a vacinação de adolescentes — meninos e meninas — atua como uma vacina contra o câncer.
Em uma região de floresta tropical, derrubam-se $60.000\text{ hectares}$ de floresta primária para implantar monoculturas e criações intensivas de suínos. Dois anos…
Em uma região de floresta tropical, derrubam-se $60.000\text{ hectares}$ de floresta primária para implantar monoculturas e criações intensivas de suínos. Dois anos depois, registra-se um surto de síndrome respiratória aguda e encefalite em trabalhadores das propriedades, causado por um novo vírus de RNA aparentado com patógenos de morcegos.
- a) Formule uma hipótese ecológica que descreva a cadeia de transmissão do salto zoonótico (spillover), explicando o papel da perturbação do ecossistema, o morcego como reservatório silvestre e o gado suíno como hospedeiro amplificador.
- b) A amostragem biológica revela que, nos fragmentos de floresta degradada, a riqueza de espécies de morcegos diminuiu $65\,\%$, mas a densidade de uma espécie oportunista reservatório do vírus triplicou. Relacione esse padrão com o conceito ecológico de «efeito de diluição» e argumente por que a perda de biodiversidade aumenta o risco de zoonoses.
- c) A partir da abordagem multidisciplinar One Health («Saúde Única»), elabore duas medidas de prevenção aplicáveis ao meio ambiente ou ao manejo agropecuário que evitem futuros eventos de emergência viral na região.
Vacinas: treinando o sistema imunológico
Em 1796, Edward Jenner notou que as ordenhadoras que pegavam a varíola bovina, doença leve nas mãos, ficavam protegidas das epidemias de varíola humana, que matava muita gente. Como o contato com uma versão inofensiva pode preparar o corpo para uma infecção real?
Vacinação como política pública
No Brasil, a vacinação é organizada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), do SUS, que define o Calendário Nacional de Vacinação e promove campanhas, como as do Zé Gotinha. As vacinas são produzidas e desenvolvidas em instituições públicas, como o Instituto Butantan e a Fiocruz. Quando a cobertura vacinal (porcentagem da população vacinada) é alta, a circulação do vírus cai e até quem não pode se vacinar fica protegido. Já a queda da cobertura traz doenças de volta, como o sarampo. Neste capítulo você vê só o princípio e a política; os detalhes da resposta imunológica ficam para a imunologia.
O que é uma vacina e de que forma «treina» o sistema imunológico sem causar a doença? Cite dois tipos de vacinas (atenuadas, inativadas, de subunidades, de RNA…
O que é uma vacina e de que forma «treina» o sistema imunológico sem causar a doença? Cite dois tipos de vacinas (atenuadas, inativadas, de subunidades, de RNA mensageiro) e explique em que diferem.
As vacinas de RNA mensageiro foram administradas em larga escala com a COVID-19. Explique o seu funcionamento (instrução transitória para as nossas células produzirem o…
As vacinas de RNA mensageiro foram administradas em larga escala com a COVID-19. Explique o seu funcionamento (instrução transitória para as nossas células produzirem o antígeno), a vantagem de rapidez no seu desenvolvimento e por que motivo é incorreto afirmar que podem modificar o nosso DNA (onde atua o RNAm e qual a sua meia-vida?).
Você faz parte de um painel epidemiológico que deve avaliar a viabilidade biológica de erradicar três patógenos virais: Vírus A (Vírus da raiva): Vírus de RNA;…
Você faz parte de um painel epidemiológico que deve avaliar a viabilidade biológica de erradicar três patógenos virais:
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Vírus A (Vírus da raiva): Vírus de RNA; letalidade próxima de $100\,\%$; infecta múltiplos mamíferos silvestres (morcegos, raposas) e domésticos; existe uma vacina inativada altamente eficaz.
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Vírus B (Poliovírus tipo 1): Vírus de RNA; reservatório exclusivamente humano; entre $90\,\%$ e $95\,\%$ dos infectados são completamente assintomáticos, mas excretam partículas virais viáveis nas fezes durante semanas; existe vacina oral e inativada eficaz.
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Vírus C (Vírus do sarampo): Vírus de RNA; reservatório exclusivamente humano; praticamente $100\,\%$ dos infectados desenvolve quadro clínico evidente característico (febre, exantema), sem casos assintomáticos que transmitam; $R_0 \approx 12\text{-}18$; existe vacina atenuada eficaz.
- a) Com base no conceito de reservatório natural, justifique por que razão o Vírus A não é biologicamente erradicável em escala global, ao contrário do que se conseguiu com a varíola humana.
- b) Compare as dificuldades epidemiológicas do Vírus B em relação ao Vírus C: qual dos dois coloca um obstáculo maior para a detecção e o isolamento precoce das cadeias de transmissão? Justifique sua resposta.
- c) Elabore um método de vigilância epidemiológica não invasivo que permita detectar a circulação ativa do Vírus B em uma cidade sem necessidade de coletar amostras clínicas individuais de toda a população.
Desafio do tema. Imagine que você presta consultoria à Secretaria de Saúde e Agricultura. A sua missão é avaliar a ameaça das formas acelulares no seu ambiente e…
Desafio do tema. Imagine que você presta consultoria à Secretaria de Saúde e Agricultura. A sua missão é avaliar a ameaça das formas acelulares no seu ambiente e desenhar um guia técnico de biossegurança.
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Obtenção de dados reais: Acesse as publicações da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) ou do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Registre a incidência ou prevalência recente de uma virose (por exemplo, gripe com uma taxa de $18,4$ casos por $100.000$ habitantes), de um viroide vegetal (como o do nanismo do tomateiro) e de uma prionopatia pecuária.
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Análise comparativa: Elabore uma tabela em que você contraste os três agentes segundo a sua composição ($ARN$, $ADN$ ou isoforma proteica $PrP^{Sc}$), presença ou ausência de capsídeo/envelope e tamanho aproximado em nanômetros ($nm$).
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Parecer fundamentado: Redija uma proposta de atuação ($1$ página) explicando quais tratamentos físicos ou químicos (autoclave, radiação UV, água sanitária) são eficazes contra cada um, justificando por que a resistência de um príon ou de um viroide difere drasticamente da de um vírus com envelope lipídico.
Será avaliado:
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Rigor conceitual ao diferenciar a estrutura molecular e a patogenia de vírus, viroides e príons.
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Obtenção precisa e citação adequada de dados epidemiológicos procedentes de fontes oficiais.
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Coerência científica na justificativa físico-química dos métodos de desinfecção propostos.
Volte ao início: vírus, viroides e príons são difíceis de combater porque não têm metabolismo próprio. Eles usam a maquinaria da célula hospedeira, então antibióticos não adiantam, e destruí-los sem lesar o hospedeiro exige fármacos dirigidos a alvos moleculares muito específicos. Por isso a prevenção, em especial a vacinação, é a ferramenta mais poderosa.