Leitura da tabela cronostratigráfica
Na Serra da Estrela, em Peniche ou na Lourinhã, os geólogos encontram rochas com milhões de anos. Como se comunica a idade de uma rocha, ou de um fóssil de dinossauro, a um colega do outro lado do mundo? Usa-se uma tabela comum a toda a comunidade científica: a tabela cronostratigráfica. Nesta página aprendes a lê-la e a tirar dela números e informação.
Como está organizada a tabela
A tabela é publicada pela Comissão Internacional de Estratigrafia. Lê-se de baixo para cima: em baixo estão os tempos mais antigos e em cima os mais recentes, tal como os estratos numa coluna estratigráfica.
Cada linha corresponde a uma unidade e traz, para cada uma, a idade de início, em milhões de anos (Ma) antes do presente. O fim de uma unidade é o início da seguinte, mais recente.
A tabela agrupa as unidades em níveis. Os períodos reúnem-se em eras e as eras em éons, o nível mais abrangente. O éon Fanerozoico, o mais recente, começou há cerca de $539\ \text{Ma}$ e chega até hoje; inclui as eras Paleozoica, Mesozoica e Cenozoica. Antes dele vêm o Proterozoico (início há cerca de $2\,500\ \text{Ma}$), o Arcaico (início há cerca de $4\,000\ \text{Ma}$) e o Hadeano, que vai desde a formação da Terra, há cerca de $4\,600\ \text{Ma}$, até ao início do Arcaico. As eras do Fanerozoico começam há cerca de $539\ \text{Ma}$ (Paleozoica), $252\ \text{Ma}$ (Mesozoica) e $66\ \text{Ma}$ (Cenozoica). Em qualquer nível, a idade de início lê-se do mesmo modo: o fim do Proterozoico coincide com o início do Fanerozoico.
A tabela tem duas leituras. Os estratos (o material rochoso) medem-se em espessura e têm unidades cronostratigráficas; o tempo mede-se em Ma e tem unidades geocronológicas. Cada unidade de uma escala tem a sua equivalente na outra:
| Unidade cronostratigráfica (estratos) | Unidade geocronológica (tempo) |
|---|---|
| eonotema | éon |
| eratema | era |
| sistema | período |
| série | época |
| piso | idade |
Assim, o sistema Jurássico corresponde ao período Jurássico: o primeiro são as rochas, o segundo é o intervalo de tempo em que se formaram.
Repara que o início do Cretácico (145 Ma) é também o fim do Jurássico. Cada limite serve duas unidades vizinhas.
Consulta o fragmento simplificado da tabela cronoestratigráfica (Comissão Internacional de Estratigrafia, valores arredondados). | Era | Período | Início (Ma) | Origem…
Consulta o fragmento simplificado da tabela cronoestratigráfica (Comissão Internacional de Estratigrafia, valores arredondados).
| Era | Período | Início (Ma) | Origem do nome |
|---|---|---|---|
| Cenozoica | Quaternário | 2,6 | do latim: conjunto de quatro |
| Cenozoica | Neogénico | 23 | «nova génese» |
| Cenozoica | Paleogénico | 66 | «antiga génese» |
| Mesozoica | Cretácico | 145 | creta (rocha calcária branca) |
| Mesozoica | Jurássico | 201 | montes Jura |
| Mesozoica | Triássico | 252 | tríplice divisão dos estratos |
| Paleozoica | Pérmico | 299 | região de Perm |
| Paleozoica | Carbónico | 359 | carvão |
| Paleozoica | Câmbrico | 541 | Câmbria (nome latino do País de Gales) |
- a) Ordena por ordem crescente de antiguidade: Triássico, Quaternário, Carbónico, Paleogénico.
- b) Indica o período que começou há cerca de $201\ \text{Ma}$ e a era a que pertence.
- c) Indica quantos períodos da tabela pertencem à era Mesozoica e nomeia-os.
- d) Calcula quanto tempo durou, aproximadamente, o período Cretácico.
Calcular durações e percentagens
A duração de uma unidade obtém-se subtraindo a idade do seu fim à idade do seu início:
$$\text{duração} = \text{início} - \text{fim}$$O fim é o início da unidade seguinte (mais recente). Se for o presente, o fim vale $0$.
Para uma era, subtrai-se ao início da era (o início do seu período mais antigo) o seu fim (o início do período seguinte): Mesozoica $= 252 - 66 = 186\ \text{Ma}$.
