O oceano Tétis e o Mediterrâneo
Numa saída de campo aos Alpes ou aos Himalaias, um aluno bate numa rocha a 3 000 m de altitude e encontra uma amonite. Um animal marinho, no cimo de uma montanha! Como é que foi lá parar? E porque é que o Mediterrâneo, mesmo aqui ao lado, guarda no fundo camadas de sal com centenas de metros?
Fósseis marinhos no cimo das montanhas
Os calcários dos Alpes e dos Himalaias contêm amonites, corais e outros organismos marinhos. Cada fóssil funciona como um indicador paleoambiental: diz-nos em que ambiente o animal vivia.
Os corais construtores de recifes só vivem em águas quentes, límpidas e pouco profundas. As amonites eram animais marinhos. E o calcário forma-se por acumulação de carbonato de cálcio, de origem química ou biológica, no fundo do mar. Conclusão: onde hoje há montanhas existiu, no passado, um mar quente e pouco profundo.
Nos Alpes e nos Himalaias encontram-se, a mais de $3\ 000\ \text{m}$ de altitude, rochas calcárias com fósseis de amonites, corais e outros seres que viviam em mares…
Nos Alpes e nos Himalaias encontram-se, a mais de $3\ 000\ \text{m}$ de altitude, rochas calcárias com fósseis de amonites, corais e outros seres que viviam em mares quentes e pouco profundos.
- a) Indica o que estes fósseis revelam sobre o ambiente que existia, no passado, no local onde hoje se erguem estas montanhas.
- b) Relaciona estas rochas com o antigo oceano Tétis.
- c) Explica como é possível que rochas formadas no fundo do mar se encontrem hoje a grande altitude, referindo os processos da dinâmica interna da Terra envolvidos.
O oceano Tétis
Há cerca de 250 Ma existia um único supercontinente, a Pangeia. Entre as suas partes norte (Laurásia) e sul (Gondwana) abria-se, em forma de cunha, o oceano Tétis. Nas suas margens continentais acumularam-se, durante dezenas de milhões de anos, espessas camadas de sedimentos marinhos, incluindo calcários ricos em fósseis.
Ao longo do Mesozoico, a Pangeia fragmentou-se. Depois, África e a Índia deslocaram-se para norte, em direção à Eurásia. Com a convergência, a litosfera oceânica do Tétis foi sendo consumida por subducção, até o oceano se fechar.
Quando duas massas continentais colidem, nenhuma delas é subduzida com facilidade, porque a litosfera continental é menos densa e flutua sobre o manto. Os sedimentos do Tétis foram então comprimidos, dobrados, fraturados e empilhados. Daí resultaram a orogenia alpino-himalaica, com os Alpes e os Himalaias. Os Pirenéus pertencem à mesma orogenia alpina, mas resultam da colisão entre a Ibéria e a Eurásia.
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Alpes: colisão entre África (com a microplaca Adriática) e a Eurásia.
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Himalaias: colisão entre a Índia e a Ásia, ainda em curso.
Como o fundo do mar chega às montanhas
Juntando as ideias, a sequência de processos é esta:
O Mediterrâneo: um resto do Tétis
O Mediterrâneo é o que resta do Tétis. É um mar quase fechado, ligado ao Atlântico apenas pelo Estreito de Gibraltar. Esta ligação estreita é decisiva no seu balanço de água.
O Mediterrâneo está num clima quente e seco, pelo que a evaporação é muito intensa. A água que perde é compensada por duas entradas: a precipitação e os rios (pouca água) e a entrada de água do Atlântico por Gibraltar (a maior parte). Se a ligação ao Atlântico se fecha, o balanço fica negativo: sai mais água do que entra.
A crise de salinidade messiniana
A partir de há cerca de 6 Ma (o Messiniano decorreu entre cerca de 7,2 e 5,3 Ma; a crise, entre cerca de 5,96 e 5,33 Ma), o movimento entre África e a Eurásia, em conjunto com variações do nível do mar, isolou quase por completo o Mediterrâneo do Atlântico. Então:
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A evaporação superou a entrada de água; o nível do mar desceu centenas de metros.
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A água restante tornou-se cada vez mais salgada.
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Os sais dissolvidos precipitaram, formando espessas camadas de evaporitos (gesso e sal-gema) no fundo da bacia, com centenas de metros.
Mais tarde, a ligação ao Atlântico reabriu (há cerca de 5,3 Ma) e o Mediterrâneo voltou a encher-se, em ambiente marinho normal. As camadas de sal ficaram debaixo dos sedimentos mais recentes.
Há cerca de 6 milhões de anos (período Messiniano, final do Miocénico), o Mediterrâneo ficou quase isolado do oceano Atlântico. A figura representa, de forma esquemática…
Há cerca de 6 milhões de anos (período Messiniano, final do Miocénico), o Mediterrâneo ficou quase isolado do oceano Atlântico. A figura representa, de forma esquemática e sem escala, um corte pela região do Estreito de Gibraltar nessa época.
- a) O nível da água no Mediterrâneo é representado muito abaixo do nível do Atlântico. Explica, a partir do balanço entre a evaporação e o aporte de água (rios e Estreito de Gibraltar), como foi possível essa descida do nível do mar.
- b) A camada assinalada com «?» atinge, em certas zonas da bacia do Mediterrâneo, centenas de metros de espessura. Indica que tipo de rochas sedimentares a constitui, dando exemplos, e explica o processo que a originou.
- c) Atualmente, o Mediterrâneo voltou a encher-se até ao nível do mar global. Infere o que terá acontecido para que isso ocorresse e comenta a duração desse acontecimento à escala do tempo geológico.
Em resumo
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O Tétis foi um oceano entre a Laurásia e o Gondwana. Fechou-se quando África e a Índia colidiram com a Eurásia.
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Os sedimentos marinhos do Tétis, comprimidos e dobrados, originaram os Alpes e os Himalaias. Por isso há calcários com fósseis marinhos a mais de 3 000 m de altitude.
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A sequência é: sedimentação, subducção, colisão, espessamento e levantamento (isostasia) e erosão.
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O Mediterrâneo é um resto do Tétis, ligado ao Atlântico por Gibraltar.
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Há cerca de 6 Ma, o isolamento fez a evaporação superar o aporte de água: o nível desceu e formaram-se camadas de evaporitos (crise de salinidade messiniana).
De volta ao início: a amonite está no cimo da montanha porque o fundo do Tétis foi comprimido e levantado, e o sal no fundo do Mediterrâneo é o rasto de um mar que quase secou.