Para exprimir uma duração em percentagem da idade da Terra ($4\,600\ \text{Ma}$, valor arredondado), divide-se pela idade da Terra e multiplica-se por $100$.
A figura representa um fragmento da tabela cronoestratigráfica, do Câmbrico ao Quaternário, com a idade de início de cada período em milhões de anos (Ma). Uma das idades…
A figura representa um fragmento da tabela cronoestratigráfica, do Câmbrico ao Quaternário, com a idade de início de cada período em milhões de anos (Ma). Uma das idades foi substituída por um ponto de interrogação.
- a) Determina a idade que substitui o ponto de interrogação, sabendo que ela marca simultaneamente o fim da era Paleozoica e o início do período Triássico, e que o Triássico durou cerca de $51\ \text{Ma}$.
- b) Calcula a duração aproximada da era Mesozoica, usando os valores da figura.
- c) Indica, em percentagem da idade da Terra ($4\,600\ \text{Ma}$, valor arredondado), quanto representa a duração do Fanerozoico (de $541\ \text{Ma}$ até ao presente). Apresenta o resultado com uma casa decimal.
- d) Explica por que razão os limites entre períodos da tabela correspondem a mudanças nítidas no registo rochoso e fossilífero, relacionando-os com a definição das unidades cronoestratigráficas.
A origem dos nomes
Os nomes dos períodos não são aleatórios. Foram atribuídos sobretudo no século XIX, por geólogos europeus, a partir de dois critérios:
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a região onde os estratos foram descritos pela primeira vez (Câmbrico, de Câmbria, o País de Gales; Devónico, de Devon; Pérmico, de Perm; Jurássico, dos montes Jura);
-
as rochas ou características dos estratos (Carbónico, pelo carvão; Cretácico, pela creta, um calcário branco; Triássico, pela divisão em três partes).
Os nomes mais recentes seguem a mesma lógica: Quaternário vem do latim e significa «conjunto de quatro»; Neogénico significa «nova génese» e Paleogénico «antiga génese».
Os nomes dizem algo sobre a história da ciência, não sobre o ambiente que existia na altura em todo o planeta. O Cretácico tem esse nome por causa da creta da Europa, mas há estratos do Cretácico sem uma única camada de creta.
Os nomes dos períodos geológicos foram atribuídos no século XIX, quase sempre a partir das regiões onde os estratos tipo foram descritos pela primeira vez ou das rochas…
Os nomes dos períodos geológicos foram atribuídos no século XIX, quase sempre a partir das regiões onde os estratos tipo foram descritos pela primeira vez ou das rochas que os caracterizam.
| Período | Origem do nome |
|---|---|
| Câmbrico | Câmbria, nome latino do País de Gales |
| Ordovícico | ordovices, povo antigo do País de Gales |
| Devónico | Devon, região do sudoeste de Inglaterra |
| Carbónico | estratos ricos em carvão |
| Pérmico | região de Perm, junto aos montes Urais |
| Jurássico | montes Jura, entre a França e a Suíça |
| Cretácico | creta, calcário branco muito comum |
- a) Explica, com base na tabela, o que se entende por «estratos tipo» de uma unidade cronoestratigráfica e por que razão os geólogos do século XIX os usaram para definir as unidades.
- b) O nome «Cretácico» vem de uma rocha muito frequente nesses estratos. Explica que tipo de informação sobre o ambiente da época pode dar a existência de espessas camadas de creta (um calcário de origem biogénica) em regiões que hoje estão emersas.
- c) Discute uma limitação de definir unidades a partir de afloramentos concretos: o que acontece à comparação entre regiões distantes quando o mesmo intervalo de tempo está representado por rochas muito diferentes (por exemplo, calcário marinho num local e arenito continental noutro)? Indica que ferramenta permite hoje ultrapassar essa limitação.
De volta ao início: a idade de um fóssil comunica-se com o nome do período e o intervalo em Ma da tabela. Por exemplo, um dinossauro da Lourinhã pertence ao Jurássico, entre 201 e 145 Ma.
Em resumo
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A tabela cronoestratigráfica lê-se de baixo (mais antigo) para cima (mais recente).
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Cada linha dá a idade de início em Ma; o fim é o início da unidade seguinte (0 Ma para a mais recente).
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Duração = início − fim; para a percentagem da idade da Terra, divide-se por $4\,600\ \text{Ma}$ e multiplica-se por $100$.
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Os nomes dos períodos vêm de regiões ou de rochas características e são uma herança histórica.
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Os limites da tabela são fixados em locais de referência e datados, por exemplo, em cinzas vulcânicas.